“O Brasil já se destaca na Agricultura 4.0”, avalia presidente da Embrapa em entrevista exclusiva

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agronegócio é um importante pilar da economia brasileira e está passando por transformações. A principal delas é a digital que vai abrir oportunidades de inovação e diversificação que serão essenciais para o Brasil no futuro. O impacto dessa mudança será enorme. É o que acredita o presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Maurício Antônio Lopes. Em entrevista exclusiva ao canal de conteúdo da Agrishow, ele afirma que essa transformação digital não vai demorar a chegar ao território nacional. Isso por que esse momento já chegou.

Nosso país já se destaca na chamada Agricultura 4.0, em especial pela incorporação de processos. Dentre as melhorias incorporadas, estão práticas e processos de precisão, amplo uso de sensores e mecanismos sofisticados de previsão e resposta a variações de clima, além de abrir espaços para o Brasil em segmentos estratégicos da agricultura e da bioeconomia − economia sustentável baseada em recursos biológicos e processos limpos e renováveis.

Confira a entrevista em que Maurício Antônio Lopes avalia os impactos da Agricultura 4.0 no Brasil.

  1. O que é Agricultura 4.0? Quais os conceitos por trás deste termo?

É o aproveitamento dos avanços nas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) na agricultura como forma de repensar e redesenhar processos ao longo de toda a cadeia de valor − do campo à mesa – abrindo possibilidades para a geração de uma vasta gama de inovações para o mundo da agricultura e da alimentação. O termo Agricultura 4.0 foi criado pela revolução da transformação digital, que substitui átomos (mundo físico) por bits (mundo digital), transformando itens físicos em bits. Na prática, o que se quer é que a agricultura possa acessar uma vasta gama de inovações baseadas, por exemplo, em sensores capazes de fornecer dados cada vez mais precisos, visualização e previsões de condições meteorológicas para melhor gestão das lavouras; monitoramento autônomo e intervenções precisas nos processos de gestão da produção agropecuária; comunicação altamente integrada e automação das mais variadas atividades nos setores agroalimentar e agroindustrial; sistemas avançados de monitoramento, rastreabilidade e controle que informem e assegurem aos consumidores sobre segurança e sustentabilidade dos alimentos, dentre muitas outras inovações e avanços.

  1. Como esse conceito se aplica em agronegócios?

A transformação digital permitirá à agricultura incorporar práticas e processos de precisão, amplo uso de sensores e mecanismos sofisticados de previsão e resposta a variações de clima, além de aplicativos e ferramentas para sofisticação da gestão das unidades produtivas e das indústrias ligadas ao setor. O agronegócio do futuro será profundamente marcado pela transformação digital e seus impactos na automação. De acordo com a FAO, em 2010 a população urbana ultrapassou, pela primeira vez, a população rural no mundo. Estima-se que em 2050 sete em cada dez pessoas viverão nas cidades, tornando ainda mais rarefeita a população rural. Portanto, máquinas e equipamentos serão imprescindíveis na garantia da segurança alimentar no futuro. Com a vantagem de que a automação digitalmente habilitada irá permitir ganhos importantes em eficiência e precisão, ajudando a agricultura a superar práticas consideradas hoje pouco sustentáveis. Big Data, internet das coisas e inteligência artificial em conjunção com sensores e máquinas sofisticadas já estão viabilizando a agricultura de precisão e permitindo ganhos cada vez maiores em duas frentes: produtividade e sustentabilidade.

  1. A agricultura 4.0 já é realidade no Brasil?

O Brasil já se destaca na Agricultura 4.0, em especial pela incorporação de processos da chamada agricultura de precisão. Cresce nas áreas mais avançadas de produção do país o uso de máquinas inteligentes guiadas por GPS para plantio, tratos culturais e colheita de precisão, com economia de insumos, ganhos de produtividade e sustentabilidade.  Na programação de pesquisa da Embrapa destaca-se um portfólio de pesquisa sobre temas da transformação digital e da automação na agricultura, com 22 projetos dedicados a desafios nos campos das geotecnologias avançadas, manejo sítio-específico e agropecuária de precisão, sistemas de diagnóstico de doenças em plantas, sistemas inteligentes para manejo de rebanhos, automação em sistemas de produção, modelos integrados para simulação de sistemas de produção sustentáveis, dentre outros. A Embrapa tem dado grande ênfase ao desenvolvimento de aplicativos móveis, recursos que prometem revolucionar a disseminação de tecnologias e conhecimentos gerados pela pesquisa agropecuária. Diversas parcerias com o setor privado já estão em curso, como forma de combinar capacidade da indústria de TICs e de automação, com o vasto conhecimento contido na rede Embrapa sobre a base de recursos naturais e os sistemas produtivos brasileiros.  Esses são apenas alguns exemplos que mostram que a nossa Empresa está atenta e aberta à cooperação que ajude a agricultura brasileira a se inserir na próxima revolução industrial.

