Governo: Porto Novo vai ser primeiro município coberto a 100% com sistemas fotovoltaicos de produção de água

Governo: Porto Novo vai ser primeiro município coberto a 100% com sistemas fotovoltaicos de produção de água

A previsão é do Ministério da Agricultura e Ambiente, que informa à Inforpress que os últimos sistemas já estão na fase de implementação, devendo ficar instalados dentro de dois a três meses, data em que todos os furos neste concelho estarão equipados com painéis solares.

Trata-se de uma medida, segundo o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente no Porto Novo Joel Barros, que terá “grande impacto” na redução dos custos de água, no alargamento da área irrigada e no aumento da produção agrícola.

Conforme este responsável, os sistemas fotovoltaicos para os quatro furos que restavam já foram adquiridos, e os trabalhos de montagem ficam concluídos ainda no decurso do primeiro semestre do corrente ano.

“Estamos perante um marco importante e um ganho extraordinário para Porto Novo, mas também para Santo Antão, no geral”, avançou Joel Barros, perspectivando o alargamento da área irrigada e o aumento de produção agrícola neste concelho “nos tempos mais próximos”.

A própria ilha de Santo Antão “caminha a passos largos” para ser a primeira em Cabo Verde totalmente coberta com sistemas fotovoltaicos para a produção de água para agricultura, estimou, recentemente, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva.

Gilberto Silva informou que já existe em Santo Antão uma área “muito grande” coberta com sistemas fotovoltaicos para a produção de água para a irrigação, podendo esta ilha ficar, “dentro de pouco tempo”, completamente abrangida com este tipo de sistemas, com impacto na redução do custo de água e no aumento da área irrigada.

Fonte: A Semana

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Produtores do DF adotam programas de uso eficiente da água

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Até pouco tempo, o cenário na região da Bacia do ribeirão Pipiripau era de conflito pelo uso da água: necessidade de atender o abastecimento humano, mais a irrigação de culturas agrícolas, além de servir aos diversos usos na pecuária.

A administração harmoniosa das diferentes necessidades e interesses da agropecuária só veio com o Projeto Produtor de Água no Pipiripau desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA) em parceria com outras 15 instituições.

Iniciado em dezembro de 2011, hoje é exemplo de programa adotado no Distrito Federal e que atua na recuperação de Áreas de Preservação Permanente, mais a conservação de água e solo em toda bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau. O manancial nasce do estado de Goiás, mas possui a maior parte da sua área no distrito Federal.

O projeto atua também em ações de readequação de estradas rurais, construção de pequenas barragens e na educação ambiental. O objetivo é aumentar o volume de água que recarrega o lençol freático e diminuir o escoamento superficial, que resulta em problemas, como erosão e assoreamento. Para isso, foram realizadas ações de revitalização ambiental por intermédio do pagamento por serviços ambientais (PSA) prestados por produtores rurais da região.

Outro destaque na região, que abriga a maior concentração de pivôs centrais da América do Sul, é a alocação negociada da água da Bacia Hidrográfica do Rio Jardim. Com a participação de 26 produtores, a ação é resultado de parceria entre a Emater-DF e a Adasa – Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal. Nessa bacia, a área irrigada por pivôs centrais é de 4.650 hectares, e são utilizados 75 pivôs.

Para otimizar o uso da água na unidade hidrográfica, a Emater-DF calculou a quantidade de água necessária para atender as áreas de plantio de todos os produtores. O controle do uso da água para irrigação obedece um esquema de revezamento entre os produtores, que foram divididos em dois grupos. Cada grupo irriga durante dois dias alternados, para evitar o excesso de retirada de água do rio.

“O projeto é muito importante, pois garante a vazão remanescente no córrego e evita prejuízos aos agricultores”, avalia Marconi Borges, gerente da Emater. Além disso, o projeto evitou perda de 3.700 hectares de culturas que seriam plantadas e perdidas por falta de água.

A Adasa tem realizado várias outras campanhas de incentivo ao uso consciente da água, além de atuar em projetos em que busca o contato direto com produtores. “Um dos principais instrumentos de gestão durante a crise hídrica foi a alocação negociada da água, que ajudou a aproximar a Adasa dos produtores, na busca pelo uso racional dos recursos hídricos disponíveis”, afirma Paulo Sérgio Salles, diretor-presidente da entidade.

Os benefícios da preservação do recurso hídrico vão além dos limites da Bacia do Rio Jardim, tendo em vista que ela está dentro da Bacia do Rio São Francisco. O Rio Jardim deságua no Rio Preto, que deságua no Rio Paracatu e este, por sua vez, deságua no Rio São Francisco. Vale destacar que o Distrito Federal possui afluentes de rios que contribuem para outras duas grandes regiões hidrográficas do Brasil: Araguaia-Tocantins e Paraná.

