Mais água para 280 produtores rurais

Em tempos de estado de alerta com a baixa umidade relativa do ar e a ausência de chuvas, o desperdício de água torna-se ainda mais preocupante. Por isto, a ideia é um melhor aproveitamento desse recurso natural. Na área rural, por exemplo, o Governo do Distrito Federal investe na construção de canais subterrâneos de irrigação. Resultado: além de evitar a perda de cerca de 50% do volume de água, que corria nos antigos canais a céu aberto, a nova tubulação possibilita a distribuição de forma igualitária a todos os produtores.

“Além de economizar, os canais agora podem oferecer água para os produtores em qualquer época do ano. Quem não estava produzindo, voltará a produzir”, afirma o subsecretário de Desenvolvimento e Abastecimento Rural, Odilon Vieira Júnior. O governo está empenhado na ação. Em seis meses, 18,3 km de ramais foram feitos em todo o Distrito Federal.

No último semestre, as intervenções atingiram seis canais de irrigação do DF. Os canais nos núcleos rurais de Santos Dumont, em Planaltina; Buriti Vermelho e Lamarão, no Paranoá; e, Rodeador, em Brazlândia, já foram concluídos. As obras, agora, avançam em Tabatinga (Planaltina) e Capão Comprido (São Sebastião). “Os trabalhos devem triplicar a produção de frutas e hortaliças, principalmente, e aumentar a produção de grãos no Distrito Federal”, afirma o secretário de Agricultura, Dílson Resende.

Aumento da produção
Mais de 280 agricultores foram beneficiados com as ações deste semestre. Eduardo Azeredo, que é produtor rural em Tabatinga, é um deles. Há 26 anos no local, ele resistiu bravamente às temporadas de seca e com a falta d’água. “O plantio aqui era apenas direto e a gente torcia para vir a chuva. No ano em que ela não aparecia, a gente perdia tudo”, lembra.

Agora, porém, ele sonha em expandir os negócios. “Com a ajuda do pessoal da Emater-DF, vou construir quatro estufas para a produção de hortaliças e mais um tanque oval. Vamos ampliar a produção de galinhas caipiras e, quem sabe?, até investir na produção de peixes”, conta.

Na propriedade dele, que possui pouco mais de cinco hectares, Eduardo se concentra na criação de aves poedeiras, que produzem de quatro a cinco dúzias de ovos, diariamente. “No ano passado, plantei trigo, mas deu prejuízo, por conta das chuvas. Neste ano, com a regularidade da água, quero investir em algo certo. Afinal, tiro, dessa terra, o sustento da minha família”, explica.

Segundo o planejamento de Eduardo, os lucros vão ampliar bastante com a diversificação dos produtos. “Com a estufa, o que eu tiro em um ano, praticamente, vou tirar em um mês”, avalia.

Obras mais baratas
Com os ramais subterrâneos, a economia não é só de água, não. O governo também está consumindo menos recursos financeiros para executar os serviços nas áreas rurais. É que os trabalhos estão sendo executados em parceria, numa união dos órgãos de governo e a comunidade rural.

A Caesb, por exemplo, adquire os tubos pela tarifa de contingência; a Seagri fornece maquinário e os operadores; a Emater realiza os projetos e acompanha os trabalhos com o corpo técnico; e a associação de usuários dos canais contribui com a aquisição de material e mão de obra para confecção das caixas de passagem.

“Com esse formato, a economia é de mais de 80%”, explica Edivan Ribeiro, assessor técnico da Seagri. Segundo ele, nos canais de Tabatinga, por exemplo, o governo já destinou cerca de R$ 800 mil em emendas parlamentares. “No total, vamos usar R$ 1,2 milhão apenas para concluir 10 km de toda a rede do canal”, avalia.

Para se ter uma ideia dos valores economizados, o técnico cita um exemplo de obra similar realizada em 2013. “Fizemos apenas 200 metros de tubulação com uma empresa do ramo e pagamos à época, R$ 1 mil por metro. Agora, nesse sistema de distribuição de tarefas, o valor do metro caiu para cerca de R$ 120”, explica.

Fonte: Agência Brasília

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Produtores do DF adotam programas de uso eficiente da água

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Até pouco tempo, o cenário na região da Bacia do ribeirão Pipiripau era de conflito pelo uso da água: necessidade de atender o abastecimento humano, mais a irrigação de culturas agrícolas, além de servir aos diversos usos na pecuária.

