Agricultura e ciência: a aposta de produtores de Goiás

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É comum encontrar agricultores que trabalham de forma coletiva – mutirões, associações e cooperativas, grupos de compra de sementes. O Globo Rural mostrou neste domingo (26) produtores que se uniram para fazer pesquisa. Com mais conhecimento, eles colhem ótimos resultados.

Goiás é um imenso campo de grãos. Soja no verão e milho na safrinha se revezam no horizonte da zona rural. O estado é o quarto maior produtor de grãos do país. Quase 10% da produção nacional saiu do estado, na última safra.

A região é conhecida pela tecnologia no campo e altos índices de produtividade, como os da soja na fazenda de Flávio Faedo, em Santa Helena de Goiás. “Nos últimos anos eu tenho conseguido manter a média de 65 sacos por hectare, com picos até de maior produtividade. E o milho safrinha mesmo, que é a segunda safra, a gente vem evoluindo muito com o que a gente vem sabendo de técnicas pra aumentar a produtividade e hoje a gente chega a 150 sacos de milho por hectare na segunda safra”.

São números excelentes. Se explicam por investimentos pesados no campo e conhecimento. O Flávio faz parte de um grupo de 36 produtores que abrem as porteiras e financiam pesquisas independentes.

É uma equipe de estudos coordenada pelo agrônomo Túlio Gonçalo. “Hoje o produtor ele é muito assediado no campo por diversas empresas, diversos produtos diferentes, e é difícil dentro desse assédio você tomar a melhor decisão. A gente toma, mas nunca sabe se tá tomando a melhor decisão”.

Foi dessa inquietação que surgiu um grupo a quase 20 anos: o GAPES – Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano. Pra resolver essa dúvida, essa incerteza de que produto comprar, com tanta oferta no mercado, alguns produtores fizeram uma aposta: fazer os próprios testes, pesquisa independente, e parece que tá dando certo.

Eles começaram pequenos: em 1999, eram 33 mil hectares monitorados, de 24 produtores. Hoje são 36 agricultores e 110 mil hectares espalhados por sete municípios no entorno de Rio Verde, uma das capitais do agronegócio brasileiro. As áreas particulares servem como campo de pesquisa. No dia em que o Globo Rural visitou o Flávio, por exemplo, técnicos do GAPES estavam na lavoura de milho.

O GAPES também investiu em uma sede de pesquisas. Uma área que dá apoio aos testes que já eram feitos em fazendas parceiras. São 53 hectares. Este ano, uma das principais análises foi para ferrugem asiática. “A nível nacional é a principal doença na cultura da soja”, explica o agrônomo do GAPES Túlio Gonçalo.

Fonte: Globo Rural

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Irrigação monitora a umidade de mudas e programadores garantem fertilidade

O produtor rural Evando Luiz de Oliveira, 37 anos, migrou para Cristalina (GO), em 2010, a convite de uma empresa para trabalhar com estruturas para cultivo de alface hidropônica. Natural de Biquinhas (MG), ele, que é técnico agrícola, se casou com a gaúcha Magali Spigolon, 38, no ano seguinte, e os dois decidiram investir na produção de tomates grape. Para isso, compraram 1,1 hectare de terra e investiram na construção de 12 estufas.

Além do tomate, são cultivados na propriedade abóbora, cebola, repolho e milho verde. Mesmo com o conhecimento adquirido no mercado e nos cursos realizados, foi somente com o investimento em tecnologia que o casal conseguiu alavancar a produtividade. Além de construir as estufas, criaram um mecanismo de irrigação por gotejamento enterrado no solo até chegar às mudas. Também adquiriram sensores de umidade e de temperatura, um programador automatizado para preparação de adubo e fertilizantes, além de produzir as próprias mudas.

Todo o investimento totalizou R$ 480 mil e os resultados de produtividade foram instantâneos. Oliveira explica que gastava diariamente entre 80 mil e 100 mil litros de água. Com o equipamento que faz a dosagem exata da quantidade por muda, além de apontar a necessidade de insumos, o consumo caiu para 20 mil. “Cada muda recebe diariamente 4,5 litros de água. Por meio da coleta de dados dos sensores, sabemos como está o processo de drenagem, a temperatura, o nível de unicidade e o PH de cada uma delas. Sem os investimentos em tecnologia, não teríamos esses resultados”, conta.

