Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada: Interessados já podem se inscrever

Screenshot_1

O simpósio faz parte da programação da Fenicafé, que acontece de 19 a 20 de março em Araguari, no Triangulo Mineiro.

Os interessados já podem se inscrever no 21º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada, evento que acontece dentro da Feira Nacional de Cafeicultura Irrigada – Fenicafé, em Araguari, no Triangulo Mineiro.

Os artigos deverão ser enviados para o email simposio.irrigacao@fenicafe.com.braté o dia 18/02/2019. As normas para envio dos trabalhos também estarão disponíveis no site http://www.fenicafe.com.br, além do envio via correio eletrônico para todos os pesquisadores. O Comitê Científico do Simpósio emitirá o primeiro parecer a respeito dos trabalhos até o dia 28/02/2019, devendo as correções finais serem feitas no site até o dia 10/03/2019.

O simpósio tem o apoio da Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA, da Universidade de Uberaba – UNIUBE, do Consórcio de Pesquisa Café – Embrapa Café, da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola – SBEA e da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem – ABID, e será realizado no dia 20/03/2019.

O evento tem por objetivos a discussão e a divulgação de técnicas e pesquisas relacionadas à cafeicultura irrigada e será realizado em conjunto com o XXIV Encontro Nacional de Irrigação da Cafeicultura no Cerrado – FENICAFÉ 2019 e a XXII Feira de Irrigação em Café do Brasil, no período de 19 a 21 de março de 2019. Estes eventos são tradicionais e têm grande participação de técnicos, produtores, autoridades, fabricantes e revendedores de equipamentos e demais interessados no agronegócio café. Os trabalhos aprovados serão publicados nos Anais do evento, ISSN 2358-9973.

FENICAFÉ – A feira é voltada para a cafeicultura irrigada incluindo o processo de cultivo, plantio, manejo e colheita. É também um local para a divulgação de pesquisas e uma vitrine para as empresas expositoras que produzem produtos voltados para a cafeicultura.

O evento atrai todos os anos um público bem específico – produtores, pesquisadores, engenheiros, técnicos e estudantes que buscam conhecimentos na área de irrigação e cultivo de café. Todos os anos, passam pela Fenicafé um público médio de 20 mil pessoas, durante os três dias de evento.

 

Anúncios

ANA lança nova edição do Atlas da Irrigação

A Agência Nacional de Águas (ANA) lançou uma nova versão do “Atlas da Irrigação: Uso da Água na Agricultura Irrigada”, edição 2018.  O objetivo principal da publicação é contribuir para o uso eficiente da água no Brasil, por meio da integração do conhecimento disponível que configura a base técnica da agricultura irrigada na sua interface com os recursos hídricos, em escala nacional. A Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos (SPR) também coordenou a publicação, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Segundo dados da ANA, publicados no Atlas, embora o crescimento das atividades de irrigação resulte, em geral, em aumento do uso da água, diversos benefícios podem ser observados, tais como o aumento da produtividade, a redução de custos unitários, a atenuação de riscos climáticos/meteorológicos e a otimização de insumos e equipamentos. A irrigação também é fundamental para o aumento e a estabilidade da oferta de alimentos e consequente aumento da segurança alimentar e nutricional da população brasileira.

O pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Daniel Pereira Guimarães ressalta que, embora o Brasil seja campeão mundial em termos de disponibilidade hídrica, é necessária maior atenção no gerenciamento desse recurso fundamental para as atividades humanas e a preservação da natureza. “E o Atlas contribui neste sentido, pois o estudo considera a distribuição irregular e sazonal da oferta de água e o seu uso para outras finalidades, tais como para geração de energia hidrelétrica”.

Ele considera que modernização do setor agropecuário brasileiro transformou o País em grande produtor e exportador de alimentos, porém, os ganhos em produtividade vieram acompanhados pelos aumentos nos custos de produção devidos ao uso de cultivares de altas performances (melhoramento genético e incorporação de biotecnologias), maior uso de insumos (fertilizantes e defensivos) e a sofisticação das técnicas de gerenciamento, mecanização e monitoramento dos sistemas de produção agrícolas.

“Nesse contexto, a minimização dos riscos passou a ter grande influência no sucesso dos empreendimentos do setor agropecuário”, pondera o pesquisador. “No caso dos plantios de sequeiro, ou seja, dependentes das condições climáticas, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) tornou-se uma ferramenta essencial para orientar o produtor e os órgãos de fomento e seguridade acerca do que, onde e quando plantar em cada localidade brasileira. No entanto, os cultivos de sequeiro permanecem sujeitos aos riscos associados às variabilidades climáticas, especialmente aquelas relacionadas com a estiagem, como ocorreu na safra de 2015/16”, diz.