A administração harmoniosa das diferentes necessidades e interesses da agropecuária só veio com o Projeto Produtor de Água no Pipiripau desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA) em parceria com outras 15 instituições.

Iniciado em dezembro de 2011, hoje é exemplo de programa adotado no Distrito Federal e que atua na recuperação de Áreas de Preservação Permanente, mais a conservação de água e solo em toda bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau. O manancial nasce do estado de Goiás, mas possui a maior parte da sua área no distrito Federal.

O projeto atua também em ações de readequação de estradas rurais, construção de pequenas barragens e na educação ambiental. O objetivo é aumentar o volume de água que recarrega o lençol freático e diminuir o escoamento superficial, que resulta em problemas, como erosão e assoreamento. Para isso, foram realizadas ações de revitalização ambiental por intermédio do pagamento por serviços ambientais (PSA) prestados por produtores rurais da região.

Outro destaque na região, que abriga a maior concentração de pivôs centrais da América do Sul, é a alocação negociada da água da Bacia Hidrográfica do Rio Jardim. Com a participação de 26 produtores, a ação é resultado de parceria entre a Emater-DF e a Adasa – Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal. Nessa bacia, a área irrigada por pivôs centrais é de 4.650 hectares, e são utilizados 75 pivôs.

Para otimizar o uso da água na unidade hidrográfica, a Emater-DF calculou a quantidade de água necessária para atender as áreas de plantio de todos os produtores. O controle do uso da água para irrigação obedece um esquema de revezamento entre os produtores, que foram divididos em dois grupos. Cada grupo irriga durante dois dias alternados, para evitar o excesso de retirada de água do rio.

“O projeto é muito importante, pois garante a vazão remanescente no córrego e evita prejuízos aos agricultores”, avalia Marconi Borges, gerente da Emater. Além disso, o projeto evitou perda de 3.700 hectares de culturas que seriam plantadas e perdidas por falta de água.

A Adasa tem realizado várias outras campanhas de incentivo ao uso consciente da água, além de atuar em projetos em que busca o contato direto com produtores. “Um dos principais instrumentos de gestão durante a crise hídrica foi a alocação negociada da água, que ajudou a aproximar a Adasa dos produtores, na busca pelo uso racional dos recursos hídricos disponíveis”, afirma Paulo Sérgio Salles, diretor-presidente da entidade.

Os benefícios da preservação do recurso hídrico vão além dos limites da Bacia do Rio Jardim, tendo em vista que ela está dentro da Bacia do Rio São Francisco. O Rio Jardim deságua no Rio Preto, que deságua no Rio Paracatu e este, por sua vez, deságua no Rio São Francisco. Vale destacar que o Distrito Federal possui afluentes de rios que contribuem para outras duas grandes regiões hidrográficas do Brasil: Araguaia-Tocantins e Paraná.

AgroBrasília

Os produtores que quiserem conhecer formas de uso eficiente da água poderão encontrar as últimas novidades do setor de irrigação durante a AgroBrasília – Feira Internacional do Cerrado – que acontece entre os dias 14 e 18 de maio.

O evento levará grandes empresas de tecnologia para o Distrito Federal e apresentar as soluções tecnológicas voltadas para o consumo de água. Por meio da exposição de maquinários e equipamentos, os agricultores terão ao seu alcance tecnologias de irrigação como a aspersão, a microaspersão e o gotejamento.

Serviço:
O que: AgroBrasília
Quando: 14 a 18 de maio de 2019
Onde: Parque Ivaldo Cenci, PAD-DF, BR-251, Km 5, Brasília-DF

Pesquisadores mostram como a irrigação pode potencializar a agricultura familiar

Dados apresentados pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR) mostram que a área de produção no Oeste baiano é de 2,3 milhões de hectare, desses, apenas 170 mil hectares são irrigados. A irrigação é um auxílio fundamental para garantir a segurança alimentar do mundo, pois não restringe o plantio somente no período chuvoso. Entretanto, a prática dessa atividade nas lavouras acaba gerando inúmeras interpretações. O Workshop “Fortalecimento da Agricultura Familiar Irrigada”, realizado nesta quarta-feira, 27, na Fazenda Modelo Paulo Mizote, pôs fim ao mito de que essa prática é inimiga do meio ambiente.