O maior controle da lavoura também contribuiu para redução dos gastos com energia, um dos principais custos de um agricultor. A conta de luz, que chegava a R$ 1,2 mil, caiu para R$ 238. A produção de tomate cresceu 80% e chegou a 80 mil toneladas na última safra. O próximo investimento será para estocar água da chuva. Atualmente, Oliveira mantém apenas caixas-d’água com capacidade para armazenar 20 mil litros. A meta é chegar a 400 mil litros.

Além do aumento da produtividade, o produtor rural passou a economizar com mão de obra. Reduziu o número de empregados de seis para três. Todo o investimento também o ajudou a fazer o controle biológico de pragas, sem uso de defensivos agrícolas na produção dos tomates. “Fazemos duas safras e colhemos o ano inteiro. Nossa meta, agora, é aumentar para 18 o número de estufas. Toda nossa produção é vendida para Goiânia (GO) e Brasília (DF)”, comemora.

Novas fronteiras

A definição do clima em períodos de seca e de chuvas em abundância atraíram para Cristalina pequenos produtores paulistas e sulistas, interessados em explorar novas fronteiras a partir da década de 1970. Nem a deficiência de nutrientes, característica do solo do cerrado, brecou a expansão da agricultura na região. A acidez da terra marrom foi corrigida a partir da década de 1980, por meio de parcerias dos produtores com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Na época, a companhia do governo também passou a desenvolver variedades de grãos que se adaptavam às características da região.

Segundo o diretor executivo da Associação dos Irrigantes do Estado de Goiás (Irrigo) e presidente do Sindicato Rural de Cristalina (SRC), Alécio Maróstica, existe, no município, o cadastro de 152 produtores que irrigam por pivô central, e, em contrapartida, há o quádruplo desse número referente aos que querem irrigar. Ele salienta a importância da irrigação para a produção de alimentos. Estão espalhados por essas propriedades, pelo menos, 736 pivôs. “Em Cristalina, os 62 mil hectares irrigados produzem mais do que os outros 259,2 mil hectares não irrigados. Descobrimos o caminho para a produtividade e agora precisamos garantir o uso da água.”

Maróstica destaca que o uso intensivo de tecnologias levou o município a produzir 50 tipos de atividades ligadas à agricultura e à pecuária. Nas lavouras e pastos da região é possível encontrar gado de corte e leite, além de culturas de soja, milho, algodão, café, feijão, alho, cebola, batata, tomate, morango, cará, abacaxi, batata-doce, abacate, uva, figo, manga, milho doce, trigo e cenoura.

O presidente do SRC detalha que o crescimento da produtividade e a geração de riquezas atraíram a violência. Para enfrentar o problema, os produtores rurais têm investido em segurança. “Os drones também são usados para monitorar o gado, tratores, máquinas e pivôs”, conta.

62 mil 
Total de hectares irrigados em Cristalina

Resultados são potencializados

Cristalina (GO) — O processo de migração de agricultores sulistas para o Centro-Oeste começou na década de 1970 e teve um crescimento significativo nos 10 anos seguintes. O produtor rural Luiz Carlos Figueiredo, 70 anos, natural de Mandaguari (PR), chegou a Cristalina (GO) em 1987, em busca de novas áreas para produção de grãos. A empresa familiar comandada por ele, pelos irmãos, os filhos e sobrinhos é dona de oito propriedades. Quatro em Minas Gerais, duas em Goiás e duas no Paraná. No total, são 20 hectares que se dividem na produção de gado de corte e de leite, além de lavouras de soja, milho, café, feijão, trigo e aveia.
Figueiredo acompanhou de perto a abertura de novas áreas de preparo e correção de solo, o desenvolvimento da tecnologia que possibilitou o uso de sementes adaptadas ao cerrado e o processo de mecanização das lavouras. “Quem não acompanha a inovação tecnológica está fora do mercado. Gastamos para manter a qualidade das lavouras a cada ano e, sem tecnologia, não é possível competir. Para se ter uma ideia, o custo de produção varia entre 40 e 50 sacos de soja por hectare, dependendo da safra”, explica.
Além disso, Figueiredo tem investido no mapeamento de solo por georrefenciamento e por coleta de amostras para analisar o nível de acidez e qualidade. Todo esse processo facilita a semeadura, feita com a ajuda de satélites que traçam o local exato por onde os equipamentos passarão. Além disso, é possível identificar pragas e definir os locais exatos para aplicação de defensivos agrícolas.
Em uma das fazendas em Cristalina, 600 hectares de soja são produzidos com irrigação. A meta é expandir a área de pivôs em mais 1 mil hectares. Para isso, além dos equipamentos analógicos, o produtor pretende adquirir pivôs automatizados, que podem ser ligados e monitorados pelo celular. Os smartphones também ganharam outra aplicação na família de Figueiredo. Acompanhar os trabalhos realizados por meio de câmeras de segurança. Todas as fazendas possuem os equipamentos, pois já foram assaltadas.
O uso de tecnologia não se limita às lavouras. A produção de leite talvez seja a atividade em que há o maior emprego de máquinas e equipamentos para potencializar os resultados do negócio. As vacas holandesas usadas na propriedade têm a seu dispor um ambiente com controle de temperatura para potencializar o processo de extração. A propriedade no município goiano possui 2,1 mil animais, dos quais 980 em lactação.
Por dia, a produção chega a 30 mil litros de leite em três ordenhas. Os animais possuem chips de identificação, monitoramento do animal e controle de produtividade. Sensores espalhados pela área de ordenha fazem todo esse acompanhamento. Outro investimento de Figueiredo é o melhoramento genético para tornar os animais mais longevos. Toda a tecnologia empregada na propriedade levou à conquista de um prêmio por ter a primeira vaca de Goiás a produzir 100 mil litros de leite. “Também investimos em clonagem e temos uma preocupação enorme com o conforto dos animais”, detalha.

