Sua água pode ser produtiva: entenda como

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Agricultores em todo o mundo estão sob pressão para otimizar a eficiência do uso da água. Eles enfrentam desafios como seca, lixiviação, desperdício e dificuldade de acesso a reservas. O Brasil, mesmo sendo uma potência no que se refere à disponibilidade de água em seu território, vem encontrando problemas com a escassez hídrica nos últimos anos.

No entanto, hoje os produtores já podem contar com tecnologias que ajudam na gestão hídrica e colaboram com aumentos significativos de produtividade. É o caso da irrigação por gotejamento, sistema que entrega água e nutrientes na raiz das plantas, melhorando sua eficiência e garantindo safras mais produtivas.

Pensando cada vez mais em agricultura de precisão a Netafim/Amanco, multinacional israelense líder e pioneira em irrigação, desenvolveu o conceito de produtividade da água, buscando retratar a eficiência de cada milímetro no resultado final da colheita.

“A produtividade da água é um método moderno utilizado para mensurar a quantidade de água, em milímetros, aplicado na produção de uma tonelada de qualquer alimento. O cálculo leva em conta a interação de dois fatores muito importantes: a produtividade e o volume de água aplicado pelo agricultor”, explica Cristiano Jannuzzi, Gerente Agronômico Mercosul da Netafim/Amanco.

“Antes falávamos de eficiência de cada sistema, ou seja, quanto de água a irrigação por gotejamento ou os sistemas convencionais entregavam de água às plantas. O que queremos mostrar agora, é o quanto dessa água realmente foi utilizada para produzir o alimento e, qual tecnologia tem a melhor resposta de produtividade”, acrescenta Jannuzzi.

Para isso, a Netafim/Amanco desenvolveu um estudo em diversas áreas produtoras, com diferentes culturas, chegando à conclusão que a irrigação inteligente – que alia gota a gota, com a nutrirrigação – reduz até 50% no consumo da água, e aumenta a produtividade de 100% em alguns casos. Isso significa que a produtividade da água pode ser de 65% a 95% maior neste sistema.

Na Fazenda Unaí (MG), os 84 hectares de soja com irrigação por gotejamento produziram 91 sc/ha, consumindo em média 10,8 mm de água para cada saca entregue. Na área de testemunha a produtividade alcançada foi de 55 sc/ha, com consumo de 18,8 mm por saca, ou seja, mais água e menos produtividade. Assim, é possível concluir que a produtividade da água do sistema gota a gota neste cenário foi de 74% mais eficiente, frente a testemunha, uma vez que consumiu 8 mm a menos por saca e produziu 65% a mais.

Outra fazenda observada foi a Tabapuã Pirineus, em Cocalzinho de Goiás (GO), que produz milho em 25 hectares e obteve os seguintes resultados: produtividade de 300 sc/ha e uso de 1,66 mm de água para cada saca produzida no gotejamento. Já na testemunha a produção foi de 160 sc/ha com consumo de 3,25 mm para cada 60/kg do cereal. Como conclusão temos que a produtividade da água no gotejo foi 96% superior ao método tradicional, já que o sistema utilizou 1,59 mm menos para produzir a mesma saca, ao mesmo tempo que o incremento da produtividade foi de 88%.

“Com o estudo percebemos que de maneira geral, os métodos inteligentes de irrigação, sobretudo os que envolvem controle, monitoramento e precisão, são o futuro da agricultura, pois aliam produtividade elevada e atividade sustentável”, concluí o gerente agronômico.

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Governo: Porto Novo vai ser primeiro município coberto a 100% com sistemas fotovoltaicos de produção de água

Governo: Porto Novo vai ser primeiro município coberto a 100% com sistemas fotovoltaicos de produção de água

A previsão é do Ministério da Agricultura e Ambiente, que informa à Inforpress que os últimos sistemas já estão na fase de implementação, devendo ficar instalados dentro de dois a três meses, data em que todos os furos neste concelho estarão equipados com painéis solares.

Trata-se de uma medida, segundo o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente no Porto Novo Joel Barros, que terá “grande impacto” na redução dos custos de água, no alargamento da área irrigada e no aumento da produção agrícola.

Conforme este responsável, os sistemas fotovoltaicos para os quatro furos que restavam já foram adquiridos, e os trabalhos de montagem ficam concluídos ainda no decurso do primeiro semestre do corrente ano.

“Estamos perante um marco importante e um ganho extraordinário para Porto Novo, mas também para Santo Antão, no geral”, avançou Joel Barros, perspectivando o alargamento da área irrigada e o aumento de produção agrícola neste concelho “nos tempos mais próximos”.