Guimarães ressalta que, embora a agricultura irrigada seja responsável por cerca de 60% do consumo das águas derivadas dos recursos hídricos brasileiros, vários são os benefícios dessa prática para a produção agrícola, tais como aumento da produtividade, redução dos riscos de perdas na produção e melhoria da qualidade dos produtos. “Esta prática favorece a eficiência no aproveitamento dos insumos, produção em áreas e épocas onde os plantios de sequeiro são inviabilizados, diversificação das culturas, aumento do número de colheitas, redução da expansão da fronteira agrícola e segurança alimentar”, acrescenta o pesquisador.

Segundo ele, a agricultura irrigada no Brasil representa cerca de 2% da área global e a expansão dessa atividade dará uma grande contribuição para o aumento da diversidade e quantidade da produção agrícola nacional. Mas esse crescimento deve ser acompanhado de monitoramento técnico que permita a formulação de políticas públicas para o uso eficiente dos recursos naturais, especialmente dos recursos hídricos. Essa é a atribuição do SNIRH (Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos), um dos instrumentos de gestão previsto na Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, conhecida como Lei das Águas. Esse sistema é operado pela ANA.

Georreferenciamento facilita a concessão de outorgas para uso da água

Os levantamentos georreferenciados das áreas irrigadas de arroz inundado, cana-de-açúcar e pela utilização de pivôs centrais permitem que as áreas demarcadas sejam auditadas e relacionadas com as fontes de abastecimento hídrico, e determinam o status de uso (ativo ou não). Essas informações são fundamentais para a concessão de outorgas e gerenciamento do uso da água nas bacias hidrográficas. Uma parceria entre a Embrapa Milho e Sorgo e a Agência Nacional de Águas cuida do levantamento e monitoramento dos pivôs centrais no Brasil. Além de Guimarães, participam deste trabalho os pesquisadores Elena Charlotte Landau e Paulo Emílio Pereira de Albuquerque, da mesma Unidade da Embrapa.

Segundo Guimarães, a irrigação por pivô central é o sistema que apresenta o maior crescimento no País, e isso se dá em função da capacidade de distribuição uniforme da água requerida pelas culturas, do alto grau de automação e da adaptação a diferentes tipos de solo. A irrigação de grandes áreas e a capacidade de aplicação de fertilizantes e de defensivos agrícolas via água de irrigação também contribuem para este crescimento. O sistema permite ainda o uso da técnica da pré-irrigação, proteção contra as geadas, supressão da poeira e lixiviação de sais concentrados na zona radicular.

Atualmente existem no Brasil cerca de 23 mil pivôs centrais irrigando uma área de aproximadamente 1,5 milhão de hectares. Os estudos da Embrapa permitem avaliar a tendência de crescimento desse sistema de irrigação desde 1985 e, atualmente, incluem o monitoramento em tempo quase real (a cada 8 dias) do status de uso dos equipamentos, ou seja, se estão ativos (plantados) ou em fase de pousio. “Essas informações permitem deduzir qual é o consumo de água na agricultura irrigada por pivôs centrais no Brasil e o impacto da atividade sobre os recursos hídricos locais. Além disso, fornecem subsídios para a previsão de safra”, explica Guimarães.

“Há uma tendência de concentração das áreas irrigadas por pivôs centrais no Oeste Baiano e em Mucugê-BA, no Distrito Federal, em São Gotardo, Paracatu e Unaí (MG) e em São Paulo, na bacia do Rio Paranapanema e nos municípios de Guaíra e Casa Branca. Essas informações são também relevantes por indicarem a necessidade de identificação de novas áreas para a expansão da agricultura irrigada e a geração de novos polos de desenvolvimento do agronegócio no Brasil”, salienta o pesquisador.

Fonte: Grupo Cultivar

A expansão da cultura irrigada em 2018

Resultado de imagem para expansão da irrigação

Os investimentos em sistemas de irrigação em 2018 foram modestos, em relação ao ano de 2017, analisa o professor da Unesp, Fernando Braz Tangerino. A cana de açúcar sofreu grande queda de produtividade na ordem de 12 a 15% e sem cana na esteira os investimentos no setor foram postergados. As áreas irrigadas com até 165 dias sem chuva que poderiam representar uma expansão tiveram um custo de produção elevado, dado a total dependência da energia elétrica para acionamento dos motores.

