Jovens de três cidades contam porque escolheram investir no setor de agricultura irrigada em Goiás

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Seja no campo, seja na cidade, uma das grandes preocupações de um empresário é a sucessão do seu negócio. Não basta construir uma empresa de sucesso; é preciso que alguém dê continuidade aos projetos e faça com o que o negócio prospere, abra novos mercados e se adeque às novas tecnologias. Foi preocupado em cuidar dos negócios da família que no ano de 2005, Júlio César Priori, com apenas 16 anos, resolveu deixar os pais e os irmãos na cidade de Jataí (GO), e ir para Piracicaba (SP), iniciar seus estudos em engenharia agronômica. Cinco anos depois estava de volta e cheio de planos para propriedade da família. O principal deles: a vontade de expandir a produção agrícola.

Com o alto custo das terras na região de Jataí, Júlio passou a buscar formas de aumentar a produção na área que já era da família, e foi aí que decidiu investir em irrigação. “Visitei alguns produtores na região de Jataí e de Cristalina para conhecer modelos de já estavam dando certo, também busquei auxílio técnico com um especialista em irrigação (professor), e optei pela instalação de quatro pivôs centrais. Logo na primeira safra eu tive certeza de que havia feito um investimento certeiro”, conta. Júlio viu não só a produtividade crescer, como também passou a ter segurança na colheita da safra. “Irrigar é ter a garantia de que, mesmo que a chuva falte, haverá boa colheita”.

A partir da primeira experiência com a irrigação no ano de 2013, a família Priori, que até então produzia em 2,2 mil hectares de sequeiro, passou a irrigar 275 hectares, produzindo soja, feijão e milho. Júlio conta que o principal entrave para aumentar a área irrigada continua sendo a obtenção de outorgas na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Secima), órgão responsável pela emissão do direito de uso da água. O agricultor aguarda liberação outorga para irrigação de 160 hectares há mais de três anos, e mesmo contanto com o apoio técnico de uma empresa especializada nesse tipo de atividade, o processo no órgão estadual é moroso.

Além da produção irrigada, Júlio César e o irmão Paulo Ricardo, conduzem junto com o pai, Luiz Paulo Priori, uma empresa de sementes e defensivos na cidade de Jataí. Para o patriarca da família Priori, que veio para Goiás em 1984 com objetivo de produzir alimentos, ver os dois filhos agrônomos é uma realização. “O Júlio cuida da lavoura, eu e o Paulo cuidamos do armazém, e é importante que eles façam parte do negócio porque é preciso pensar em sucessão. Ninguém vive para sempre”, diz. Entre os projetos de inovação, o empresário faz planos para implantação de energia solar e garante que o futuro é de quem investe em tecnologia.

Tradição Familiar
Na cidade de Santa Helena de Goiás, a Família Merola foi pioneira na instalação de irrigação no ano de 1978. Ricardo Merola lembra que o negócio começou com o avô, Misael Rodrigues de Castro, em 1933. Anos depois (1958) passou para o seu pai, Antônio Merola. Em 1976 foi a vez de Ricardo deixar o Rio de Janeiro, onde havia se formado engenheiro mecânico, para assumir a fazenda. “Como eu era de outra área, passei a estudar muito sobre maneiras de melhorar a produção na propriedade do meu pai. Passamos a cultivar arroz e milho, e com uma parceria com a Embrapa Arroz e Feijão, iniciamos a produção de sementes”, conta.

Foi a partir da parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que o agricultor abriu a primeira área irrigada de feijão. “Naquela época, por sermos pioneiros, não faltava nem energia elétrica e nem água para irrigação. Começamos com uma área de 60 hectares irrigados por autopropelido (canhão). Em pouco tempo essa área chegou a 700 hectares e passamos a produzir sementes de sorgo e milho também”, lembra Ricardo. Para a ampliação dessa área foi preciso também a construção de represas para armazenamento de água. O interesse em produzir mais e melhor levou o produtor rural até o estado do Paraná, em 1982, para conhecer a técnica de plantio direto.

Segundo Ricardo, a opção por plantio direto trouxe para sua propriedade uma série de benefícios que contribuíram para a melhoria da produção. “A primeira vantagem foi a agilidade com que se pode começar uma nova cultura após a colheita. Também conseguimos eliminar uma praga muito comum em Goiás, a Tiririca, que estava se alastrando pela área de plantio”, conta. Ele destaca também que a prática de plantio direto é essencial para a conservação do solo, uma vez que diminui o risco de erosões e retém umidade, garantindo a economia de até 30% de água na hora de irrigar.

