Estudo da ANA aponta em 45% potencial de expansão da irrigação no Brasil até 2030

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Entre 1960 e 2015 a área irrigada no Brasil aumentou expressivamente, passando de 462 mil hectares para 6,95 milhões de hectares (Mha), e pode expandir mais 45% até 2030, atingindo 10 Mha. É o que aponta o Atlas Irrigação: Uso da Água na Agricultura Irrigada, estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) lançado hoje durante o IV Inovagri International Meeting, em Fortaleza (CE).
A média de crescimento estimado corresponde a pouco mais de 200 mil hectares ao ano, enquanto o potencial efetivo de expansão da agricultura irrigada no Brasil é de 11,2 Mha. O potencial de expansão apontado acentua a necessidade de um esforço crescente de planejamento e gestão a fim de evitar ou minimizar conflitos pelo uso da água, em especial nas bacias hidrográficas que já possuem indicadores de criticidade quantitativa.
Com dados inéditos, o Atlas Irrigação apresenta uma retrospectiva, um panorama atual e uma visão de futuro sobre a agricultura irrigada brasileira, com foco no levantamento de áreas irrigadas, no potencial de expansão e no uso da água associado. Seus apontamentos permitem melhor atuação em áreas já consolidadas e naquelas que tendem se desenvolver mais rapidamente no horizonte considerado.
Para o superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, Sérgio Ayrimoraes, presente no evento, o lançamento do Atlas no principal evento sobre irrigação é um marco na busca da segurança hídrica no Brasil. “Precisamos compreender a água como insumo ao desenvolvimento e não como gargalo”, disse. Segundo ele, a ANA tem trabalhado para oferecer aos governos a base técnica que sirva de instrumento para a gestão de recursos hídricos e para a tomada de decisões.
A área atual equipada para irrigação estimada no estudo é de 6,95 milhões de hectares. Embora a atividade seja dispersa no território, o estudo identificou os principais polos e características de concentração.
Com base nas áreas atuais e projetadas para 2030, bem como no uso da água associado, foi possível estabelecer, em escala nacional, as principais áreas especiais de gestão dos recursos hídricos, subdivididas em três classes: polos consolidados com menor perspectiva de expansão, polos consolidados com maior perspectiva de expansão e polos emergentes com maior perspectiva de expansão.
O setor de irrigação é o maior e mais dinâmico uso consuntivo de água dos mananciais no Brasil e no mundo: a maior parte da água é evapotranspirada pelas plantas e solos e não retorna diretamente aos corpos hídricos em um curto espaço de tempo. Embora a expansão do setor aumente o uso da água, diversos benefícios podem ser observados, tais como a otimização do uso do solo e de insumos (máquinas, implementos, mão-de-obra etc.), o aumento e a regularidade na oferta de produtos agrícolas, o estímulo à implantação de agroindústrias e a minimização de riscos meteorológicos e climáticos.
Além disso, a irrigação, em geral, tende a ser acompanhada ou antecedida por aperfeiçoamentos em outros insumos, serviços, máquinas e implementos. De acordo com o estudo, a agricultura irrigada é responsável pela retirada de 969 mil litros de água por segundo (969 m³/s) e pelo consumo de 745 mil litros por segundo (745 m³/s).
Considerando os demais usos consuntivos, esses valores correspondem a 46% da vazão total retirada (2.105 m³/s) e a 67% da vazão de consumo (1.110 m³/s). Os números se equiparam aos dos Estados Unidos, onde 59% da vazão de retirada é para irrigação, e à média global de cerca de 70% do consumo. No horizonte 2030, estima-se que a área irrigada crescerá 45%, enquanto a retirada de água deverá crescer 38%.
O menor crescimento do uso em relação à área deve-se à perspectiva de maior avanço de sistemas mais eficientes no uso da água, tais como a irrigação localizada (gotejamento e microaspersão) e a aspersão por pivô central, que representaram 70% do incremento da área irrigada no país entre 2006 e 2016. Considerando as principais culturas irrigadas e sistemas de irrigação no Brasil, o Atlas Irrigação subdivide a agricultura irrigada em quatro grandes grupos: o arroz irrigado por inundação, a cana-de-açúcar, as demais culturas irrigadas por pivôs centrais e as demais culturas irrigadas por outros sistemas.
Para cada divisão foi usada uma estratégia de análise diferente. O arroz, que ocupa 22% da área, é responsável por 37,8% do consumo da agricultura irrigada. Já a cana-de-açúcar, onde grande parte da área utiliza irrigação de salvamento (pequenas quantidades), ocupa 29% da área e consome 10,9% do total. Os pivôs centrais ocupam 20% e consomem 20,5%, enquanto as demais culturas em outros sistemas ocupam 29% e consomem 30,8% do total da irrigação.
O Atlas Irrigação é o resultado do empenho da ANA em fornecer uma nova base técnica com informações relevantes sobre a agricultura irrigada brasileira na sua interface com os recursos hídricos, subsidiando tomadas de decisão com vistas à segurança hídrica e à garantia dos usos múltiplos da água.
Política Nacional de Irrigação, (Lei nº 12.787/2013), busca, em diversos aspectos, ser compatível com a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997), apesar de, esta primeira, ainda permanecer sem regulamentação. Um exemplo prático dessa compatibilidade é a definição de que os planos de irrigação sejam compatíveis com os planos de recursos hídricos.
Além do superintendente da ANA, participaram da abertura do evento representantes do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS); da Companhia de Desenvolvimento do São Francisco e do Vale do Parnaíba (Codevasf); da Secretaria da Agricultura, Pesca e Aquicultura do Ceará; da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia; da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID); da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP); do Water For Food Institut e da Federação das Indústrias do Ceará (FIEC). Também estiveram presentes nomes da Universidades do Recôncavo Baiano (UFRB), do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e do Instituto Inovagri.
Fonte: ANA
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Maiores represas do país enfrentam seca histórica

