Secretaria de Estado da Agricultura estima produção de 23 milhões de toneladas de grãos na safra 2018/2019

As chuvas que atingiram o Paraná nas últimas semanas não afetaram a produção de grãos. É o que aponta um levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. A estimativa para a safra2018/2019, é de uma produção total de 23 milhões de toneladas, 4% a mais do que registrado na safra anterior.

Segundo o Deral, mesmo com o excesso de umidade para a época, as lavouras de soja mantêm um bom desenvolvimento. Até o momento, cerca de dois terços da soja já está plantada, com estimativa de produção 3% maior do que na safra anterior. O plantio do milho também está na reta final, podendo chegar à produção de 3 milhões de toneladas.

A colheita do trigo evoluiu para 77% da área plantada, mesmo com as chuvas do último mês que prejudicaram o andamento da colheita. A estimativa de produção de trigo segue em 2,9 milhões de toneladas, abaixo da expectativa inicial devido ao período seco do primeiro semestre.

A cultura do feijão da primeira safra 2018/19 já está com 79% da área plantada no Paraná. A estimativa de produção é de 329 mil toneladas.

Repórter Karina Bernardi

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La Niña pode afetar produção de grãos no estado durante o verão

Lajeado – A previsão de um verão com presença moderada do fenômeno meteorológico La Niña faz com que produtores rurais tenham ainda mais cuidado com as suas culturas. É que o La Niña influencia na redução de chuvas para o período. Por conta desta previsão, o Conselho Permanente de Meteorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs) divulgou algumas recomendações técnicas para proteger as lavouras gaúchas nos meses de janeiro, fevereiro e março.

Para o gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar em Lajeado, Carlos Lagemann, esta perspectiva de chuvas abaixo da média gera alguma preocupação. “Na região do Vale do Taquari temos, principalmente, culturas de milho e soja, que podem ter seus potenciais de produção prejudicados com a redução das chuvas”, explica. Segundo ele, além da previsão de chuvas abaixo da média, os meses de janeiro e março também devem ter temperaturas acima da média. “Com os dias mais longos neste período, é uma tendência de evaporação maior e as culturas podem sentir”, descreve.

A preocupação com uma possível queda na produção vai além das lavouras. “Aqui no Rio Grande do Sul, quando há uma redução na produção, toda a cadeia econômica acaba sentindo. Por isso torcemos que as previsões estejam erradas e não tenhamos problemas”, comenta Carlos.

Chuvas regulares
Conforme o gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar, é importante que se tenha precipitações em quantidade suficiente. “Mas ainda mais importante é que sejam chuvas regulares”, adverte. Ele explica que, no caso da cultura do milho, as lavouras cultivadas no cedo, a perda, se houver, será pequena. “Já há cerca de 30 dias começou a colheita para silagem, por exemplo. Quem já está colhendo se tiver perda será muito pequena”, frisa. Era o que fazia o agricultor Astor Dessoy (47), na tarde desta sexta-feira, em uma propriedade na região do Bairro Floresta. Atarefado, ele nem conseguiu parar conversar com a reportagem. “Hoje não tenho tempo. Preciso moer todo esse milho”, disse do alto do trator, apontando para a lavoura.

Plantio tardio
As alterações climáticas podem afetar os produtores que fizeram o plantio tardio. “Talvez o produtor que tenha efeito o plantio no segundo período, tenha alguma quebra na colheita. Mas acredito que se as chuvas forem regulares, mesmo que abaixo da média, o impacto não será tão grande”, diz Carlos Lagemann. Segundo ele, os períodos críticos para o milho ocorrem durante a floração e é preciso de chuvas regulares durante a época de enchimento de grãos. Para a soja, depois da floração, durante o enchimento dos grãos, é a fase mais delicada. No Rio Grande do Sul, apenas a soja do cedo, que já está em fase mais adiantada, já chegou neste período e representa 1% do total plantado no estado.

Umidade do solo favorece lavouras de milho
Nesta quinta-feira, a Emater/RS-Ascar divulgou o Informativo Conjuntural. De acordo com o documento, as lavouras de milho no estado foram beneficiadas com o retorno da umidade no solo no último período. Com isso, acabaram recuperando em muitas áreas seu potencial produtivo. A fase de desenvolvimento vegetativo está em 21%. Parte da cultura implantada no cedo já está sendo colhida, atingindo 7% da área estimada. O restante da cultura, cerca de 60%, avança para a maturação final, atingindo 12%. As áreas semeadas no final de setembro, o potencial produtivo poderá ter pequena redução, já sentindo reflexos da atuação do La Niña.

Soja em desenvolvimento
Ainda segundo o Informativo Conjuntural, as lavouras de sojas estão na fase de desenvolvimento vegetativo em 84% da área cultivada. Outros 155 já atingiram a floração e 1%, nas áreas mais adiantadas, a cultura já está em enchimento de grãos. Não há ocorrências de fungos no solo e os agricultores estão aplicando fungicidas e inseticidas químicos. Em algumas áreas se percebe lavouras com dificuldade no controle de invasoras, pois no momento correto de aplicação de herbicidas não havia condições meteorológicas adequadas.