Com os negócios crescendo, no ano de 2012, Ricardo decidiu que era hora de passar a condução da Fazenda Santa Fé para seu único filho, Pedro Merola. Formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) em engenharia agronômica, Pedro havia sido criado na propriedade em Santa Helena de Goiás até os 12 anos, quando foi estudar em Uberlândia (MG), e, posteriormente, em Piracicaba (SP). Sempre envolvido com os negócios da família, em 2008 o jovem empresário assumiu o cargo de CEO da Fazenda Santa Fé e passou a investir pesado em tecnologia e melhoramento da produção.

Hoje, com 2,2 mil hectares irrigados, Pedro Merola, que está na quarta geração da família de agricultores, afirma que sua maior preocupação é garantir um negócio sustentável. “O meu negócio sempre foi prestar serviço. Como minhas fazendas têm muita água, todos os projetos desenvolvidos, tanto na área de pecuária, quanto na área de agricultura, foram pensados para assegurar a sustentabilidade da propriedade a longo prazo”, assegura.

O produtor rural prevê a expansão da irrigação no Estado e acredita que o investimento é rentável, mas alerta para o planejamento na hora de fazer o projeto. “A concorrência para se obter outorga de uso de água vai aumentar muito nos próximos anos. Quem quer irrigar precisa estar atento a todas as exigências que a atividade exige. Com o tempo vai se provar que a irrigação é muito viável. No meu caso, a irrigação é uma paixão que eu aprendi a gostar desde pequeno”, afirma.

Sem frescura
Mulher, inteligente e jovem. Essas são três características que qualquer pessoa que chega na fazenda do José Martins, em Campo Alegre (GO), logo percebe ao conhecer seu braço direito nos negócios, sua filha Jaqueline Martins. O que muitos não imaginam é que a função dela não é dentro do escritório da fazenda. Com apenas 22 anos, Jaqueline, que cursou faculdade de Administração, optou por ficar longe do ar condicionado para cultivar a terra junto com o pai, o irmão e os tios. Mesmo enfrentando muito preconceito, até pelos próprios funcionários da fazenda, a moça provou que o lugar dela seria onde ela quisesse e não fugiu do trabalho pesado.

A história da Família Martins tem início em 1986, quando surgiu a oportunidade de um grupo de 30 colonos do sul do país virem para Goiás, por meio do Projeto Paineiras, do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer) – um projeto geopolítico de incentivo ao desenvolvimento do Cerrado para produção de alimentos, entre os governos do Brasil e do Japão. Sem medo de trabalho, José e um irmão deixaram parte da família no Sul e vieram desbravar o território goiano. Eles, que já trabalhavam com agricultura como funcionários de uma fazenda no Paraná, receberam uma proposta dos patrões, que inicialmente parecia uma nova oportunidade de melhoria de vida. “Vocês vão abrir novas terras em uma fazenda em Goiás, eu vou colocar a propriedade no nome de vocês e o que nós produzirmos vamos dividir, uma parceria”, lembra o produtor. Mas, ao chegar em Goiás, as coisas não saíram exatamente dentro do combinado.

Depois do financiamento aprovado no banco e de três anos de trabalho árduo cultivando soja, o, até então, empregador de José desapareceu, deixando apenas dívidas do empréstimo para a família, que a essa altura já tinha vindo toda para Goiás. Foi nesse momento que José decidiu não desistir. “Foi muito trabalho, recomeçamos do zero, nunca esbanjamos nada e com a graça de Deus colocamos o lote 25 para gerar renda de novo”, conta.

No ano 1993, José decidiu investir em irrigação e de lá pra cá os investimentos só aumentaram. Ele reconhece a importância desse tipo de manejo para a produção agrícola. “Irrigação significa a sobrevivência de um agricultor, plantar em Goiás dependendo só de chuva é muito difícil se manter”. Jaqueline lembra que no início, por falta de tecnologia, muitas vezes ela, o pai e o irmão não tinham hora para começar e nem para parar de trabalhar. “Quantas vezes nós saíamos de casa de madrugada ou tarde da noite para ligar e desligar os pivôs. Sem automação era tudo manual, felizmente os tempos são outros, e graças à tecnologia tudo ficou mais fácil”, conta.

