Com tecnologia digital da Agrosmart, Raízen aumenta produtividade no setor sucroenergético

agrosmart-raizen

Um estudo realizado pela Goldman Sachs Global Investment Research, empresa que realiza pesquisas globais de mercado de investimentos, indica que o uso de novas soluções digitais no campo irá aumentar a produtividade em cerca de 70% até 2050.

Pensando no potencial deste mercado, a Agrosmart, plataforma de agricultura digital líder na América Latina, firmou parceria com Raízen, uma das empresas de energia mais competitivas e referência na produção de cana-de-açúcar no mundo. Pioneira na adoção de tecnologias, a empresa implementou o sistema da Agrosmart na operação no campo com o objetivo de aumentar a eficiência produtiva, reduzir custos e gerar inteligência.

Por meio de sensores instalados no campo, o sistema da Agrosmart monitora as condições de umidade, clima, solo e irrigação da lavoura em tempo real, que podem ser acessadas de maneira centralizada na plataforma online. Com essa ferramenta, a equipe tem acesso às recomendações precisas de quando é preciso irrigar cada um dos talhões monitorados para atingir a máxima produtividade, com menor custo.

Além da irrigação, a equipe da Raízen também utiliza as informações geradas pela plataforma em outras atividades da operação no campo, como plantio, colheita e manejo fitossanitário.

“Antigamente, o manejo de nossa irrigação era feito por meio de um balanço hídrico teórico, que não considerava as condições reais de umidade solo no campo. Com a implementação da tecnologia da Agrosmart, conseguimos ter certeza do que acontece no campo, trazendo inovação para nossa operação para reduzir custos, aumentar produtividade e contribuir para uma produção mais sustentável na lavoura”, explica Marcelo Romão, Engenheiro de Projetos Agrícolas da Raízen.

O sistema da Agrosmart é utilizado em uma das unidades da Raízen, em Andradina (SP), unidade de GASA. A área corresponde hoje a mais de 40 mil hectares plantados de cana-de-açúcar e conta com o sistema de monitoramento da plataforma para tomar decisões relacionadas a irrigação, gestão da equipe de campo e entrada de maquinário na lavoura.

“Nossa parceria com a Raízen vai além de uma solução tecnológica. Trabalhamos juntos para destacar a agricultura 4.0 e fomentar o ecossistema de iniciativas que sejam disruptivas no campo. Se por um lado as startups possuem velocidade e DNA inovador, as grandes empresas têm acesso ao mercado, o que contribui para o trabalho de levar a agricultura digital além das fronteiras atuais”, comenta Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart.

Anúncios

Preço das frutas vai subir

Resultado de imagem para frutas
Antes do tabelamento do preço do frete rodoviário, caminhoneiros cobravam R$ 17 mil para transportar do Sul para cá as cargas da Sadia e Perdigão. Na volta, cobravam R$ 7 mil para levar – daqui para lá – o sal, o melão, o mamão e outros produtos nordestinos. Mas isso mudou: agora, graças à infeliz intervenção do Governo no que sempre foi um livre mercado, o frete Sul-Nordeste manteve-se nos R$ 17 mil; porém, com o tabelamento da ANTT, o frete de retorno subiu para R$ 11,5 mil. No caso do melão, isso significará um aumento de 20% no preço final da fruta, algo difícil de repassar ao consumidor, como explica – falando de Genebra, onde está hoje, o presidente da Abrafruta, Luiz Roberto Barcelos. É o que dá quando o Governo e sua incompetência entram onde não devem entrar.

Pouca água

Luiz Girão, um dos três maiores pecuaristas do Ceará, preocupa-se com a baixa oferta de água para a agricultura irrigada. “Na Chapada do Apodi, ela já é muito pouca”, adverte ele.

Previdência

CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB, Conlutas e Intersindical – que são as centrais sindicais do País – avisaram ontem por comunicado oficial: estão contra qualquer reforma que fragilize ou desmonte a Previdência Social Pública. Será difícil mudar o Brasil.

Produtividade

Marca pioneira na área de benefícios de alimentação da Edenred Brasil, a Ticket está a apoiar o debate sobre o Ceará 2050 no que tange as ações de produtividade das empresas. Amanhã no Gran Marquise, das 8 às 10 horas. Público: gerentes de RH.