AgroBrasília

Os produtores que quiserem conhecer formas de uso eficiente da água poderão encontrar as últimas novidades do setor de irrigação durante a AgroBrasília – Feira Internacional do Cerrado – que acontece entre os dias 14 e 18 de maio.

O evento levará grandes empresas de tecnologia para o Distrito Federal e apresentar as soluções tecnológicas voltadas para o consumo de água. Por meio da exposição de maquinários e equipamentos, os agricultores terão ao seu alcance tecnologias de irrigação como a aspersão, a microaspersão e o gotejamento.

Serviço:
O que: AgroBrasília
Quando: 14 a 18 de maio de 2019
Onde: Parque Ivaldo Cenci, PAD-DF, BR-251, Km 5, Brasília-DF

Água residual da indústria pesqueira é aproveitada na irrigação agrícola

Pesquisa propõe reutilização da água residual proveniente das indústrias de pescado para irrigação na agricultura. Seria uma alternativa ao descarte do líquido de processamento de pescados (principalmente na etapa de higienização) diretamente no meio ambiente, o que causaria contaminação do solo, lençol freático e danos à saúde humana. Os testes foram feitos com sementes e mudas de alfaces. Depois de crescidas, as hortaliças mantiveram boa qualidade para consumo humano. O estudo é de autoria do engenheiro agrônomo Felipe Morais Del Lama, que defendeu mestrado em novembro de 2018, no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP.

A agricultura e a indústria são os setores que mais consomem recursos hídricos no planeta. As indústrias de alimentos, que precisam garantir a qualidade sanitária de seus produtos, são vorazes na demanda de água. Em entrepostos de tilápia, por exemplo, para cada quilo de peixe processado, são utilizados 15 litros de água, em média. Nesse processo, apenas as etapas de higienização respondem por aproximadamente 40% do   consumo, explica Del Lama. Diante dessa perspectiva, o engenheiro pensou em soluções que pudessem dar utilidade a esses fluidos líquidos gerados no final do processamento. Desejava mitigar a degradação ambiental e, quem sabe, trazer benefícios econômicos para as indústrias, uma vez que esses resíduos líquidos poderiam ser comercializados para irrigar plantações de fazendas que estivessem logisticamente próximas aos  entrepostos de pescado.

Ensaios em alfaces crespas

A alface é uma das plantas mais estudadas em testes de toxicidade por ter rápida germinação e por ser bastante sensível a contaminantes ambientais. Del Lama utilizou-as em seus ensaios científicos: precisava saber o quanto que elas resistiriam se fossem irrigadas com a água residual de pescado sem tratamento, contendo altas concentrações de material orgânico e de microrganismos.

Os testes foram feitos com base nas concentrações de resíduos – considerando os limites máximos de duas bactérias patogênicas (coliformes e salmonela) permitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – a fim de verificar qual seria o nível mais recomendado para irrigação das sementes e das mudas. Os ensaios foram realizados com água ultrapura (tratamento controle), com efluentes bruto e tratado em diversas concentrações (25%, 50%, 75% e 100%). O efluente bruto foi coletado diretamente das etapas de produção industrial; o efluente tratado, por sua vez, teve sua origem em uma estação de tratamento pertencente à própria indústria.

Os resultados foram promissores: as sementes não sofreram nenhum prejuízo e germinaram normalmente em qualquer que fosse a proporção utilizada. Já as mudas de alface não resistiram à irrigação com água residual sem tratamento. Apresentaram significativa taxa de mortalidade aos 15 dias após a semeadura, e mortalidade drástica, aos 30 e 60 dias após a semeadura. Porém, quando foram irrigadas com o efluente tratado, o resultado mudou. Responderam melhor nas concentrações de 25% e 50%. Nos outros dois tratamentos com o efluente tratado (75% e 100%), observou-se menor crescimento vegetal.

Nas análises microbiológicas realizadas nas folhas de alface irrigadas com 25% e 50% do efluente tratado, observou-se que os resultados para a presença de bactérias (coliformes e salmonela) permaneceram dentro do limite preconizado pela legislação brasileira, o que indicaria que as hortaliças poderiam ser consumidas com segurança por seres humanos, relata o pesquisador.