A própria ilha de Santo Antão “caminha a passos largos” para ser a primeira em Cabo Verde totalmente coberta com sistemas fotovoltaicos para a produção de água para agricultura, estimou, recentemente, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva.

Gilberto Silva informou que já existe em Santo Antão uma área “muito grande” coberta com sistemas fotovoltaicos para a produção de água para a irrigação, podendo esta ilha ficar, “dentro de pouco tempo”, completamente abrangida com este tipo de sistemas, com impacto na redução do custo de água e no aumento da área irrigada.

Fonte: A Semana

Produtores do DF adotam programas de uso eficiente da água

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Até pouco tempo, o cenário na região da Bacia do ribeirão Pipiripau era de conflito pelo uso da água: necessidade de atender o abastecimento humano, mais a irrigação de culturas agrícolas, além de servir aos diversos usos na pecuária.

A administração harmoniosa das diferentes necessidades e interesses da agropecuária só veio com o Projeto Produtor de Água no Pipiripau desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA) em parceria com outras 15 instituições.

Iniciado em dezembro de 2011, hoje é exemplo de programa adotado no Distrito Federal e que atua na recuperação de Áreas de Preservação Permanente, mais a conservação de água e solo em toda bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau. O manancial nasce do estado de Goiás, mas possui a maior parte da sua área no distrito Federal.

O projeto atua também em ações de readequação de estradas rurais, construção de pequenas barragens e na educação ambiental. O objetivo é aumentar o volume de água que recarrega o lençol freático e diminuir o escoamento superficial, que resulta em problemas, como erosão e assoreamento. Para isso, foram realizadas ações de revitalização ambiental por intermédio do pagamento por serviços ambientais (PSA) prestados por produtores rurais da região.

Outro destaque na região, que abriga a maior concentração de pivôs centrais da América do Sul, é a alocação negociada da água da Bacia Hidrográfica do Rio Jardim. Com a participação de 26 produtores, a ação é resultado de parceria entre a Emater-DF e a Adasa – Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal. Nessa bacia, a área irrigada por pivôs centrais é de 4.650 hectares, e são utilizados 75 pivôs.

Para otimizar o uso da água na unidade hidrográfica, a Emater-DF calculou a quantidade de água necessária para atender as áreas de plantio de todos os produtores. O controle do uso da água para irrigação obedece um esquema de revezamento entre os produtores, que foram divididos em dois grupos. Cada grupo irriga durante dois dias alternados, para evitar o excesso de retirada de água do rio.

“O projeto é muito importante, pois garante a vazão remanescente no córrego e evita prejuízos aos agricultores”, avalia Marconi Borges, gerente da Emater. Além disso, o projeto evitou perda de 3.700 hectares de culturas que seriam plantadas e perdidas por falta de água.

A Adasa tem realizado várias outras campanhas de incentivo ao uso consciente da água, além de atuar em projetos em que busca o contato direto com produtores. “Um dos principais instrumentos de gestão durante a crise hídrica foi a alocação negociada da água, que ajudou a aproximar a Adasa dos produtores, na busca pelo uso racional dos recursos hídricos disponíveis”, afirma Paulo Sérgio Salles, diretor-presidente da entidade.

Os benefícios da preservação do recurso hídrico vão além dos limites da Bacia do Rio Jardim, tendo em vista que ela está dentro da Bacia do Rio São Francisco. O Rio Jardim deságua no Rio Preto, que deságua no Rio Paracatu e este, por sua vez, deságua no Rio São Francisco. Vale destacar que o Distrito Federal possui afluentes de rios que contribuem para outras duas grandes regiões hidrográficas do Brasil: Araguaia-Tocantins e Paraná.

AgroBrasília

Os produtores que quiserem conhecer formas de uso eficiente da água poderão encontrar as últimas novidades do setor de irrigação durante a AgroBrasília – Feira Internacional do Cerrado – que acontece entre os dias 14 e 18 de maio.

O evento levará grandes empresas de tecnologia para o Distrito Federal e apresentar as soluções tecnológicas voltadas para o consumo de água. Por meio da exposição de maquinários e equipamentos, os agricultores terão ao seu alcance tecnologias de irrigação como a aspersão, a microaspersão e o gotejamento.

