Pior seca dos últimos 100 anos testa limites dos reservatórios do país

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil - 8/12/15
Na Bahia, o lago de Sobradinho, terceiro maior do Brasil em volume de água, enfrenta a estiagem com apenas 5% de sua capacidade total de armazenamento, menos da metade do que tinha há exatamente um ano, quando já estava em crise. Em Goiás, a represa de Serra da Mesa, a maior do País em capacidade de armazenamento, está com somente 8% do volume que é capaz de guardar. E essa situação vai piorar.

Os cenários traçados pela Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que, até o fim do período seco, no dia 1.º de dezembro, Sobradinho vai chegar ao nível zero, ou seja, vai atingir seu “volume morto” pela primeira vez na história. Com a cota de água no volume morto, a hidrelétrica instalada na barragem terá de ser desligada.
O pior cenário já visto em Sobradinho ocorreu no fim de 2015, quando o nível da represa chegou a 1%. As informações foram confirmadas pelo superintendente de operações e eventos críticos da ANA, Joaquim Gondim. “Sabemos que isso vai acontecer, não será surpresa. Nesse volume zero, a usina de Sobradinho terá que parar de gerar energia, porque a quantidade de água que será liberada pela barragem não chegará ao mínimo necessário para que uma turbina funcione”, afirmou.
No caso de Serra da Mesa, as projeções da ANA apontam que, no dia 1.º de dezembro, o reservatório estará com apenas 5% de sua capacidade de armazenamento. É uma situação desconhecida desde a formação da barragem, 19 anos atrás.
Em setembro de 2009, por exemplo, Sobradinho passava pelo período seco com 70% de sua capacidade plena, ante os 5% atuais. Nesse mesmo mês e ano, Serra da Mesa tinha 53% de seu lago cheio, sem encarar nenhum tipo de limitação. Nos últimos cinco anos, porém, as condições só pioraram.
Para administrar as crises da bacia dos Rios São Francisco e Tocantins, a ANA tem realizado reuniões semanais para tratar de Sobradinho e quinzenais para discutir Serra da Mesa. No reservatório baiano, foi instituído desde junho o Dia do Rio. Toda quarta-feira é proibida a retirada de água do reservatório para irrigação e uso industrial. “Esse programa está funcionando em todo o São Francisco, desde a cabeceira, em Três Marias, até a foz”, diz Gondim.
A agência avalia a possibilidade de adotar a mesma medida para Serra da Mesa. O que já está decidido é que, durante o período seco e os meses de chuva, entre dezembro e março, a barragem do Rio Tocantins manterá vazão mínima de água, de 300 metros cúbicos por segundo, para que o reservatório possa buscar novamente seu nível de segurança hídrica, algo em torno de 30% da capacidade.
De qualquer modo, a ANA acredita que não haverá racionamento de água nos municípios que dependem das duas bacias. As restrições devem atingir a irrigação, a indústria e a navegação, além da geração de energia. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou as previsões de chuvas para o Nordeste, que viu sua margem cair de 30% para 29% da média histórica para este mês. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Correio Braziliense
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Maiores represas do país enfrentam seca histórica

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A pior seca dos últimos 100 anos tem testado os limites de alguns dos maiores reservatórios do País. Na Bahia, o lago de Sobradinho, terceiro maior do Brasil em volume de água, enfrenta a estiagem com apenas 5% de sua capacidade total de armazenamento, menos da metade do que tinha há exatamente um ano, quando já estava em crise. Em Goiás, a represa de Serra da Mesa, a maior do País em capacidade de armazenamento, está com somente 8% do volume que é capaz de guardar. E essa situação vai piorar.

Os cenários traçados pela Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que, até o fim do período seco, no dia 1.º de dezembro, Sobradinho vai chegar ao nível zero, ou seja, vai atingir seu “volume morto” pela primeira vez na história. Com a cota de água no volume morto, a hidrelétrica instalada na barragem terá de ser desligada.