  1. Qual será o impacto dessa nova era no agronegócio?

O impacto será enorme, e o agronegócio, que é um importante pilar da economia brasileira, poderá assegurar equilíbrio nas três vertentes da sustentabilidade – econômica, social e ambiental −, o que é uma exigência dos consumidores em todo o mundo. A Embrapa já investe em projetos da agricultura 4.0 voltados para aliar as vertentes da produtividade e da sustentabilidade em sistemas de produção agropecuária. Em parceria com a empresa americana Qualcomm, a Embrapa desenvolve veículos aéreos não tripulados − os drones – capazes de coletar, processar, analisar e transmitir informações das lavouras em tempo real para os agricultores e sistemas de monitoramento ambiental. O objetivo é detectar com precisão as deficiências das culturas, ocorrência de pragas, escassez hídrica, déficit de nutrientes e danos ambientais. Com informações precisas sobre suas lavouras, os agricultores poderão evitar o uso demasiado de defensivos agrícolas, excesso de fertilização, além de orientar a irrigação nos momentos corretos, a fim de reduzir perdas, ampliar a produtividade e ganhar sustentabilidade.

  1. Quais as vantagens e desafios em tornar esse conceito realidade no Brasil?

Incorporar os conceitos da agricultura 4.0 significa também abrir oportunidades de inovação e diversificação que serão essenciais para o país no futuro. Por exemplo, a transformação digital poderá abrir espaços para o Brasil em segmentos estratégicos da agricultura e da bioeconomia − economia sustentável baseada em recursos biológicos e processos limpos e renováveis. Estes são espaços privilegiados para o Brasil na nova globalização digital. Com a bioeconomia e a transformação digital operando em sintonia e sinergia poderemos dinamizar segmentos essenciais da agricultura, fortalecendo a posição de vanguarda do Brasil na produção de alimentos, fibras, energia e biomateriais. O mundo já vive a era big data, com a possibilidade de gerar, medir, coletar e armazenar assombrosas quantidades de dados, que são a matéria-prima do conhecimento. Uma gama de tecnologias emergentes ajuda as organizações a extrair valor desses grandes conjuntos de dados, o que torna possível, por exemplo, inferir padrões de comportamento e de consumo e ajustar o design e a logística de entrega de produtos e serviços para cada indivíduo, com enormes ganhos de eficiência operacional e econômica. Daqui para o futuro, o setor privado vai usar big data para multiplicar acesso a serviços e bens de consumo. E rupturas tecnológicas, como fabricação aditiva (impressão 3D) e robótica, têm o potencial de mudar padrões de trabalho no futuro. Essas tecnologias vão melhorar a produtividade, a qualidade e o padrão dos produtos, reduzir trabalho penoso e insalubre, dentre outros benefícios. Na agricultura, as novas tecnologias poderão estimular novas vertentes de agregação de valor e fabricação, com grandes possibilidades de aumento de competitividade dos setores agroalimentar e agroindustrial.

  1. Há algum comentário que você julgue importante sobre a agricultura 4.0?

O Brasil precisará investir em bons sistemas de inteligência estratégica para não perder espaço na revolução da agricultura 4.0. Considerando a magnitude e complexidade dos desafios futuros, e as rápidas e profundas mudanças que ocorrem no mundo da tecnologia, é imperativo que se implementem “sistemas de inteligência estratégica” para subsidiar as decisões públicas e privadas que garantam à agricultura brasileira a adaptação a tantas mudanças previstas para o futuro. Tal capacidade será essencial no planejamento de políticas de longo alcance, fornecendo insumos a um processo de tomada de decisão que alinhe as cadeias produtivas da agricultura brasileira à revolução da transformação digital e à emergência da agricultura 4.0.

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Rivulis prevê alta de 27% da receita no Brasil

Programa diz quantidade exata que deve ser utilizada nas culturas

A Rivulis Irrigation, empresa israelense focada em irrigação, projeta avanço de 27% do faturamento no Brasil para 2018, apoiada principalmente no lançamento de um sistema global de monitoramento das lavouras por satélites.