Não houve dificuldade que desanimasse a Família Martins de seguir o sonho de ampliar a produção, hoje os 11 membros da família cultivam uma área de 4 mil hectares, dos quais 700 são irrigados. Alho, batata, milho doce, beterraba, feijão. Nem para cursar a faculdade, Jaqueline deixou de ajudar na fazenda. E os sonhos do pai e da filha passaram a se misturar: estabilidade, diversificar o negócio, ampliar a produção agrícola. Quando perguntada sobre o futuro Jaqueline afirma: “quero aumentar o que já conseguimos e administrar o que já temos com a mesma eficiência que o meu pai sempre teve”. “Quem olha a história dele, a nossa história, reconhece que ele é uma referência para todos os produtores do Projeto”, diz Jaqueline.

José não esconde o orgulho dos filhos e também já ensina para o neto, Nicolas Martins, de 6 anos, o gosto pelo cultivo da terra, deixando um questionamento: “Se não houver sucessão, quem vai dar continuidade à agricultura? Quem vai produzir alimento? Se não fosse a certeza de que meus filhos darão continuidade ao nosso negócio, qual seria o significado de continuar investindo e trabalhando?”.

Fonte: Grupo Cultivar

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Grupo invade fazendas e destrói sistema de irrigação no oeste da Bahia

Um grupo com mais de mil pessoas ocupou duas fazendas da cidade de Correntina, no oeste da Bahia, e chegou até a tocar fogo no galpão de uma delas, em protesto contra o tipo de irrigação que é feito nessas fazendas.

Segundo os manifestantes, a irrigação está secando o rio e provocando queda de energia. Em nota, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia diz que apoia manifestações, mas sem atos de vandalismo. A entidade ainda informou que o protesto não tem embasamento técnico, já que a falta de água está ligada ao clima na região.

Pela tarde, os manifestantes se concentraram na entrada da cidade e fizeram novos protestos. Após terem garantia da PM de que ninguém seria preso, eles encerraram a manifestação por volta das 17h. As fazendas também foram desocupadas.

Veja a notícia na íntegra no site do G1 BA

Nota da Abapa:

Rio Arrojado está com a vazão normal para período do ano e nunca teve riscos de seca

A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) lamenta o ato de destruição e vandalismo ocorrido nesta quinta-feira (2) na Fazenda Iragashi, no Distrito de Rosário, em Correntina. A entidade entende como legítima manifestações pacificas que não infrijam a legislação penal vigente com atos de invasão e depredação de patrimônio, sejam eles público ou privado.

A entidade acredita que muito dos manifestantes podem estar sendo incentivados, de forma inconsequente, por lideranças que se recusam a dialogar ou se inteirar dos fatos científicos e das leis que autorizam os mais diversos usos das águas, incluindo para a irrigação, por meio da autorização do órgão ambiental, mais conhecida como outorga.

O rio Arrojado, causa da manifestação e da violência na Fazenda em Correntina, está com a vazão normal para este período do ano e nunca teve riscos de seca. Antes de serem levados ao ato de destruição, os representantes do movimento deveriam avaliar de forma objetiva qual o verdadeiro uso das águas para a Irrigação.

Para a Abapa, o ato de vandalismo descorre do desconhecimento dos fatores climáticos e dos processos de produção agrícola no oeste da Bahia. Primeiro, em novembro, tem início as primeiras chuvas, retomando gradualmente o nível das águas; depois de longa estiagem, o que deixa naturalmente reduzida a vazão dos rios. Em segundo, nos meses de agosto, setembro e outubro, as fazendas estão em período de vazio sanitário, ou seja, sem produção agrícola. Somente com as primeiras chuvas que os agricultores começam o plantio das culturas de sequeiro, ou seja, sem uso de água.

Do total de 2,2 milhões de área plantada, 160 mil são irrigados. Ou seja, somente 8% é irrigado. De toda forma, aqueles que utilizam sistemas de irrigação na produção passam por rigorosas concessões do uso da água pelos órgãos ambientais e por renovação da licença e fiscalização periódicas. Ao entender a importância da água e dos custos envolvidos na irrigação, os agricultores trabalham com equipes técnicas capacitadas que minimizam as perdas, utilizando a água de forma racional e eficiente.

