Europa estuda sistema de irrigação alimentado por energia solar para combater alterações climáticas

Europa estuda sistema de irrigação alimentado por energia solar para combater alterações climáticas 

O aumento da população a nível mundial e as alterações climáticas estão a colocar alguns países sob pressão para encontrar soluções que lhes permitam garantir o regadio das suas produções agrícolas. A União Europeia está neste momento a desenvolver um projeto de investigação que quer criar um sistema de irrigação alimentado por energia solar que se estima que possa trazer uma poupança de cerca de 75% nos custos energéticos atuais com irrigação.

A Agricultura é atualmente responsável por cerca de 70% de toda a utilização de água a nível mundial. Contudo, com a população mundial a chegar aos 9 mil milhões já em 2050, a procura por este recurso deverá aumentar 55%.

Luis Narvarte, professor da Universidade Técnica de Madrid, e coordenador do projeto MASLOWATEN, que conta com a participação da Universidade de Évora, defende que “se não reduzirmos a utilização de água e de energia tradicional (combustíveis fósseis), o nosso sistema alimentar não será sustentável”.

Este consórcio está a desenvolver um sistema de irrigação alimentado por energia solar que poderá conseguir uma redução de 30% no consumo de água. Este sistema inclui vários painéis solares que são instalados nas explorações agrícolas e que conseguem alimentar o sistema de irrigação instalado, ao mesmo tempo que ‘dizem’ ao produtor exatamente que quantidade de água é necessária para aquela produção.

De acordo com Luis Narvarte, este sistema poderá trazer uma poupança de 75% nos custos de energia para irrigação. Para além disso, segundo o investigador, a procura por sistemas de irrigação solares deverá criar um mercado global com um valor de 9 mil milhões de euros.

Fonte: Via Rural

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Brasil e Europa estabelecem plano de ação integrado para produção e comércio de soja sustentável

Aprosoja, Abiove, Fediol, Fefac e IDH, parceiros da cadeia de valor da soja, assinam memorando de entendimento para fortalecer a cooperação na área de produção sustentável de soja 

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A Aprosoja, ABIOVE, FEDIOL, FEFAC e a IDH assinaram um memorando de entendimento para apoiar e ampliar a produção de soja sustentável no Brasil e sua promoção no mercado europeu. É a primeira vez que um relacionamento de trabalho é formalizado entre a cadeia da soja brasileira e importantes compradores europeus, compartilhando uma visão mútua e um plano de ação que promove a produção de soja sustentável no Brasil e seu consumo na Europa.

O acordo reúne uma das maiores entidades representativas dos agricultores brasileiros – a Aprosoja – e organizações que representam a indústria de óleos vegetais do Brasil (Abiove) e da Europa (Fediol e Fefac).Este acordo do setor privado, o qual conta com o suporte do IDH, a Iniciativa de Comércio Sustentável, apoia vários objetivos do Código Florestal Brasileiro, destacando-se o de preservação de habitats naturais, por meio da promoção de práticas agrícolas sustentáveis em fazendas de soja.

A assinatura do memorando é o reconhecimento por parte da Europa de que o programa de gestão rural Soja Plus, desenvolvido pela Aprosoja e pela Abiove, é a iniciativa mais adequada para o estabelecimento da soja mato-grossense como um produto “sustentável”, atendendo a preceitos definidos pela Fefac em seu programa “Soja Responsável”.

As partes reconhecem que as atuais iniciativas setoriais de soja sustentável na Europa e no Brasil são complementares. Acreditam que, ao alinhar sua visão e suas ações, vão acelerar a produção de soja sustentável no Brasil e o comércio do produto na Europa.

O Brasil produziu, em 2016, mais de 95,4 milhões de toneladas de soja (fonte: CONAB). A UE é a segunda maior importadora de soja do Brasil. Em 2015, a Europa importou 5.8 milhões de toneladas de soja e 8.4 milhões de toneladas de farelo de soja do Brasil (fonte: Oil World).

Criado em 2011, o programa Soja Plus leva orientação aos agricultores para que adequem suas propriedades rurais às exigências da legislação ambiental, fundiária e trabalhista. Atualmente, 1.084 produtores rurais de Mato Grosso participam do programa, que também está presente nos estados de Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso do Sul.

“Com a assinatura do memorando, o Programa Soja Plus passa a ser reconhecido com um programa de produção sustentável, servindo como passaporte da soja brasileira para o mercado europeu”, enfatiza Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja.

O presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, diz: “Os europeus reconhecem o trabalho do Soja Plus, programa de gestão econômica, social e ambiental da propriedade rural, para melhorar, de modo prático e objetivo, a sustentabilidade na sojicultura. O programa visa orientar o produtor para o atendimento da legislação ambiental brasileira e, dessa forma, contribui para o fornecimento de soja e farelo que agregam serviços ambientais. Produtores e processadores têm interesse em fortalecer a imagem da soja brasileira na Europa, maior mercado importador de farelo proteico para a indústria de ração animal”.

