Crise hídrica: Planaltina e Sobradinho são as regiões mais críticas do DF, diz Caesb

Córrego do Pipiripau, principal fonte de abastecimento de água das regiões de Planaltina e Sobradinho, no Distrito Federal (Foto: Letícia Carvalho/G1)

Um lugar de muita riqueza, próximo a um lago.” Para o padroeiro de Brasília, Dom Bosco, essa seria a definição do lugar localizado entre os paralelos 15 e 20 do hemisfério Sul. No espaço, criou-se um monumento – a Pedra Fundamental –, e desenvolveu-se a 9 quilômetros dali a região administrativa de Planaltina. Apesar da premonição do religioso, a região tem sofrido, ano após ano, com a falta de um recurso precioso: a água.

Em outubro de 2017, Planaltina viu um dos seu principais córregos e fonte de abastecimento, o Pipiripau, amargar com a escassez de água. Os 179 mil moradores da região foram pegos de surpresa e tiveram que enfrentar longos períodos sem o recurso.

Alguns bairros chegaram a ficar seis dias com as torneiras secas no período em que a capital registrou a maior temperatura da história, 37,3°C. Uma de suas vizinhas, Sobradinho, que tem 142.449 mil habitantes, também padeceu do mesmo problema no ano passado.

Diferentemente das outras regiões administrativas abastecidas pelos reservatórios do Descoberto e de Santa Maria, Planaltina e Sobradinho dependem exclusivamente dos córregos – Pipiripau, Mestre D’Armas, Quinze, Corguinho, Brejinho, Paranoázinho e Fumal – para terem água nos canos dos imóveis.

Assim como esses locais, Brazlândia também necessita do volume dos rios para prover água aos seus 46.302 mil moradores. Nesse caso, os responsáveis pelo fornecimento são o Barrocão e Capão da Onça.

Fonte: G1

Ao G1, o presidente da Companhia de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), Maurício Luduvice, reconheceu que a área mais ameaçada pela falta de água é a que abriga Planaltina e Sobradinho.

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O futuro da água

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Artigo

As crises no abastecimento de água no Brasil vêm se sucedendo em velocidade e gravidade crescentes. No Nordeste, severas estiagens marcaram de forma dramática os anos 1980, 2009 e 2017, e no Sudeste, os de 1964, 2003 e 2015. Essa escalada vai ao encontro das estatísticas da Munich Re, uma das maiores companhias de resseguro do mundo, de que a frequência dos eventos climáticos extremos com perdas econômicas cresceu cerca de três vezes desde 1990, causando prejuízo anual de US$ 1,3 trilhão para a economia mundial, segundo o Fórum Econômico Mundial.

Dados do WWI (Worldwatch Institut) apontam que o crescimento populacional até 2030, quando o mundo chegará a cerca de 9 bilhões de pessoas, demandará 50% a mais de alimentos, 40% a mais de energia e 30% de água. Nesse horizonte, a ONU (Organização das Nações Unidas) projeta que a demanda por água superará a oferta em 40%. O impacto será maior nos países menos desenvolvidos.

Embora consuma cerca de 20% da água utilizada no mundo, em comparação aos 70% absorvidos pela agricultura irrigada, o setor industrial sabe que a principal ameaça dessa progressão alarmante recai sobre sua atuação. Pois a população consome apenas 10% do total e terá sempre prioridade nos casos de grave escassez hídrica, assim como a produção de alimentos.

Muitos passos já foram dados para reduzir o consumo de água tratada pela indústria. No Brasil, a solução da água de reúso industrial, produzida a partir do esgoto tratado com tecnologia avançada que inclui membranas de ultrafiltração e osmose reversa, está disponível e sua adoção é crescente.

É necessário engajar toda a cadeia de valor neste esforço e buscar cooperação intersetorial. Modelo a ser seguido é o Movimento Menos Perda Mais Água, da Rede Brasil do Pacto Global, ligado à ONU, com o objetivo de engajar governo, sociedade organizada e iniciativa privada no controle e redução das perdas de água tratada na distribuição. O caminho começa por reduzir a pressão nas redes de distribuição, passa por estabelecer sistemas de micro e macromedição capazes de alertar sobre possíveis vazamentos e, a partir das informações coletadas, planejar e executar a troca progressiva da rede física de distribuição por tubos de polietileno de alta densidade e de PVC, alternativas eficientes, duráveis e competitivas.