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A pior seca dos últimos 100 anos tem testado os limites de alguns dos maiores reservatórios do País. Na Bahia, o lago de Sobradinho, terceiro maior do Brasil em volume de água, enfrenta a estiagem com apenas 5% de sua capacidade total de armazenamento, menos da metade do que tinha há exatamente um ano, quando já estava em crise. Em Goiás, a represa de Serra da Mesa, a maior do País em capacidade de armazenamento, está com somente 8% do volume que é capaz de guardar. E essa situação vai piorar.

Os cenários traçados pela Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que, até o fim do período seco, no dia 1.º de dezembro, Sobradinho vai chegar ao nível zero, ou seja, vai atingir seu “volume morto” pela primeira vez na história. Com a cota de água no volume morto, a hidrelétrica instalada na barragem terá de ser desligada.

O pior cenário já visto em Sobradinho ocorreu no fim de 2015, quando o nível da represa chegou a 1%. As informações foram confirmadas pelo superintendente de operações e eventos críticos da ANA, Joaquim Gondim. “Sabemos que isso vai acontecer, não será surpresa. Nesse volume zero, a usina de Sobradinho terá que parar de gerar energia, porque a quantidade de água que será liberada pela barragem não chegará ao mínimo necessário para que uma turbina funcione”, afirmou.

No caso de Serra da Mesa, as projeções da ANA apontam que, no dia 1.º de dezembro, o reservatório estará com apenas 5% de sua capacidade de armazenamento. É uma situação desconhecida desde a formação da barragem, 19 anos atrás.

Em setembro de 2009, por exemplo, Sobradinho passava pelo período seco com 70% de sua capacidade plena, ante os 5% atuais. Nesse mesmo mês e ano, Serra da Mesa tinha 53% de seu lago cheio, sem encarar nenhum tipo de limitação. Nos últimos cinco anos, porém, as condições só pioraram.

Para administrar as crises da bacia dos Rios São Francisco e Tocantins, a ANA tem realizado reuniões semanais para tratar de Sobradinho e quinzenais para discutir Serra da Mesa. No reservatório baiano, foi instituído desde junho o Dia do Rio. Toda quarta-feira é proibida a retirada de água do reservatório para irrigação e uso industrial. “Esse programa está funcionando em todo o São Francisco, desde a cabeceira, em Três Marias, até a foz”, diz Gondim.

