Uso da água, de novo e sempre

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A ANA (Agência Nacional de Águas), por meio do estudo Conjuntura dos Recursos Hídricos-2018, dá conta de que o uso da água no Brasil deve crescer 24% até 2030. Segundo o levantamento, em 2017 somente a irrigação, consumiu 52% da água, ao que, somando-se o abastecimento rural (1,7%), mais o uso animal (8%), chega-se ao fato de que o agronegócio consumiu mais de 60% da retirada dos mananciais brasileiros. Daí se olhar o consumo de água pelo agro com lentes de aumento. Mas, será que esta análise está correta? O uso da água no agro pode ser comparado à água gasta em outros setores?

A própria ANA define, no Atlas Irrigação, que “a agricultura irrigada é um uso consuntivo da água, ou seja, altera suas condições na medida em que é retirada do ambiente e a maior parte é consumida pela evapotranspiração das plantas e do solo, não retornando diretamente aos corpos hídricos”. Por esta conta, a água gasta em irrigação seria da ordem de 75% da retirada. Então já não seriam os mais de 60%, mas 45%. Por outro lado, a água gasta em outros setores acaba indo para os rios e mares, evaporando muito longe da microbacia de origem. E vai virar chuva bem longe de casa. Só que isso não sai no jornal. Mas, ainda assim, a água usada na irrigação é evaporada em parte, boa parte vai para as plantas e para o solo, sendo em boa parte evapotranspirada. Parte volta para as minas locais, e evaporação e evapotranspiração significam volta à atmosfera. Ou seja, o ciclo é fechado. Esta água vai voltar, na mina local ou como chuva. Então não é água gasta, é água usada.

O fato é que se estima que, no Brasil, são irrigados aproximadamente 7 milhões de hectares, ou perto de 10% da área agrícola. É pouco. Para que o Brasil consiga cumprir a necessidade de produção de alimentos, fibras e energia que se espera, haverá necessidade de aumento da área irrigada, além de melhoria da eficiência. É muito mais barato, econômica, logística e ambientalmente, do que a exploração de novas áreas. Considerando ainda que são previstos cada vez mais veranicos e veranicos mais longos, é fundamental que se considere a expansão da irrigação como um investimento fundamental para a manutenção de nosso agro e para a estabilidade econômica do país.

Até 2030 é prevista uma expansão significativa da produção agropecuária no Brasil. Especificamente, está prevista uma expansão de 3,14 milhões de hectares na área irrigada, que deverá atingir pouco mais de 10 milhões de hectares em pouco mais de 10 anos. Embora signifique um aumento de mais de 40% sobre a área atual, representará o aproveitamento de apenas 28% do potencial estimado.

Ainda tem muito chão. Ainda podemos crescer muito. Só depende do estabelecimento de políticas públicas que o permitam, tais como simplificação na outorga de água e financiamentos específicos.

Ciro Rosolem, vice-presidente de Comunicação Científico Agro Sustentável (CCAS) e professor titular de Ciências Agrícolas da FCA/Unesp Botucatu (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho).

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Uso da água, de novo e sempre

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A Agência Nacional de Águas (ANA), através do estudo Conjuntura dos Recursos Hídricos-2018, dá conta de que o uso da água no Brasil deve crescer 24% até 2030. Segundo o levantamento, em 2017 somente a irrigação, consumiu 52% da água, ao que, somando-se o abastecimento rural (1,7%), mais o uso animal (8%), chega-se ao fato de que o agronegócio consumiu mais de 60% da retirada dos mananciais brasileiros. Daí se olhar o consumo de água pelo agro com lentes de aumento. Mas, será que esta análise está correta? O uso da água no agro pode ser comparado à água gasta em outros setores? Vejamos.

Ciro Rosolem - Artigo

Ciro Rosolem

A própria ANA define, no Atlas Irrigação, que “a agricultura irrigada é um uso consuntivo da água, ou seja, altera suas condições na medida em que é retirada do ambiente e a maior parte é consumida pela evapotranspiração das plantas e do solo, não retornando diretamente aos corpos hídricos”. Por esta conta, a água gasta em irrigação seria da ordem de 75% da retirada. Então já não seriam os mais de 60%, mas 45%. Por outro lado, a água gasta em outros setores acaba indo para os rios e mares, evaporando muito longe da microbacia de origem. E vai virar chuva bem longe de casa. Só que isso não sai no jornal. Mas, ainda assim, a água usada na irrigação é evaporada em parte, boa parte vai para as plantas e para o solo, sendo em boa parte evapotranspirada. Parte volta para as minas locais, e evaporação e evapotranspiração significam volta à atmosfera. O seja, o ciclo é fechado. Esta água vai voltar, na mina local ou como chuva. Então não é água gasta, é água usada.

O fato é que se estima que, no Brasil, são irrigados aproximadamente 7 milhões de hectares, ou perto de 10% da área agrícola. É pouco. Para que o Brasil consiga cumprir a necessidade de produção de alimentos, fibras e energia que se espera, haverá necessidade de aumento da área irrigada, além de melhoria da eficiência. É muito mais barato, econômica, logística e ambientalmente, do que a exploração de novas áreas. Considerando ainda que são previstos cada vez mais veranicos e veranicos mais longos, é fundamental que se considere a expansão da irrigação como um investimento fundamental para a manutenção de nosso agro e para a estabilidade econômica do país.