A melhoria da eficiência no uso da água, seja para fins domésticos, industriais ou agrícola, é possível, mas passa pelo engajamento e pela cooperação de todos – governo, sociedade e setor privado – para produzir solução na velocidade e na escala necessárias.

Mario Pino é gerente de Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

Palavra do leitor

Irregulares
Cobrança indevida do Thermas de São Paulo continua para todos que se recusaram a pagar ‘taxas de melhorias’ há anos cobradas de forma irregular! Título que paguei muito caro e quase nem usufrui! Na época, informaram-me de que se não pagasse taxas, que eram de R$ 480, não poderia frequentar o clube. Agora, anos depois, acumulam-se mais de R$ 5.000! Comprei esse título para ajudar a construir esse clube. Remido, que eu saiba, não paga mais nada, nunca! Um senhor, muito ‘liso’, disse-me que não cobrariam mais. Ligando para lá, surpresa! Não frequento isso há quase 24 anos! Quanta enganação! Uma pena, senhores do Thermas de São Paulo-Magic City, em Suzano! Polícia, Procon, ajudem-me a resolver esse tipo de estelionato.
José Eduardo Zago
Mauá

Tem jeito, sim!
Estou indignado com esses governos municipais e estaduais e também com este presidente corrupto, que gasta dinheiro do povo para se segurar no cargo. Como não têm dinheiro os municípios, os Estados e o Brasil? Se pensassem e fizessem reforma em tudo no País sobraria dinheiro: tais como diminuir os cargos de vereadores, deputados, senadores, os comissionados – que não servem para nada e são apenas cabos eleitorais de luxo desses políticos corruptos. Eles, os políticos, ganham muito dinheiro. O próprio Tiririca disse que nunca viu tanto dinheiro como agora. Então é ter vontade, ser sério, que dão jeito no País. Cobrem os maiores devedores da Nação que as contas batem.
Alcyone Sebastião
São Caetano

Mórbido
Concordo com o colunista Flávio Ricco a respeito do programa, se é que se pode dizer assim, chamado Desafio sob Fogo, exibido pelo canal History (Cultura&Lazer, ontem). É de uma morbidez sem tamanho. Mas daí dizer que se fosse exibido na TV aberta não duraria mais que um dia, pois o Ministério Público não permitiria, opa, aí é outra história. Só quero lembrar ao caro escriba que pessoas incautas vêm sendo lesadas e roubadas há anos dentro de suas próprias casas através de medicamentos para tudo e para todos. Também por programa que parece brincadeira de advinhação e a pessoa só cai na real quando chega a conta telefônica. Antes fosse como o caro colunista sugere.
Nelson Mendes
São Bernardo

Para não esquecer
Coincidência ou não, a escolha do dia 24 de janeiro para a ‘condenação’ do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, veio mesmo a calhar. No dia 25 estaremos festejando o aniversário de São Paulo. A cidade jamais verá tamanha festa para essa dupla comemoração. A Avenida Paulista se tornará pequena para o maior público já registrado da sua história. Quem viver, verá!
José Marques
Capital

Trabalhoso
Posto que a filha de Roberto Jefferson, Cristiane Brasil, está impedida de assumir o cargo de ministra do Trabalho, a melhor coisa a fazer seria indicar o próprio Jefferson. De trabalho ele entende como ninguém. Há décadas ‘nosso herói’ tem dado um trabalhão para a Justiça e a todos os políticos que orbitam em Brasília e adjacências. O Partido dos Trabalhadores que o diga. Com ironia, por favor !
Luís Fernando Amaral
Laguna (SC)

Incrível
Da quase totalidade das nomeações de Michel Temer para ministérios ou cargos importantes no primeiro escalão, raros não tinham problemas pregressos com a Justiça. Ou a Abin não está fazendo seu importante papel de triagem (checar a vida pregressa dos indicados), ou Michel Temer não está dando a mínima para o currículo (ou seria prontuário?) dos escolhidos, indicados. Ou, ainda pior, não existe um só político que não tenha mácula em seu passado. Assim sendo, só nos resta única atitude. Não votar em quem foi indiciado ou tem qualquer condenação, quer seja administrativa, penal, ou dos órgãos superiores de controle. Vamos retirar o foro privilegiado dessa canalhada toda para que a Justiça possa atuar e prevaleça, pois se nós estamos sujeitos a ela, por que eles não? Não deixe de votar, porque a sua omissão ajuda a perpetuar no poder essa máfia que dilapida o Brasil há décadas. Vote no menos ruim, ou em alguém (qualificado, se possível) que nunca esteve lá. O Brasil e nossos descendentes (netos ou bisnetos) agradecerão.