A agência avalia a possibilidade de adotar a mesma medida para Serra da Mesa. O que já está decidido é que, durante o período seco e os meses de chuva, entre dezembro e março, a barragem do Rio Tocantins manterá vazão mínima de água, de 300 metros cúbicos por segundo, para que o reservatório possa buscar novamente seu nível de segurança hídrica, algo em torno de 30% da capacidade.

De qualquer modo, a ANA acredita que não haverá racionamento de água nos municípios que dependem das duas bacias. As restrições devem atingir a irrigação, a indústria e a navegação, além da geração de energia.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou as previsões de chuvas para o Nordeste, que viu sua margem cair de 30% para 29% da média histórica para este mês. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tecnologias favorecem o manejo da irrigação

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O uso de tecnologias para irrigação em pastagens e forrageiras vem crescendo cada vez mais no Brasil. Elas possibilitam obter melhor valor nutricional, maiores índices de produção de matéria seca, além de favorecer o manejo adequado e racional do sistema de produção animal, para produção de carne e leite.

Para alcançar maiores índices de produtividade, alguns produtores rurais buscam alternativas para incrementar a produção e, consequentemente, aumentar os lucros. “Estas tecnologias diminuem as perdas de produtividade pela estacionalidade, com a eliminação do efeito do estresse hídrico sofrido pelas culturas, em épocas de veranico, quando falta chuva. E permitem que a manutenção da taxa de lotação, que é a unidade animal por hectare, no outono-inverno, fique mais próxima da taxa alcançada na primavera-verão”, explica o pesquisador Reinaldo Gomide, da Embrapa Milho e Sorgo.

Com a irrigação das pastagens e forrageiras, o manejo da bovinocultura de corte e leite torna-se mais seguro do que em um sistema tradicional de pastejo rotacionado. “Além disso, sem as flutuações na produção, por causa da ocorrência de veranicos nos período das chuvas e de secas, no inverno, o sistema torna-se mais estável do que nas regiões que não têm problemas de temperaturas, principalmente as baixas, e onde não há problemas relacionados com fotoperíodo,” explica.

Gomide considera que, em primeiro lugar, os técnicos e produtores devem usar tecnologias que promovam altas produções da pastagem ou forragem. “A irrigação é uma tecnologia que deve ser aplicada após a verificação de outros fatores relacionados a um sistema de produção adequado de pastagens. No planejamento é preciso verificar se as condições climáticas são favoráveis e realizar um bom manejo do solo. Fazer a correção da fertilidade, caso seja necessário, baseado em análises química e física e, também, na escolha das melhores cultivares de gramíneas e forrageiras”, orienta.

Outras recomendações que devem estar associadas às boas práticas de irrigação são fazer a semeadura em nível, para evitar erosões, manter as adubações de manutenção e de cobertura para as plantas e realizar o monitoramento e combate às pragas e doenças, “Uma das principais pragas, no caso de pastagem, são as formigas”, diz Gomide.

Manejo da irrigação
“O manejo da irrigação deve ser adequado para racionalizar a aplicação de água às culturas de maneira complementar ou integral. Requer certos procedimentos para determinar o turno de rega (frequência de irrigação), bem como para determinar a quantidade de água necessária às culturas, ou seja, a evapotranspiração e, consequentemente, obter a lâmina de água a ser aplicada na irrigação”, explica Gomide. “Para isso, devem ser utilizados dados climáticos de superfície, deve-se conhecer bem o tipo e o estádio de crescimento da pastagem, a profundidade efetiva das raízes e também a disponibilidade de água no solo”.

O pesquisador ressalta que, no Brasil, as dificuldades para utilizar as equações (ou modelos) para determinar a necessidade de água das plantas, ou evapotranspiração, têm levado os irrigantes a fazer o manejo de água de forma inadequada do ponto de vista técnico, econômico e ecológico. E por isso, é fundamental usar essas equações e os dados relacionados aos solos e às culturas para uma boa prática de irrigação de pastagens.