Serviço:
O que: AgroBrasília
Quando: 14 a 18 de maio de 2019
Onde: Parque Ivaldo Cenci, PAD-DF, BR-251, Km 5, Brasília-DF

Água residual da indústria pesqueira é aproveitada na irrigação agrícola

Pesquisa propõe reutilização da água residual proveniente das indústrias de pescado para irrigação na agricultura. Seria uma alternativa ao descarte do líquido de processamento de pescados (principalmente na etapa de higienização) diretamente no meio ambiente, o que causaria contaminação do solo, lençol freático e danos à saúde humana. Os testes foram feitos com sementes e mudas de alfaces. Depois de crescidas, as hortaliças mantiveram boa qualidade para consumo humano. O estudo é de autoria do engenheiro agrônomo Felipe Morais Del Lama, que defendeu mestrado em novembro de 2018, no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP.

A agricultura e a indústria são os setores que mais consomem recursos hídricos no planeta. As indústrias de alimentos, que precisam garantir a qualidade sanitária de seus produtos, são vorazes na demanda de água. Em entrepostos de tilápia, por exemplo, para cada quilo de peixe processado, são utilizados 15 litros de água, em média. Nesse processo, apenas as etapas de higienização respondem por aproximadamente 40% do   consumo, explica Del Lama. Diante dessa perspectiva, o engenheiro pensou em soluções que pudessem dar utilidade a esses fluidos líquidos gerados no final do processamento. Desejava mitigar a degradação ambiental e, quem sabe, trazer benefícios econômicos para as indústrias, uma vez que esses resíduos líquidos poderiam ser comercializados para irrigar plantações de fazendas que estivessem logisticamente próximas aos  entrepostos de pescado.

Ensaios em alfaces crespas

A alface é uma das plantas mais estudadas em testes de toxicidade por ter rápida germinação e por ser bastante sensível a contaminantes ambientais. Del Lama utilizou-as em seus ensaios científicos: precisava saber o quanto que elas resistiriam se fossem irrigadas com a água residual de pescado sem tratamento, contendo altas concentrações de material orgânico e de microrganismos.

Os testes foram feitos com base nas concentrações de resíduos – considerando os limites máximos de duas bactérias patogênicas (coliformes e salmonela) permitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – a fim de verificar qual seria o nível mais recomendado para irrigação das sementes e das mudas. Os ensaios foram realizados com água ultrapura (tratamento controle), com efluentes bruto e tratado em diversas concentrações (25%, 50%, 75% e 100%). O efluente bruto foi coletado diretamente das etapas de produção industrial; o efluente tratado, por sua vez, teve sua origem em uma estação de tratamento pertencente à própria indústria.

Os resultados foram promissores: as sementes não sofreram nenhum prejuízo e germinaram normalmente em qualquer que fosse a proporção utilizada. Já as mudas de alface não resistiram à irrigação com água residual sem tratamento. Apresentaram significativa taxa de mortalidade aos 15 dias após a semeadura, e mortalidade drástica, aos 30 e 60 dias após a semeadura. Porém, quando foram irrigadas com o efluente tratado, o resultado mudou. Responderam melhor nas concentrações de 25% e 50%. Nos outros dois tratamentos com o efluente tratado (75% e 100%), observou-se menor crescimento vegetal.

Nas análises microbiológicas realizadas nas folhas de alface irrigadas com 25% e 50% do efluente tratado, observou-se que os resultados para a presença de bactérias (coliformes e salmonela) permaneceram dentro do limite preconizado pela legislação brasileira, o que indicaria que as hortaliças poderiam ser consumidas com segurança por seres humanos, relata o pesquisador.

Embora satisfeito com os resultados, o engenheiro faz um alerta quanto ao controle sanitário de produtos agrícolas brasileiros. Segundo o pesquisador, além de coliformes e salmonelas, que já são vistoriados pela Anvisa, existem outros microrganismos que podem causar sérios danos à saúde pública. Cita como exemplo as bactérias Shigella Vibrio cholerae. “Os ovos desses últimos microrganismos têm alta capacidade de aderência às folhas, o que dificulta a remoção deles mesmo depois da lavagem”, diz. Como proposta, sugere a reformulação da legislação brasileira, de modo a contemplar maior número de microrganismos para fins de qualidade e consumo dos produtos comercializados.

A dissertação de mestrado Aproveitamento da água residual do processamento do pescado em irrigação foi defendida no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, sob orientação de Marilia Oetterer.