Batizado de Manna Irrigation, o programa faz uma varredura via satélite de toda a área plantada, indicando ao produtor qual parte da plantação precisa de mais ou menos irrigação.

O sistema é composto basicamente de um login e uma senha para que o produtor acesse no próprio navegador de internet ou em um aplicativo no smartphone a plataforma, que mostrará em números exatos quanta água é necessária utilizar em cada espaço da lavoura. A Rivulis garante que essa precisão pode gerar uma economia de 50% de água, energia elétrica ou óleo diesel para todos os seus clientes.

De acordo com o gerente de vendas nacional da Rivulis, Guilherme Ferreira e Souza, o sistema permite que o produtor dê mais atenção às localidades menos eficientes para que a produtividade média da lavoura suba.

“O Manna não permite que o proprietário coloque mais água do que a plantação conseguiria absorver”, acrescenta.

Ferreira e Souza defende que o programa se diferencia dos que existem entre os concorrentes porque há sempre um satélite fazendo a análise dos dados da propriedade para que o produtor possa acompanhar o que ocorre mesmo quando estiver viajando com a família ou a negócios. “Até a milhares de quilômetros, o produtor pode tomar decisões muito rápidas quando reconhece anomalias ou deficiências na lavoura”, afirma o executivo.

Segundo ele, o Brasil foi escolhido para ser um dos países em que a empresa lançou o sistema por ser muito diversificado, com regiões em que chove muito, intercaladas com aquelas de solo árido, e também as que possuem solo pesado. “Nosso lançamento é global para todas as nossas 16 unidades ao redor do mundo, mas na América do Sul, o Brasil é pioneiro”, explica.

Ferreira e Souza diz ainda que o lançamento do Manna no Brasil mostra que a agricultura local caminha junto com a dos países de ponta. “Estamos alinhados com o que há de mais moderno e tecnológico do mundo. Nossa empresa é israelense e o sistema que usamos aqui é exatamente o que se utiliza lá e que foi lançado em Tel Aviv”, conta.

Para o executivo, o Brasil vai iniciar um processo inevitável de verticalização da produção, com cada vez mais foco em produtividade e menos procura pela expansão da fronteira agrícola. “Nós estamos chegando aos nossos limites de desmatamento e de áreas degradadas. Os pesquisadores já estão percebendo áreas do semiárido que iniciaram processos de desertificação. Então a tendência do Brasil é diminuir a marcha de crescimento horizontal e iniciar uma expansão arrojada verticalmente”, avalia o gerente da Rivulis.

Perfil

Ferreira e Souza diz ainda que o Manna é versátil, e que a Rivulis não o criou com um tipo de produtor específico em mente. “Pode ser usado para um hectare e para um milhão de hectares. Não fazemos distinção por tamanho do produtor. O nosso sistema pode ser utilizado para qualquer tipo de irrigação”, destaca.

O sistema é usado atualmente em 40 tipos de culturas, entre anuais e perenes. Na fase de testes no Brasil, iniciada ano passado, acompanhou grãos, café, banana, algodão feijão e silviculturas. “Já são mais de 3 mil hectares ativos sendo monitorados pela ferramenta”, informa a empresa.

Fonte: DCI

ONU estima que Brasil pode dobrar agricultura ‘sem chuva’ em seis anos

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Uma publicação lançada na tarde desta terça-feira (20), no 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, pode revolucionar a agricultura brasileira. Desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a obra destaca a possibilidade de expandir a área de agricultura irrigada no país dos atuais 6,2 milhões de hectares para mais de 11 milhões de hectares até 2024.

O trabalho foi solicitado pelo Ministério da Agricultura (Mapa) para repensar a expansão da agricultura irrigada de forma sustentável. “Esse estudo tem como foco fazer o Brasil ser o maior produtor de alimentos do mundo. Temos potencial para duplicar [a área irrigada] sem grandes investimentos”, afirma Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil.

As áreas com potencial de implementação imediata foram identificadas pela FAO em parceria com a Agência Nacional das Águas, Confederação Nacional da Agricultura, Embrapa, entre outros parceiros. Há disponibilidade de expansão do modelo de irrigação em 20 estados.

“Uma das principais regiões é o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)”, afirma Gustavo Kauark Chianca, um dos autores do estudo e assistente do representante da FAO no Brasil. Essa é uma das principais regiões produtoras de grãos no país.