O pior cenário já visto em Sobradinho ocorreu no fim de 2015, quando o nível da represa chegou a 1%. As informações foram confirmadas pelo superintendente de operações e eventos críticos da ANA, Joaquim Gondim. “Sabemos que isso vai acontecer, não será surpresa. Nesse volume zero, a usina de Sobradinho terá que parar de gerar energia, porque a quantidade de água que será liberada pela barragem não chegará ao mínimo necessário para que uma turbina funcione”, afirmou.

No caso de Serra da Mesa, as projeções da ANA apontam que, no dia 1.º de dezembro, o reservatório estará com apenas 5% de sua capacidade de armazenamento. É uma situação desconhecida desde a formação da barragem, 19 anos atrás.

Em setembro de 2009, por exemplo, Sobradinho passava pelo período seco com 70% de sua capacidade plena, ante os 5% atuais. Nesse mesmo mês e ano, Serra da Mesa tinha 53% de seu lago cheio, sem encarar nenhum tipo de limitação. Nos últimos cinco anos, porém, as condições só pioraram.

Para administrar as crises da bacia dos Rios São Francisco e Tocantins, a ANA tem realizado reuniões semanais para tratar de Sobradinho e quinzenais para discutir Serra da Mesa. No reservatório baiano, foi instituído desde junho o Dia do Rio. Toda quarta-feira é proibida a retirada de água do reservatório para irrigação e uso industrial. “Esse programa está funcionando em todo o São Francisco, desde a cabeceira, em Três Marias, até a foz”, diz Gondim.

A agência avalia a possibilidade de adotar a mesma medida para Serra da Mesa. O que já está decidido é que, durante o período seco e os meses de chuva, entre dezembro e março, a barragem do Rio Tocantins manterá vazão mínima de água, de 300 metros cúbicos por segundo, para que o reservatório possa buscar novamente seu nível de segurança hídrica, algo em torno de 30% da capacidade.

De qualquer modo, a ANA acredita que não haverá racionamento de água nos municípios que dependem das duas bacias. As restrições devem atingir a irrigação, a indústria e a navegação, além da geração de energia.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou as previsões de chuvas para o Nordeste, que viu sua margem cair de 30% para 29% da média histórica para este mês. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em plena seca, famílias de PE mantêm plantação verde com ‘bioágua’

Tecnologia reaproveita água do chuveiro e da pia da cozinha para irrigação.
Manoel e Maria produzem acerola, goiaba, banana e pinha no Sertão de PE. 

Manoel e Maria Gercília estão conseguindo plantar mesmo com a Seca (Foto: Juliane Peixinho/ G1)
Manoel e Maria Gercília estão conseguindo plantar mesmo com a Seca (Foto: Juliane Peixinho/ G1)

Manoel e Maria Gercília estão conseguindo plantar mesmo com a Seca (Foto: Juliane Peixinho/ G1)Manoel e Maria Gercília estão conseguindo plantar mesmo com a Seca (Foto: Juliane Peixinho/ G1)

No Sertão de Pernambuco, Manoel e Maria Gercília produzem acerola, goiaba, banana, pinha e romã apesar dos quase cinco anos de estiagem na região. A família, que reside na comunidade de Sítio Santa Fé, na Zona Rural de Santa Filomena, uma das 36 cidades pernambucanas em estado de emergência pela seca, tem conseguido manter o verde da plantação graças ao sistema de ‘bioágua’, uma tecnologia que reaproveita as ‘águas cinzas’, usadas no chuveiro e na pia da cozinha, para a irrigação de plantas frutíferas e hortaliças.

O G1 mostra, em uma série de reportagens, uma pequena amostra da realidade vivida na região – e as muitas saídas que encontra para conseguir sobreviver. Confira aqui as histórias, contadas em cada um dos nove estados do Nordeste brasileiro.

Maria Gercília consegue ter água para irrigar a plantação após o sistema de bioágua (Foto: Juliane Peixinho/ G1)
(Foto: Juliane Peixinho/ G1)

Maria Gercília Alves da Silva tem 56 anos e há 33 anos é casada com Manoel Pereira Barros, de 58 anos, mais conhecido como ‘Nequinho’, com quem teve oito filhos. Há dois anos, a propriedade do casal em Santa Filomena recebeu da ONG Caatinga um bioágua familiar. O sistema possibilita o reúso da água através de um processo de filtragem.

