Cultivos de Verão: o desafio da degradação dos solos e as novas soluções tecnológicas

O agronegócio brasileiro tem muitas culturas, diversas de acordo com a região plantada e o período. No verão, as mais comuns são o arroz, o feijão, o milho, a mandioca, o algodão, o sorgo e a mamona, além de frutas como abacaxi, melancia e manga. Em comum, a adaptação e o desenvolvimento das plantas sob forte calor e bastante chuva.

Essa combinação de calor, umidade e precipitações hídricas em excesso em alguns pontos, ao mesmo tempo que é benéfica para o crescimento dessas culturas, também propicia a evolução de pragas e, um dado alarmante, da erosão.

Documento de 2015 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), com participação da Embrapa, revelou que 33% dos solos do mundo estão degradados.

Somente a erosão elimina 25 bilhões a 40 bilhões de toneladas de solo por ano, reduzindo significativamente a produtividade das culturas e a capacidade de armazenar carbono, nutrientes e água. Perdas de produção de cereais devido à erosão foram estimadas em 7,6 milhões de toneladas por ano.

No Brasil, os principais problemas encontrados são erosão laminar, perda de carbono orgânico, salinização e desequilíbrio de nutrientes, o que culmina com a perda de produtividade das lavouras. A acumulação de sais no solo, um dos fatores da erosão, reduz o rendimento das culturas e pode eliminar completamente a produção vegetal. No País, a área mais afetada pelo problema é o Nordeste, geralmente provocada por irrigação em áreas impróprias.

A erosão leva, literalmente, água abaixo a lavoura e a camada mais fértil do solo, que fica na superfície. As gotas de chuva batem com força no solo, desagregam os torrões de terra e formam pequenos grãos. Leves e barreiras no caminho, eles são arrastados seguindo o declive natural do terreno e se acumulam nas partes mais baixas, onde, geralmente, há outra propriedade, uma nascente ou um rio.

 

A tecnologia como aliada

Em se tratando de prevenção e ação contra erosões, uma tecnologia de monitoramento dos solos está causando grande impacto na agricultura com imagens aéreas que fazem diferença no desenvolvimento e utilização das boas práticas agrícolas e permitem a fazendeiros e agrônomos agirem de maneira proativa nas plantações reduzindo perdas.

A AirScout trouxe ao Brasil a tecnologia que propicia o conhecimento mais detalhado dos solos da fazenda, disponibilizando uma infraestrutura de dados de solos unificada, e possibilitando ações preventivas de manejo e cuidados visando à manutenção da produtividade das lavouras a curto, médio e longo prazo.

As imagens térmicas AirScout, além de oferecer dados precisos sobre a saúde das plantas, monitoram condições do campo ao longo do ano para buscar erosão, linhas de drenagem, etc. Com AirScout, alertas sobre compactação do solo e sanidade das culturas são dados semanas antes do possível com qualquer outra ferramenta, abrindo possibilidades de intervenção com tratamentos prescritivos antes que a produtividade seja ameaçada.

O serviço disponibilizado pela AirScout também proporciona ao produtor o diagnóstico antecipado sobre as condições do solo e das plantas, permitindo o acompanhamento permanente de pragas, a medida correta na aplicação de herbicidas e o manejo ideal da irrigação a fim de não prejudicar o solo.

Website: http://airscout.com.br/

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Embrapa e Visiona fazem acordo para usar tecnologia espacial na agricultura

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A Embrapa e a Visiona Tecnologia Espacial assinaram nesta sexta-feira, 07, um acordo de cooperação a fim de desenvolver projetos que unem tecnologia espacial e sistemas informatizados para serem aplicados na agricultura. O objetivo é obter avanços no mapeamento e monitoramento de áreas de produção agropecuária, ecossistemas ambientais e áreas de conservação, informa nota da Embrapa. Com a parceria, será mais fácil desenvolver sistemas que obtêm dados de satélites para ajudar no monitoramento e mapeamento.