Produtividade da agricultura irrigada

Ao todo, as lavouras ocupam uma área próxima a 65 milhões de hectares no Brasil, segundo o Mapa. Já o potencial de expansão da agricultura irrigada foi estimado em 29,5 milhões de hectares pela FAO. Isso sem contar partes das áreas de pastagem podem ser – e que hoje somam 160 milhões de hectares.

Segundo o estudo, a produtividade média em áreas irrigadas no país é pelo menos 2,7 vezes maior que a obtida através da agricultura tradicional de sequeiro, o que poderia triplicar o rendimento médio onde hoje predomina o sistema convencional.

“Até há pouco tempo falava-se em produtividade do solo. Agora precisamos de produtividade hídrica, utilizando racionalmente os recursos, e não falamos em expansão das áreas. Precisamos incentivar as áreas de irrigação onde seja possível”, destaca José Roberto Borghetti, coordenador geral do estudo.

Fonte: Gazeta do Povo

Para especialistas, irrigação eficiente é a solução para o Brasil

Pixabay

De 2012 a 2016, o Brasil enfrentou sua pior crise hídrica, sobretudo no nordeste do país. De acordo com dados da Confederação Nacional de Municípios, nesse período, a região registrou prejuízos de R$ 104 bilhões por causa da seca. O valor equivale a cerca de 70% das perdas em razão da falta de chuvas.

Outro exemplo de prejuízo causado pela escassez de água foi a queda na produção de grãos no país, em 2016. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o feijão apresentou redução de 15,4%, na comparação com 2015. A produção de soja recuou 1,2%. Já o milho teve diminuição de 24,8% na produção.

Por isso, em anos de seca, os produtores agrícolas precisam suprir a falta de chuva com o processo de irrigação, que fornece água de maneira artificial para as plantas. Um levantamento apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que quase 70% de toda a água disponível no mundo é usada em atividades voltadas para a agricultura.

No entanto, a própria ONU lembra que a população mundial deve chegar a nove bilhões até 2050 e, com isso, a demanda por alimentos deve aumentar em até 70%.

Para Lineu Rodrigues, pesquisador de recursos hídricos e irrigação da Embrapa Cerrado, os projetos de irrigação de culturas devem ser sustentáveis, mas não limitados a ponto de deixar a população da cidade sem comida. “Não tem como produzir alimento sem água. A água é fundamental. O que nós temos que fazer é uma boa gestão dos nossos recursos. Quando você tira Amazonas do processo, que é onde tem mais água, a gente usa 5% de todos os recursos e 2,6% da agricultura irrigada. Mas, você tendo uma boa gestão, um bom planejamento, temos água suficiente para atender a todos os usos”, comenta o especialista.

O pesquisador da Embrapa ressalta ainda que, se os projetos de irrigações fossem mais abrangentes, a produção dos alimentos se elevaria e, futuramente, não haveria a necessidade de abrir mais áreas para plantio em regiões de florestas. “No Brasil, por exemplo, nós irrigamos em torno de sete milhões de hectares e temos um potencial de 70 milhões. Se a gente irrigar mais, a gente pode, no mínimo, dobrar a produção. Você evita a necessidade de abrir novas áreas, por que tem o efeito ambiental também”, comenta Lineu Rodrigues.

Por sua vez, Maurício Lopes, presidente da Embrapa, reclama que há muita desinformação, o que “desqualifica os avanços que o país alcançou na agricultura e na gestão dos seus recursos naturais”. Segundo Lopes, as lavouras e florestas plantadas ocupam 10% do território nacional e, “apesar de sermos detentores de 12% das reservas de água doce do planeta, a produção de alimentos no país depende prioritariamente das chuvas”.

No Distrito Federal, por exemplo, que é uma região de cerrado, ou seja, com longos períodos de estiagem, existem programas bem sucedidos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) voltados para o cultivo de grãos e frutas. É o que afirma Rodrigo Marques, diretor executivo da Emater-DF. “Morango, por exemplo, mesmo com a questão da crise hídrica, a gente conseguiu aumentar a produtividade, sem aumento de áreas, sem aumento de irrigação, só com algumas características que influenciaram”, diz o diretor.

(com Agência Rádio Mais)

Para dirigente da Abimaq, irrigação é arma poderosa no aumento da produtividade agrícola brasileira

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Começa a haver um consenso no agronegócio brasileiro de que a agricultura irrigada é hoje uma arma poderosa para o aumento da produtividade, condição indispensável para o Brasil se consolidar como maior produtor mundial de alimentos, conforme preconiza a FAO, organismo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Essa foi uma das conclusões da palestra proferida por Marcus Henrique Tessler, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Irrigação (CSEI), da Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Maquinas e Equipamentos. Intitulada “Uso Racional da Água na Agricultura”.A palestra reuniu cerca de 60 pessoas na sede da Secretaria da Agricultura de São Paulo nesta terça (30), em São Paulo.