Pesquisas recentes da Embrapa Monitoramento de Satélite e por meio de informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), os agricultores vem respeitando a legislação e preservando 26% da área nativa de todo o território nacional. Na Bahia, segundo dados do Cadastro Florestal de Imóveis Rurais (Cefir), 9,1 milhões de hectares inseridos no bioma cerrado na região, 4,5 milhões estão conservados e 3,1 milhões são produtivos. Ou seja, existem mais áreas preservadas do que em produção. Da área nativa preservada estão principalmente a vegetação das margens de rio e nascentes. Mais do que respeitar a legislação, os agricultores estão mobilizados e estruturados para utilizar, quando necessário a água de forma racional, e proteger os recursos hídricos.

De forma científica, os agricultores também estão empenhados em entender como funciona o Aquífero Urucuaia. Eles estão financiando uma pesquisa, realizada em parceria entre os pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), de Minas Gerais, e da Universidade Federal de Nebraska, dos Estados Unidos, com o objetivo de quantificar a disponibilidade da água e sua importância para os múltiplos usos nas bacias do Rio Grande e Corrente, no oeste da Bahia, o que garante a segurança hídrica para manter a irrigação e, consequentemente, a produção sustentável de alimentos.

Os agricultores baianos estão cientes das suas obrigações com o meio ambiente e vem inserindo a variável da sustentabilidade em toda as fases da produção. E, por isto, adota modelos que associam os desafios de produção, cumprimento legal e boas práticas agropecuárias, com manejo adequado do solo e da água e gestão de resíduos. A Abapa e demais entidades da agricultura estão abertas ao diálogo na tentativa de desconstruir preconceitos que de forma inconsequente e irresponsável vilanizam os agricultores e os colocam de forma errada em contraponto ao meio ambiente.

Moradores de Correntina-BA invadem fazenda em protesto ao grande número de irrigação na região

Circulam nas redes sociais fotos e vídeo de invasões que teriam ocorrido nesta quinta-feira (02) em fazendas no município de Correntina-BA. As primeira informações dão conta de que cerca de 500 pessoas, em mais de 10 ônibus, carros e caminhões quebraram a porteira da fazenda e tocaram fogo na sede da propriedade, galpões com  tratores , pulverizadores e outros equipamentos.

Mas o objetivo principal dos invasores seria a destruiçao de bombas de pivós, que fazem retirada da água do rio que corta a cidade de Correntina. A agricultura irrigada da região estaria sendo responsabilizada pela seca.

Segundo um blog de notícias da região “macaunbenselife “,  o grupo pertence a um movimento comunitário de Correntina, ainda não identificado. Eles se auto-denominaram moradores da Comunidade Ribeirinha do Rio Arrojado.

A reportagem veiculada pelo Jornal “O Expresso” de Correntina , destaca que os integrantes do movimento querem coibir a retirada de águas dos rios  pelos grandes projetos de irrigação da região. Uma das fazendas invadidas é conhecida como Igarashi e a outra como Curitiba.

A Fazenda Igarashi detém outorga de água (autorização para explorar) para irrigar uma área de 2.530 hectares com o volume de 180.203 metros cúbicos/dia. A autorização é de 32 pivôs de água superficial (retirada diretamente do Rio Arrojado).

As representações questionam a forma que as liberações de outorgas tem sido feita, sem discutir com a população, e sem nem um tipo de  estudo sério sobre a situação da região, que é berço das águas de um dos principais rio do Brasil, o Rio São Francisco.

Antes da invasão:

Depois da invasão

Estiagem de setembro tem pouco impacto na safra de soja da região Sul do Mato Grosso do Sul

Uma ferramenta muito útil é o sistema de irrigação, que em anos de estiagem como esse, trazem muito conforto e segurança para os produtores – Foto: Rodrigo Arroyo Garcia
Em setembro de 2017, choveu apenas 12 mm, ou seja, apenas 12% da média histórica do mês na região. Além da pouca chuva, o mês também foi o mais quente dos últimos 39 anos, com temperatura média de 25,7ºC. Nesse sentido, essas condições climáticas influenciaram no início do plantio da soja no sul do estado.

O vazio sanitário da soja encerrou oficialmente no dia 15 de setembro, plena época em que a estiagem estava forte e sem previsão de chuvas para aqueles dias. Hoje, porém, quase 30 dias após data de largada da semeadura das lavouras de soja no Sul de Mato Grosso do Sul, muitos produtores ainda estão iniciando a implantação das lavouras.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia, explica que apesar da chuva ter atrasado o início do plantio, por enquanto não há nenhum impacto negativo nessa safra de soja. Muitos produtores, principalmente os que cultivam áreas maiores, começam o plantio na segunda quinzena de setembro, o que não ocorreu de forma tão acentuada nesse início de safra. “Se tudo transcorrer normalmente, e não tivermos nenhuma outra janela prolongada de estiagem em outubro, ou mesmo excesso de chuvas, boa parte das áreas de soja serão implantadas no mês de outubro, o que está dentro do esperado”, explica ele.