“Boa parte da comida que chega à mesa da população é oriunda da agricultura familiar. Então, é injusto não fortalecer a atividade ou dar a ela condição de produzir mais e o ano inteiro. A irrigação é a única técnica capaz de permitir o aumento da produtividade sem que seja necessário ampliar a área cultivada, mas quando se fala em agricultura irrigada as pessoas associam a algo ruim, por puro desconhecimento. Os sistemas atuais são modernos e ambientalmente sustentáveis”, disse o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Azis Galvão, que conduziu o painel sobre a experiência na região.

Segundo ele, 60% da agricultura familiar no mundo é irrigada, liderada pela China e pela Índia. No entanto, no Brasil, a atividade ainda é pouco tecnificada. Essa realidade começa a ser mudada, com a implantação de um projeto piloto dentro do campo experimental da Fazenda Modelo. A iniciativa vai beneficiar alunos dos cursos técnicos da “Fazenda-Escola” e pequenos produtores rurais do Perímetro Irrigado Barreiras Norte.

“O pequeno produtor produz somente uma vez por ano e acabou, com esse sistema terá a possibilidade de produzir mais. Com a irrigação não ficamos apenas a mercê das chuvas, saímos daqui com a certeza de que esse projeto pode mudar a realidade de muitas famílias”, afirma o presidente da Associação dos Produtores do Vale do Rio de Janeiro (Aprovele RJ), Jackson Teixeira, um dos beneficiados pela ação.

A iniciativa, que resultou na implantação de um sistema de irrigação por gotejamento e aspersão, é fruto de uma parceria entre o Instituto Aiba (Iaiba), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Instituto Water for Food e a multinacional NaanDanJain, referência mundial em irrigação nas modalidades de gotejamento e aspersão.Para o presidente da Aiba e do Instituto Aiba, Celestino Zanella, essa troca de conhecimento e experiências favorece a atuação do produtor, de forma mais precisa e consciente. “Na presença de pesquisadores, autoridades, produtores rurais, dos jovens aprendizes e estudantes de outras instituições podemos mostrar as diferentes técnicas de produção e as diferentes técnicas de irrigação. O objetivo é um só: provar que a agricultura, independentemente da escala, necessita de água para produzir, e como nós vivemos em uma região que sofre muito com veranicos, a necessidade de recorrer à irrigação para assegurar as nossas refeições diárias é real. Contudo, desempenhada de uma forma responsável que garanta também a segurança hídrica”, declarou.

O diretor científico do Instituto Water for Food, da Universidade do Nebraska, Christopher Neale, reiterou a importância da irrigação na produção de alimentos para uma população cada vez mais numerosa. Ele comentou sobre a sua experiência no continente africano, onde pequenos produtores já utilizam pivôs centrais compartilhados com outros agricultores, para otimizar o uso do recurso hídrico e aumentar a produção em grupo.

Fonte: Jornal Nova Fronteira

Agricultores reivindicam retorno do desconto na conta de luz

Contas de energia elétrica cerca de 8,5% mais caras. É quanto os produtores rurais que usam equipamentos de irrigação para manter as lavouras vão ter que pagar, ainda este ano, caso o decreto que pôs fim aos descontos na conta de luz não seja revogado.

O decreto que acabou com o subsídio nas tarifas de energia elétrica foi publicado em dezembro do ano passado pelo ex-presidente Michel Temer, e entrou em vigor na mesma data. Até então, o subsídio garantia aos agricultores um desconto de 10% a 30% nas tarifas de energia elétrica. O benefício era previsto em lei desde 2002.

“Se o desconto não voltar, nós não teremos como continuar produzindo com irrigação. A última conta de luz que chegou aqui atingiu quase R$ 2.600,00. E nós só ligamos a bomba do poço durante dois dias, para puxar água para o tanque. Assim vamos ter que esperar a chuva”, diz Genivaldo Alves, presidente do Conselho de Agricultores do Distrito Irrigado de Ribeira do Amparo, no Nordeste da Bahia. Na comunidade, a estrutura de irrigação é usada para manter as lavouras de melancia e abóbora cultivadas por 50 famílias.

O fim do benefício preocupa também os agricultores do projeto Formoso, no perímetro irrigado de Bom Jesus da Lapa, no Oeste do estado. Eles mantêm 11 mil hectares plantados na região e são os maiores produtores de banana do país. “Será inviável conduzir a atividade se os custos continuarem subindo. A nossa grande preocupação é com o número de empregos. Os 960 produtores rurais da nossa região geram cerca de 24 mil postos”, aponta o produtor rural Antônio Márcio.