O presidente da Fediol, Henri Rieux, comenta sobre a ação.  “O ponto forte desse acordo é que empresas importantes estão se comprometendo com uma abordagem em cadeia para lidar com a questão da produção sustentável de soja no Brasil e a aceitação desses produtos na Europa. Estamos confiantes de que esse diálogo aprimorado terá um impacto positivo e nos permitirá atender melhor às necessidades das partes interessadas na Europa”.

“Com este acordo, podemos apoiar proativamente avanços de agricultura sustentável no nível das fazendas de soja no Brasil e nos aproximar mais de uma transição de mercado convencional do fornecimento físico responsável de soja para a Europa.”, destaca Ruud Tijssens, presidente da FEFAC.

O diretor do programa de soja do IDH, Lucian Peppenelenbos, ressalta a importância da iniciativa. “Este acordo é um importante passo para que os produtores e a cadeia de soja prestem uma contribuição direta e verificável às ambiciosas metas do governo Mato Grossense que se comprometeu a parar o desmatamento ilegal en 2020 e reduzir o desmatamento em 90% na Amazônia e em 95% no Cerrado até 2030. Será também uma contribuição significativa para os objetivos nacionais do Brasil como parte do Acordo Climático de Paris.”

Fonte: Agrolink

Banana-prata mineira cultivada no distrito de irrigação Jaíba será exportada para Europa

Produtores do Jaíba traçam estratégia para dar início à exportação para os europeus. Participação em feira na Alemanha será decisiva. Dólar valorizado é estimulante

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Um mercado aberto, sem concorrentes e interessado em consumir a banana-prata produzida no Brasil. A Europa está de portas abertas para pôr na mesa essa fruta tão popular por aqui. Do outro lado da ponta e com interesses cada vez maiores em suprir essa demanda internacional, Minas Gerais já comprovou que é possível levar a delícia até lá e articula, agora, estratégias para que a exportação seja realidade no país e no estado. Há um ano, produtores mineiros desembarcaram a iguaria em Portugal e comprovaram que, com a tecnologia certa, é possível manter a qualidade do produto quando ele vai para bem longe. Desde então, estratégias estão sendo traçadas no Norte de Minas para que a fruta seja entregue em todo o continente europeu. O primeiro alvo é Alemanha, para onde, em fevereiro de 2016, produtores mineiros vão levar pencas para degustação.

A situação econômica do Brasil e a alta do dólar são dois dos principais fatores que estão impulsionando produtores da Região do Jaíba, no Norte de Minas, a somarem esforços em estratégias para a exportação da banana-prata. Isso, porque, com a retração na economia, muitos locais que revendem a iguaria aqui no território nacional estão comprando menos dos fruticultores e já há perdas de bananas. “Estamos no momento de safra e os comerciantes falam em diminuição de vendas, ou seja, começam as sobras e vira uma bola de neve. Atualmente, um produtor tem recebido R$ 0,50 pela fruta, e, com a alta do dólar, o mercado externo está mais atraente”, comenta o presidente da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), Saulo Bresinski Lage.

A Região do Jaíba é composta por sete municípios, e, por causa da combinação entre as condições climáticas, o solo fértil e a irrigação controlada, forma um cenário adequado para a produção de diversas frutas, principalmente da banana-prata. A esperança da região para ingressar no mercado internacional está na Alemanha, onde haverá, na primeira semana de fevereiro do ano que vem, a Fruit Logística – um ponto de encontro da liderança internacional do marketing de frutas e hortaliças. “É a maior feira desse tipo do mundo e ela ocorre em um shopping para a classe A de Berlim. Tudo que é apresentado ali vira tendência. A nossa proposta é apresentar a banana-prata, que não tem lá, como produto exótico”, comenta Saulo Lage. Isso porque, na Europa, os tipos nanica e caturra são conhecidos. “Aqui no mercado interno, a banana-prata tem um valor mais alto, e, lá fora, também será mais valorizada.”

O alto custo se deve ao processo de armazenamento da fruta para a exportação. Durante três anos, por meio do incentivo do governo do estado, em conjunto com o Sebrae e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), pesquisadores e especialistas na área estudaram a melhor forma de exportar a banana-prata do Jaíba. O primeiro teste foi feito para Portugal, há um ano. Segundo o superintendente do Instituto Antônio Ernesto de Salvo – braço de pesquisa da Faemg –, Pierre Vilela, nesse período de estudo, foram feitos ajustes na tecnologia de exportação. “Todas as medidas que tínhamos tomado até então tinham sido frustradas. Nunca conseguíamos um resultado efetivo”, comenta Pierre, acrescentando que, no ano passado, um contêiner com 16 toneladas da fruta foi levado a Portugal.