Arroz requer cuidados
A fase de implantação das lavouras de arroz no Rio Grande do Sul está encerrada. O momento é, predominantemente, de desenvolvimento vegetativo. As áreas com semeadura de sementes pré-germinadas já receberam adubação nitrogenada e irrigação. Nesta safra, os produtores devem estar mais atentos para o manejo da irrigação. É que com a indicação do fenômeno La Niña, mesmo que moderado, será necessário movimentar o mínimo possível a água nos quadros e manter uma lâmina mais baixa para poupar água.

Feijão evoluindo
A lavoura de feijão 1ª safra, em geral, está evoluindo rapidamente para as fases de maturação e colheita. O potencial produtivo é considerado de regular a bom, apresentando boa qualidade dos grãos. No decorrer dos anos, o perfil dos produtores de feijão de primeira safra vem se modificando. Cultivado em pequenas áreas pela agricultura familiar, percebe-se que o plantio desta cultura atualmente aumenta em áreas mecanizadas e entre produtores empresariais.

Diversos
O documento da Emater/RS-Ascar indica que houve boa recuperação das olerícolas em geral, principalmente as cultivadas a campo sem sistemas de irrigação. Culturas com áreas maiores, como melancia, morangas, aipim e milho verde, também recuperam o crescimento e o desenvolvimento após o período de déficit hídrico de dezembro.

A cultura da cebola encontra-se no estágio de colheita e comercialização na região Sul.

Na Serra, mais um período tranquilo e favorável para o desenvolvimento, maturação e manutenção da sanidade das plantas e das frutas. As condições climáticas com precipitações espaçadas, presença de vento, dias com bastante insolação e temperaturas médias para a época configuraram o panorama propício para a viticultura.

As condições de produção da pecuária de corte estão satisfatórias para a época, com boa condição corporal e ótimo desenvolvimento dos terneiros desta temporada. O clima tem ajudado a produção de forragem das pastagens naturais.

Atualmente, o rebanho leiteiro é manejado em pastoreio de espécies perenes (tífton 85, jiggs, capim elefante e braquiárias melhoradas), as quais apresentam menor custo de produção ao agricultor, além de serem forrageiras de excelente qualidade nutricional. Em complemento à grande necessidade de alimentação, os produtores fazem uso também de pastagens anuais, como capim sudão, sorgo e milheto. Neste período intensificam-se os trabalhos de realização de silagem, insumo de grande importância na atividade, pois garante complementação na dieta do rebanho ao longo do ano, sendo também aliado do produtor em momentos de retração ou falta de forragem.

Fonte: O Informativo

Previsão de safra recorde no Brasil renova aposta no campo

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Foto: Divulgação

As chuvas das últimas semanas favorecem o plantio e o campo renova sua aposta na produção de grãos. Após um ano quebra, o ciclo 2016/17 retoma o viés de alta e quer recuperar a produção perdida para o clima em 2015/16. Puxado por soja e milho, o volume total tem potencial para superar 215 milhões de toneladas, produção igual à inicialmente previsto para a campanha anterior, que teve seu desempenho prejudicado pelo clima.

A diferença este ano está justamente no clima. Mais favoráveis, as condições climáticas devem devolver a produtividade e o potencial produtivo das lavouras. A soja, depois de dois anos de tentativas, deve romper a barreira das 100 milhões de toneladas. E o milho (1.ª e 2.ª safras), depois de um tombo de 8 milhões de toneladas, volta à casa dos 80 milhões de toneladas. No caso da soja, junto com a produção cresce a exportação e a industrialização do grão.

No milho, o investimento é para recompor os estoques e atender à demanda para aves e suínos, que segue em alta. Por outro lado, mesmo que timidamente, é necessário reabastecer as exportações. Em 2015 o Brasil embarcou quase 30 milhões de toneladas do cereal. Em 2016 deve ficar perto de 20 milhões, resultado da escassez provocada pela produção menor. E também pela falta de planejamento do país, no campo e no mercado, que não conseguiu atender à demanda e aproveitar a oportunidade de abastecimento interno e exportação.

Nessa linha, depois de oito anos em queda, resultado da competição com a soja, a área do milho de verão (1.ª safra) volta a ter variação positiva. O cultivo aumenta principalmente no Sul, onde é forte a demanda para a indústria de carnes. Em outras regiões a aposta no milho cresce basicamente por conta das cotações, que continuam sustentadas na relação bastante justa de oferta e demanda.

As previsões iniciais são da Expedição Safra Gazeta do Povo, que volta a campo este mês para estimar, acompanhar e discutir junto com a cadeia produtiva os rumos da nova temporada. O primeiro roteiro irá conferir o resultado da safra dos Estados Unidos, que entra na metade final da colheita. Na próxima semana uma equipe vai percorrer os principais estados do Corn Belt, o Cinturão do Milho norte-americano. Em paralelo, uma segunda equipe inicia o monitoramento do plantio no Paraná e Mato Grosso, em roteiros que seguem por 16 estados brasileiros.