Fonte: Jornal da USP

Estudo prevê crescimento de 24% do consumo de água até 2030

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O consumo e o uso das águas no país devem crescer 24% até 2030, diz diz um estudo lançado nesta segunda-feira (1º) pela Agência Nacional de Águas (ANA). De acordo com a agência, responsável pela gestão dos recursos hídricos no Brasil, o país usa, em média, a cada segundo, 2 milhões e 83 mil litros de água. Em 2030, esse total deve superar a marca de 2,5 milhões de litros por segundo.

Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil traça um panorama das demandas pelos recursos hídricos em todos os municípios brasileiros entre 1931 e 2030. Ele se baseia no chamado consumo consuntivo quando a água retirada é consumida, parcial ou totalmente, no processo a que se destina.

Segundo o estudo da ANA, os principais usos consuntivos da água no Brasil são o abastecimento humano (urbano e rural), o abastecimento animal, a indústria de transformação, a mineração, a termoeletricidade, a irrigação e a evaporação líquida de reservatórios artificiais

Somente a agricultura irrigada é responsável por 52% de toda a água retirada no país. Em seguida, vêm o uso para abastecimento urbano, com 23,8%, a indústria, com 9,1%, e o uso animal, em especial para dessedentação, com 8%.

De acordo com o levantamento, o volume de uso consuntivo conjunto de água na agricultura irrigada, no abastecimento urbano e na indústria de transformação responde por 85% das retiradas de água em corpos hídricos, totalizando 2,083 milhões de litros por segundo.

O uso de águas para a agricultura irrigada prevalece nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Na Região Norte, prevalecem atualmente as retiradas de água para termelétricas e abastecimento humano urbano. No Sudeste, predominam o abastecimento urbano e a maior demanda de uso na indústria de transformação.

A agricultura irrigada também é destaque entre os municípios que mais consomem água no país, sendo responsável por oito das dez maiores vazões de retirada de água, ficando atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro, primeiro e segundo lugares, respectivamente, onde o principal uso é para abastecimento urbano.

Juntos, os dois municípios têm cerca de 19 milhões de habitantes e retiram pouco mais de 101 milhões de litros por segundo para abastecimento. Já municípios como Uruguaiana, Santa Vitória do Palmar, Alegrete, Itaqui, São Borja e Mostardas, no Rio Grande do Sul; Juazeiro, na Bahia; e Petrolina, em Pernambuco, em sua maioria com menos de 100 mil habitantes, usam cerca de 160 milhões de litros por segundo.

Outro ponto de destaque analisado pela agência reguladora foi a evaporação líquida em reservatórios artificiais, o que inclui hidrelétricas e açudes. De acordo com o estudo, em 2017, houve evaporação líquida de 669,1 mil litros por segundo. “Este volume é aproximadamente 35% maior que o retirado para abastecimento urbano (496,2 mil litros por segundo) e 6,8 vezes maior que o consumido por este uso (99,2 mil l/s). A evaporação líquida só é superada pelo retirada e pelo consumo de água pela irrigação (respectivamente 1083,6 e 792,1 mil l/s)”, diz a ANA.

O levantamento da ANA destaca ainda o papel crescente das usinas termelétricas na demanda por água. Segundo o estudo, mesmo sendo uma atividade de intensificação mais recente, a retirada de água por termelétricas, é superior à soma de todas as retiradas para mineração e abastecimento humano no meio rural. Enquanto as termelétricas responderam por 3,8% das retiradas de água, o abastecimento rural respondeu por 1,7%, enquanto a mineração ficou com 1,6% das retiradas.

Os estados que respondem pela maior variação das retiradas são: Rio de Janeiro, com 21% da demanda total, Santa Catarina, com 13%, São Paulo, com 11%, Pará, com 9%, Maranhão, com 9%, e Pernambuco, com(8%. Juntos, esses estados concentram 72% da demanda total que foi de 79,5 m³/s em 2017.

Segundo a agência reguladora, a identificação e a quantificação dos usos atuais e potenciais das águas representa uma oportunidade de aprimorar o processo participativo na gestão da água, em torno de questões como a oferta e a demanda. A ANA diz ainda que os dados são um insumo à garantia da “segurança hídrica da população e do setor produtivo”.

“Na esfera setorial, essa base fornece aos setores produtivos um novo panorama e uma visão de futuro dos usos da água e do balanço hídrico nas bacias hidrográficas do território nacional, balizando as análises de risco e de sustentabilidade hídrica dos empreendimentos. O planejamento do Estado brasileiro junto aos setores contará com essas informações de referência, orientando importantes instrumentos como os Planos Nacional e Estaduais de Irrigação e as revisões do Plano Nacional de Energia”, diz o estudo.

Fonte: Agência Brasil