Roças de pimenta-do-reino da região do Arapiuns serão contempladas com sistemas de irrigação

Projeto Alto Arapiuns foi selecionado por edital da Fundação Cargill juntamente com outras nove iniciativas de outras regiões do país (Foto: Agência Pará/Divulgação)

Pela segunda vez, o projeto Alto Arapiuns de Segurança Alimentar e Conservação Ambiental do Aeroclube de Voo e Vela CTA é selecionado pela Fundação Cargill, por meio de edital. O foco agora será a complementação dos sistemas de irrigação das plantações de pimenta-do-reino produzidas para a comercialização.

O projeto visa melhorar a geração adicional de renda dos integrantes das comunidades ribeirinhas em Santarém. Com o novo aporte, a expectativa é de que as perdas das roças de pimenta-do-reino passem de 50% a 15%. Para isso, serão instalados poços ou motobombas para irrigação de 15 roças e acompanhamento mensal de 18 roças pelo agrônomo ou técnico agrícola, além de ações para a melhora da nutrição da comunidade e conservação da floresta.

O Projeto Alto Arapiuns tem o objetivo de melhorar a geração adicional de renda dos integrantes das comunidades ribeirinhas na bacia de afluentes do rio Arapiuns. Além dele, outras nove iniciativas foram selecionadas pelo Edital 2018 da Fundação Cargill. Juntas, elas beneficiarão 2.288 pessoas.

Para a seleção foram consideradas questões como o planejamento e gestão, o impacto e a relevância do projeto, seu poder de transformação, seu potencial de inovação e sustentabilidade, além de alinhamento entre o propósito e a missão da fundação. O edital 2018 recebeu inscrições de 168 projetos de 141 instituições presentes em 14 estados brasileiros.

Fonte: G1

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La Niña pode afetar produção de grãos no estado durante o verão

Lajeado – A previsão de um verão com presença moderada do fenômeno meteorológico La Niña faz com que produtores rurais tenham ainda mais cuidado com as suas culturas. É que o La Niña influencia na redução de chuvas para o período. Por conta desta previsão, o Conselho Permanente de Meteorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs) divulgou algumas recomendações técnicas para proteger as lavouras gaúchas nos meses de janeiro, fevereiro e março.

Para o gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar em Lajeado, Carlos Lagemann, esta perspectiva de chuvas abaixo da média gera alguma preocupação. “Na região do Vale do Taquari temos, principalmente, culturas de milho e soja, que podem ter seus potenciais de produção prejudicados com a redução das chuvas”, explica. Segundo ele, além da previsão de chuvas abaixo da média, os meses de janeiro e março também devem ter temperaturas acima da média. “Com os dias mais longos neste período, é uma tendência de evaporação maior e as culturas podem sentir”, descreve.

A preocupação com uma possível queda na produção vai além das lavouras. “Aqui no Rio Grande do Sul, quando há uma redução na produção, toda a cadeia econômica acaba sentindo. Por isso torcemos que as previsões estejam erradas e não tenhamos problemas”, comenta Carlos.

Chuvas regulares
Conforme o gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar, é importante que se tenha precipitações em quantidade suficiente. “Mas ainda mais importante é que sejam chuvas regulares”, adverte. Ele explica que, no caso da cultura do milho, as lavouras cultivadas no cedo, a perda, se houver, será pequena. “Já há cerca de 30 dias começou a colheita para silagem, por exemplo. Quem já está colhendo se tiver perda será muito pequena”, frisa. Era o que fazia o agricultor Astor Dessoy (47), na tarde desta sexta-feira, em uma propriedade na região do Bairro Floresta. Atarefado, ele nem conseguiu parar conversar com a reportagem. “Hoje não tenho tempo. Preciso moer todo esse milho”, disse do alto do trator, apontando para a lavoura.

Plantio tardio
As alterações climáticas podem afetar os produtores que fizeram o plantio tardio. “Talvez o produtor que tenha efeito o plantio no segundo período, tenha alguma quebra na colheita. Mas acredito que se as chuvas forem regulares, mesmo que abaixo da média, o impacto não será tão grande”, diz Carlos Lagemann. Segundo ele, os períodos críticos para o milho ocorrem durante a floração e é preciso de chuvas regulares durante a época de enchimento de grãos. Para a soja, depois da floração, durante o enchimento dos grãos, é a fase mais delicada. No Rio Grande do Sul, apenas a soja do cedo, que já está em fase mais adiantada, já chegou neste período e representa 1% do total plantado no estado.