Captação

Além de todo o investimento no gado, a fazenda de Figueiredo produz a própria ração dos animais, possui um sistema a captação da água da chuva para irrigação e reaproveitamento na fazenda, e parte das fezes dos animais são transformadas em adubo natural. De olho na redução dos custos de produção, o produtor também resolveu investir na geração de energia solar fotovoltaica. Os 1.150 painéis estão instalados sobre um dos cinco reservatórios de água da fazenda. O projeto custou R$ 2,3 milhões e gera uma economia de R$ 15 mil mensais na conta de luz.
O total de energia gerada é suficiente para atender um terço da propriedade e, caso o projeto se torne viável economicamente, o produtor pretende expandir para outras propriedades. “Investimos para nos manter competitivos e para reduzir os custos de produção”, diz. Os investimentos em energias alternativas não crescem ainda mais no setor rural pela falta de informação e pela escassez de linhas de financiamento para tornar os sistemas mais interessantes.
Fonte: Correio Braziliense

Plataforma otimiza uso de recursos hídricos em bacias hidrográficas

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O sistema computacional utiliza equipamentos instalados no campo e imagens de satélite  para sugerir a melhor opção de irrigação para os produtores. “A ferramenta vai dar uma opção, uma sugestão de como podem utilizar a água. Mas a decisão é dos usuários”, disse. A plataforma busca contribuir para otimizar o uso dos recursos hídricos e a irrigação em uma determinada bacia, segundo o engenheiro.

Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)Lineu Rodrigues, apenas 3% da agricultura brasileira usa água de rio para a irrigação, por ser um sistema caro Marcelo Camargo/Agência Brasil

Veja a seguir os principais trechos da entrevista de Lineu Rodrigues à Agência Brasil.

Agência Brasil: Como surgiu o projeto?

Lineu Rodrigues: Esse estudo surgiu da demanda da sociedade. Em algumas bacias hidrográficas há problemas, como a bacia do Rio São Marcos, que tem conflitos sérios de água entre irrigantes, conflito entre irrigantes e uma usina hidrelétrica [de Batalha, em Paracatu (MG)], conflito entre estados porque essa bacia abrange Distrito Federal, Minas Gerais e Goiás, cada um com seus critérios de outorga, e também com a Agência Nacional de Águas e as agências estaduais.

Agência Brasil: Em que consiste a ferramenta?

Rodrigues: No nosso projeto, uma abordagem que tem ganhado corpo é a gestão compartilhada da água. Nesse contexto, os usuários precisam ter uma ferramenta que os possibilite usar a água de forma organizada. Esse projeto cria uma ferramenta para que os usuários, dentro da gestão compartilhada da água, possam indicar como essa água poderia ser utilizada. Estamos usando diversas ferramentas, inclusive imagens de satélites, para monitorar a quantidade de água que está sendo utilizada, e por meio desse monitoramento, poder informar ao agricultor quanta água ele está utilizando, quanto o vizinho dele está utilizando e o quanto de água tem no rio. É uma ferramenta computacional que depende de equipamentos instalados no campo. Com isso, a gente faz um balanço de água na bacia e vai informar o quanto de água está sendo demandado em determinado momento e se tem água suficiente para atender a demanda.

