Estudo revela que 52,1% do território do oeste baiano têm vegetação nativa preservada

Fórum Canal Rural

Com uma das agriculturas mais tecnificadas e produtivas do mundo, os produtores do oeste da Bahia vêm se mostrando líderes em outra área. Na tarde desta terça-feira (29), ficou evidenciado o papel da categoria na preservação do cerrado baiano, tema do Fórum do Canal Rural, realizado no auditório da Fundação Bahia, em Luís Eduardo Magalhães, oeste da Bahia. Apesar de a feira ter sido adiada para o período de 05 a 09 de junho, foi mantida a data do tradicional evento, transmitido ao vivo pela Tv e Internet. O Fórum contou com a participação de telespectadores e internautas de todo o Brasil.

Durante a transmissão, foi divulgado, em primeira mão, um estudo da Embrapa Monitoramento por Satélite que mostra que 52,1% da área dos produtores rurais são destinadas à preservação do meio ambiente por meio de Reserva Legal, Área Preservação Permanente (APP´s) e vegetação excedente preservada além do que exige o Código Florestal. “Se convertermos isso em valores, o patrimônio fundiário preservado por estes produtores pode variar de R$ 11 a R$ 26 bilhões, a depender se é o preço da terra com ou sem produção agrícola. Qual a categoria profissional que imobiliza essa quantia para o meio ambiente?”, questionou o chefe da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda, ao mostrar que os números reforçam a real contribuição do agricultor na preservação do bioma.

Fórum Canal Rural
Fórum Canal Rural. Foto: Divulgação

Ao integrar o debate, o pesquisador da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), Luís Gustavo Amaral, reforçou a importância de estudos, como os da Embrapa, que possam aprofundar o conhecimento e desmistificar alguns preconceitos. “O bioma do oeste da Bahia possui suas particularidades, e um amplo estudo também está em andamento na região sobre a capacidade de infiltração da água no solo, com base nesses resultados é possível gerenciar melhor as práticas agrícolas em relação ao meio ambiente. O bom aproveitamento, exploração adequada aliado ao conhecimento técnico garantirão a preservação do bioma e acesso da população aos alimentos, e a melhores condições de vida”, afirma, ao citar o Estudo do Potencial Hídrico do Oeste da Bahia, que visa mensurar, por meio de estudos de solo, clima, chuvas e rios, a capacidade de recarga do Aquífero Urucuia.

Segundo o pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Fernando Pruski, até 2050 a produção mundial de alimentos precisará aumentar em 50% para acompanhar o ritmo de consumo e crescimento da população. “Nesse contexto, o cerrado se apresenta como um forte espaço e a irrigação na agricultura poderá ser utilizada com base nas disponibilidades e nas demandas. Ao estudar o potencial hídrico da região, pretendemos garantir a segurança hídrica e alimentar, proporcionando aos pequenos, médios e grandes produtores o direito de produzir mais com menos impacto ambiental, através de uma irrigação eficiente”, reforça ao citar que a pesquisa é fruto de uma parceria da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e o Institute Water For Food da Universidade de Nebraska, nos EUA.

Sob o comando do jornalista Márcio Fernandes, o Fórum contou com a presença dos presidentes das duas associações responsáveis pelo estudo, Celestino Zanella, da Aiba, e Júlio Cézar Busato, da Abapa. “A Bahia Farm Show não é só uma feira de negócios, mas um evento que busca dar andamento a várias ações e disseminação de conhecimentos, uma parceria entre entidades que buscam a valorização do agronegócio, com respeito ao meio ambiente e a conservação dos recursos hídricos existentes”, avaliou Zanella que também preside a feira.

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Fonte: Folha Geral

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Produção de melão avança no Piauí com manutenção de vegetação nativa

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Mesmo numa região considerada seca e poucas possibilidades, uma fazenda piauiense mostra que é possível fazer bonito e colher melão com qualidade. A irrigação por gotejamento é um exemplo da prática de cuidado com o solo. A água pinga somente o necessário. A vazão é controlada por estação. Existem várias instaladas em cada unidade de produção da fazenda. A energia vem da luz do sol e o sistema é de tecnologia brasileira, desenvolvida por uma empresa cearense.

“A gente controla tudo em tempo real. Nós temos uma casa de máquinas e um escritório de monitoramento. Dessa forma se algo estiver fora do padrão a gente comunica a pessoa que está naquele local para apurar o que está ocorrendo”, disse o tecnólogo Eder Elton.

A semente do melão não é plantada direto na terra. No espaço chamado de berçário são feitas as mudas. Primeiro prepara o insumo feito com fibra de coco seca, água e produtos biológicos. Depois ele descansa até atingir a umidade ideal para colocar a semente.

O insumo e a semente ficam em bandejas. A máquina faz parte do trabalho, mas as mãos e os olhos dos funcionários finalizam este processo.

As primeiras vinte quatro horas da muda de melão amarelo são dentro desta câmara de refrigeração. As outras variedades, espanhol e gália, passam dois dias. É na estufa onde acontece a germinação. As folhas com o tom de verde mais escuro são as mudas mais novas.

O mais claro é uma característica das mais velhas, mas todas ficam aqui o mesmo tempo, 14 dias. Esta gaiola cercada por tela é usada para levar as mudas até o campo. Assim se evita que qualquer ameaça chegue até lá. Durante o plantio, máquina e homem se completam. Este plástico branco colocado no solo também faz parte do circuito de proteção, evitando o contato da fruta com a terra.

A área fica coberta com o TNT (tecido especial). A planta se desenvolve e depois de 21 dias a cobertura é retirada. Acredita-se que durante este tempo a imunização aumente e a chance de uma impestação diminua.

Este cuidado é aplicado nos 826 hectares plantados com mudas de melão. A variedade amarelo toma conta da maior área, 756. A colheita acontece 65 dias depois do plantio. O padrão de qualidade de cada fruta é avaliado de várias maneiras, mas só uma confirma o que a fazenda Itaueira entende como o melhor.

Melões colhidos, agora lavados em um tanque com água e cloro. O cuidado é para não deixar passar nenhuma deformidade na casca. Só assim eles entram no setor de embalagem. Peso, cumprimento, sabor são requisitos que determinam o destino da fruta. O melão colhido no semiárido piauiense ultrapassa fronteiras.

Fonte: G1