“Quanto mais o produtor atrasar o plantio, maior pode ser a pressão dos problemas fitossanitários, como a ferrugem asiática e o percevejo. Mas, o potencial produtivo é excelente mesmo que o plantio seja efetuado em novembro. Nesses casos, o uso de materiais precoces associado ao monitoramento fitossanitário adequado são fundamentais para o bom êxito da lavoura e viabilidade do milho em sucessão”, disse ele.

Irrigação – Outra alternativa que o produtor dispõe é a irrigação das lavouras. “Essa é uma ferramenta muito útil, que em anos de estiagem, como esse, trazem muito conforto e segurança para os produtores”, explica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Danilton Luiz Flumignan. Segundo ele, neste ano, por exemplo, o produtor que dispõe de sistemas de irrigação na sua propriedade iniciou a semeadura juntamente com a liberação do vazio sanitário, em 16 de setembro. Isso porque com a irrigação ele mesmo poderia fornecer a água que faltou devido à falta de chuvas.

Mas não é só isso. Danilton afirma que mesmo em épocas mais úmidas a irrigação nessa região do Estado pode ser um bom negócio. “Mesmo nas safras de maior oferta de chuvas para o cultivo da soja, sempre temos pequenos eventos de seca, fazendo com que a irrigação seja necessária para atingir o potencial produtivo que considero ser de, pelo menos, 80 sc ha-1 hoje”, afirma o pesquisador da Embrapa.

Ele explica que a irrigação tem como características atrativas a obtenção de altos índices de produtividade e da estabilidade interanual da produção, pois evita prejuízos nas lavouras por déficits hídricos e contribui para melhor planejamento da atividade agrícola. 

Custo de produção – Os estudos de viabilidade econômica foram realizados considerando os preços de fatores e produtos vigentes, levantados nos meses de junho e julho de 2017. Os dados pesquisados pelo analista da Embrapa Agropecuária Oeste Alceu Richetti, demonstram que na safra 2017/2018, serão cultivadas 60%, da área total destinada ao cultivo de soja, com a soja Bt + Roundup Ready, ou seja, soja IPRO. Os 40% de áreas restantes destinadas ao cultivo do grão serão cultivados com soja modificada geneticamente com tecnologia Roundup Ready, denominada, soja RR.

“Em termos de produtividade estimada, o estudo demonstra que a soja IPRO apresenta maior potencial produtivo, principalmente na região Centro-Sul do Estado de Mato Grosso do Sul, com dados estimados de 3.600 kg ha -1 (60 sc). Já, a produtividade estimada da soja RR é de 3.300 kg (55 sc)”, explica Alceu.

No documento estão identificadas ainda as quantidades de insumos, as operações agrícolas, a gestão da propriedade, assim como as produtividades, os ganhos obtidos com essa produção e a eficiência produtiva. A partir da confrontação dos custos de produção observados e do rendimento médio obtido com o cultivo da soja foi analisada a eficiência econômica da produção.

Os resultados da pesquisa revelam que na safra 2017/2018, o custo estimado de produção da soja IPRO por hectare (R$2.973,69) é maior do que o da soja RR (R$2.914,62). “A adoção da tecnologia IPRO ocasiona forte impacto no custo das sementes, atingindo R$ 325,50 por hectare. Já, para a RR, os valores são bem inferiores. Mas, a tecnologia da soja IPRO proporciona redução nos gastos com inseticidas, que aliada aos resultados de produtividade mais expressivos, conquista uma receita superior que a soja RR”, explica Richetti.

As informações referentes às práticas de manejo adotadas, assim como as tecnologias utilizadas, na formação dos custos, foram colhidas em painéis que contaram com a presença de técnicos e produtores, com o objetivo de atualizar o sistema de produção de soja predominante no Estado de Mato Grosso do Sul. A área média das lavouras de soja, para a safra 2017/2018, será de 840 hectares, dos quais, aproximadamente, 70% são de propriedade do produtor e 30% são arrendados.