O decreto prevê que os descontos na cobrança da tarifa sejam reduzidos em 20% ao ano, até chegar a zero em 2023. Em cinco anos, o custo com energia pode aumentar em até 43% para os pequenos produtores, a depender do horário de uso da energia.

Audiência

Nessa terça-feira (26/3), o impasse foi tema de uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa da Bahia. O evento reuniu produtores rurais de várias partes da Bahia, representantes de órgãos públicos do setor elétrico e hídrico, sociedade civil e parlamentares. Eles entendem que o decreto prejudica a economia baiana.

“Os custos de produção na agricultora são cada vez maiores. Os descontos são importantes para compensar estes custos. O poder público tem a missão de incentivar a produção, mas este decreto acabou onerando a produção agropecuária”, afirma Jucimara Rodrigues, assessora técnica da Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri).

Os agricultores defendem que o retorno do subsídio é essencial não apenas para a atividade agrícola, mas também para a segurança alimentar e para a manutenção do fornecimento de alimentos.

“A tecnologia foi feita para garantir e baratear a produção de alimentos, mas cerca de 51% dos gastos com irrigação são com a energia elétrica. Se continuar assim, a perda do desconto pode inviabilizar a produção de algumas culturas irrigadas”, aponta Hermes Bonfim Neto, engenheiro agrônomo, especialista em irrigação e drenagem.

Segundo ele, a conta é simples. “Até 2006, o agricultor precisava vender 15 sacos de milho para pagar a conta de energia elétrica, em um hectare irrigado. Ano passado, para pagar a fatura ele precisou vender 29 sacos. E caso o desconto não volte até 2023, serão necessários 34 sacos de milho para pagar a conta”, explica Hermes.

Os estudos apontam ainda que o custo da energia elétrica para os produtores rurais aumentou 108% entre 2006 e 2018. Só nos últimos quatro anos as tarifas foram reajustadas em 81%.

Especialistas no setor dizem que o decreto pode provocar um aumento também nos valores dos serviços básicos, como o fornecimento de água, já que o decreto tambem retirou o subsídio oferecido às empresas de água e esgoto.

“A Embasa vai ter que pagar a mais para bombear a água para os consumidores”, destaca Marcelo Nunes Abreu, Superintendente da Secretaria Estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento.

O impasse já preocupa até as empresas que fornecem energia elétrica.

“É um decreto federal e teremos que cumprir. Mas nos preocupa uma possível consequência no faturamento da energia elétrica, podem surgir dificuldades de pagamento e a elevação dos índices de inadimplência”, afirma Moacir Pina dos Santos, gerente de Regulação da Coelba.

Repasse para o consumidor

Até o fim do ano passado, o subsídio concedido para os agricultores somava um total R$ 3,4 bilhões por ano. O problema, segundo o governo federal, é que este valor era repassado para as contas de luz de todos os consumidores do país, que acabavam pagando a mais para compensar o benefício. A taxa está incluída na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que vem embutida na conta de luz.

A retirada do benefício para os agricultores significaria, segundo o governo, uma economia de 1% a 2% na conta do consumidor residencial. Segundo cálculos da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), o decreto em vigor eliminaria, pelo menos, R$ 859 milhões nas contas de luz já este ano.

Apesar de reconhecer que os subsídios ficaram muito elevados, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defende os descontos. A CNA considera o subsídio uma espécie de compensação pelos pela má qualidade do serviço prestado ao setor na zona rural. Entre outros motivos, a confederação alega que a energia fornecida no campo tem baixa qualidade, e que muitas vezes os próprios produtores rurais investem em estrutura para ter acesso ao serviço.

Segundo a CNA, a conta de luz representa até 30% dos custos de produção de alguns segmentos, como os de produção de leite e ovos, que precisam manter equipamentos ligados para garantir a produção.

“É comum ficar 24 horas sem energia, quedas frequentes e até mesmo falta disponibilidade de energia. Em alguns lugares o produtor custeia toda a rede e entrega para o concessionário e paga como se o ativo fosse da empresa. Não é justo recebermos um serviço com qualidade menor e pagar o mesmo preço”, diz Gustavo Goretti, assessor técnico da Comissão Nacional de Irrigação da CNA.

Os representantes dos agricultores na Bahia também defendem que as consequências podem se tornar ainda mais onerosas para o consumidor final.

