O negócio das águas do rio São Francisco

Para tratarmos das questões ambientais e do rio São Francisco, primeiro é importante destacar que os problemas não estão dissociados das questões centrais do modelo de desenvolvimento da sociedade capitalista e da atual conjuntura do país, que vem exigindo da classe trabalhadora lutas diárias para: defender a vida, evitar maiores retrocessos nos direitos sociais, defender os territórios e os recursos naturais que são patrimônios dos povos, das gerações presentes e futuras.

O perverso sistema que se nutre da exploração dos trabalhadores e da natureza, no campo, se traduz em agronegócio, articulando latifúndios, bancos, empresas multinacionais. Este tem se fortalecido no mundo inteiro. No Brasil, os golpistas ascenderam ao poder em 2016 exatamente para acelerar esse projeto de morte, por isso promovem às reformas antipopulares, a estrangeirização das terras, a entrega do petróleo, minérios, privatização dos rios e das empresas de energia como Eletrobrás e Chesf. Essas medidas ameaçam a soberania nacional e nos empurram sistematicamente para o cenário da miséria, da exclusão completa. Nesse ritmo, nos perguntamos: quanto tempo levarão para destruir o país?

Em toda região semiárida é crescente na população a preocupação com a questão da água que se liga efetivamente ao São Francisco, que teve recentemente sua vasão reduzida a 550 metros cúbicos de água por segundo para evitar que os reservatórios cheguem ao volume morto. O cenário gera sentimento de medo em muitos ribeirinhos que temem o desaparecimento de um dos rios mais importante do país.

Porém, é preciso compreender os problemas que provocam a redução da vasão ao longo da história: barragens hidrelétricas expulsam comunidades e impedem o ciclo natural do rio com todo sistema de vidas; processo acelerado de desmatamento e assoreamento; grandes projetos de irrigação do agronegócio; alto índice de poluição das águas por esgotos urbanos, industriais e agrotóxicos; a pobreza e o abandono da população.

Agora nos perguntamos: por que chegamos à complexa situação? Falsos discursos afirmam que os problemas do Rio foram causados pelo próprio povo. Mas é preciso trazer à superfície as questões centrais, refletir os impactos causados pela construção das barragens e o papel das empresas do agronegócio que avançam sobre os territórios, ameaçam, oprimem, expulsam o povo pescador, indígena, quilombola, camponês e se apropriam das terras e das águas. Mais de 79% das águas do São Francisco são usadas para irrigação. Efetivamente pelos grandes projetos do agronegócio para produzir fruticultura, cana de açúcar, etc.

A expansão do agronegócio ganha novas fronteiras e provoca conflitos sociais. A resposta do povo aos abusos daqueles que possui o poder econômico e político sempre foi à organização e a luta de resistência na disputa do território: da água, da terra, do minério, muitas vezes custando vidas. No semiárido há diversos conflitos que podem ser lembrados, a exemplo de Correntina na Bahia, causados por empresas que consomem toda água e promovem a produção agroindustrial para exportação com apoia no estado, à custa da miséria do povo.

O Papa Francisco recentemente escreveu uma Encíclica tratando da questão ambiental. O Papa aponta que é preciso cuidar do meio ambiente, da natureza como a casa comum, pois está ameaçada. Reconhece que a água é uma questão primordial para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. Assim em nenhum país do mundo um bem comum, um direito humano básico constitucional poderia ser negado.

Diante do complexo cenário precisamos afirmar que: os recursos naturais precisam estar sob o controle do povo nos seus territórios; a água é um bem comum, um direito para o consumo humano, dessedentação animal, produção de alimentos e manutenção da vida e do equilíbrio ecológico pelos camponeses; precisamos de um verdadeiro e amplo programa de revitalização e preservação dos biomas e rios brasileiros; necessitamos de uma nova geração de políticas públicas com princípios ecológicos e de convivência com semiárido; o estado brasileiro precisa se responsabilizar e realizar apuração de denúncias dos crimes cometidos contra o povo em luta; é preciso lutar pela anulação de todas as medidas do governo ilegítimo.

O ano de 2018 será, sem dúvida, bastante decisivo para os rumos do país. A luta por direitos sociais, soberania nacional, pelo São Francisco, pela água que se constitui numa das principais lutas desse século, está colocada. Precisaremos construir o FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água e o Congresso do Povo com muitos trabalhadores do campo e da cidade. Seguimos assim com a clareza de que muitas batalhas precisaremos vencer, acumulando força para assegurar uma vitória eleitoral da classe trabalhadora em 2018. É fato que os processos de mudança e de transformações na sociedade só poderão nascer da incansável luta da classe trabalhadora que se banha nas águas da esperança, da solidariedade, da ousadia e da resistência.