Alceu explica ainda que as análises de viabilidade econômica possibilitam ao produtor conhecer os resultados econômico-financeiros obtidos em um determinado período e nortear o planejamento e as decisões a serem tomadas para os anos subsequentes, sendo uma ferramenta estratégica para a gestão da atividade agrícola. O documento intitulado “Viabilidade econômica da cultura da soja na safra 2017/2018, em Mato Grosso do Sul”, de autoria de Alceu Richetti e Rodrigo Arroyo Garcia, pode ser acessado também pela internet. Clique em http://bit.ly/2gprsce.

Chuvas de setembro – Para compreender melhor o que aconteceu em termos agrometeorológicos no mês de setembro, confira as explicações do pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Carlos Ricardo Fietz. Segundo ele, houve apenas três dias chuvosos, sendo que a maior precipitação foi 5 mm no final do mês em 25 de setembro. Com base nos registros das estações meteorológicas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pode-se observar que as chuvas foram inexpressivas em toda a região sul de Mato Grosso do Sul: Campo Grande (45 mm), Ivinhema (35 mm), Ponta Porã (23 mm), Maracaju (22 mm), Itaquirai (22 mm), Bela Vista (21 mm), Sete Quedas (17 mm), Amambai (15 mm), Rio Brilhante (12 mm) e Jardim (11 mm).

“A ausência de chuvas impactou os solos da região que permaneceram em grande parte de setembro com níveis insatisfatórios de umidade, ou seja, com uma disponibilidade hídrica inferior a 50%”, disse Fietz.

Ele explica ainda que a pouca chuva também trouxe consequência para a saúde, pois refletiu diretamente na umidade média relativa do ar que foi 50%, ou seja, um índice 10% menor que a média do mês (60%). Os dado revelam que desde 2001, quando o Guia Clima iniciou o monitoramento dos extremos de umidade do ar em Dourados, 2017 foi o ano que em houve o maior número de ocorrências de níveis de umidade inferiores a 30%, com 22 registros, atingindo 11%, no dia 23 de setembro. “Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), níveis de umidade do ar inferiores a 30% exigem cuidados, pois podem ser prejudiciais à saúde humana. Algumas manifestações típicas de baixos índices de umidade relativa do ar são pele, olhos, nariz e gargantas secos; cabelos “indisciplinados”; indisposições físicas e aumento dos incêndios”, completa o pesquisador.

A temperatura média em Dourados foi quase 4ºC superior à média histórica, 21,8°C, ou seja, foi de 25,7°C. Assim, setembro de 2017 foi o mais quente em 39 anos, desde 1979. “A média das máximas, 33,8°C, foi quase cinco graus superior à normal, 29,2°C. Em 25 dias, a temperatura superou 30°C e a máxima do mês foi 37,6°C, em 14 de setembro. A média das mínimas foi 18,5°C, quase três graus superior à média histórica, 15,8°C. Não houve registro de temperaturas inferiores a 10°C e a mínima do mês foi 14,5°C, registrada em 17 de setembro. A temperatura mínima registrada na região sul de Mato Grosso do Sul foi 11,4°C, em Amambai, em 18 de setembro, enquanto a máxima ocorreu em Rio Brilhante, 40,5°C, também em 18 de setembro”, explica Fietz.

Fonte: Agora MS

O agro no centro de um novo ciclo econômico

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Encontro de lideranças na ESALQSHOW apontou diretrizes para uma atividade agrícola mais eficiente e sustentável

Durante a ESALQSHOW, feira de inovação tecnológica ocorrida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq) ocorrida dias 10 e 11 de outubro, uma das atividades que mereceu destaque foi o Encontro de Lideranças.  Com moderação do jornalista e publicitário José Luiz Tejon, 8 conferencistas debateram o as diretrizes do setor agro nas instâncias do ensino, da pesquisa, da extensão e da sociedade.

Arnaldo Jardim, secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, abriu os trabalhos e falou sobre Políticas Públicas para a Agricultura no Brasil. Segundo ele, um novo modelo econômico consistente terá sua origem em uma atividade econômica que apresente garantia de acúmulo de capital, capacidade de inovação e efeitos macroeconômicos positivos. “Portanto esse novo tempo terá na atividade agrícola o seu centro propulsor e aquilo que propomos aqui na ESALQSHOW não é somente para a agricultura, mas para o Brasil. Para tanto precisamos aproximar os entes envolvidos e viabilizar parcerias, além de otimizar a participação do setor público”. Jardim afirmou que para que o setor agro se apresente como indutor de um novo ciclo de crescimento, a sociedade como um todo precisa identificar na atividade agrícola seus diferenciais competitivos. “E isso já vem ocorrendo, pois muitos preconceitos já foram vencidos em relação à produção agrícola. Hoje produzimos com sustentabilidade e a agricultura de baixo carbono é um bom exemplo. Outra área que avançamos é na profissionalização e nas novas formas de trabalho as quais o homem do campo hoje se dedica”.