Na avaliação de Tessler, o mercado brasileiro de equipamentos para irrigação está cada vez mais profissional e o Brasil, com os seus cerca de 6 milhões de hectares irrigados e uma expansão anual estimada em 200 mil hectares, oferece uma grande oportunidade para que a irrigação ganhe cada vez mais relevância. “Além disso, notamos que novos cultivos começam a ser irrigados em escala produtiva, que os métodos modernos de irrigação, sobretudo os que envolvem controle e monitoramento, vieram para ficar, e as empresas do segmento têm mantido um constante ritmo de investimento nessas novas tecnologias”, destaca o dirigente.

O presidente da CSEI afirmou ainda que o poder público, por seu lado, precisa gerenciar as bacias hidrográficas de maneira a estimular e facilitar os processos que envolvem a irrigação. “Além disso, entendemos a necessidade de se intensificar a divulgação de uma agenda positiva que apresente a irrigação com uma aliada do crescimento, do progresso, da sustentabilidade ambiental e voltada para auxiliar no desafio de produzir cada vez mais alimentos para o mundo”, completou Tessler, destacando que o grande empenho  da indústria de equipamentos para irrigação é “fazer mais com cada vez menos recursos”, uma vez que em diversas regiões, sobretudo no Nordeste, deve se acentuar a carência de água, com a consequente disputa pelo insumo, sobretudo em relação a geração de energia.

O palestrante iniciou sua apresentação lembrando que o Brasil possui hoje um padrão tecnológico que em nada fica devendo aos demais países, incluindo Israel e os Estados Unidos, países que são referências na área. Salientou que o tema da água deve ganhar cada vez mais atenção, pois segundo estimativas da FAO, até 2050, a demanda mundial pelo insumo deve crescer 40%. “Nesse sentido, a irrigação é uma decisiva aliada na preservação desse recurso, uma vez que cerca de 90% da água utilizada no processo de irrigação retorna para a natureza, seguindo o conhecido Ciclo Hidrológico”, observa Tessler.

Em função dessa situação de constante deficiência de água, o dirigente da Abimaq relata que as indústrias do segmento trabalham e investem cada vez mais para aumentar a eficiência dos sistemas de irrigação. “Desde os anos de 1990, quando surgiram as primeiras empresas do setor no Brasil, tem havido um intenso processo de profissionalização, com um nível de consolidação e de estruturação que tem possibilitado excelentes resultados, tanto na eficiência do uso da água, quanto no aumento da produção agrícola”, relata. Entre alguns exemplos de tal incremento na produção, Tessler recorda que o incremento de produção de café chega a 55%, quando se compara uma área não irrigada com uma irrigada. Na primeira, a produção média por hectares chega a 40 sacas, contra 62 na irrigada. Ganhos semelhantes foram constatados também na cultura de outros produtos.

Para o dirigente da Abimaq, com as modernas e sofisticadas tecnologias desenvolvidas no agronegócio brasileiro, a tendência é o segmento de irrigação contribuir cada vez mais para o uso racional da água na agricultura e também para melhoria da produtividade. “O desenvolvimento de sensores sofisticados, que indicam o tempo ideal de fazer a irrigação, a conexão das informações no ambiente da nuvem, o desenvolvimento de novos materiais e compostos aplicados nos equipamentos, a otimização do uso de satélites e de drones, a aplicação conjunta de água e fertilizantes, assim como uma maior interação entre fabricantes, academia e consultores, devem incrementar o que se começa a classificar como Irrigação Inteligente. Com tudo isso, a irrigação, cada vez mais, se firma como uma solução para o aumento da produção de alimentos, garantindo assim segurança alimentar para um mundo carente de alimentos”, complementa o palestrante.

Ao fazer a saudação inicial antes da palestra, o secretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, destacou o trabalho de parceria da Secretaria com a CSEI da ABIMAQ promovido, sobretudo, a partir da crise hídrica vivida pelo Estado. “Acredito que o próximo grande salto na produção com aumento da produtividade da agricultura brasileira deverá vir por meio do uso intenso de tecnologia na irrigação”, afirmou o secretário, enfatizando é que nesse contexto que se encaixa o evento promovido pela Câmara.

Fonte: Abimaq