É tempo de ter terra, água, dignidade!
É tempo de formação, organização e luta!
É tempo de unidade, vitória e transformação!

(*) Rafaela Alves é do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

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Codevasf lança seminário de Solo e Água em Bacias Hidrográficas

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A Codevasf organiza Seminário de Solo e Água no contexto do desenvolvimento em Bacias Hidrográficas. O evento acontece de 13 a 16 de março de 2018.

No Auditório Avelino Costa Longa, Asa Norte, em Brasília – DF.

Inscrições podem ser feitas no site 

Confira os painéis 

Painel 1 – Preservação, Conservação de Bacias hidrográficas.

                   Painel 2 – Gestão do Uso Consuntivo da Água,Reuso e Educação Ambiental em Bacias Hidrográficas.

                  Painel 3 – Economia de Água e Energia na Irrigação, Manejo da Matéria Orgânica e Tratamento de Água para Consumo Humano através de Polímeros naturais.

                     Painel 4 – Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto em Bacias Hidrográficas

Procafé: Ferti-irrigação em cafeeiros, via gotejamento, com pouca água, pode causar problemas

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Parece, à primeira vista, deficiência grave de potássio e algumas folhas mostram, também, sintomas parecidos aos de deficiência de fósforo. Pergunta-se, então, se seria um estado de deficiência nutricional grave.

Depois de observados bem os sintomas, a forma de sua ocorrência, que foi generalizada, em todas as plantas do talhão, verificando os dados de análise de solo, que mostravam bons níveis de K e P  e, finalmente, averiguando o manejo que foi recentemente efetuado, concluiu-se que os  problemas  não estavam ligados a deficiências, portanto a resposta ao questionamento inicial foi negativa.

Foi verificado que se tratava de um forte efeito de salinização, ou concentração de sais junto às raízes do cafeeiro, provocada  por aplicação de fertilizantes, via gotejo, com pouca água e com solo seco. Essa ocorrência esteve ligada à condição de estiagem em setembro/17 e à realização de uma aplicação de ureia e cloreto de potássio, em ferti-irrigação, sem a continuidade da irrigação e, ainda, sem presença de chuvas em seguida. Ambas seriam capazes de difundir e diluir, no solo, os fertilizantes aplicados, evitando a concentração de sais, os quais, translocados  para a parte aérea das plantas, acabaram provocando a queima de tecidos foliares.

As fotos mostram os sintomas observados e fica aqui o alerta, aos técnicos e produtores, para que tomem cuidado com o manejo da ferti-irrigação, a qual deve ser acompanhada, antes ou depois, do suprimento de água ao solo.

Uma vez determinada a causa e, assim, tomadas as medidas para solução do problema, voltando a irrigação adequada e retomando as chuvas, foi possível verificar que as folhas novas, crescidas em seguida, vieram normalmente, sem a queima anteriormente observada.

Fonte: Procafé

Governo quer saber consumo de água de empresas em rios do Oeste baiano

Apesar décadas de liberações de outorgas para empresas agrícolas captarem água de rios do Extremo Oeste da Bahia, só agora, após uma crise hídrica que veio à tona com a destruição de fazendas da Igarashi, no dia 2 de novembro, e que causou prejuízo de R$ 50 milhões, é que o Governo do Estado saberá de fato o volume retirado dos rios.

Após de ser provocado por autoridades da região, sobretudo de Correntina (914 km de Salvador), onde fica a fazenda da Igarashi, o governador Rui Costa (PT) determinou que empresas do agronegócio instalem, dentro de 60 dias, sistemas de medição da vazão consumida (hidrômetros) em todos os pontos de captação da Bacia do Rio Arrojado.

A determinação ocorre por meio de uma portaria do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que vem sendo questionado pelo CORREIO sobre as condições atuais das bacias hidrográficas da região, mas não responde. O órgão também deixou de informar quantas empresas captam água na região.

O problema hídrico no Oeste já está se tornando pauta de discussão nacional. Esta semana, o prefeito de Correntina, Nilson José Rodrigues (PCdoB), o Maguila, participou em Brasília do Encontro Preparatório para incluir a problemática do uso da água do Rio Arrojado na pauta do 8º Fórum Mundial da Água que será realizado em março de 2018 também na capital do país.

O gestor apresentou a problemática envolvendo o uso da água no município e defendeu a inclusão da situação do Rio Arrojado na programação do Fórum Mundial. Maguila disse que deseja “conseguir equilibrar essa balança para assegurar o desenvolvimento ecologicamente correto em nossa cidade”.

O município foi convidado para relatar os recentes conflitos envolvendo a comunidade ribeirinha e as grandes empresas de agronegócio.