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Agência Brasil: Quando o projeto poderá ser implantado?

Rodrigues: Esse projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, está em andamento e tem mais um ano para ser finalizado. Temos resultado do monitoramento por satélite para as culturas do trigo e da soja nas bacias do Rio Buriti Vermelho [no DF] e do Rio São Marcos. A gente conseguiu estimar a demanda [por água] via imagens de satélite.

Agência Brasil – A quem se destina essa ferramenta?

Rodrigues – Não queremos ficar com esse instrumento para nós [pesquisadores] nem para o governo. A ideia é fortalecer os usuários, os comitês de bacias hidrográficas, que essa ferramenta seja passada para as associações de irrigantes, de produtores, de tal forma que eles se organizem e tomem a decisão da melhor forma de usar a água dentro do critério de gestão compartilhada.

Agência Brasil – Qual o panorama da irrigação no país?

Rodrigues – Há dois tipos de agricultura: agricultura de sequeiro, que depende da água da chuva – 97% da nossa agricultura é de sequeiro e 3% é de irrigados, em que, quando falta água da chuva, tira-se água do rio para complementar. No geral, no sistema de irrigação, até porque o preço da energia é muito caro, os produtores usam água de forma racional. Lógico que tem casos e casos. Nos casos em que se observa maior ineficiência, o produtor acaba pagando, por causa do preço da energia. Na agricultura irrigada, a grande maioria procura usar a água de forma adequada. Aí entra nossa função de dar subsídios para as pessoas de como usar a água de forma organizada porque muitos não podem pagar um consultor. No Brasil, em geral, usamos menos de 1% da nossa disponibilidade hídrica. O problema é que temos bacias críticas, que têm mais aptidão agrícola com uso intensivo da agricultura irrigada.

 

Fonte: CenárioMT

Agricultores paulistas plantam próxima safra de soja

Agricultores paulistas plantam próxima safra de soja (Foto: TV TEM)

Localizada Sudoeste do Estado, Itapeva é o munícipio paulista que mais produz soja. No ano passado, a área plantada aumentou 30%. A próxima safra já está sendo plantada.

Sílvio Malutta está plantando o grão em 2 mil hectares. Como nem sempre dá para contar com a chuva, o jeito é utilizar os pivôs de irrigação. Com eles, a terra fica com a umidade que a planta precisa para se desenvolver.

Devido ao aumento dos custos, Sílvio optou por manter o tamanho da área plantada. Ele espera colher 80 sacas por hectare. Parte da soja produzida será exportada e o restante vai virar estoque pra venda e uso na fazenda. A soja representa 70% do faturamento da propriedade.

Na fazenda de Hiroyuki Oi, em Itapetininga (SP), o plantio com irrigação já acabou. São 380 hectares com soja e uma volta completa com os pivôs custa em torno de R$ 10 mil. O agricultor diz que, se o clima não ajudar, os gastos serão maiores que na última safra.

A soja na fazenda foi plantada pouco tempo depois da colheita do trigo. A estratégia do produtor é antecipar o plantio do grão para, assim, também conseguir adiantar a safra do milho safrinha.

Fonte: G1

Irrigação pode reduzir custos com aplicações

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Além de aumento da produtividade, a irrigação pode ter benefícios paralelos, como a redução dos custos com aplicações de fertilizantes, diz Dearley Brito Liberato, consultor da Irriger, empresa de gerenciamento de irrigação. “Ao fazer fertirrigação, você elimina os gastos com maquinário de aplicações”, conta.

Em entrevista ao Portal DBO, ele ressaltou a possibilidade de fazer mais safras no ano com a irrigação e que o investimento inicial com os equipamentos é recuperado em pouco tempo com a diferença de produção para sequeiros. “A irrigação vai ajudar a suprir a necessidade hídrica da planta no momento ideal, sem precisar esperar por chuvas”.

Para que a tecnologia dê certo, porém, é necessário acompanhamento de algumas variáveis e investimento em conhecer a cultura plantada, o solo e os equipamentos utilizados. “Tem que saber as fases em que a planta demanda mais ou menos água, acompanhar o clima, saber o balanço hídrico, tudo isso para irrigar da melhor forma e não perder água nem dinheiro”.

Fonte: Terra