“Quando os custos de produção aumentam no campo, isso se reflete no bolso do consumidor, porque os preços dos alimentos acabam ficando mais elevados nos supermercados. Isso pesa no orçamento daqueles mais carentes e que mais precisam. Mas não tem como o agricultor segurar sozinho este custo. A cesta básica vai ficar mais cara”, avalia Humberto Miranda, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia.

Frente parlamentar

Durante a audiência, os deputados estaduais baianos ligados a Comissão de Agricultura e Pecuária da Assembleia Legislativa, decidiram que irão a Brasília reivindicar a suspensão do decreto. Segundo eles, a medida afeta também unidades públicas de saneamento e irrigação, como os projetos mantidos pela Codevasf, Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco.

“A retirada do subsídio foi um grande erro, que provoca um dano irreversível, principalmente no semiárido baiano. Independentemente de bandeira partidária, este é um problema que atinge todos. Inclusive porque até os órgãos públicos que usam energia elétrica para fornecer água também vão pagar a mais para manter o sistema de bombeamento funcionando. Vamos levar as reivindicações para a Frente Parlamentar da Câmara dos Deputados”, destaca o deputado estadual Eduardo Salles, que convocou a audiência pública.

O decreto prevê a retirada gradual dos descontos levando em consideração classes e faixas de consumidores, de baixa e alta tensão. Mas ambos perderão os descontos sobre a tarifa básica.

“Nós estamos falando de um universo de produção agropecuária que impacta em todos os cenários. Este impacto vai além das áreas irrigadas, atinge mais de 500 estabelecimentos rurais eletrificados que temos no estado, assim como mais de 1.400 agroindústrias familiares da Bahia. Isso não pode acontecer exatamente agora que vínhamos num cenário de ascensão da produção agrícola”, afirma Jeandro Laytynher Ribeiro, chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia.

Na Bahia existem cerca de 40 mil produtores rurais que mantem plantações irrigadas no estado. Estima-se que eles geram cerca de 630 mil empregos.

Divisão em Brasília

Em Brasília, o decreto agrada alguns ministérios, como o da Economia, mas desagrada outros, como o da Agricultura. Um novo projeto de revogação do decreto e manutenção dos descontos já está tramitando na Câmara dos Deputados.

Fonte: Correio 24 horas

Ministra diz que vai solicitar desconto de energia para produtores

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A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, anunciou, no domingo, após encerrar quatro dias de visitas ao Nordeste, iniciada, na quinta-feira, pelo Perímetro Irrigado Tabuleiros Litorâneos, em Parnaíba e Buriti dos Lopes, na região Norte do Piauí, onde conheceu produção de acerola biodinâmica para a empresa Amway Nutrilite, que vai solicitar na Câmara dos Deputados o retorno de desconto na conta de energia elétrica dos produtores rurais,que tinha sido solicitada pelos irrigantes do Tabuleiros Litorâneos.

“É possível a gente conseguir isso porque todo esse setor concorda”, afirmou Tereza Cristina ,adiantando que o Ministério da Agricultura concentre programa de fomento à irrigação para alavancar a produção agropecuária.

Ela defendeu que o Congresso Nacional discuta o decreto assinado pelo ex-presidente Michel Temer, em 28 de dezembro do ano passado, que vai acabar com os descontos para produtores rurais no pagamento das contas de energia elétrica. A ministra disse que ouviu queixas do setor produtivo durante toda a sua visita ao Nordeste. “Tanto os pequenos produtores quanto os grandes reclamaram de altos custos da energia, nos quatro estados que visitei Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba”, afirmou Tereza Cristina.

Tereza Cristina disse que foi convidada a debater o assunto nesta semana com a liderança do governo na Câmara dos Deputados, onde ela soube que já está havendo uma mobilização contra o fim dos descontos na conta de luz.

“O decreto vai contra tudo o que estamos discutindo com o setor produtivo”, disse a ministra aos produtores da Paraíba. Ela explicou, no entanto, que os parlamentares terão de tratar da questão diretamente com a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem cabe dar a palavra final sobre o tema.

O decreto de Michel Temer determinou a redução dos descontos para produtores rurais em 20% ao ano, até chegar a zero daqui a cinco anos. Atualmente o setor produtivo tem uma redução nas tarifas que varia de 10% a 30%. Os agricultores argumentam que os altos preços da energia impactam muito custo da produção.

A ministra Tereza Cristina falou que ouviu reclamações em todas as reuniões, tanto dos pequenos agricultores que plantam acerola orgânica no projeto Tabuleiros Litorâneos, em Parnaíba, no Piauí, por exemplo, quanto dos produtores do setor de açúcar e álcool da Paraíba.