Segundo Gomide, as equações são usadas, primeiro, para determinar a evapotranspiração de referência (ETo). Estas equações podem ser desde mais simples como a equação de Hargreaves e Samani, que usam apenas dados de temperatura do ar, até equações mais complexas, baseadas em modelos biofísicos, que levam em consideração vários parâmetros climáticos, incluindo a radiação solar e o componente aerodinâmico, como a equação modificada de Penman-Monteith.

Em seguida, multiplica-se o valor da ETo por um coeficiente de cultura (Kc), para obter a evapotranspiração da cultura. “Os valores de Kc, no caso de pastagens, variam abruptamente em ciclos curtos de alguns dias de 0,45 a 1,20, reduzindo-se por causa do período de ocupação (PO) dos animais, com o pastejo, e aumentando em seguida, com o período de descanso (PD) do piquete, com a remoção dos animais”, explica Gomide.

Essa dificuldade pode ser contornada com o uso de uma planilha eletrônica Excel ou do programa Irriga Fácil, que são ferramentas que permitem fazer o manejo da água de irrigação de forma adequada e racional. Esses recursos permitem registrar e considerar as condições climáticas do local, tipo e estádio de desenvolvimento da cultura (gramínea ou leguminosa), profundidade efetiva do sistema radicular e disponibilidade de água no solo.

“Todos esses dados e cuidados são essenciais para a eficácia do manejo de irrigação. Mesmo assim, para que a irrigação de pastagens possa atender às expectativas do setor agropecuário, cada caso deve ser analisado individualmente, considerando-se as particularidades e os indicadores econômicos”, conclui o pesquisador.

Fonte: Embrapa

Brasil pode dobrar área irrigada até 2026 e se tornar um gigante mundial da produção de alimentos

Foto: Ernesto Souza 

No último ano, o Ministério da Agricultura (Mapa) anunciou o Plano para Expansão, Aprimoramento e Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Irrigada no Brasil. O projeto visa a aumentar a área irrigada do país de 6,1 milhões para 11,2 milhões de hectares, uma expansão de 5 milhões de hectares em 10 anos. O Plano tem como objetivo usar a água de forma racional, minimizar perdas agrícolas por causa de problemas climáticos, aumentar a produtividade de 3,4 para 4 toneladas por hectare e gerar até 7,5 milhões de empregos diretos e indiretos. Do ponto de vista ambiental, o projeto busca diminuir a pressão sobre a abertura de novas áreas de produção e incentivar investimentos em tecnologias que tornem a produção mais sustentável.

O Plano de Irrigação foi dividido em duas as etapas. A primeira prevê que até 2019 a área irrigada no País seja ampliada em 1,5 milhão de hectares; a implantação de três centros de referência em agricultura irrigada; capacitação de 20 mil produtores e técnicos; implementação do Cadastro Nacional de Irrigantes; e a implantação de 50 unidades demonstrativas.

Segundo a engenheira agrícola, Maria Emília Borges, da Coordenação de Agricultura Irrigada e Gestão Sustentável da Água, em 2016, foram capacitados cerca de 1.400 produtores e técnicos, por meio da Capacitação IrrigaWeb, uma parceria do Mapa com a Embrapa Produtos e Mercado. “Infelizmente, em função das mudanças políticas que ocorreram no país no último ano, não avançamos tanto como pretendíamos, seja por razões políticas, ou seja, devido a indisponibilidade de recursos para dar o devido andamento, mas nossa intenção é de que este ano possamos dar celeridade às ações do Plano de Irrigação”, afirma.

Ainda que com atrasos, o Plano mantém o cronograma de atividades, que na segunda etapa, de 2020 a 2024, prevê que a área irrigada chegue a 3,5 milhões de hectares; a implantação de 50 unidades demonstrativas; e que outros 35 mil produtores e técnicos sejam capacitados. 