A partir do sistema, 130 litros de água gastos em média pela família passaram a ser levados para irrigar a plantação. “Antes, a gente estava comprando água, e uma carrada de água estava R$70. Não tinha condição de comprar para molhar as plantas. Nós tínhamos uma plantação de banana que se acabou. Agora, ficaram só as outras plantas, as goiabeiras, acerola, graviola e pinha, e nós sustentamos essas plantas com a água do bioágua”, conta a agricultora.

Manoel acreditava que o sistema era difícil, mas logo se adaltou ao bioágua (Foto: Juliane Peixinho/ G1)
(Foto: Juliane Peixinho/ G1)

Segundo Manoel, é o sistema que mantém a plantação viva. “Começou em 2014. Eu achava difícil, mas depois de montado, eu vi que era mais fácil. O biágua é uma ajuda boa, conseguimos plantar umas goiabas, pinha, romã e acerola. A gente vende e dá uma renda. Se não fosse o biágua, não sei como a gente estava passando com essa seca”, ressalta.

O sistema do biógua funciona de forma simples: a água que é utilizada pela família no banheiro e na pia da cozinha é canalizada para uma caixa de coleta de gordura. Em seguida, a água da caixa é direcionada para um cano em formato de ‘garfo’. A sujeira é decantada, e a água goteja em um primeiro filtro com um metro de profundidade e um metro e meio de diâmetro. O filtro possui cinco camadas de materiais diferentes :pedras, cascalho de pedras, areia, pó de serra, húmus de minhoca e carvão. Depois de filtrada, a água segue para o segundo tanque, que tem um motor que bombeia o líquido para as mangueiras que irrigam a plantação.

Já foram instalados 20 bióguas no Sertão do Araripe. De acordo com a técnica de campo da ONG Caatinga, Kátia Rejane Holanda Lopes, a tecnologia foi trazida para a região através de um intercâmbio com o projeto Dom Helder Camara, no Rio Grande do Norte. “Em 2012, a ONG Caatinga reuniu um grupo de famílias de agricultores e levou para o Rio Grande do Norte, que já tinha a tecnologia implantada, para conhecer e aprender a fazer o sistema. Na volta da viagem, foram construídos dez bioáguas em várias comunidades. [Instalamos] mais dez em um projeto que a gente trabalhou com jovens”, explica.
Água para mohar a plantação não tem faltado com biágua (Foto: Juliane Peixinho/ G1)Água para mohar a plantação não tem faltado com biágua (Foto: Juliane Peixinho/ G1)

 

A implantação de um biógua familiar custa em torno de R$5 mil. Segundo a técnica de campo, é uma tecnologia relativamente barata. A ONG faz a captação de recursos através de editais de projetos. “Durante o período da seca, muitas famílias deixam de produzir porque não tem água. O bioágua dá condição de que elas aproveitem a água que naturalmente elas já usariam”, afirma.

Sistema de biógua está sendo daptado para Escola Rural Ouricuri (Foto: Juliane Peixinho/ G1)
(Foto: Juliane Peixinho/ G1)

A expectativa é que agora seja adaptado um grande bioágua na Escola Rural Ouricuri , e que 414 alunos possam se beneficiar com as hortaliças irrigadas pela água do sistema. A implantação já aconteceu em 2015, mas o equipamento precisou de mudanças por causa da grande produção de água do local. “Nós usamos por uns seis meses, mas começou a surgir problema por por conta da produção de água excedente. Agora, a gente está repensando [o sistema] com a ONG Caatinga para que ele volte a funcionar”, relata a gestora da escola, Ana Paula da Silva.

“Quando se fala em tecnologia, as pessoas pensam em celular, em computador, mas essa é uma tecnologia de captação, tratamento e reúso de água cinzas”, explica o professor Joseilton Texeira Salviano, que participa da implantação do bioágua. “São produzidos em torno de 300 litros de água por dia. A caixa [de gordura do sistema] não comportava essa produção, então a gente quebrou e desativou para fazer adaptações”, esclarece.