Na reunião com o setor, Tereza Cristina defendeu também que o Ministério da Agricultura tenha um programa nacional de irrigação para o campo, de forma a tentar melhorar o abastecimento de água para os produtores do Nordeste.

Hoje, os programas de irrigação estão vinculados ao Ministério da Infraestrutura. Ela também defendeu o projeto RenovaBio, a política para biocombustíveis que está sendo implementada no Brasil, e disse que vai estudar como fazer a cultura do algodão voltar a crescer novamente no Nordeste.

Um dos objetivos, segundo Tereza Cristina é unificar as ações voltadas para a irrigação, atualmente dispersas em diferentes órgãos do governo. “Precisamos ter uma política de fomento da irrigação”, defendeu. A ministra disse estar entusiasmada com “inciativas exitosas” que conheceu na região, nesses dias. E argumentou que a água precisa ser destinada à produção, para torná-la eficiente e competitiva e proporcionar qualidade de vida aos nordestinos.

“Para ocupar o potencial que o Brasil tem de crescimento no cenário internacional, precisamos ser mais agressivos e competitivos”, afirmou. Acompanhada do presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, disse que o conhecimento, a tecnologia, precisam sair das academias e chegar ao campo. “Vamos deixar a vaidade de lado, trabalhar para democratizar o acesso à ciência”. Como ministra, destacou que quer dar sua contribuição para que isso aconteça.

“Conhecia o Nordeste como turista, mas agora é a trabalho”, declarou. Tereza Cristina disse que percorrerá no fim de março estados da região Nordeste não contemplados na atual viagem, para elaborar uma política a ser lançada até junho para o semiárido e para toda a região, o que será feito conjuntamente com outros ministros.

“Conheci muitos projetos de sucesso que podem ser replicados e outros que precisam de apoio para deslanchar. É disso que vamos tratar em Brasília, com colegas, como o Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), porque água é um assunto importante aqui e isso é com ele”.

Na primeira etapa da viagem de quatro dias ao Nordeste, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, visitou na quinta-feira , em Parnaíba, no Piauí, o Perímetro Irrigado Tabuleiros Litorâneos do Piauí, que produz, frutas orgânicas, como a acerola.

Os alimentos colhidos no projeto viram matéria-prima para a produção de polpas de frutas, que são exportadas para países como Estados Unidos e Alemanha e vendidas no mercado interno para os estados de Pernambuco, Maranhão e Ceará.

O carro-chefe dos Tabuleiros Litorâneos é mesmo a acerola orgânica, que é exportada por uma multinacional. Além da acerola, o projeto se destaca na produção de melancia, caju, melão, mamão e outros alimentos. O Tabuleiros Litorâneos está iniciando também a implantação da pecuária de corte.

O projeto foi implantado em 1989 e está sob responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Utiliza o Rio Parnaíba para irrigar uma área que atualmente abrange 800 hectares, sendo que ainda há outros 2.443 hectares equipados e prontos para o manuseio da terra. O potencial total de irrigação é de 8.428 hectares, que deverão ser usados na segunda etapa do projeto.

Em agosto de 2018, foi assinada a segunda etapa do Tabuleiros Litorâneos, com previsão de investimento federal de R$ 27 milhões. O objetivo é estimular ainda mais a fruticultura irrigada e ampliar o potencial de comercialização para mercados internos e externos, gerando novos empregos e mais renda na região. Ao todo, serão, aproximadamente, seis mil hectares irrigados, o equivalente a 430 lotes agrícolas destinados a pequenos produtores e cooperativas da região. A expectativa é de gerar cerca de dois mil novos postos de trabalho na segunda fase do projeto.

A ministra Tereza Cristina disse que voltará ao Nordeste dentro de três meses com ações concretas para a geração de emprego e renda, principalmente para o pequeno produtor.

A ministra destacou que é preciso que as políticas públicas cheguem ao produtor sem intermediários, com assistência técnica e crédito abundante. A viagem, disse é importante para vem in loco, “o que se pode fazer pela região, que é tão importante para o país e tão populosa”.

Com a visita que realiza ao Nordeste, tereza Cristina, disse que ficará mais fácil arbitrar, ver o que é necessário para a região, nas área de defesa, de abertura de mercado para os produtos, na área de exportação. “Quando retornar, terei coisas concretas a apresentar”, afirmou.

Fonte: Meio Norte