Foram 25 dias de trânsito da banana, da colheita até o destino final. “Conseguimos a manutenção da qualidade da fruta, que chegou em boas condições de consumo à Europa”, comemora Pierre. O orgulho é grande, porque, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o país exporta apenas 1% da banana que produz. O Brasil é o terceiro produtor mundial de banana, com cerca de 7,5 milhões de toneladas, atrás apenas da Índia e da China. Minas Gerais, com 687,3 mil toneladas dessa fatia, é o quarto maior produtor no país, depois de São Paulo (1,2 milhão de toneladas), Bahia (1,1 milhão de toneladas) e Santa Catarina (689,8 mil toneladas).

QUANTIDADE Sempre voltado ao mercado interno, o externo se torna propício pelas conjunturas econômicas atuais no Brasil e, também, conforme destaca Pierre, pelo interesse lá de fora pela banana-prata. “O grande problema é que, pelos nossos estudos, a exportação deve ser feita com um volume grande da fruta. Um produtor sozinho não dá conta de atender”, comenta Pierre. De acordo com ele, o grande entrave para levar, agora, a fruta para solos europeus está na falta de preparo e estruturas das fazendas mineiras. “Um contêiner tem capacidade para 16 toneladas. Não dá para exportar uma caixa apenas. Por isso, é preciso que haja um processo coletivo entre esses trabalhadores rurais e também uma adaptação nos locais, já que, para manter a qualidade do fruto, é preciso, por exemplo, ter câmaras frias”, cita. Pierre ressalta que demanda há, já que Inglaterra, França e outros países têm interesse em comprar a iguaria daqui.

Para a exportação, o nível de seleção da fruta é mais rigoroso. “Os processos dentro das fazendas têm que ser melhorados. As embalagens, por exemplo, não podem ser caixotes, mas sim caixas de papelão”, diz Pierre. Ele conta que vários compradores estrangeiros têm visitado a Região do Jaíba para conhecer a fruta. “Doze fazendas da região já têm o certificado internacional para a exportação. Tudo é questão de oportunidade, e, para esse mercado, ela existe: os países estão prontos para receber o fruto.”

DESAFIOS Apesar de haver um mercado pulsante para a exportação da banana-prata, Saulo Lage diz que não são tantos os produtores estimulados. Ele mesmo é produtor na região e conta que os custos para levar a banana-prata para o exterior são altos. “Quando foi feito o primeiro teste e as frutas foram para Portugal, houve um procedimento completamente controlado. Mas é necessário investimento. Caso contrário, não dará certo”, afirma.

Saulo Lage observa que, apenas para o procedimento de limpeza da banana – um processo que deixará a fruta com uma melhor aparência para uma viagem mais longa –, já gastou cerca de R$ 15 mil. “Ainda preciso de mais estruturas, como a câmara fria para o armazenamento”, diz. A preocupação do produtor é de que, depois de todo o esforço da região, uma multinacional entre no mercado. “Por isso, precisamos de um programa maciço do governo que incentive a exportação”, cobra, dizendo ser mais fácil embarcar os alimentos de avião, e não por mar. “Gastamos 25 dias para que as bananas chegassem a Portugal. Por avião, seriam três”, compara.

GARANTIA DE ORIGEM

Enquanto a exportação da banana-prata não é realidade, a Região do Jaíba não deixa de investir no mercado interno. Agora, para que as frutas da região sejam reconhecidas, foi criado um aplicativo para smartphone em que o consumidor, ao comprar um limão, por exemplo, poderá comprovar se ele é do Jaíba ou não. “Há um código de barra que, ao ser lido pelo aplicativo, informa todas as características do produtor. Assim, o consumidor terá certeza da procedência”, comenta Saulo Lage, da Abanorte. A novidade já chegou ao mercado de São Paulo e, em breve, deve chegar a Belo Horizonte.

CAMPEÃ

A banana é a fruta mais consumida no Brasil e a segunda no mundo, atrás apenas da laranja. Ela ocupa a primeira posição no ranking mundial de produção de frutas, com mais de 106 milhões de toneladas. E o Brasil responde por 7 milhões de toneladas, com participação de 6,9% desse total, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cultivo de banana tem se expandido nos últimos anos e, hoje, mais de 125 países se dedicam a essa cultura. No Brasil, as condições climáticas permitem que a fruta seja cultivada em todos os estados, durante todo o ano, atendendo a demanda do consumo interno. Mas 99% do total da produção da fruta in natura é consumido pelos brasileiros.

Fonte: em.com