Água usada para lavar a louça da escola será aproveitada com reativação do bioágua (Foto: Juliane Peixinho/ G1)
(Foto: Juliane Peixinho/ G1)

Ele defende que a tecnologia é viável para o semiárido nordestino. “Nós moramos em uma região em que a precipitação é muito abaixo da média nacional. Aqui chove entre 600 e 900 milímetros quando é um ano bom. E como isso não vem acontecendo na nossa região, reaproveitar qualquer água que você tem é viável. E ainda a gente utiliza para produzir hortaliças que podem ser usadas na alimentação das crianças”, afirma. “É importante fazer que toda a família tenha uma estrutura dessa em sua casa.”

Fonte: G1

Plantações de coco somem com a seca e desemprego chega a 98% no município de Sousa

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Em cinco anos consecutivos de estiagem, a maior produção de coco da Paraíba foi praticamente extinta. De acordo com o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), na área conhecida como o Perímetro Irrigado de São Gonçalo, pertencente às Várzeas de Sousa, o desemprego atinge até 98% no setor. Por ano, os paraibanos deixaram de lucrar até R$ 20 milhões.

A produção, que girava em torno de 30 caminhões de coco por dia, exportados do Sertão paraibano para todo Brasil, tornou-se irrelevante. O açude São Gonçalo, que abastece além do município de Sousa e também Marizópolis, se encontra com apenas 27,3% de sua capacidade hídrica. No entanto, a irrigação do perímetro de São Gonçalo, localizado no distrito de mesmo nome, está suspensa desde 2012.

De lá para cá, os coqueiros que haviam restado foram dizimados em incêndios ocorridos no ano de 2015, quando o reservatório estava com menos de 10% da capacidade. A gerência executiva de irrigação da Secretaria de Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap) não acredita que as queimadas possam ter sido provocadas.

O atual funcionário público Abílio Duarte, 30 anos, até o ano passado fazia parte da estatística de desemprego gerada pela extinção dos coqueirais. Ele conta que era produtor de cocos e perdeu 4,5 hectares de coqueirais para a seca e o fogo.

“Às vezes eu acho que os dois incêndios possam ter sido criminosos, mas a polícia investigou e não encontrou nenhuma evidência. A terra realmente estava muito seca e o que eu tinha salvado com água de um cacimbão era só um hectare. Da minha roça viviam nove famílias. Sou casado e tenho um filho, passei num concurso em boa hora, porque não sei de onde eu iria tirar meu sustento”, disse Abílio Duarte.

Segundo o chefe do Dnocs em São Gonçalo, Ednardo Alves de Oliveira, a água que garantia as irrigações no perímetro São Gonçalo vinha do reservatório local e também do açude Engenheiro Ávidos, que abastece Cajazeiras e está hoje com 5,1% de seu volume total. Ednardo ressaltou que o solo da área é rico em fósforo e potássio, o que pode ter contribuído com os incêndios. “Até a Polícia Federal foi acionada, mas a maior parte do que foi incendiado já era coqueiro seco. Além disso, nessa região há uma alta incidência de raios solares que contribui para a qualidade da água de coco produzida em Sousa e pode também ter provocado as queimadas”, explicou.

Da fartura à miséria
O gerente executivo de irrigação da Sedap, responsável pelas Várzeas de Sousa, Demilson Lemos de Araújo, afirma que além do desemprego, outro problema é a redução da qualidade da água de coco e do preço do produto.

“Com as chuvas que estão previstas para 2017, temos esperança de retomar a cultura. Mas, até lá, o que temos hoje é um coco barato e uma água não tão boa. Em épocas de bom inverno, o preço do coco chegava a R$ 1,20 a unidade e hoje está praticamente custando só 40 centavos. Os produtores que restaram estão se mantendo com prejuízo porque sabem que quando a chuva voltar, terão um bom negócio”, disse.

Para José Miguel da Silva, conhecido por Zé da Pista, a solução para fugir do desemprego foi vender almoço e lanche às margens da BR-230, de onde consegue o sustento de sua família. O ritmo da produção de coco caiu tanto que hoje seu José já deixou até de fazer doce para vender porque faltava o principal: coco.