Umidade do solo favorece lavouras de milho
Nesta quinta-feira, a Emater/RS-Ascar divulgou o Informativo Conjuntural. De acordo com o documento, as lavouras de milho no estado foram beneficiadas com o retorno da umidade no solo no último período. Com isso, acabaram recuperando em muitas áreas seu potencial produtivo. A fase de desenvolvimento vegetativo está em 21%. Parte da cultura implantada no cedo já está sendo colhida, atingindo 7% da área estimada. O restante da cultura, cerca de 60%, avança para a maturação final, atingindo 12%. As áreas semeadas no final de setembro, o potencial produtivo poderá ter pequena redução, já sentindo reflexos da atuação do La Niña.

Soja em desenvolvimento
Ainda segundo o Informativo Conjuntural, as lavouras de sojas estão na fase de desenvolvimento vegetativo em 84% da área cultivada. Outros 155 já atingiram a floração e 1%, nas áreas mais adiantadas, a cultura já está em enchimento de grãos. Não há ocorrências de fungos no solo e os agricultores estão aplicando fungicidas e inseticidas químicos. Em algumas áreas se percebe lavouras com dificuldade no controle de invasoras, pois no momento correto de aplicação de herbicidas não havia condições meteorológicas adequadas.

Arroz requer cuidados
A fase de implantação das lavouras de arroz no Rio Grande do Sul está encerrada. O momento é, predominantemente, de desenvolvimento vegetativo. As áreas com semeadura de sementes pré-germinadas já receberam adubação nitrogenada e irrigação. Nesta safra, os produtores devem estar mais atentos para o manejo da irrigação. É que com a indicação do fenômeno La Niña, mesmo que moderado, será necessário movimentar o mínimo possível a água nos quadros e manter uma lâmina mais baixa para poupar água.

Feijão evoluindo
A lavoura de feijão 1ª safra, em geral, está evoluindo rapidamente para as fases de maturação e colheita. O potencial produtivo é considerado de regular a bom, apresentando boa qualidade dos grãos. No decorrer dos anos, o perfil dos produtores de feijão de primeira safra vem se modificando. Cultivado em pequenas áreas pela agricultura familiar, percebe-se que o plantio desta cultura atualmente aumenta em áreas mecanizadas e entre produtores empresariais.

Diversos
O documento da Emater/RS-Ascar indica que houve boa recuperação das olerícolas em geral, principalmente as cultivadas a campo sem sistemas de irrigação. Culturas com áreas maiores, como melancia, morangas, aipim e milho verde, também recuperam o crescimento e o desenvolvimento após o período de déficit hídrico de dezembro.

A cultura da cebola encontra-se no estágio de colheita e comercialização na região Sul.

Na Serra, mais um período tranquilo e favorável para o desenvolvimento, maturação e manutenção da sanidade das plantas e das frutas. As condições climáticas com precipitações espaçadas, presença de vento, dias com bastante insolação e temperaturas médias para a época configuraram o panorama propício para a viticultura.

As condições de produção da pecuária de corte estão satisfatórias para a época, com boa condição corporal e ótimo desenvolvimento dos terneiros desta temporada. O clima tem ajudado a produção de forragem das pastagens naturais.

Atualmente, o rebanho leiteiro é manejado em pastoreio de espécies perenes (tífton 85, jiggs, capim elefante e braquiárias melhoradas), as quais apresentam menor custo de produção ao agricultor, além de serem forrageiras de excelente qualidade nutricional. Em complemento à grande necessidade de alimentação, os produtores fazem uso também de pastagens anuais, como capim sudão, sorgo e milheto. Neste período intensificam-se os trabalhos de realização de silagem, insumo de grande importância na atividade, pois garante complementação na dieta do rebanho ao longo do ano, sendo também aliado do produtor em momentos de retração ou falta de forragem.

Fonte: O Informativo

Umidade no solo recupera potencial produtivo das lavouras de milho

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As lavouras de milho foram beneficiadas com o retorno da umidade do solo, recuperando o potencial produtivo. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (4), a fase de desenvolvimento vegetativo apresenta-se em 21% das áreas. Parte da cultura implantada no cedo está em colheita, atingindo 7% do território estimado. O restante da cultura, cerca de 60%, avança rapidamente para a maturação final, atingindo 12%. Já nas áreas semeadas no final de setembro, o potencial produtivo pode ter pequena redução.