A Embrapa contribuirá com conhecimento em tecnologia de agricultura, automação, geotecnologias e sistemas de TI. Já a Visiona entrará com o know-how na área espacial, em especial com o nanosatélite VCUB, o primeiro do tipo feito pela indústria brasileira.

“A parceria tem grande potencial de desenvolvimento técnico que poderá ser aplicado à oferta de novos modelos de negócios a serem explorados pelas duas empresas ou junto a terceiros”, afirmou o diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares.

O presidente da Visiona, João Paulo Rodrigues Campos, enfatizou as qualidades do VCUB: “A possibilidade de conjugar imagens com alta qualidade e coletar dados de sensores no campo faz do VCUB uma plataforma poderosa para aplicações agrícolas, e a parceria com a Embrapa será fundamental para transformar esse potencial em soluções concretas voltadas para o mercado brasileiro”.

Fonte: IstoÉ

“O Brasil já se destaca na Agricultura 4.0”, avalia presidente da Embrapa em entrevista exclusiva

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agronegócio é um importante pilar da economia brasileira e está passando por transformações. A principal delas é a digital que vai abrir oportunidades de inovação e diversificação que serão essenciais para o Brasil no futuro. O impacto dessa mudança será enorme. É o que acredita o presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Maurício Antônio Lopes. Em entrevista exclusiva ao canal de conteúdo da Agrishow, ele afirma que essa transformação digital não vai demorar a chegar ao território nacional. Isso por que esse momento já chegou.

Nosso país já se destaca na chamada Agricultura 4.0, em especial pela incorporação de processos. Dentre as melhorias incorporadas, estão práticas e processos de precisão, amplo uso de sensores e mecanismos sofisticados de previsão e resposta a variações de clima, além de abrir espaços para o Brasil em segmentos estratégicos da agricultura e da bioeconomia − economia sustentável baseada em recursos biológicos e processos limpos e renováveis.

Confira a entrevista em que Maurício Antônio Lopes avalia os impactos da Agricultura 4.0 no Brasil.

  1. O que é Agricultura 4.0? Quais os conceitos por trás deste termo?

É o aproveitamento dos avanços nas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) na agricultura como forma de repensar e redesenhar processos ao longo de toda a cadeia de valor − do campo à mesa – abrindo possibilidades para a geração de uma vasta gama de inovações para o mundo da agricultura e da alimentação. O termo Agricultura 4.0 foi criado pela revolução da transformação digital, que substitui átomos (mundo físico) por bits (mundo digital), transformando itens físicos em bits. Na prática, o que se quer é que a agricultura possa acessar uma vasta gama de inovações baseadas, por exemplo, em sensores capazes de fornecer dados cada vez mais precisos, visualização e previsões de condições meteorológicas para melhor gestão das lavouras; monitoramento autônomo e intervenções precisas nos processos de gestão da produção agropecuária; comunicação altamente integrada e automação das mais variadas atividades nos setores agroalimentar e agroindustrial; sistemas avançados de monitoramento, rastreabilidade e controle que informem e assegurem aos consumidores sobre segurança e sustentabilidade dos alimentos, dentre muitas outras inovações e avanços.

  1. Como esse conceito se aplica em agronegócios?

A transformação digital permitirá à agricultura incorporar práticas e processos de precisão, amplo uso de sensores e mecanismos sofisticados de previsão e resposta a variações de clima, além de aplicativos e ferramentas para sofisticação da gestão das unidades produtivas e das indústrias ligadas ao setor. O agronegócio do futuro será profundamente marcado pela transformação digital e seus impactos na automação. De acordo com a FAO, em 2010 a população urbana ultrapassou, pela primeira vez, a população rural no mundo. Estima-se que em 2050 sete em cada dez pessoas viverão nas cidades, tornando ainda mais rarefeita a população rural. Portanto, máquinas e equipamentos serão imprescindíveis na garantia da segurança alimentar no futuro. Com a vantagem de que a automação digitalmente habilitada irá permitir ganhos importantes em eficiência e precisão, ajudando a agricultura a superar práticas consideradas hoje pouco sustentáveis. Big Data, internet das coisas e inteligência artificial em conjunção com sensores e máquinas sofisticadas já estão viabilizando a agricultura de precisão e permitindo ganhos cada vez maiores em duas frentes: produtividade e sustentabilidade.