Eleição: morrendo na praia

Se uma hecatombe não acontecer, o governador Camilo Santana ganhará novo mandato na eleição de daqui a três dias. Assim, as atenções dos cearenses voltam-se para a disputa presidencial, que ganha mais emoção à medida em que as pesquisas, que são agora diárias, revelam o que parecia incrível – a consolidação da liderança do candidato da direita, Bolsonaro, e a estagnação de Haddad, o da esquerda. Embora reduzida, há a chance de tudo acabar no primeiro turno. Com Ciro, a centro-esquerda morre na praia; com Meireles e Alckmin, o centro fina-se.

Beleza

Revela o Serasa Experian: de janeiro a junho deste ano, nasceram no Brasil 10,5% de novas empresas a mais do que no mesmo período de 2017. Detalhe: os serviços de alimentação lideraram essa natalidade; em segundo lugar, ficaram os serviços de Higiene e Embelezamento Pessoal – os salões de beleza.

Bom

Micro e pequena

Amanhã, sexta-feira, 5, será o Dia da Micro e Pequena Empresa – cujo estatuto foi aprovado nesta data, em 1999. Hoje, no Brasil, 98% de suas empresas são micro e pequenas, diz o Sebrae.

Ruim

Fraturas

R$ 51 milhões gasta o SUS só com o tratamento de fraturas que as quedas ocasionam. De hoje até sábado, traumatologistas do Ceará reúnem-se no Seara Hotel para debater sobre o assunto.

Livre Mercado

Iniciado ontem, termina hoje em Genebra (Suíça) o Fórum Público da Organização Mundial do Comércio (OMC), cujo tema é “Comércio 2030”. Os subtemas do evento são o comércio sustentável, o comércio habilitado pela tecnologia e um sistema comercial mais inclusivo. O presidente da Associação Brasileira de Produtores Exportadores de Frutas, Luiz Roberto Barcelos, da Agrícola Famosa e o ex-ministro Roberto Rodrigues, falaram lá, ontem, sobre a inovação no comércio de frutas.

Fonte: Diário do Nordeste

Abertas inscrições para curso sobre Cultivo Protegido de Hortaliças

Resultado de imagem para cultivo protegido de hortaliças

Estão abertas as inscrições para o IV Curso sobre Cultivo Protegido de Hortaliças, que será realizado em 30 e 31 de outubro, na Embrapa Hortaliças (Brasília – DF). Produtores, extensionistas, técnicos, pesquisadores, professores e estudantes da área de Ciências Agrárias podem se inscrever gratuitamente pelo site https://www.embrapa.br/hortalicas/curso-cultivo-protegido. Nos dois dias, os participantes vão receber informações necessárias para o cultivo de hortaliças no ambiente protegido e orientações técnicas sobre os diferentes tipos de estruturas, como telado e estufa. Serão efetivadas as 40 primeiras inscrições que estiverem de acordo com o perfil  estipulado pela coordenação do evento.

O coordenador do curso, o agrônomo da área de transferência de tecnologia Francisco Herbeth, disse que é crescente a demanda por tecnologias que garantam qualidade e produtividade das culturas. “No ambiente protegido, os produtores conseguem atingir essas características porque nesse sistema é possível manejar as condições climáticas adversas, adequando a temperatura e realizando um bom manejo da irrigação”, explica Herbeth, acrescentando outras vantagens como a produção durante todo o ano, mesmo em regiões com condições ambientais desfavoráveis.

No Distrito Federal, o cultivo protegido é utilizado com mais frequência na produção de pimentão, tomate e morango. O investimento para iniciar o plantio nesse sistema ainda é considerado alto e por isso os produtores optam por culturas que atinjam determinado nicho de mercado

Confira a programação:

30 de outubro
8h            Recepção e entrega de material
8h15        Cultivo protegido – Ítalo Guedes (Embrapa)
10h          Intervalo
10h15      Aspectos práticos para construção de estruturas de cultivo protegido para as condições do Distrito Federal – Antonio Dantas Costa Júnior (Emater-DF)
12h         Almoço
13h15     Avalição de fertilidade – Juscimar Silva (Embrapa)
14h45     Intervalo
15h         Manejo de adubação em hortaliças (Embrapa Hortaliças)