Investimentos

Um levantamento do ANA aponta que os maiores incrementos verificados no setor de irrigação, aconteceram a partir da década de 1980, e estão diretamente relacionados com programas criados nesse período pelo governo federal: Procional para Aproveitamento Racional de Varzéas Irrigáveis – Provárzeas (1981), Programa de Financimento de Equipamentos de Irrigação – Profir (1982), Programa Nacional de Irrigação – Proni (1986) e Programa de Irrigação do Nordeste – Proine (1986).

Para a engenheira agrícola, Maria Emília Borges, a ampliação da área irrigada no país se dá, basicamente, devido à oferta de linhas de crédito, específicas ou não, que incentivem o produtor investir em irrigação, ampliando ou aprimorando sua área irrigada. “Desta forma, todos os anos, no momento da elaboração do Plano Agrícola e Pecuário (chamado Plano Safra), nós propomos e discutimos junto com a Secretaria de Política Agrícola (SPA) do MAPA melhores condições de crédito para a agricultura irrigada, taxas de juros mais baixas, prazos mais adequados, regiões que devam ter benefícios diferenciados, entre outras condições. Assim, de acordo com as possibilidades do país, o Plano Safra é elaborado”, ressalta. Para a safra 2016/17, a linha específica oferecida foi a Moderinfra, com taxa efetiva de juros de 8,5% a.a. e prazo de reembolso de até 12 anos, incluídos até três anos de carência.

Potencial

Segundo pesquisa do Ministério da Integração, o Brasil tem potencial para expandir as terras irrigadas em até 61 milhões de hectares – o equivalente a 10 vezes o tamanho atual. A conclusão é do estudo “Análise Territorial para o Desenvolvimento da Agricultura Irrigada”, elaborado pelo Ministério da Integração Nacional em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Integração, o estudo considerou as áreas já irrigadas e aquelas com potencial para expansão por meio da combinação de variáveis como aptidão agrícola, disponibilidade hídrica, preservação ambiental, infraestrutura existentes. Também levou em conta as características socioeconômicas do meio rural no País, obtidas de fontes oficiais nacionais e organizadas nos mais de 50 mapas temáticos que compuseram o estudo. 

De acordo com o estudo, o Brasil tem grande potencial para expandir sua área irrigada especialmente na região Centro-Oeste. Porém, o que ditará o ritmo da expansão é a demanda interna e externa pela produção de alimentos e matérias-primas, que poderão dar ao Brasil a oportunidade de consolidar e ampliar a importância como fornecedor de alimentos para o mundo. 

Conforme dados do estudo, da área irrigada atualmente, 37% (2,2Mha) não conta com a possibilidade expansão pelo esgotamento da água disponível em suas bacias. Outros 44% (2,7Mha) da irrigação está em regiões em que há importante possibilidade de expansão, mas fora de áreas de prioridade de intervenção pública. As áreas em que há possibilidade de expansão e justificam intervenção pública mais expressiva visando o desenvolvimento sustentável regional representam 19% da área irrigada (1,1Mha) e contém 36% da capacidade adicional de área irrigável (27Mha).

Crescimento da irrigação

De acordo com dados do IBGE e da ANA, irrigação no Brasil tem crescido a taxas médias anuais entre 4,4% e 7,3% desde a década de 1960. Com uma crescente de 462 mil hectares, em 1960; 1 milhão de hectares em 1970; 3 milhões de hectares na década de 1990 e estima-se que hoje, no Brasil, existam 6,1 milhões de hectares irrigados, situados nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Goiás. Juntos, eles possuem cerca de 68% de toda a área irrigada atualmente.

Esse crescimento pode ser observado em função dos benefícios do uso da irrigação como: aumento da produtividade, redução da pressão pelo desmatamento de novas áreas, produção agrícola com maior qualidade e maior valor agregado, redução dos riscos de perda de safra pela seca, além do aumento da geração de empregos estáveis e renda para a população rural. 

Segundo estudo divulgado pela Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em março deste ano, a área agrícola irrigada no Brasil chegou a 5,623 milhões de hectares em 2016, alta de 4% sobre o total de 5,404 milhões de hectares irrigados em 2015.