Crise hídrica do DF encarece a salada que chega à mesa do brasiliense

Giovanna Bembom/Metrópoles

A míngua nos principais reservatórios hídricos do Distrito Federal – Descoberto e Santa Maria – afeta os dois extremos da cadeia de agricultura: cultivo e consumo. Por causa da falta de água, pequenos e médios produtores reduzem a área de lavoura e irrigação e, assim, perdem espaço para concorrentes de outros estados, o que impacta, diretamente, o bolso do comprador. Prova disso é o encarecimento de alguns dos principais componentes da salada — os preços de alguns itens mais que dobraram desde o início da seca.
O pepino, por sua vez, apresenta a segunda maior variação desde maio. O legume, antes precificado em R$ 1/kg, custava, em setembro, R$ 2,24/kg (124% mais caro). O alimento é seguido pelo quiabo, cujo preço pulou de R$ 3,48 para R$ 5,13 (alta de 47%).

Veja outros itens que ficaram mais caros durante a seca

Diretor executivo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF), o engenheiro agrônomo Rodrigo Marques explica que os produtores também estão sujeitos ao racionamento de água iniciado no último 16 de janeiro. Ele afirma que o baixo índice pluviométrico (falta de chuvas) e a economia de água reduziram a irrigação e forçaram a queda da produção agrícola em 30% no Distrito Federal, desde maio.

“Quem cultivava em dois hectares, por exemplo, passou a utilizar somente um, por causa da falta de água”, exemplifica. Marques alerta que, se as chuvas não retornarem rapidamente, haverá maior baixa na produção.

Hortaliças e legumes
Chefe da Seção de Estatística da Ceasa, Fernando Santos avalia que a estiagem ainda não representou ameaça para o cultivo de ao menos um tipo de produto: as hortaliças. “Apesar da seca, a característica do inverno no DF favorece o maior crescimento das folhas. Ou seja, não houve ainda tanta queda de produção. Por isso, não tiveram forte elevação de preço, mesmo com a redução da área plantada.”

Os legumes, por sua vez, não escaparam impunes da crise hídrica. “O alto índice de insolação, por exemplo, foi desfavorável a vegetais como chuchu, quiabo, vagem e repolho. E mais: há pressão inflacionária porque aumentou a importação desses produtos vindos de outros estados”, diz o especialista.

Santos afirma ainda que os produtores mais afetados se concentram nas regiões de Brazlândia, Ceilândia, Vargem Bonita, Pipiripau e Planaltina, além dos núcleos rurais Alexandre Gusmão e Taquara. Ele acrescenta que grandes produtores não sentiram tanto os efeitos da estiagem quanto os pequenos e médios, pois detêm maior estrutura de irrigação.

Racionamento
A Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) afirmou ao Metrópoles que não descarta a possibilidade de ampliação do rodízio de água para dois dias. E acrescentou que qualquer medida será divulgada com antecedência. Segundo as previsões das curvas de acompanhamento, o nível do Descoberto deve voltar a subir em novembro. Já o de Santa Maria começará a recuperar o volume útil a partir de dezembro.

Na segunda-feira (16), o volume do Descoberto atingiu o menor nível histórico: 11,7%. O valor de referência do reservatório para este mês, estipulado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa), é de 9%. Já o índice registrado em Santa Maria ficou em 26%, e a expectativa da Adasa é a de que a bacia encerre outubro com 23% de água.

A Caesb afirmou que, para haver diferença nos níveis dos reservatórios, é preciso que as chuvas sejam volumosas e duradouras e ocorram por vários dias. Mas, de acordo com previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as precipitações devem voltar somente a partir do próximo dia 28. Até essa data, as temperaturas ficarão acima dos 32ºC.