31 de outubro
8h15        Manejo de nematóides em cultivo protegido – Jadir Borges (Embrapa Hortaliças)
10h         Intervalo
10h15     Irrigação e fertirrigação em cultivo protegido – Marcos Braga (Embrapa Hortaliças)
12h         Almoço
13h15     Controle integrado de doenças em cultivo protegido – Carlos Alberto Lopes (Embrapa Hortaliças)
14h45     Intervalo
15h         Manejo de viroses transmitidas por mosca-branca e tripes – Miguel Michereff

Informações  podem ser obtidas pelo telefone (61) 3385-9114 ou pelo e-mail: hortalicas.eventos@embrapa.br

Estudo revela novo perfil da agricultura no nordeste paulista

lavouras

Nos últimos 30 anos, pastagens, grãos e citros deixaram de ocupar cerca de 1,5 milhão de hectares nas bacias dos rios Mogi-Guaçu e Pardo, no nordeste do estado de São Paulo. A cana-de-açúcar foi a lavoura que ocupou a maior parte desse espaço, já que ganhou cerca de 1,3 milhão de hectares. Mas outras culturas também conquistaram terreno na região: é o caso das florestas de eucalipto, de seringueiras e lavouras de cafés de alta qualidade. Cresceram, ainda, as áreas de florestas nativas, que hoje ocupam 20% do território – atrás apenas da cana.

O novo retrato da agricultura no nordeste paulista e os fatores que motivaram as mudanças estão em um estudo recentemente concluído pela Embrapa Territorial, que comparou imagens de satélite de 125 municípios, em uma área de 52 mil km², de 1988 até 2016. Os pesquisadores também foram a campo para conferir informações e levantar dados socioeconômicos que explicassem as mudanças e revelassem mais do que as imagens.

As áreas com culturas anuais – milho e soja, principalmente – regrediram e caíram de 936 mil para 352 mil hectares. A porção norte da área de estudo tinha mais da metade das terras ocupadas por esse tipo de lavoura no fim dos anos 1980. Atualmente, a parcela destinada a elas chega, no máximo, a 20% em alguns municípios. As culturas anuais ficaram concentradas em dois polos de agricultura irrigada, no entorno dos municípios de Casa Branca e Guaíra.

Busca por maior rentabilidade

Alternativas mais rentáveis do que os cultivos de sequeiro ganham espaço nessas condições, a exemplo da batata e da produção de sementes de soja e milho. Chama a atenção também o investimento em milho verde, para consumo humano, em vez do milho seco para o competitivo mercado de rações. “Com a irrigação, os agricultores antecipam a colheita com o milho verde e plantam, logo em seguida, feijão e, depois, batata, por exemplo. Fazendo isso, conseguem uma renda maior do que com a cana”, constata o pesquisador Carlos Cesar Ronquim, da Embrapa Territorial, que coordenou o estudo.

Não se tratou, contudo, de uma mudança promovida pelos agricultores para fazer frente ao avanço da cana. Os sítios e fazendas naquelas áreas já haviam investido na irrigação e mercados com maior valor de venda e, por isso, não tiveram interesse em ocupar áreas com cana-de-açúcar. “Esse agricultor utiliza tecnologia e está obtendo resultados porque consegue tirar três safras no ano”, esclarece o pesquisador.

As culturas anuais, especialmente a soja e o amendoim, também ganham espaço durante a renovação dos canaviais. A cada cinco anos, a cana precisa ser replantada e, no intervalo entre um plantio e outro, muitos proprietários ou usinas disponibilizam terreno para o cultivo de leguminosas. É uma área considerável, já que a cana-de-açúcar ocupa 2,2 milhões de hectares no nordeste paulista.

Para a soja, a produção é pouco significativa no contexto brasileiro, comparando-se às grandes lavouras do Centro-Oeste e de outras regiões. No caso do amendoim, porém, essa prática coloca o estado de São Paulo, de modo especial a cidade de Jaboticabal, no topo da produção nacional.

Pastagens encolheram e vegetação nativa aumentou

A área dedicada à pecuária foi, de longe, a que mais perdeu espaço no nordeste paulista. Há 30 anos, as pastagens estavam em primeiro lugar na ocupação de terras na região, cobrindo 27% da área rural. Em 2015, com 13% do espaço, aparecem atrás não só da cana-de-açúcar, mas também das reservas de vegetação nativa.