Até 2030 é prevista uma expansão significativa da produção agropecuária no Brasil. Especificamente, está prevista uma expansão de 3,14 milhões de hectares na área irrigada, que deverá atingir pouco mais de 10 milhões de hectares em pouco mais de 10 anos. Embora signifique um aumento de mais de 40% sobre a área atual, representará o aproveitamento de apenas 28% do potencial estimado.

Ainda tem muito chão. Ainda podemos crescer muito. Só depende do estabelecimento de políticas públicas que o permitam, tais como simplificação na outorga de água e financiamentos específicos.

 

 

*Por Ciro Rosolem

vice-Presidente de Comunicação Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu).

Lei no. 18.878/ 2016 isenta produtor de pagar pelo uso da água

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Os produtores rurais do Paraná estão isentos das taxas de controle, acompanhamento e fiscalização do uso de recursos hídricos e minerais. A Lei no. 18.878/ 2016 que trata do tema foi publicada no Diário Oficial da última sexta-feira (30/09). A medida atende solicitação da FAEP e da Ocepar que estiveram em reuniões e audiências públicas com as lideranças do governo na Assembleia Legislativa, com o Secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa, e com o governador Beto Richa, sensibilizando-os sobre os prejuízos que a medida traria para a produção agropecuária e para as agroindústrias do Paraná. O projeto de lei nº 434/2016 foi aprovado pelos deputados estaduais, junto com outras propostas que promovem o ajuste fiscal. Os projetos receberam 154 emendas em plenário, sendo que 20 emendas foram aprovadas pelos parlamentares, entre elas a isenção de produtores rurais na cobrança da taxa de água.

“A isenção da atividade agropecuária, comercial e industrial é uma medida sensata e demonstra que nossos deputados estão preocupados em estimular a produção do Estado. O impacto para o produtor seria muito alto em contrapartida o retorno para os cofres públicos seria insignificante”, avalia o presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette.

A legislação também isenta as pequenas centrais hidrelétricas do estado da cobrança da água. A lei também isenta da cobrança de taxa de controle, monitoramento e fiscalização das atividades de pesquisa, lavra, exploração e aproveitamento de recursos minerais como a lavra e a exploração de calcário, argilas, areias, britas, pedriscos, saibros, talcos, feldispatos. São matérias-primas de uma série de produtos que afetariam diretamente a agricultura.

Outro Projeto de lei que passou pela Assembleia e também foi sancionado é o de  nº 433/2016  que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, o conselho de contribuintes e recursos fiscais, definindo composição e competências. Entre as alterações, a indicação de integrantes do Conselho de Contribuintes poderá ser feita, por exemplo, pela Federação da Agricultura, Federação do Comércio, Federação das Indústrias e Associação Comercial do Paraná. O projeto foi aprovado na Alep com oito emendas.

 

Fonte: CNA

Vote no Instituto INOVAGRI para ganhar o Desafio de Impacto Social Google 2016

O Instituto INOVAGRI está entre os finalistas do Nordeste do Desafio de Impacto Social 2016. Com o projeto: sistema que orienta agricultores a não desperdiçar água. 

desafiogoogle

Clique para votar https://desafiosocial.withgoogle.com/brazil2016/charity/instituto-inovagri

Apesar do Brasil ter cerca de 12% das reservas de água doce do mundo, a água ainda é muito escassa no Nordeste. Após 5 anos de chuvas abaixo da média, a situação está bem mais grave. Com a plataforma S@UA (Sistema de Assessoramento para o Uso da Água na Agropecuária), o Instituto INOVAGRI vai conectar os gestores de abastecimento com dados de agricultores para distribuir a água limitada de forma mais eficiente. Eles pretendem beneficiar mais de 80 municípios em dois anos com o prêmio.

Saiba mais

O projeto é importante em face da necessidade do manejo integrado de toda a bacia para evitar o desperdício e a incidência de conflitos sobre o uso da água visando a obtenção de um cenário propício ao uso eficiente e racional da água, atingindo-se um equilíbrio entre as demandas hídricas da sociedade e as disponibilidades efetivas das águas superficiais e subterrâneas de toda a bacia.

O foco será aplicar nas bacias receptoras da Transposição do Rio São Francisco no Estado do Ceará que deve ser concluída ainda este ano.

O INOVAGRI desenvolveu o Sistema de Assessoramento ao Irrigante – S@I em 2012 e o Sistema de Assessoramento às Bacias Hidrográficas – S@BH, que foi desenvolvido em 2014 e ampliado em 2015. O último trabalho que utilizou as ferramentas do INOVAGRI foi o “Estudo de indicadores e critérios para a alocação da água nas bacias do Médio e Baixo Jaguaribe”. Este trabalho foi financiado pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará – ADECE e teve a parceria do Instituto CENTEC e da Companhia de Gestão dos recursos Hídricos – COGERH.

Os dois sistemas serão a base para desenvolver o S@UA e o INOVAGRI conta com todas essas parcerias para proporcionar, através desta ferramenta, o uso racional da água no setor agropecuário, podendo também ser utilizada em outras bacias hidrográficas do Brasil.

Sobre o Desafio

No dia 14 de junho, os finalistas do Desafio apresentarão seus projetos para um painel de juízes. Eles escolherão 3 vencedores e anunciarão o vencedor da votação pública. Cada um desses 4 vencedores receberá um prêmio do Desafio de Impacto Social de R$1,5 milhão.