O incremento de 218,5 mil hectares na área irrigada no País se deu basicamente pelo crescimento no uso de equipamentos pivôs centrais nas lavouras. Do total de aumento na área sobre 2015, 105 mil hectares, ou 48%, foram desse tipo de equipamento para irrigação. Se comparada à área incorporada de pivô central para a irrigação em 2015, de 78 mil hectares, o aumento foi de 34,6%.

Pivô Central

O Brasil está entre os dez países com maior área irrigada no planeta. Um estudo feito pela Embrapa e pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostrou que entre 2006 e 2014 houve um aumento de 43% no uso de pivôs no Brasil. Segundo o relatório, existem cerca de 20 mil pivôs centrais irrigando uma área de 1,275 milhão de hectares em todo o País, e para que o País consiga ampliar esse número é fundamental que haja a organização dos irrigantes.

O relatório também destaca que a ANA, responsável pela outorga de direito de uso de recursos hídricos em corpos d’água de domínio da União (tais como rios, que percorrem mais de uma unidade da federação), possuía, em 2014, cerca de 4.350 outorgas válidas para irrigação, totalizando 620 mil hectares.  Dentre esses, o pivô central é o sistema mais outorgado, com 30,1% do total. Em 2014, a ANA possuía 14,6% da área nacional de pivôs centrais outorgada, sendo as demais áreas localizadas em corpos de domínio dos estados e do Distrito Federal ou ainda não regularizadas ou em processo de análise pela Agência.

Como existe uma constante demanda pelo o uso de outorgas para irrigação, é de extrema importância a realização de levantamentos atualizados que permitam identificar a localização geográfica e a área irrigada por cada pivô central. Com o cadastramento dos irrigantes de todo País, órgãos públicos e entidades privadas poderão definir estratégias envolvendo o uso de agricultura irrigada e políticas para gerenciamento do uso das águas nas respectivas bacias hidrográficas e políticas de gestão do uso da água nas diferentes regiões do Brasil.

Outorgas

Segundo informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Goiás (Secima), existem aproximadamente 1.580 pedidos de outorga para águas superficiais em análise. De um lado os produtores protestam sobre a demora do processo, de outro, o gerente de outorgas da Secima, Diogo Lourenço Segatti, explica que morosidade na análise das outorgas foram causadas por deficiências na estrutura da Superintendência de Recursos Hídricos, aliado ao aumento da demanda de requerimentos em todo o Estado. “Um conjunto de fatores gera essa morosidade, principalmente, levando-se em consideração que nosso papel não é meramente cartorial e nossos documentos de outorga têm 95% de garantia da disponibilidade hídrica”, afirma.

Para Segatti, a organização dos setores usuários das bacias é primordial para a gestão dos recursos hídricos. “As Políticas Nacional e Estadual de Recursos Hídricos definem que a gestão deve ser descentralizada e participativa, incorporando e compatibilizando os planejamentos setoriais, e assim, organizando os usos de forma integrada. Nesse sentido, a participação da Irrigo, assim como de outras representações de irrigantes, e demais setores, é imprescindível”, garante. Ele destaca também a questão da disponibilidade hídrica, e as diretrizes emanadas pelos Comitês de Bacias Hidrográficas, pois, estas serão os critérios a serem utilizados quando da análise e possível emissão das outorgas.

Assessoria de Comunicação Irrigo 

Thalita Braga 

(61) 99672-8157 | imprensa@irrigoias.com.br

Autoridades estiveram presentes na abertura da FIIB 2017

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Diversas autoridades estiveram presentes na solenidade de abertura da Feira Internacional da Irrigação Brasil 2017 (FIIB 2017), maior evento do setor no país, que acontece de 1 à 3 de agosto,  9h – 17h, no Expo Dom Pedro (Dom Pedro Shopping), em Campinas (SP).

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo de Campinas, André von Zuben, foi a autoridade que representou o município na ocasião, durante a abertura.

Já dentre as autoridades do agronegócio brasileiro que estiveram presentes: Alysson Paolinelli, ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho (Abramilho) e Arnaldo Jardim, secretario de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.