A soja encontra-se na fase de desenvolvimento vegetativo (84% da superfície cultivada); sendo que 15% atingiu a floração e, em áreas muito adiantadas (soja do cedo), a cultura já está em enchimento de grãos (1%), beneficiadas pelas precipitações dos últimos dias. Os agricultores aplicam fungicidas e inseticidas químicos. Até agora, não há ocorrência de fungos no solo. Observam-se algumas lavouras com dificuldade no controle de invasoras, pois, no momento correto para aplicação de herbicidas, não havia condições meteorológicas adequadas para a atividade.

Está encerrada a fase de implantação das lavouras de arroz e o momento predominante é o de desenvolvimento vegetativo. Em algumas localidades, as noites mais frias têm segurado o desenvolvimento vegetativo normal do cultivo. As áreas com semeadura pré-germinada já receberam adubação nitrogenada e irrigação. Nesta safra, os orizicultores devem estar mais atentos para o manejo da irrigação, pois, com a indicação do fenômeno La Niña neste verão, mesmo que moderado, é necessário movimentar o mínimo possível a água nos quadros e manter uma lâmina mais baixa.

A lavoura de feijão primeira safra, em geral, evolui rapidamente para as fases de maturação e colheita, com potencial produtivo de regular a bom, apresentando boa qualidade dos grãos. No decorrer dos anos, o perfil dos produtores de feijão de primeira safra vem se modificando. Cultivado em pequenas áreas pela agricultura familiar, nota-se que o plantio aumenta em territórios mecanizados e entre produtores empresariais.

Diversos

Nas regiões do Vale do Rio Pardo e Alto da Serra do Botucaraí, a semana teve predomínio de temperaturas elevadas, chuvas calmas e boa radiação solar. Com este quadro climático, houve boa recuperação das olerícolas em geral, principalmente as cultivadas a campo sem sistemas de irrigação. Culturas com áreas maiores, como melancia, morangas, aipim e milho verde, também recuperam o crescimento e o desenvolvimento após o período de déficit hídrico de dezembro.

A cultura da cebola encontra-se no estágio de colheita e comercialização na Região Sul. São José do Norte, Tavares e Rio Grande encaminham-se para o final da colheita, com 96% colhido até o momento, com boa produtividade. Em Tavares, 75% da safra está colhida e, em São José do Norte e Rio Grande, o percentual é de 60%.

Na Serra, mais um período favorável para o desenvolvimento, maturação e manutenção da sanidade das plantas e das frutas. As condições climáticas com precipitações espaçadas, presença de vento, dias com bastante insolação e temperaturas médias para a época configuraram o panorama propício para a viticultura.

As condições de produção da pecuária de corte são satisfatórias, com boa condição corporal e ótimo desenvolvimento dos terneiros. O clima tem ajudado a produção de forragem das pastagens naturais. Na região de Bagé, o período de reprodução continua; os touros estão trabalhando e os protocolos de inseminação estão sendo desenvolvidos.

Atualmente, o rebanho leiteiro é manejado em pastoreio de espécies perenes (tífton 85, jiggs, capim elefante e braquiárias melhoradas), as quais apresentam menor custo de produção ao agricultor, além de serem forrageiras de excelente qualidade nutricional. Em complemento à necessidade de alimentação, os produtores fazem uso de pastagens anuais, como capim sudão, sorgo e milheto. Nesse período, intensificam-se os trabalhos de realização de silagem, insumo de grande importância na atividade, pois garante complementação na dieta do rebanho ao longo do ano, sendo aliado do produtor em momentos de retração ou falta de forragem.

Texto: Taline Schneider/Ascom Emater RS-AscarEdição: Sílvia Lago/Secom

O negócio das águas do rio São Francisco

Para tratarmos das questões ambientais e do rio São Francisco, primeiro é importante destacar que os problemas não estão dissociados das questões centrais do modelo de desenvolvimento da sociedade capitalista e da atual conjuntura do país, que vem exigindo da classe trabalhadora lutas diárias para: defender a vida, evitar maiores retrocessos nos direitos sociais, defender os territórios e os recursos naturais que são patrimônios dos povos, das gerações presentes e futuras.