No caso da pecuária de leite, a oportunidade de rendimentos com o arrendamento para a cana-de-açúcar chegou no momento em que os produtores e cooperativas paulistas encontravam dificuldade para concorrer com outras regiões do País. Até a introdução da tecnologia do leite longa vida, na década de 1990, eles não sofriam concorrência com outros estados, já que o prazo de validade do produto era muito curto. Com o “leite de caixinha”, a situação mudou, segundo explica o cientista da Embrapa.

A maior parte dos pecuaristas que conseguiram se manter no setor leiteiro são pequenos. Isso porque o tamanho reduzido das propriedades dificulta a logística das usinas, que não se interessam por arrendá-las. Além disso, costumam dispor de mão de obra familiar e evitam os custos da contratação de funcionários. A adoção de sistemas específicos para suas condições, como o do projeto Balde Cheio, da Embrapa, também contribuiu para que muitos se mantivessem na atividade. Poucos produtores de médio e grande porte optaram por permanecer no segmento. Os que o fizeram investiram fortemente em tecnologias de otimização, escala e controle da produção, observa Ronquim.

Criadores de gado para abate também deixaram áreas no nordeste de São Paulo e migraram para regiões de fronteira com terras mais baratas. Quem permanece normalmente investe na intensificação da produção, com práticas de confinamento e semiconfinamento.

Novo panorama dos citros

A queda na área de citros ultrapassou os 180 mil hectares, mas, ainda assim, foi significativamente menor do que a dos grãos (584 mil ha) e a de pastagens (700 mil ha). Os baixos rendimentos, a necessidade da colheita manual e as dificuldades de combate às doenças que acometem os pomares, especialmente o greening, são os principais fatores que levaram muitos agricultores a desistirem da citricultura. Cidades, antes grandes produtoras, como Bebedouro e Itápolis, hoje têm a maior parte do território ocupada pela cana-de-açúcar.

Ainda assim, a produção total das frutas na região manteve-se estável, graças aos ganhos de produtividade. O maior rendimento dos pomares pode ser creditado à adoção de técnicas de manejo, principalmente por meio do adensamento nos novos plantios. Em 1980, havia, em média, 360 pés de laranja por hectare; atualmente, a densidade passou para 668 plantas, segundo dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). De modo geral, há uma concentração da produção em grandes propriedades.

Alguns municípios foram na contramão da tendência de queda de área e ampliaram os pomares de citros, de olho no mercado de frutas in natura dos grandes centros urbanos de que estão próximos. É o caso de Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Casa Branca e Conchal.

Hegemonia da cana

A expansão mais significativa é a da cana-de-açúcar, que cobre 44% das terras no nordeste paulista. Na região, o setor foi responsável por metade de todo o valor de produção agropecuária, que atingiu R$ 9,5 bilhões em 2016. A participação é maior do que a média estadual, que é de 35%. Apenas cinco dos 125 municípios estudados não possuem canaviais: Águas de Lindoia, Lindoia, Águas da Prata, Santo Antônio do Jardim e Divinolândia. Nos outros 120, o volume de terras cultivado com cana aumentou. A exceção é Ribeirão Preto, onde a atividade cedeu espaço para a expansão urbana.

Em números absolutos, as áreas de vegetação nativa são as que mais cresceram, depois da cana. Elas já ocupavam 870 mil hectares e, agora, chegam perto de um milhão de hectares. O pesquisador da Embrapa aponta que esse aumento não se deu por plantio, mas por regeneração espontânea e, timidamente, pela melhor conservação das áreas de preservação permanente.

Para os próximos anos, a expectativa é de mais crescimento, tendo em vista o novo Código Florestal e a proibição da colheita manual da cana, o que, na prática, inviabiliza a produção em áreas com declividade acima de 12%. O monitoramento por satélite revela 150 mil hectares de canaviais nessa condição, o equivalente a 7,1% da área das bacias analisadas.

As florestas plantadas também aumentaram: 17 mil novos hectares para o eucalipto e perto de 12 mil para as seringueiras. Essas últimas tiveram o crescimento relativo mais expressivo, já que, em 1988, ocupavam menos de 200 hectares. Mesmo com esse salto, a heveicultura segue pouco expressiva na região. O eucalipto chegou a 157 mil hectares, mas também tem pouca participação do valor de produção agropecuária, ficando à frente apenas da pecuária leiteira.