Fonte: Metropoles

 

Apesar de crise hídrica, Brazlândia segue líder em morangos no DF

Ed Alves/CB/D.A Press

Em todo o Distrito Federal são produzidos morangos, mas é na área rural de Brazlândia que está concentrada a maior produção. O ano atípico, com crise hídrica e racionamento de água, está dificultando a vida dos produtores. Para passar por essa fase difícil sem prejuízos, os agricultores locais fizeram o possível para garantir morango de qualidade, mas a área plantada foi reduzida e a produção da fruta foi 30% menor. Em compensação, os produtores implementaram técnicas para o uso racional da água e aprimoraram o manejo para evitar perdas. Brazlândia se mantém no topo da produção de morango da região Centro-Oeste e deve chegar a 3.675 toneladas em 2017, segundo estimativas da Empresa Brasileira de Assistência Rural (Emater-DF).

“Mesmo com o problema da água, ainda está valendo a pena plantar morango”. A constatação é do agricultor Francisco Marques Andrade, 32 anos, proprietário de cinco hectares de terra no assentamento Betinho, na zona rural de Brazlândia. Em outubro do ano passado, o produtor refez cálculos e fez um novo planejamento para enfrentar a crise hídrica e assegurar lucro com a plantação de morangos. Francisco teve que diminuir a plantação para 35 mil pés, menos da metade do que plantou em 2016. E não foi somente por causa da falta de água. Houve majoração de preços em vários itens da cadeia produtiva do morango, como o do pé da fruta, que subiu R$ 0,20, passando de R$ 0,50 para R$ 0,70.

Os morangos de Francisco já têm destino certo. A maior parte da colheita vai diretamente para a Feira do Produtor na Ceasa. A bandeja, contendo quatro caixas com 300 gramas do fruto, é vendida por R$ 10 no atacado. Com 5% da produção, composta pelos morangos menores, é feita a polpa, vendida, geralmente, para lanchonetes, bares e restaurantes por R$ 3,50 o quilo. “Compensa plantar morangos, porque a gente consegue um preço muito melhor do que qualquer hortaliça. A venda também é mais fácil. O problema é que os atravessadores triplicam o preço cobrado ao consumidor”, analisa.

Como a realidade da produção é adversa em função da crise hídrica, o foco do trabalho da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) tem sido proporcionar informações ao agricultor para garantir a adaptação ao cenário de racionamento de água. No início do ano, a empresa realizou o Censo dos Irrigantes, um levantamento para identificar quantos produtores usam sistema de irrigação, periodicidade de uso e até mesmo se têm autorização dos órgãos competentes para utilizar o sistema.

“O estudo serviu de base para o Plano de Adequação de Irrigação e para a implementação de várias ações, entre elas o ensino de técnicas para o manejo do solo e de adequações para sistemas mais eficientes”, explica o engenheiro agrônomo, Rodrigo Teixeira Alves, extensionista rural e gerente da Emater Brazlândia.

Desde o ano passado, a Emater vem realizando encontros com os produtores de Brazlândia, o que Rodrigo Teixeira Alves define como “ação negociada”, uma iniciativa para conscientizar os agricultores sobre o uso racional da água, incentivar a utilização do reservatório e treiná-los em práticas mais sustentáveis e econômicas. A ação envolve também outros órgãos do Distrito Federal, como a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Agência Reguladora de Águas e Saneamento (Adasa) e Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb).

Em junho passado, a empresa realizou mais uma oficina de manejo da irrigação, desta vez no núcleo rural Alexandre de Gusmão, em Brazlândia. No encontro, foram abordados temas para ajudar os agricultores rurais a adotarem práticas mais econômicas. Os produtores aprenderam sobre uniformidade de irrigação por meio da eliminação de vazamentos, troca de bicos de aspersores e de motobombas, e tiveram treinamento para a construção e instalação do Irrigas Caseiro, um equipamento que indica quando o agricultor deve irrigar a lavoura e quanta água usar, permitindo, assim, a redução do desperdício e o aumento da produtividade. “Nas oficinas, detalhamos as formas de racionalizar o uso da água. É um trabalho de formiguinha”, diz Rodrigo Alves.