Embora satisfeito com os resultados, o engenheiro faz um alerta quanto ao controle sanitário de produtos agrícolas brasileiros. Segundo o pesquisador, além de coliformes e salmonelas, que já são vistoriados pela Anvisa, existem outros microrganismos que podem causar sérios danos à saúde pública. Cita como exemplo as bactérias Shigella Vibrio cholerae. “Os ovos desses últimos microrganismos têm alta capacidade de aderência às folhas, o que dificulta a remoção deles mesmo depois da lavagem”, diz. Como proposta, sugere a reformulação da legislação brasileira, de modo a contemplar maior número de microrganismos para fins de qualidade e consumo dos produtos comercializados.

A dissertação de mestrado Aproveitamento da água residual do processamento do pescado em irrigação foi defendida no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, sob orientação de Marilia Oetterer.

Fonte: Jornal da USP

Estudo prevê crescimento de 24% do consumo de água até 2030

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O consumo e o uso das águas no país devem crescer 24% até 2030, diz diz um estudo lançado nesta segunda-feira (1º) pela Agência Nacional de Águas (ANA). De acordo com a agência, responsável pela gestão dos recursos hídricos no Brasil, o país usa, em média, a cada segundo, 2 milhões e 83 mil litros de água. Em 2030, esse total deve superar a marca de 2,5 milhões de litros por segundo.

Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil traça um panorama das demandas pelos recursos hídricos em todos os municípios brasileiros entre 1931 e 2030. Ele se baseia no chamado consumo consuntivo quando a água retirada é consumida, parcial ou totalmente, no processo a que se destina.

Segundo o estudo da ANA, os principais usos consuntivos da água no Brasil são o abastecimento humano (urbano e rural), o abastecimento animal, a indústria de transformação, a mineração, a termoeletricidade, a irrigação e a evaporação líquida de reservatórios artificiais

Somente a agricultura irrigada é responsável por 52% de toda a água retirada no país. Em seguida, vêm o uso para abastecimento urbano, com 23,8%, a indústria, com 9,1%, e o uso animal, em especial para dessedentação, com 8%.

De acordo com o levantamento, o volume de uso consuntivo conjunto de água na agricultura irrigada, no abastecimento urbano e na indústria de transformação responde por 85% das retiradas de água em corpos hídricos, totalizando 2,083 milhões de litros por segundo.

O uso de águas para a agricultura irrigada prevalece nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Na Região Norte, prevalecem atualmente as retiradas de água para termelétricas e abastecimento humano urbano. No Sudeste, predominam o abastecimento urbano e a maior demanda de uso na indústria de transformação.

A agricultura irrigada também é destaque entre os municípios que mais consomem água no país, sendo responsável por oito das dez maiores vazões de retirada de água, ficando atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro, primeiro e segundo lugares, respectivamente, onde o principal uso é para abastecimento urbano.

Juntos, os dois municípios têm cerca de 19 milhões de habitantes e retiram pouco mais de 101 milhões de litros por segundo para abastecimento. Já municípios como Uruguaiana, Santa Vitória do Palmar, Alegrete, Itaqui, São Borja e Mostardas, no Rio Grande do Sul; Juazeiro, na Bahia; e Petrolina, em Pernambuco, em sua maioria com menos de 100 mil habitantes, usam cerca de 160 milhões de litros por segundo.

Outro ponto de destaque analisado pela agência reguladora foi a evaporação líquida em reservatórios artificiais, o que inclui hidrelétricas e açudes. De acordo com o estudo, em 2017, houve evaporação líquida de 669,1 mil litros por segundo. “Este volume é aproximadamente 35% maior que o retirado para abastecimento urbano (496,2 mil litros por segundo) e 6,8 vezes maior que o consumido por este uso (99,2 mil l/s). A evaporação líquida só é superada pelo retirada e pelo consumo de água pela irrigação (respectivamente 1083,6 e 792,1 mil l/s)”, diz a ANA.

O levantamento da ANA destaca ainda o papel crescente das usinas termelétricas na demanda por água. Segundo o estudo, mesmo sendo uma atividade de intensificação mais recente, a retirada de água por termelétricas, é superior à soma de todas as retiradas para mineração e abastecimento humano no meio rural. Enquanto as termelétricas responderam por 3,8% das retiradas de água, o abastecimento rural respondeu por 1,7%, enquanto a mineração ficou com 1,6% das retiradas.

Os estados que respondem pela maior variação das retiradas são: Rio de Janeiro, com 21% da demanda total, Santa Catarina, com 13%, São Paulo, com 11%, Pará, com 9%, Maranhão, com 9%, e Pernambuco, com(8%. Juntos, esses estados concentram 72% da demanda total que foi de 79,5 m³/s em 2017.