Liberação de outorgas
Além de aprofundar o debate sobre a luta histórica da população em defesa da preservação dos rios, foi demonstrada a necessidade de promover alterações na política estadual de liberação de outorgas para captação de água e também de ampliar a fiscalização das licenças concedidas.

Caso seja escolhida para ser estudo de caso durante o evento mundial, a situação do Rio Arrojado será discutida com as maiores autoridades ambientais do Brasil e também do mundo.

A proposta consiste em buscar soluções para os problemas hídricos e reforçar a importância da gestão responsável da água pela população e pelo setor produtivo, seja na indústria ou nas grandes lavouras.

“O governo do estado, na pessoa do governador, tem demonstrado muita preocupação e empenho para ajudar nosso município e agora com a ajuda do governo federal, tenho certeza que mais benefícios serão levados para o nosso povo. A questão ambiental, da preservação dos rios e do fomento à agricultura familiar ribeirinha e também de equilíbrio da atividade do agronegócio, são demandas urgentes de Correntina”, declarou Maguila.

A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) defende que as gricultores da região estão fazendo uso consciente dos recursos hídricos e colaborando para a preservação ambiental por meio de pesquisas. Porém ainda não tem dados consistentes para apresentar.

A entidade espera obter informações mais precisas por meio de um estudo que realiza desde fevereiro para quantificar a disponibilidade da água e sua importância para os múltiplos usos nas bacias do Rio Grande e Corrente e, com isso, garantir a segurança hídrica para manter a irrigação e a produção sustentável de alimentos.

A pesquisa está sendo desenvolvida por estudiosos da Universidade Federal de Nova Viçosa (UFV-MG) e da Universidade Federal de Nebraska (nos EUA), e tem previsão de ser finalizada no final de 2018.

Moradores dão exemplo com sistema de captação de água da chuva

Na 510 Norte, um sistema simples de captação da água da chuva deixa a horta do aposentado Benon Peixoto, de 82 anos, mais verdinha. O recurso hídrico é coletado por meio de uma calha canalizada até a caixa d’água de mil litros que serve de apoio para a irrigação das hortaliças.

O aposentado Benon Peixoto, de 82 anos, utiliza água da chuva armazenada em um caixa d’água ara irrigar hortaliças. Foto: Tony Winston/Agência Brasília
O aposentado Benon Peixoto, de 82 anos, utiliza água da chuva armazenada em uma caixa d’água para irrigar hortaliças. Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Também na Asa Norte, um sistema de captação de água pluvial auxilia no cuidado com o jardim em frente a duas residências na Quadra 516. Três tonéis de 250 litros cada um foram ligados ao encanamento da calha da casa do militar aposentado Edil Argolo, de 54 anos, o que reduziu o custo da conta de água dele e do vizinho.

Os dois exemplos seguem recomendações da Diretoria de Vigilância Ambiental, da Secretaria de Saúde, para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus.

Em ambos os casos, o manuseio da água ocorre por uma torneira no fundo da caixa d’água e dos tonéis, evitando o abrir e fechar da tampa superior. Além disso, uma tela nos espaços abertos impede a entrada do inseto.

Segundo Benon Peixoto, o reservatório não só facilita na hora de molhar as plantas, como ajuda no estoque para o período da seca. Para garantir o maior aproveitamento da água, o aposentado também guarda o líquido em garrafas PET vedadas.

Edil Argolo garante que já sentiu a diferença no bolso, com uma economia de quase R$ 100 no fim do mês após a instalação da coleta pluvial. “Além de diminuir os gastos com a conta de água, aproveitamos um recurso que é totalmente desperdiçado na maioria das vezes”, relata o militar aposentado.

Trabalho direcionado da Vigilância Ambiental

Recipientes de armazenamento doméstico, como barril, caixa d’água, tambor e tonel, podem ser foco do mosquito Aedes aegypti quando usados de forma inadequada.

Com o intuito de conscientizar a população para os riscos, equipes da Vigilância Ambiental orientam os moradores e fazem um trabalho mais direcionado.

“Agora a nossa maior preocupação é como as pessoas têm armazenado a água, principalmente nas regiões que enfrentam rodízio hídrico”, explica a agente da Vigilância Ambiental Rosangela da Conceição.

A recomendação é que toda a reserva de água da rede da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) seja feita em locais limpos e devidamente fechados — o uso de tela é indicado para maior segurança. É necessário ainda que se faça uma limpeza semanal com bucha e sabão.

No caso do estoque pluvial, as orientações são as mesmas do reservatório para fins domésticos, com a ressalva de que não se pode consumir essa água, mas utilizá-la apenas para lavar a área, irrigar o jardim e outros usos externos.

Fonte: Agência Brasília