  1. A agricultura 4.0 já é realidade no Brasil?

O Brasil já se destaca na Agricultura 4.0, em especial pela incorporação de processos da chamada agricultura de precisão. Cresce nas áreas mais avançadas de produção do país o uso de máquinas inteligentes guiadas por GPS para plantio, tratos culturais e colheita de precisão, com economia de insumos, ganhos de produtividade e sustentabilidade.  Na programação de pesquisa da Embrapa destaca-se um portfólio de pesquisa sobre temas da transformação digital e da automação na agricultura, com 22 projetos dedicados a desafios nos campos das geotecnologias avançadas, manejo sítio-específico e agropecuária de precisão, sistemas de diagnóstico de doenças em plantas, sistemas inteligentes para manejo de rebanhos, automação em sistemas de produção, modelos integrados para simulação de sistemas de produção sustentáveis, dentre outros. A Embrapa tem dado grande ênfase ao desenvolvimento de aplicativos móveis, recursos que prometem revolucionar a disseminação de tecnologias e conhecimentos gerados pela pesquisa agropecuária. Diversas parcerias com o setor privado já estão em curso, como forma de combinar capacidade da indústria de TICs e de automação, com o vasto conhecimento contido na rede Embrapa sobre a base de recursos naturais e os sistemas produtivos brasileiros.  Esses são apenas alguns exemplos que mostram que a nossa Empresa está atenta e aberta à cooperação que ajude a agricultura brasileira a se inserir na próxima revolução industrial.

  1. Qual será o impacto dessa nova era no agronegócio?

O impacto será enorme, e o agronegócio, que é um importante pilar da economia brasileira, poderá assegurar equilíbrio nas três vertentes da sustentabilidade – econômica, social e ambiental −, o que é uma exigência dos consumidores em todo o mundo. A Embrapa já investe em projetos da agricultura 4.0 voltados para aliar as vertentes da produtividade e da sustentabilidade em sistemas de produção agropecuária. Em parceria com a empresa americana Qualcomm, a Embrapa desenvolve veículos aéreos não tripulados − os drones – capazes de coletar, processar, analisar e transmitir informações das lavouras em tempo real para os agricultores e sistemas de monitoramento ambiental. O objetivo é detectar com precisão as deficiências das culturas, ocorrência de pragas, escassez hídrica, déficit de nutrientes e danos ambientais. Com informações precisas sobre suas lavouras, os agricultores poderão evitar o uso demasiado de defensivos agrícolas, excesso de fertilização, além de orientar a irrigação nos momentos corretos, a fim de reduzir perdas, ampliar a produtividade e ganhar sustentabilidade.

  1. Quais as vantagens e desafios em tornar esse conceito realidade no Brasil?

Incorporar os conceitos da agricultura 4.0 significa também abrir oportunidades de inovação e diversificação que serão essenciais para o país no futuro. Por exemplo, a transformação digital poderá abrir espaços para o Brasil em segmentos estratégicos da agricultura e da bioeconomia − economia sustentável baseada em recursos biológicos e processos limpos e renováveis. Estes são espaços privilegiados para o Brasil na nova globalização digital. Com a bioeconomia e a transformação digital operando em sintonia e sinergia poderemos dinamizar segmentos essenciais da agricultura, fortalecendo a posição de vanguarda do Brasil na produção de alimentos, fibras, energia e biomateriais. O mundo já vive a era big data, com a possibilidade de gerar, medir, coletar e armazenar assombrosas quantidades de dados, que são a matéria-prima do conhecimento. Uma gama de tecnologias emergentes ajuda as organizações a extrair valor desses grandes conjuntos de dados, o que torna possível, por exemplo, inferir padrões de comportamento e de consumo e ajustar o design e a logística de entrega de produtos e serviços para cada indivíduo, com enormes ganhos de eficiência operacional e econômica. Daqui para o futuro, o setor privado vai usar big data para multiplicar acesso a serviços e bens de consumo. E rupturas tecnológicas, como fabricação aditiva (impressão 3D) e robótica, têm o potencial de mudar padrões de trabalho no futuro. Essas tecnologias vão melhorar a produtividade, a qualidade e o padrão dos produtos, reduzir trabalho penoso e insalubre, dentre outros benefícios. Na agricultura, as novas tecnologias poderão estimular novas vertentes de agregação de valor e fabricação, com grandes possibilidades de aumento de competitividade dos setores agroalimentar e agroindustrial.

