Com mais chuvas, agronegócio prevê recuperar espaço no Ceará

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Com um período de chuvas acima da média e melhora do nível de alguns reservatórios, o setor agropecuário do Ceará deve recuperar o espaço perdido na economia nos últimos anos. Em 2014, o setor foi responsável por 5,20% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e em 2016 (dado mais recente fornecido pelo Ipece), essa participação caiu para 4,70%. Para alguns segmentos, porém, os impactos ainda são incertos, uma vez que dependem do aumento da carga dos açudes.

“Nós estamos sentindo um incremento significativo das chuvas nos últimos 30 dias, o que é muito estimulante para as atividades no semiárido. E a disponibilidade hídrica está melhorando, principalmente quando você considera os produtores que têm pequenas barragens”, diz Flávio Saboya, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).

De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), até o fim de fevereiro, as chuvas no Estado ficaram acima da média histórica. Mas, apesar do resultado, as maiores médias de chuva foram registradas no litoral de Fortaleza e litoral Norte, enquanto a região do Cariri, uma das principais produtoras do Estado, ficou abaixo da média.

Irrigação

Segundo Saboya, um dos gargalos para a agricultura irrigada é o nível do Açude Castanhão, que hoje está em torno de 5%. De acordo com a Política Nacional de Recursos Hídricos, que estabelece a outorga de direito de uso de recursos hídricos em situações de escassez, a prioridade é o consumo humano, o consumo animal, para só então destinar a outras atividades.

“A questão da outorga é um impasse que nós estamos analisando. Já tivemos diversas empresas produtoras de melão que deixaram o Ceará e foram obrigadas a diminuir em mais de mil o número de empregados por conta da suspensão da outorga”, diz Saboya. “Então, a nossa esperança é a transposição”.

Para Tom Prado, CEO da Itaueira Agropecuária, uma das maiores exportadoras de melão do País, enquanto o Castanhão não atingir cerca de 10% da capacidade, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) não deverá liberar a outorga para irrigação. “A gente torce que haja chuvas no Sul do Estado porque tanto o Rio Jaguaribe como os canais do Trabalhador e Integração, que recebem água do Castanhão, estão com pouco volume de água”, diz.

Além da dificuldade de acesso à água para irrigação, o cultivo de melão, mamão e melancias, localizado principalmente no litoral leste do Estado, não se dá bem com as chuvas. O setor é o quarto maior exportador do Estado (US$ 80,3 milhões em 2018). “Com as chuvas, a perspectiva para o ano é boa, mas ainda não dá para saber se vai haver crescimento em relação ao ano passado”, diz o CEO da Itaueira.

Prado acredita que a cajucultura, terceiro principal item da pauta de exportação cearense (US$ 94,1 milhões), terá uma boa recuperação neste ano. “É o setor responsável pelo maior volume de frutas do Estado e, além de ficar no litoral, não depende do processo de irrigação”.

Hortifruti

Já para o segmento de hortifruti, o excesso de chuvas em algumas regiões, como na Serra da Ibiapaba, acabou comprometendo a safra. “Com as chuvas, algumas frutas acabam apodrecendo, como foi o caso do maracujá, que ficou escasso e o preço subiu muito”, diz Odálio Girão, analista de mercado da Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa). “Entre as hortaliças, o tomate foi o grande vilão, com o quilo chegando a R$6. As chuvas também prejudicaram a produção de repolho, pimentão e alho”. Por outro lado, a produção de feijão, batata-doce e milho verde aumentou.

“Esse será um ano em que vamos ter os reservatórios subindo. Esperamos um segundo semestre muito bom para os produtos regionalizados, com uma colheita 10% superior à do primeiro”, diz Girão.

Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Fabiane de Paula

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