Potencial para avanço de cafés especiais

O que surpreendeu os pesquisadores foi a expansão do café: a área quase dobrou, passando de 67 mil para 123 mil hectares. O fenômeno se deu na região da Mogiana, próxima a Minas Gerais, com destaque para Pedregulho, Caconde, Franca e Cristais Paulista. Nos 26 principais municípios produtores de café, localizados no leste da região de estudo, foi observada uma área de café de 114.367 ha, o que representa cerca de 90% de toda a produção cafeeira da região de estudo e mais de 50% da produção de café no estado de São Paulo. Em visita ao local, a equipe constatou que o investimento se deu na produção de cafés especiais, que são favorecidos pelo relevo e clima da região. Cerca de 90% desses cafezais estão em terrenos com altitude superior a 800 metros. “O café de qualidade produzido tem maior valor no mercado. Com a margem de lucro ampliada, os produtores conseguem permanecer na atividade e até expandir as plantações”, analisa Ronquim.

O estudo da Embrapa Territorial mostra que a região tem potencial para novos avanços de cafezais, já que há muitas pastagens em altitude elevada, em terrenos com declividade inferior a 20%. O cenário econômico também é favorável: o consumo de café cresce internacionalmente, sendo o Brasil o segundo maior mercado do mundo.

A Embrapa encaminhou os mapas comparativos da ocupação das áreas rurais para as casas da agricultura dos 125 municípios do estudo. Para Ronquim, acompanhar e compreender a dinâmica da agricultura pode ajudar o planejamento dos governos locais e das cooperativas.

Fonte: Grupo Cultivar

Irrigação pública cria oportunidades de negócio em Itabaiana

Resultado de imagem para irrigação

Givanilson Andrade Menezes, mais conhecido por Zezelo, é um agricultor de Itabaiana (SE) que herdou somente um pedaço de terra do pai e que, de 6 anos para cá, sua visão empreendedora o transformou em um empresário. Seus negócios prosperam quando ele identificou que poderia atender à demanda de outros produtores por mudas de hortaliças prontas para plantar. Hoje ele comercializa uma linha completa de insumos agrícolas e tem cerca de 200 clientes fiéis que, como ele, cultiva as plantações em lotes do Perímetro Irrigado da Ribeira, recebendo água de irrigação e assistência técnica da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro).

Os produtores do perímetro atendem diariamente, com envio de comboios de caminhões carregados de vegetais folhosos, os mercados das capitais sergipana e baiana. E Zezelo também quis investir nas hortaliças logo de início. Foi quando ele notou que nessas plantações, de ciclos bem curtos, a reposição das plantas era constante e que o replantio direto nos canteiros dava muita perda de qualidade no produto. “A gente começou plantando alface e exigia muitas mudas, e estava dando muitos problemas plantando as sementes no chão. Aí resolvi botar uma (estufa) para mim, depois ficou a procura crescendo e conforme a demanda, a gente vai esticando…”, conta o produtor.

Em pouco tempo os vizinhos viram o seu sucesso com os viveiros e passaram a encomendar suas mudas. A procura cresceu e conforme a demanda de pedidos, ele foi expandindo o negócio, que sazonalmente tem períodos de maior ou menor produção. “A gente vai pelo tempo, agora está mais pouco, dá umas duas mil bandejas por mês, mas tem época que aumenta. (Aumenta) de agora para frente, vamos pegar o pico de verão, para tentar dobrar os pedidos”, relata o agricultor. Hoje, Zezelo tem seis estufas, totalizando 2.340 m² de área protegida, onde as plantinhas germinam em bandejas de plástico ou isopor para evitar contato com o solo, recebem irrigação constante e têm, com o telado, proteção ao sol, insetos e outros animais.