Comportamento do Brasil teve impacto

Três movimentos no Brasil também impactaram no negócio de produzir alimentos sob irrigação:

Três anos de boas chuvas no Rio Grande do Sul

A greve dos caminhoneiros

Crise de confiança ou a falta dela

No Rio Grande do Sul, produtores de sequeiros que tiveram boa rentabilidade apostam que na safra 2017/2018 manterão a sorte grande com chuvas regulares e seguraram os investimentos em um estado que representa nos últimos anos cerca 20% das vendas de pivô central.

Na direção oposta com chuvas regulares na safra 2016/2017, no oeste da Bahia os produtores que tem suas propriedades bem estruturadas investiram em máquinas e irrigação. Na irrigação localizada, o bom momento da citricultura garantiu investimentos, seguidos do café e cana em usinas que já entenderam o papel estratégico da irrigação. Notadamente, Goiás e Minas Gerais mantiveram seus investimentos.

Tudo somado, o pivô central perde um pouco de participação em relação a 2017 e a irrigação localizada deverá apresentar aumento de área seguindo uma tendência de investimento no gotejamento em superfície e, tudo somado a expansão da área irrigada deve ficar entre 200 e 210 mil novos hectares, o mesmo número do ano passado.

De uma forma geral, foi um ano bom, analisa Fernando Braz Tangerino.

O otimismo dos produtores é grande, mas, existe uma necessidade de se investir em inteligência de mercado regional para entender as tendências dos produtores de alimentos e seguir promovendo a modernização da agropecuária irrigada, completa o professor da Unesp.

Fonte: Clima Tempo

Os desafios da agricultura moderna

hhh.png

Independentemente do tamanho da lavoura, o maior desafio da agricultura na atualidade é a obtenção da lucratividade, capaz de remunerar os custos, assegurar novos investimentos e garantir adequada qualidade de vida ao agricultor.

A cada ano, novas tecnologias estão sendo incorporadas aos sistemas produtivos, o que tem assegurado contínuo aumento de produtividade. De março de 1990 até hoje, a área plantada com grãos cresceu 61%, enquanto a produção aumentou 310%, um aumento espetacular da produtividade. Num passado não muito distante, o solo não era cultivado, após a colheita da soja, sendo deteriorado sob o ponto de vista físico em virtude da intensa mobilização com a utilização de “grades”. Hoje, após a colheita da soja, na região centro-oeste do Brasil, se cultiva milho, algodão, forrageiras e plantas de cobertura – é a intensificação da agricultura. Está havendo também, na região do Brasil Central, a expansão da agricultura irrigada e a introdução do cultivo de espécies vegetais antes restrita a outras regiões do Brasil ou Mundo. Este novo modelo de exploração do solo, além de aumentar a produção, contribui significativamente para o aumento da produtividade.

Além da intensificação da agricultura, é possível constatar também um crescente aumento de modelos de produção integrados. Os exemplos mais evidentes são a integração lavoura-pecuária (ILP) e integração pecuária-floresta (IPF). Assim, as unidades de produção passam a ter múltiplas atividades, a maioria desenvolvendo-se de forma integrada. Hoje, já temos em Mato Grosso do Sul, por exemplo, propriedades que além da agricultura, trabalham com avicultura de corte, pecuária de leite e pecuária de corte.

A utilização de Boas Práticas Agrícolas (BPA) também é uma estratégia necessária para a superação dos desafios da moderna agricultura. Atividades como: sistema plantio direto, controle biológico para o controle de pragas, doenças e nematoides, entre outros são fundamentais para a sustentabilidade da atividade. Com uma adequada cobertura do solo com palha, o manejo de plantas daninhas de difícil controle, como a buva e o capim amargoso, é facilitado. A utilização de Crotalaria spectabilis é exemplo de uma espécie que também auxilia no manejo de nematoides. Plantas daninhas e nematoides são dois responsáveis por quedas de produtividade e aumento do custo de produção de soja e algodão, por exemplo. Com o cultivo de espécies de plantas de cobertura e adubos verdes, feito de forma planejada, o produtor conquista a melhoria da fertilidade do solo (física, química e biológica), o que permite muitas vezes, reduzir a quantidade de fertilizantes químicos aplicados ao solo, contribuindo para a redução do custo de produção.

Existe ao redor do mundo, uma forte demanda por alimentos, fibras e energia. Esta demanda é crescente e contínua diante do aumento da população e da melhoria das condições socioeconômicas, verificadas em várias partes do mundo, de forma especial em países com grande população, como a China e a Índia. O algodão que foi semeado  em fevereiro de 2018, na sua maioria já foi comercializado, o mesmo acontece com a soja, com o milho, com o girassol, etc. Apesar da venda antecipada, a margem de lucro está decrescendo, o que não assegura a sustentabilidade do negócio.