  1. Há algum comentário que você julgue importante sobre a agricultura 4.0?

O Brasil precisará investir em bons sistemas de inteligência estratégica para não perder espaço na revolução da agricultura 4.0. Considerando a magnitude e complexidade dos desafios futuros, e as rápidas e profundas mudanças que ocorrem no mundo da tecnologia, é imperativo que se implementem “sistemas de inteligência estratégica” para subsidiar as decisões públicas e privadas que garantam à agricultura brasileira a adaptação a tantas mudanças previstas para o futuro. Tal capacidade será essencial no planejamento de políticas de longo alcance, fornecendo insumos a um processo de tomada de decisão que alinhe as cadeias produtivas da agricultura brasileira à revolução da transformação digital e à emergência da agricultura 4.0.

Embrapa recebe inscrições para curso de irrigação

As inscrições para o curso a distância em uso e manejo da irrigação, oferecido pela Embrapa, estão abertas até 31 de julho. Para se matricular, basta acessar o site da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). O IrrigaWeb terá carga horária de 200 horas e oferecerá 500 vagas. O valor da inscrição é de R$ 500.  

Durante as aulas, os alunos terão acesso a recursos modernos e didáticos, como videoaulas, animações e games. O conteúdo será dividido em três módulos (Fundamentos, Requerimentos e Aplicação) que vão tratar de assuntos como gestão da água, seleção do método de irrigação, estratégias de manejo, desempenho de sistemas, avaliação econômica e fertirrigação. 

Embrapa Hortaliças apresenta tecnologias sustentáveis

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Para a 25ª edição da Hortitec a Embrapa Hortaliças selecionou cultivares, sistemas de produção e insumos para auxiliar o setor produtivo, como as cultivares de alface BRS Leila e BRS Mediterrânea, que se destacam pela tolerância ao florescimento provocado pelo calor. A alface BRS Leila apresenta ampla adaptação aos diferentes tipos de cultivo – seja campo aberto ou ambiente protegido, mas sua principal indicação é para produção hidropônica, devido ao formato cônico.

Já a cultivar BRS Mediterrânea apresenta resistência à doença de solo denominada fusariose e alta precocidade na colheita. Essas características são interessantes porque contribuem para a menor necessidade de aporte de agrotóxicos nos cultivos de alface, um benefício para o meio ambiente, mas também para o consumidor, já que a principal forma de consumo são folhas frescas. Além disso, essa cultivar é, em média, sete dias mais precoce que a cultivar de alface crespa mais plantada no Brasil.

Em relação a insumos, o destaque fica por conta do biofertilizante Hortbio®, que tem demonstrado grande potencial na produção de hortaliças porque possui em sua formulação microrganismos reportados na literatura como promotores do crescimento vegetal e quando comparado a outros biofertilizantes de uso comum na agricultura orgânica, possui maiores teores de nitrogênio, fósforo e potássio. Além disso, os visitantes também poderão conhecer melhor a utilização do sistema de plantio direto para a produção de hortaliças, em especial no cultivo de brássicas – família botânica de espécies como couve, brócolis e couve-flor.
O plantio direto é um sistema de produção conservacionista que funciona como uma alternativa aos sistemas produtivos convencionais baseados no uso intensivo de solo e de água, já que as pesquisas indicam que, a partir da adoção do plantio direto, é possível reduzir em 70% as perdas de solo e em até 90% as perdas de água, além de favorecer o incremento dos teores de matéria orgânica no solo.