Segundo a agência reguladora, a identificação e a quantificação dos usos atuais e potenciais das águas representa uma oportunidade de aprimorar o processo participativo na gestão da água, em torno de questões como a oferta e a demanda. A ANA diz ainda que os dados são um insumo à garantia da “segurança hídrica da população e do setor produtivo”.

“Na esfera setorial, essa base fornece aos setores produtivos um novo panorama e uma visão de futuro dos usos da água e do balanço hídrico nas bacias hidrográficas do território nacional, balizando as análises de risco e de sustentabilidade hídrica dos empreendimentos. O planejamento do Estado brasileiro junto aos setores contará com essas informações de referência, orientando importantes instrumentos como os Planos Nacional e Estaduais de Irrigação e as revisões do Plano Nacional de Energia”, diz o estudo.

Fonte: Agência Brasil

Água para produção de alimento

Lineu Neiva Rodrigues pesquidaor embrapa agencia brasil ebc

Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que, para atender ao crescimento populacional e às novas demandas por alimentos, a produção mundial de cereais terá que aumentar cerca de um bilhão de toneladas até o ano 2030. Esse aumento previsto dependerá prioritariamente da disponibilidade hídrica para suprir as demandas de irrigação, que será responsável por atender cerca de 80% dessa produção adicional que ocorrerá entre 2001 e 2025.

Segundo Postel (2000), no mundo, a agricultura irrigada é responsável por cerca de 40% de toda produção, viabilizando produzir fisicamente, em uma mesma área, até quatro vezes mais que a agricultura de sequeiro. Para evidenciar a importância da agricultura irrigada na produção global de alimentos, Sojka et al. (2006) comentam que seria necessário expandir a área de sequeiro em cerca de 250 milhões de hectares para se obter uma produção equivalente à produção média adicional que é proveniente de áreas irrigadas.

Embora o Brasil detenha cerca de 12% da água doce superficial disponível no Planeta, 28% da disponibilidade nas Américas e possua, ainda, em seu território, a maior parte do Aquífero Guarani, a principal reserva de água doce subterrânea da América do Sul, o país tem enfrentado problemas hídricos em várias regiões. Segundo relatório da OCDE (2015), a água se tornou um fator limitante para o desenvolvimento econômico do Brasil e fonte de conflitos em várias regiões.

A água é um recurso de grande importância para todos os setores da sociedade e atender a todos os usos e usuários requer um trabalho coordenado de planejamento e gestão de recursos hídricos. Não se pode pensar em segurança alimentar dissociada da segurança hídrica, pois para produzir alimento uma quantidade significativa de água deve ser mobilizada.

Neste contexto, é importante aprender com os erros do passado e aproveitar o momento para planejar um futuro melhor, que consiste necessariamente em tratar a água como um bem estratégico para País. Para isto, é preciso integrar a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) com as demais políticas públicas. É fundamental definir as prioridades de uso da água, levando-se em consideração as necessidades básicas do País e as especificidades de cada região.

Não se pode pensar em agricultura e desenvolvimento sustentável sem que haja um equilíbrio entre oferta e demanda de água. O Brasil é um país de dimensões continentais com grandes diferenças sociais, ambientais e econômicas, o que faz da gestão uma atividade muito mais desafiadora. Fazer a gestão de forma igualitária em todo país, pode levar a conflitos em bacias hidrográficas que já se encontram em estado crítico em termos de disponibilidade hídrica. A gestão deve considerar as desigualdades hídricas regionais e ter um olhar diferenciado para as bacias hidrográficas críticas, onde a disponibilidade hídrica já está comprometida, assim como onde já é realidade a ocorrência de conflitos pelo uso da água.

A vazão média anual de todos os rios do mundo é da ordem de 40.000 a 50.000 km³/ano. No Brasil, os recursos hídricos de superfície correspondem a uma vazão média da ordem de 5.676 m³/ano, ou cerca de 12% do total mundial, podendo chegar a mais de 16% se as vazões dos rios provenientes de países vizinhos forem contabilizadas. O desafio é gerenciar adequadamente essa água, que implica em alocar os recursos entre os diversos usuários, reduzindo os conflitos e trazendo segurança hídrica.

Atender as demandas atuais e futuras por alimento requererá um rápido aumento de produtividade, que precisa ser feito sem danos adicionais ao ambiente. Para que isso ocorra, é fundamental que os princípios de sustentabilidade sejam parte central das políticas agrícolas. Produzir de forma sustentável não é uma tarefa simples. É necessário reduzir o crescimento horizontal (aumento do uso dos recursos naturais), aumentar o crescimento vertical (aumentar a eficiência) e considerar o fato que as tomadas de decisão estão cada vez mais complexas e que a agricultura está cada vez mais pressionada na direção da multifuncionalidade, principalmente, na produção de alimentos, fibras e energia.