Assim, nos parece como mais viável, a redução dos custos de produção. Para a maioria das espécies cultivadas no Brasil, o custo de produção está exageradamente alto, ameaçando todo o sistema de produção. Como o alto custo de produção é devido ao elevado uso de insumos, faz-se necessário trabalhar um pouco mais com processos e menos com produtos (insumos).

Soluções tecnológicas simples contribuem com a redução do custo de produção. Somente com a adoção de tecnologias será possível reduzir os custos de produção e superar esse grande desafio da agricultura brasileira.

A integração e intensificação de atividades, o uso de métodos integrados de controle de pragas, doenças, plantas daninhas e nematoides é cada vez mais necessário e imperioso.

Em síntese, incorporar aos diferentes modelos de produção existentes no Brasil, os conhecimentos disponíveis, proporcionará um salto significativo para a agricultura brasileira, que ofertará mais alimentos, energia e fibra para a população brasileira e mundial, além de assegurar melhor nível de renda àqueles que se dedicam à atividade agropecuária.

Esta nova realidade exige que o produtor busque continuamente o seu aprimoramento, o que se consegue junto às instituições de pesquisa, a rede de assistência técnica pública e privada, associações de produtores e cooperativas. Além é claro, da imensa rede de comunicação hoje à disposição do produtor rural.

 

Por Fernando Mendes Lamas, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

Produtores argentinos produzem em terra 100% irrigada

A fazenda Las Lomitas está situada no limite das províncias de Córdoba e São Luis, na Argentina. A propriedade pertence a Aceiteira General Deheza (AGD), uma empresa reconhecida em todo país. A AGD decidiu instalar um sistema de irrigação por pivôs em todos os lotes antes de começar a trabalhar a terra. Dessa forma, 100% da produção da Las Lomitas é feita sob irrigação.

Ao todo, são 3.450 hectares irrigados com os equipamentos Valley. Em 2002, foi iniciada a produção de amendoim em oito lotes e, com o tempo, outras áreas foram preparadas para o aumento da diversidade de culturas.

Atualmente, a fazenda produz 29 lotes de algodão, trigo, milho, soja, amendoim e batata. O duplo cultivo é realizado em toda safra. Assim, a qualidade do solo e a tecnologia de irrigação são aproveitadas ao máximo. “No campo, fazemos 1.400 hectares de trigo, 1.400 de milho, 1.000 de algodão, 600 de soja, 400 de amendoim e 240 de batatas”, detalha o engenheiro agrônomo Martín Harte.

A fazenda se encontra em uma zona de clima árido e seco, com média anual de chuva de 570 mm, um valor extremamente inferior ao que as terras necessitam para a produção. “O principal benefício que a utilização da tecnologia de irrigação nos deu foi poder de produção”, indica o engenheiro Harte. “Devido à baixa umidade relativa do ar, não se pode produzir sem irrigação, então, desde o início, o campo foi planejado para ser completamente irrigado por pivôs”, comenta.

Para a AGD, a decisão de instalar equipamentos de irrigação foi prioritária, já que era a única forma de poder produzir no campo. Depois de verificar o bom funcionamento dos oito primeiros equipamentos instalados, apostaram na tecnologia para continuar crescendo. Hoje, contam com 29 equipamentos, que cobrem uma área média de 120 hectares cada. Vale destacar que, antes do início do trabalho no campo, só haviam montanhas no território

“Desde o início tínhamos certeza de que precisávamos instalar equipamentos de irrigação. A gerência de nossa empresa entrou em contato com a Tecnoriego e começamos a projetar os equipamentos, levando em conta, principalmente, as condições ambientais e avaliando qual era o tamanho ideal do equipamento para essa área”, lembra. Hugo Teyssedou, representante da Valley e diretor da Tecnoriego, acrescenta que foram analisados: a água, o solo, o clima e o que será produzido. “Depois de fazer uma análise integral, avançamos com o projeto”, destaca.

Martín afirma que a equipe da Tecnoriego o acompanhou durante todo o processo e, atualmente, segue fornecendo assessoria e serviços de manutenção. Ao mesmo tempo, devido à grande quantidade de equipamentos instalados, a AGD viu a necessidade de formar seu próprio pessoal para atender as necessidades urgentes. No entanto, sempre estão em contato com o distribuidor, tanto para o abastecimento de insumos, como para problemas específicos. “Como a irrigação é indispensável para nossa produção, era fundamental ter o pós-venda e os serviços por perto para solucionar os problemas rapidamente”, conclui.

Fonte: Grupo Cultivar