Presidente da Cohidro, Carlos Fernandes de Melo Neto, em visita aos viveiros de Zezelo constatou a dedicação com que o produtor irrigante tem para com as mudas que comercializa. “É tudo muito bem cuidado pelo Givanilson e os seus dois funcionários. Espantosa é a variedade de plantas que ele tem, desde hortaliças, legumes até as espécies frutíferas. Com esse negócio, ele facilita muito a vida de outros irrigantes que querem fazer o cultivo de hortaliças, mas não tem como investir em uma estufa própria. É uma infraestrutura que relativamente não é barata e exige um conhecimento superior ao de plantar diretamente no lote. Uma parceria que, pelo visto, deu muito certo e todos lucram”, analisa. O gestor informa que é estimado em torno de 5.500 pessoas beneficiadas diretamente pela irrigação pública fornecida pela empresa em Itabaiana.

A grande diversidade de mudas nos viveiros de Givanilson não é aquilo que ele planta e oferece, mas sim parte dos pedidos feitos pelos clientes. Se a encomenda é de plantas com semente disponível no mercado, ele produz e vende. Isso quando não é semente híbrida de segunda geração (F2), colhida pelo agricultor, o que aumenta o leque de espécies e de variedades produzidas nessas estufas. “O nosso carro chefe aqui é a alface, aí entra a couve, cheiro verde, pimentão, tomate e enfim, o que o pessoal pedir a gente faz. A gente pede 30 dias para entregar a muda com qualidade excelente para o campo, tudo semente selecionadas com qualidade. Às vezes o cliente trás semente F2, mas é uma questão do cliente”, argumenta ele, que vende as bandejas com mudas a partir de R$ 8.

Augusto Cesar Rocha Barros, gerente da Ribeira, observa que são vários negócios e postos de trabalho abertos e também supridos pela própria comunidade inserida no perímetro. “Além do Zezelo, que planta em seu lote e produz mudas, existem outros irrigantes que (a partir desta produção garantida pela irrigação da Cohidro) investiram capital para eles mesmos escoarem a própria produção e a dos vizinhos parceiros. Diariamente partem ao menos cinco caminhões para Salvador (BA), para abastecer principalmente o Mercado das Sete Portas e muitas outras ‘mercedinhas’ vão fazer entregas nas feiras de todo estado de Sergipe e mercados públicos de Aracaju (SE)”, informa. Ele acrescenta que hoje são 15 povoados nas adjacências do perímetro, implantado há 31 anos, que prosperaram ou foram criados motivados pela pujança econômica e empregos gerados.

Irrigação pública

O produtor e empresário na produção de mudas, considera que mesmo que não dependesse da água oferecida através da rede de adutoras do perímetro da Ribeira, não haveria mercado para quem vender seu produto. “A água, ela é excelente e a Cohidro é quem dá o suporte. A gente pode até produzir, porque temos reservatório e o gasto aqui é pouco, mas a gente não teria a quem vender. (Se não fosse a Cohidro) não existia, a região não produziria. É tanto que, agora, a gente quer que melhore mais”, deseja Givanilson .

A fala de Zezelo, ao querer melhorias na condição da irrigação na Ribeira, é influenciada pelo panorama vivenciado nos lotes do perímetro irrigado nesse momento, onde obras licitadas através do Programa ‘Águas de Sergipe’, estão modernizando as estrutura de irrigação das lavouras de lá e do Jacarecica I, outro perímetro da Cohidro também instalado em Itabaiana. Segundo João Quintiliano da Fonseca Neto, diretor de Irrigação de Desenvolvimento Agrícola da companhia, essa troca de equipamentos vai trazer um maior equilíbrio hidráulico em todo o perímetro além de uma economia de 60% no uso de água e 50% da energia elétrica consumida pela irrigação, gerando mais sustentabilidade às reservas hídricas e viabilizando a sobrevivência econômica ao serviço público oferecido pelo Governo do Estado.

“A partir de um investimento de R$ 14,3 milhões, financiados pelo Banco Mundial, estamos trocando o sistema de irrigação de todas as lavouras. Eles estão recebendo tudo novo e sem custos: os novos microaspersores, tubulações, válvulas de regulagem de pressão e registros automatizados. Ou seja, um controlador computadorizado vai irrigar as parcelas do lote de maneira uniforme, mudando de uma área para outra quando forem supridas as necessidades da planta da parcela anterior”, esclarece João Fonseca. Ele complementa informando que um total de R$ 33 milhões serão investidos pelo PAS só nas áreas de atuação da Cohidro, melhorando a infraestrutura, oferecendo segurança e adequação ambiental às barragens que abastecem os dois perímetros.

Fonte: Boa Informação