Com estimativa atualizada de cerca de sete milhões de hectares irrigados, o Brasil é um dos poucos países do mundo, se não o único, com capacidade de triplicar a sua área irrigada com sustentabilidade, trazendo contribuições efetivas para o meio ambiente, para o desenvolvimento social e econômico do País, com geração de empregos estáveis e duradouros.

A irrigação, principal usuária de recursos hídricos, apresenta características de uso bastante diferente dos demais usos. A demanda de irrigação é muito variável de ano para ano. Isso dificulta a gestão e deixa o irrigante com a impressão de que a alocação de água não está sendo feita de forma correta. Essa falsa impressão ocorre pelo fato de as outorgas serem fixas e as demandas serem variáveis, fazendo com que, nos anos de baixa demanda, haja água em excesso nos rios, trazendo ao irrigante a percepção de que ele poderia ter mais água para sua irrigação.

O desenvolvimento de uma agricultura sustentável passa, necessariamente, pelo uso sustentável dos recursos hídricos, que por sua vez, depende de uma gestão que incorpore os usos múltiplos da água e considere os fundamentos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos. É importante fortalecer os mecanismos que contribuem para aumentar a oferta hídrica na bacia hidrográfica.

O desafio atual da agricultura irrigada é garantir um suprimento adequado e regular de alimentos para a sociedade com o menor consumo de água possível. A alocação de água para fins agrícolas gera benefícios sociais, econômicos e ambientais que não são apropriados somente por um usuário, mas por toda a sociedade. É importante que os agricultores estejam atentos aos avanços tecnológicos, uma vez que as novas tecnologias podem contribuir para melhorar a eficiência do sistema, facilitar o manejo e beneficiar o ambiente.

A irrigação precisa de uma gestão com olhar ampliado. O produtor precisa ter uma visão além de sua propriedade e de sua área de produção. É preciso, sempre, uma visão macro, da bacia hidrográfica. A irrigação tem que ser feita olhando a bacia hidrográfica. O rio é na verdade reflexo daquilo que acontece na bacia como um todo. Ou seja, é preciso olhar a bacia de forma mais integrada, considerar estratégias de conservação de água e solo, que vão refletir diretamente na quantidade e na qualidade das águas.

Rodrigues et. al (2017)* destacam que agricultura irrigada terá que se adaptar a uma sociedade cada vez mais dinâmica, exigente quanto à alimentação e quanto às questões sociais e ambientais e que, para isso, terá que enfrentar desafios institucionais, políticos, ambientais, estruturais, científicos, de capacitação, de comunicação, técnicos, tecnológicos e climáticos.

São vários os desafios a serem enfrentados para se produzir alimento com sustentabilidade, mas sem dúvida alguma os principais e de mais difíceis soluções são aqueles que não dependem somente do agricultor, tais como: (i) a gestão de recursos hídricos, que é peça chave no processo de ordenamento do uso de recursos hídricos e de segurança hídrica. Uma gestão adequada deve ser capaz de considerar as especificidades inerentes a cada setor usuário e as estratégias a serem adotadas para se alcançar o uso sustentável; (ii) integração efetiva e verdadeira das ações institucionais e das políticas públicas setoriais.

Essa integração parece simples de ser feita, mas é muito difícil de ser operacionalizada. Como, por exemplo, pensar em segurança alimentar sem se pensar em segurança hídrica e energética? Como pensar em segurança alimentar sem considerar, por exemplo, um trabalho integrado dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente? Como pensar em segurança alimentar sem que o produtor tenha segurança na sua atividade?

O fato é que utilizamos muito pouco dos nossos recursos hídricos. É preciso criar mais valor e bem-estar com os recursos disponíveis. Isso não significa, é claro, incentivar a cultura do desperdício de água. É importante definir as prioridades de uso nas bacias e lançar um olhar mais atento para aquelas bacias que já enfrentam problema de disponibilidade hídrica. Com uma gestão de recursos hídricos competente, é possível trazer segurança hídrica e atender a todos os usos e usuários sem comprometer a disponibilidade. Água é sinônimo de dialogar, de compartilhar e de integrar. Não é geradora de conflitos, mas sim de oportunidade para produzir alimento e desenvolvimento.

*Pesquisador da Embrapa Cerrados
Lineu Neiva Rodrigues, pesquisador da Embrapa – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/EBC