Na sequência, Roberto Rodrigues, titular da Cátedra Luiz de Queiroz, abordou o Cenário da Agricultura Mundial e Estratégias para o Brasil. Em sua fala, Rodrigues apontou a necessidade de combater a fome para que possamos garantir a paz. “A FAO indicou que o mundo precisa aumentar a produção de alimentos em 20% nos próximos 10 anos e que no mesmo período, para que isso ocorra, o Brasil precisa aumentar em 40% sua produção agrária. Para isso temos terra em abundância e com qualidade, temos gente preparada e temos tecnologia de ponta para atender essa demanda global”. Mas segundo o ex-ministro ainda falta uma estratégia. “Essa união entre as lideranças na ESALQ é algo fundamental para que essa estratégia seja efetivada. A Cátedra Luiz de Queiroz é um instrumento que certamente ajudará nesse processo, de garantir a paz com alimento para todos”.

O papel do futuro profissional do agronegócio e um novo Arranjo Interdisciplinar na Agricultura foi o tema do diretor da ESALQ, professor Luiz Gustavo Nussio. O diretor colocou a ESALQ e a cátedra Luiz de Queiroz como um novo território de relacionamento para que a academia aprenda a decodificar as demandas da sociedade e possa efetivamente transformar o conhecimento em riqueza para o bem público. “A comunidade acadêmica precisa se satisfazer com o objetivo de atender a sociedade, já que temos uma legião de pessoas trabalhando no campo e que esperam de nós soluções efetivas para viabilizar uma atividade agrícola cada vez mais competitiva e sustentável”. Nussio falou ainda sobre o profissional que a Esalq já está formando. “Passamos por uma crise de identidade mundial e o reconhecimento passou a ser um valor fundamental. Por isso trabalhamos para formar líderes com perfil empreendedor, profissionais capacitados para atender as demandas sociais”. O anfitrião do evento apresentou também o Plano de Gestão da Graduação da Esalq. “Nessa nova ótica acadêmica nossos estudantes precisam aprender a conviver com um ambiente sistêmico, no qual os conteúdos programáticos terão que ser ofertados de forma integrada para que ele possa tornar-se um gestor do ambiente agrícola. Em síntese precisamos integrar o conhecimento que esse aluno recebe, afim de acelerar sua maturação profissional em prol de uma economia sólida”.

Universidade de Classe Mundial – Uma das frentes da atual gestão da Universidade de São Paulo foi mapeada pelo presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), Raul Machado. “A USP tem atuado para estabelecer um ambiente internacional tanto na graduação quanto na pós-graduação”. Machado apresentou um panorama dos convênios e parcerias estratégicas estabelecidas desde 2014, “Precisamos conviver com ideias e pessoas sem fronteiras”. Lembrou ainda do fortalecimento das parcerias com instituições latino-americanas e das oportunidades oferecidas para o aprendizado dos idiomas português, para os estrangeiros, e do inglês, para os brasileiros. “Hoje temos cerca de 31 mil alunos utilizando as plataformas online para que possam de fato ingressarem com qualidade nos convênios que mantemos com a escolas estrangeiras”.

Em seguida, o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, respondeu a questão: Pesquisa na Agricultura: para onde vamos? Para Lopes, a energia, a água, o meio ambiente, a pobreza e a saúde são os temas cruciais para um mundo que busca um novo paradigma de desenvolvimento. “Em um futuro próximo, teremos uma população mais idosa, mais urbana, mais exigente e isso impactará na cadeia de alimentos”. Para isso, o presidente da Embrapa propôs explorar a multifuncionalidade e o investimento em Bioeconomia. “A Química Verde, os Serviços Ecossistêmicos, o uso da biomassa, a preservação na nossa cultura, são exemplos nessa linha”. Para que essa proposta se viabilize, ele indicou três frentes de trabalho. “A Agenda Embrapa esta alicerçada na Ação Integrada e Sistêmica, na Gestão Eficiente de Risco e na tarefa de Agregar Valor e Diversificar nossas ações em prol de um futuro sustentável”.