O perverso sistema que se nutre da exploração dos trabalhadores e da natureza, no campo, se traduz em agronegócio, articulando latifúndios, bancos, empresas multinacionais. Este tem se fortalecido no mundo inteiro. No Brasil, os golpistas ascenderam ao poder em 2016 exatamente para acelerar esse projeto de morte, por isso promovem às reformas antipopulares, a estrangeirização das terras, a entrega do petróleo, minérios, privatização dos rios e das empresas de energia como Eletrobrás e Chesf. Essas medidas ameaçam a soberania nacional e nos empurram sistematicamente para o cenário da miséria, da exclusão completa. Nesse ritmo, nos perguntamos: quanto tempo levarão para destruir o país?

Em toda região semiárida é crescente na população a preocupação com a questão da água que se liga efetivamente ao São Francisco, que teve recentemente sua vasão reduzida a 550 metros cúbicos de água por segundo para evitar que os reservatórios cheguem ao volume morto. O cenário gera sentimento de medo em muitos ribeirinhos que temem o desaparecimento de um dos rios mais importante do país.

Porém, é preciso compreender os problemas que provocam a redução da vasão ao longo da história: barragens hidrelétricas expulsam comunidades e impedem o ciclo natural do rio com todo sistema de vidas; processo acelerado de desmatamento e assoreamento; grandes projetos de irrigação do agronegócio; alto índice de poluição das águas por esgotos urbanos, industriais e agrotóxicos; a pobreza e o abandono da população.

Agora nos perguntamos: por que chegamos à complexa situação? Falsos discursos afirmam que os problemas do Rio foram causados pelo próprio povo. Mas é preciso trazer à superfície as questões centrais, refletir os impactos causados pela construção das barragens e o papel das empresas do agronegócio que avançam sobre os territórios, ameaçam, oprimem, expulsam o povo pescador, indígena, quilombola, camponês e se apropriam das terras e das águas. Mais de 79% das águas do São Francisco são usadas para irrigação. Efetivamente pelos grandes projetos do agronegócio para produzir fruticultura, cana de açúcar, etc.

A expansão do agronegócio ganha novas fronteiras e provoca conflitos sociais. A resposta do povo aos abusos daqueles que possui o poder econômico e político sempre foi à organização e a luta de resistência na disputa do território: da água, da terra, do minério, muitas vezes custando vidas. No semiárido há diversos conflitos que podem ser lembrados, a exemplo de Correntina na Bahia, causados por empresas que consomem toda água e promovem a produção agroindustrial para exportação com apoia no estado, à custa da miséria do povo.

O Papa Francisco recentemente escreveu uma Encíclica tratando da questão ambiental. O Papa aponta que é preciso cuidar do meio ambiente, da natureza como a casa comum, pois está ameaçada. Reconhece que a água é uma questão primordial para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. Assim em nenhum país do mundo um bem comum, um direito humano básico constitucional poderia ser negado.

Diante do complexo cenário precisamos afirmar que: os recursos naturais precisam estar sob o controle do povo nos seus territórios; a água é um bem comum, um direito para o consumo humano, dessedentação animal, produção de alimentos e manutenção da vida e do equilíbrio ecológico pelos camponeses; precisamos de um verdadeiro e amplo programa de revitalização e preservação dos biomas e rios brasileiros; necessitamos de uma nova geração de políticas públicas com princípios ecológicos e de convivência com semiárido; o estado brasileiro precisa se responsabilizar e realizar apuração de denúncias dos crimes cometidos contra o povo em luta; é preciso lutar pela anulação de todas as medidas do governo ilegítimo.

O ano de 2018 será, sem dúvida, bastante decisivo para os rumos do país. A luta por direitos sociais, soberania nacional, pelo São Francisco, pela água que se constitui numa das principais lutas desse século, está colocada. Precisaremos construir o FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água e o Congresso do Povo com muitos trabalhadores do campo e da cidade. Seguimos assim com a clareza de que muitas batalhas precisaremos vencer, acumulando força para assegurar uma vitória eleitoral da classe trabalhadora em 2018. É fato que os processos de mudança e de transformações na sociedade só poderão nascer da incansável luta da classe trabalhadora que se banha nas águas da esperança, da solidariedade, da ousadia e da resistência.

É tempo de ter terra, água, dignidade!
É tempo de formação, organização e luta!
É tempo de unidade, vitória e transformação!

(*) Rafaela Alves é do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)