“Foram tempos de muita fartura e agora a gente só não passa necessidade porque tem muita coragem de trabalhar, mas é difícil. A vida antes era de riqueza, agora é de miséria. Eu ainda consegui salvar 100 coqueiros nos fundos de casa, irrigando com água de um cacimbão. Mas pra quem perdeu tudo, será necessário pelo menos uns R$ 30 mil pra recomeçar do zero”.

DIÁRIO DO SERTÃO com informações do Jornal Correio da Paraíba

Agricultores compreendem necessidade de suspender irrigação devido à seca

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Os agricultores que utilizam pequenas barragens para irrigar suas plantações no município de Malhador, situado na região Agreste, às margens dos Rios Mata Verde e Cajueiro dos Veados, foram informados oficialmente sobre a suspensão do fornecimento de água. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira, 19, pela comissão formada por gestores da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), dos Comitês das Bacias Hidrográficas, além da Deso e Cohidro.

Conforme o acordo, toda irrigação está suspensa, com exceção daqueles produtores que estão em processo de colheita, sendo autorizado a molhar a plantação uma vez por semana, sempre no dia anterior ao arranquio.

A medida foi tomada de forma consensual entre os gestores do Estado e os agricultores, visando garantir, sobretudo, o abastecimento para consumo humano e animal em meio à crise hídrica que castiga a cidade.

Para o diretor da Superintendência de Recursos Hídricos da Semarh, Pedro Lessa, que coordenou a reunião, a reação dos agricultores foi dentro do esperado.

“Eles estão conscientes desde a participação efetiva dos trabalhos. Chegamos aqui não com o intuito de punir ninguém, mas dialogar e trabalhar mecanismos naturais de se trabalhar esse recurso que é a água. Anunciamos os encaminhamentos firmados na reunião de ontem e estão todos avisados até segunda ordem”, revelou.

A discussão sobre a falta de água em Malhador, segundo Pedro Lessa, faz parte de um projeto piloto do governo e deve ajudar a exercitar o processo de gestão dos recursos hídricos, que é verificar o uso indevido da água. “Estamos dialogando com todos. A crise hídrica perdura e dias secos estão por vir ainda. A comissão formada segue mantida até o final desse período de escassez”, comunicou.

Medida necessária

O agricultor Wilson Melo disse que a medida é um corte na carne, mas se faz necessária. “Não era o que nós queríamos, neste momento, mas em virtude da seca, a determinação é compreensiva. É claro que eu vou voltar para casa muito chateado, vou ver alguns amigos perder toda a plantação, porque não tem como irrigar. Se hoje a área da mata que recobre as nascentes está devastada, por ação nossa, é porque não houve instrução. É preciso que se faça mais e que se conscientize mais”.

De forma semelhante pensa o agricultor Valmir Santos. Ele também acredita que a solução é a longo prazo, mas, para isso, é preciso conscientização ambiental. “Quem desmata as nascentes tem obrigação de replantar, porque a natureza dá a resposta no futuro”.

Por outro lado, Wilson questionou o que os agricultores que perderam tudo irão fazer parar serem ressarcidos, já que muitos deles contraíram empréstimos no Banco do Nordeste (BNB) para plantar suas culturas.

A resposta foi ponderada pelo gerente do BNB, Luiz Alberto, que afirmou que o banco vai contemplar, através do FNE Águas. “É o crédito que financia projetos para o uso eficiente e sustentável de água, com o FNE Água. O agricultor pode obter até 100% do valor do investimento financiado, a depender do porte e localização”.

Novos encontros

Após a conclusão dos trabalhos, ficou agendado para o próximo dia 25 uma nova reunião em Aracaju, com força-tarefa formada pela Semarh, além de órgãos estaduais, instituições voltadas para a preservação das bacias hidrográficas e representantes da sociedade civil para acompanhar a funcionalidade da medida.

No dia 02 de fevereiro, acontece um novo encontro em Malhador com a Comissão formada pela Semarh, Prefeitura de Malhador, Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe e Deso.

por Agência Sergipe