Mas há recurso para financiar tanta inovação e demanda social? Para José Roberto Postali Parra, coordenador adjunto da Fapesp em Ciências Agrárias e Veterinárias, a Fapesp tem diversas modalidades de fomento a Núcleos de Excelência em Pesquisa, que podem contribuir sobremaneira com o desenvolvimento do agronegócio. “A interação com as empresas é um dos focos principais de apoio à pesquisa hoje na Fapesp”. Parra traçou um panorama do Sistema Paulista de Ciência e Tecnologia, que hoje abrange 62 entidades e cerca de 14 mil empresas e destacou a agilidade da Fundação na elaboração de pareceres. “O papel da Fapesp tem forte peso no total dispendido para atender todo esse sistema. Temos recebido cerca de 26 mil propostas ao ano e nosso prazo para emitir um parecer é relativamente baixo. Isso agiliza o processo e valoriza a pesquisa desenvolvida no Estado de São Paulo”.

Finalmente, José Luiz Tejon amarrou os discursos em sua fala sobre demandas da sociedade para a agricultura. Segundo o publicitário e jornalista especializado em agronegócio, além da união entre os entes da cadeia agro, é preciso trabalhar a percepção das pessoas acerca dessa atividade econômica. “Precisamos aprender a contar boas histórias, melhorar a percepção da sociedade sobre os diversos elos dessa cadeia”. Para Tejon, o diálogo constante, a transferência do conhecimento científico em algo que possa efetivamente melhorar a vida das pessoas são fundamentais. “Precisamos educar a sociedade para as conquistas proporcionadas pela atividade agrícola, trabalhar o conceito de sustentabilidade atrelado à segurança alimentar. As pessoas hoje buscam como nunca saúde e bem estar e precisamos aproveitar esse comportamento, essas demandas, para melhorar a percepção de cada um sobre a importância do agronegócio no cotidiano rural e urbano”.

Antes de encerrar o debate, Tejon convidou ainda o ex-ministro Alysson Paolinelli para tecer uma análise sobre os discursos apresentados. Paolinelli lembrou dos avanços no campo nas últimas décadas e reforçou a necessidade do agronegócio ganhar posição medular nos rumos da economia mundial.

A cerimônia de abertura da ESALQSHOW, bem como o Encontro de Lideranças podem ser acessados na íntegra no youtube https://www.youtube.com/watch?v=lKS4Z8k97Us .

Reservatório de Sobradinho opera com menor vazão da história

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O lago da Usina de Sobradinho, na Bahia, está operando com a menor vazão desde que iniciou suas atividades, em 1979. Diante da falta de chuvas na região, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que opera o equipamento, baixou de 600 m³/s para 580 m³/s o volume de água que continua seguindo o curso do rio São Francisco. Além da redução em Sobradinho, que ocorreu no último dia 28, a Chesf também diminuirá a vazão na Usina de Xingó, localizada entre Sergipe e Alagoas, dos atuais 560m³/s para 550 m³/s.

“Desde 2013 estamos sofrendo com poucas chuvas na bacia do São Francisco. Naquele ano, a vazão era de 1.300 m³/s, mas diante da crise hídrica precisamos reduzir de forma gradativa”, explicou João Henrique Franklin, diretor de operação da Chesf. A medida não deve impactar na geração de energia, mas projetos de captação de água do rio para consumo humano e irrigação de lavouras precisarão ser adaptados. “Do ponto de vista da energia não existe risco, porque o consumo do Nordeste depende pouco da bacia do São Francisco. Somos responsáveis por apenas 10%”, disse.

No entanto, deverá haver impactos para quem faz uso das águas do Velho Chico para abastecimento ou irrigação de lavouras. No caso do consumo humano, de acordo com o diretor, as companhias que distribuem água nos estados atingidos (Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe) já foram comunicadas e precisarão fazer adaptações nas estações de captação espalhadas ao longo do curso d’água.

A vazão no reservatório de Sobradinho poderá diminuir ainda mais. Isso porque a Chesf já tem autorização da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Ibama para baixar o fluxo para o mesmo da Usina de Xingó. Por enquanto, não há planos para redução. “Ainda estamos no período seco. O período de chuvas começará a partir de novembro e segue até maio. Esperamos que as precipitações venham acima do esperado”, disse Franklin.