A soja sozinha responde por quase metade da produção total de grãos no Brasil. Junto com o milho, na safra 2016/17 os dois produtos vão representar entre 84% e 86% da produção nacional. Nos Estados Unidos, a soja tem potencial para mais de 110 milhões e o milho 380 milhões de toneladas.

Na Argentina
Vizinhos e concorrentes do Brasil na produção e exportação de grãos, na semana passada os produtores argentinos receberam uma notícia não muito boa do governo nacional. O Poder Executivo suspendeu uma nova redução sobre o imposto cobrado na exportação de soja em grão que seria aplicada em 2017, as chamadas retenciones.

O presidente Maurício Macri resolveu voltar atrás no cronograma de redução da tarifa. Quando assumiu o comando do Executivo, em dezembro de 2015, ele zerou as taxas sobre as exportações de milho e trigo e reduziu o imposto da soja de 35% para 30%. À época o governo tinha anunciado que a soja teria uma redução gradativa com a promessa de o imposto chegar a zero em sete anos.

Com fertilidade natural dos solos, o que reduz o uso de fertilizantes, e uma das logísticas mais favoráveis à exportação entre as regiões produtoras da América do Sul, o país teria uma das agriculturas mais competitivas do continente, não fossem as retenciones.

Safra de grãos 2015/16 é estimada em 188,1 milhões de toneladas de grãos

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A safra de grãos 2015/16 do Brasil deve chegar a 188,1 milhões de toneladas, com uma redução de 9,5% ou 19,7 milhões de toneladas a menos que a anterior, de 207,7 milhões de t. Em relação ao último levantamento, realizado no mês passado, houve um decréscimo de 0,6%. Os números estão no boletim do 11º levantamento da produção de grãos, divulgados nesta terça-feira (9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A principal cultura de inverno, o trigo, manteve crescimento de produção, subindo 12,1% e chegando a 6,2 milhões de toneladas, mesmo com uma área reduzida de 13,9%. A soja, porém, teve queda de 0,8%, passando de 96,2 para 95,4 milhões de toneladas. O milho total também apresentou retração de 19,1%, ficando em 68,5 milhões de toneladas. Outras culturas mantiveram diminuição devido às adversidades climáticas, como estiagens prolongadas e altas temperaturas.

Já a área plantada teve crescimento em comparação com a última safra. Ela está estimada em 58,2 milhões de hectares, com um aumento de 0,6%. A soja, que responde por 57% da área cultivada do país, é a responsável por esse aumento. A elevação deve ser de 3,6%, passando de 32,1 milhões de ha para 33,2 milhões na safra atual.

Também houve aumento de área do milho segunda safra com 10,2%  (975,9 mil ha), chegando a 10,53 milhões de hectares. O milho primeira safra, por sua vez, teve perda de área de 12,2%, atingindo 5,39 milhões de hectares. Já o feijão primeira safra apresentou redução de 7,5%, registrando 974,6 mil hectares, perda de 3% na segunda safra, totalizando 1,28 milhão de hectares, e de 16,8% na terceira safra, chegando a 577,5 mil hectares.

 

Cultivos de cobertura ou rotação não são indicados para todos

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De acordo com o engenheiro agrônomo Bill Crabtree, que também é consultor e produtor de grãos no Oeste da Austrália, os cultivos de cobertura ou rotação não são indicados para todos os locais. A polêmica surgiu durante sua palestra no Congresso da Associação de Produtores de Plantio Direto da Argentina, que está sendo realizada em Rosario.

Ele criticou os profissionais que tentam vender essas práticas para todo e qualquer agricultor. Segundo Crabtree, a questão mais importante a se considerar é o clima. Ele concorda que os cultivos de cobertura são importantes, mas praticamente só para o Centro-Oeste do Brasil e Meio Oeste dos Estados Unidos. Para áreas mais secas, como o pampa argentino, o pampa gaúcho, as planícies do Canadá ou o Oeste da Austrália, a prática é contraindicada.

“Usar cultivos de cobertura em áreas secas é muito custoso do ponto de vista financeiro e toma toda a água e umidade do solo por todo o ano. Portanto, essa prática agrícola foi praticamente abandonada no deserto da Austrália e quase 90% dos produtores começaram a usar plantio direto e aumentaram os rendimentos. A mesma experiência teve um cliente meu do Colorado, nos EUA, então não acreditem nesses especialistas norte-americanos ou brasileiros que tentam vender cultivos de cobertura para qualquer produtor”, sustentou Crabtree ao Portal Agriculture.com.

O consultor afirmou também que a rotação de cultivos talvez não seja interessante para todos: “Em alguns casos, a rotação de culturas diminui a produtividade no longo prazo. Em algumas regiões da Austrália, se você só plantou canola ou cevada, a produtividade só aumentou ao longo do tempo. Em outras regiões, o mesmo acontece nas monoculturas de milho, soja ou trigo. Então, não compre essa ideia de que a rotação é boa para qualquer localidade”.

Fonte: Agrolink