Além de provocar a adequação da produção do morango em Brazlândia e no Distrito Federal, a restrição no uso da água reduziu a área plantada. No entanto, a seca não influencia na qualidade da colheita. “Quem plantou está conseguindo administrar os problemas, que são diversos, mas pontuais”, conclui Rodrigo.

Lado cruel

O lado mais cruel da desaceleração na produção de mercado de morangos do DF é a diminuição do número de trabalhadores envolvidos direta e indiretamente com a atividade, além da queda na renda das famílias. O declínio do emprego e dos rendimentos foi real no maior polo produtor do DF este ano. Em 2010, 194 agricultores produziram 5 mil toneladas em uma área total de 150 hectares, movimentando 1,5 mil empregos indiretos. Dois anos depois, em uma área que totalizou 193 hectares e com quase 100 produtores a mais, a produção local atingiu a expressiva cifra de 6,5 mil toneladas de morango e quase 2 mil trabalhadores indiretos.

A safra do ano passado chegou a 5.250 toneladas, produzida por 250 agricultores. Em 2017, com a expectativa de produção 30% menor, diminuíram também as contratações de mão de obra, principalmente para o trabalho intenso de colheita, realizada em agosto e setembro. “Eu tinha seis pessoas me ajudando, mas fiquei só com duas. Quando a produção diminui, tudo cai junto”, resume o agricultor Francisco Marques Andrade.

Racionamento

A restrição no abastecimento de água provocou a redução da área plantada em cerca de 30%, de 150 hectares em 2016 para 105 hectares este ano. A produção de 2017 também caiu 30%. No ano passado, atingiu 5.250 toneladas. A expectativa é de que chegue a 3.675 toneladas este ano. A consequência é a redução média de R$ 8 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) do morango.

Fonte: Correio Braziliense

Crise hídrica prejudica lavouras e preço do café dispara no Espírito Santo

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Foto: divulgação

O Espírito Santo enfrenta, desde 2014, a mais grave crise hídrica da sua história e a redução das chuvas desde então vem provocando uma diminuição recorde da vazão dos rios. A situação não prejudicou somente o abastecimento de água, mas também a produção de café no sul do Estado que teve um aumento de 100% no seu preço desde o ápice da crise.

De acordo com o técnico agrícola da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), Higo Machado de Oliveira, apesar da chuva, a situação ainda continua crítica em Muqui e região. Por conta da longa estiagem, foi decretado estado de calamidade pública na cidade.

O reflexo direto foi sentido nas lavouras de café. Segundo ele, 143 produtores que fazem parte da cooperativa registraram perdas. Em comparação com a safra de 2014, houve uma queda de 60% na produção.

“Isso representa aproximadamente 12 mil sacas a menos de café. Hoje a cooperativa está trabalhando para minimizar a crise hídrica utilizando a irrigação localizada, conhecida como irrigação de gotejamento, com os produtores que trabalham com sistema de irrigação. Estamos construindo barragens para quando chover, a água ser ‘segurada’ pela barragem dentro da propriedade”.

Hoje existem 12 barragens nas áreas que a Cafesul atua e outra ação adotada pela cooperativa foi a construção de caixas secas, que são buracos feitos ao longo das estradas para que a água da enxurrada se desloque para estas caixas e abasteça o lençol freático.

“A construção foi possível através de parcerias e estamos orientando os produtores, ensinando técnicas e visitando as propriedades. Iremos realizar um seminário na próxima semana para 250 produtores onde iremos abordar as tendências climáticas e os impactos na agricultura. Não houve registro de produtores que tenham desistido da cultura do café porque realizamos um bom trabalho de orientação de como passar por este período”, disse Higo.

Além da mudança de comportamento dos produtores em relação ao consumo da água e o aumento no valor do grão, a crise hídrica se reflete na safra deste ano e se refletirá na safra do ano que vem.

“As propriedades não estão desenvolvendo, estamos na fase de brotação das lavouras e houve uma queda na qualidade do café por causa da falta de água, perdemos produtividade por causa da seca e o resultado é que o preço do café subiu em tono de 100% em relação ao período de antes da crise hídrica de 2014, com a oferta menor, os preços se elevaram e com isso, a indústria repassou para os consumidores a porcentagem desse aumento”.

Fonte: FolhaVitória