Ministra da Agricultura pretende apresentar ações para o Nordeste em junho

Ministra recebe pauta de solicitações do setor produtivo

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, recebeu uma pauta de solicitações do setor produtivo de Alagoas na última sexta-feira, 29, durante visita à Cooperativa Pindorama, no município de Coruripe. O documento foi entregue pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal), Álvaro Almeida, e inclui sugestões de medidas para reduzir o endividamento rural no Nordeste, promover a retomada do crescimento na produção da cana-de-açúcar, o desenvolvimento da pecuária e da agricultura familiar.

Por recomendação do presidente Jair Bolsonaro, a ministra tem percorrido o Nordeste para dialogar com o setor produtivo, conhecer boas práticas e discutir as necessidades da região. A intenção é apresentar propostas de ações a partir das demandas levantadas durante as visitas. “Espero retornar, no mês de junho, para anunciar ações concretas. O Ministério da Agricultura já dispõe de alguns programas, a exemplo da área fundiária, onde nós queremos dar títulos definitivos, pois temos crédito disponível e as pessoas não podem acessar, porque ainda não têm os seus papéis, suas escrituras, os seus registros. Então começaremos pela base e depois veremos quais dos nossos programas atenderão melhor aos produtores de cada estado. Mas é importante ressaltar que não temos fórmulas prontas. Estamos aqui para construir juntos”, afirmou Tereza Cristina.

Em Alagoas, uma das demandas consideradas prioritárias pelo setor produtivo é o apoio do Governo Federal para a conclusão das obras do Canal do Sertão, que estão cerca de 50% concluídas. “Sem dúvida, esta é a obra mais importante do semiárido alagoano, pois percorre uma região de geografia de catástrofe, tendo em vista que grande parte da sua população – predominantemente de agricultores familiares – está condicionada a um regime irregular de chuvas. Sua conclusão possibilitará o surgimento de um polo de fruticultura, nos moldes de Petrolina, em Pernambuco, o maior faturamento por hectare do País, com alto nível de geração de impostos, emprego e renda”, avalia o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.

Medidas também foram sugeridas para a retomada do crescimento na produção canavieira em Alagoas, o que inclui a inserção da cana-de-açúcar na Política de Garantia de Preços Mínimos, com preço fixado pelo Governo Federal, a partir de uma base regional e custos levantados, e a criação de um programa de recuperação da lavoura canavieira do estado, que, diante da crise no setor, teve nove unidades produtivas fechadas e caiu de segundo para sétimo maior produtor do país. Segundo o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Alexandre Andrade Lima, um passo importante para aumentar a produção da cana é a construção e manutenção de pequenas barragens na região.

“O grande pleito do Nordeste é a irrigação, inclusive na zona da mata, que também sofre em períodos de seca. Precisamos de pequenas barragens para que a água das chuvas seja contida e utilizada. A ministra já esteve na Paraíba e viu um bom exemplo, uma usina que utiliza um sistema de irrigação de gotejamento israelense e está produzindo 150 toneladas de cana por hectare, quase o dobro da produção do centro-sul”, exemplifica Alexandre Lima.

Mais demandas
Outra solicitação do setor produtivo de Alagoas é o apoio do Governo Federal ao Programa do Leite, em parceria com o Governo do Estado. “Trata-se de um programa de grande alcance social, uma vez que atende a cerca de 80 mil famílias, com leite produzido por aproximadamente 4 mil pequenos produtores, e contempla os 102 municípios alagoanos. Mas a sua perenidade depende da regularidade do repasse de recursos federais”, alerta o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.

No documento entregue à ministra Tereza Cristina há outras sugestões para o fortalecimento da cadeia produtiva do leite, além da solicitação do apoio do Governo Federal para garantir a implantação do Centro Nacional de Pesquisas de Alimentos e Territórios da Embrapa – que corre o risco de não sair do papel por falta de recursos –, o fortalecimento da infraestrutura da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Adeal) e da Superintendência do Ministério da Agricultura no Estado. “Estamos felizes pela vinda da ministra a Alagoas. Isso redobra a nossa confiança neste governo que assumiu o compromisso de trabalhar pelo desenvolvimento do agronegócio, maior gerador de emprego e renda do país”, ressalta Álvaro.

Fonte: THN1

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Agricultores reivindicam retorno do desconto na conta de luz

Contas de energia elétrica cerca de 8,5% mais caras. É quanto os produtores rurais que usam equipamentos de irrigação para manter as lavouras vão ter que pagar, ainda este ano, caso o decreto que pôs fim aos descontos na conta de luz não seja revogado.

O decreto que acabou com o subsídio nas tarifas de energia elétrica foi publicado em dezembro do ano passado pelo ex-presidente Michel Temer, e entrou em vigor na mesma data. Até então, o subsídio garantia aos agricultores um desconto de 10% a 30% nas tarifas de energia elétrica. O benefício era previsto em lei desde 2002.

“Se o desconto não voltar, nós não teremos como continuar produzindo com irrigação. A última conta de luz que chegou aqui atingiu quase R$ 2.600,00. E nós só ligamos a bomba do poço durante dois dias, para puxar água para o tanque. Assim vamos ter que esperar a chuva”, diz Genivaldo Alves, presidente do Conselho de Agricultores do Distrito Irrigado de Ribeira do Amparo, no Nordeste da Bahia. Na comunidade, a estrutura de irrigação é usada para manter as lavouras de melancia e abóbora cultivadas por 50 famílias.

O fim do benefício preocupa também os agricultores do projeto Formoso, no perímetro irrigado de Bom Jesus da Lapa, no Oeste do estado. Eles mantêm 11 mil hectares plantados na região e são os maiores produtores de banana do país. “Será inviável conduzir a atividade se os custos continuarem subindo. A nossa grande preocupação é com o número de empregos. Os 960 produtores rurais da nossa região geram cerca de 24 mil postos”, aponta o produtor rural Antônio Márcio.

O decreto prevê que os descontos na cobrança da tarifa sejam reduzidos em 20% ao ano, até chegar a zero em 2023. Em cinco anos, o custo com energia pode aumentar em até 43% para os pequenos produtores, a depender do horário de uso da energia.

Audiência

Nessa terça-feira (26/3), o impasse foi tema de uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa da Bahia. O evento reuniu produtores rurais de várias partes da Bahia, representantes de órgãos públicos do setor elétrico e hídrico, sociedade civil e parlamentares. Eles entendem que o decreto prejudica a economia baiana.

“Os custos de produção na agricultora são cada vez maiores. Os descontos são importantes para compensar estes custos. O poder público tem a missão de incentivar a produção, mas este decreto acabou onerando a produção agropecuária”, afirma Jucimara Rodrigues, assessora técnica da Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri).

Os agricultores defendem que o retorno do subsídio é essencial não apenas para a atividade agrícola, mas também para a segurança alimentar e para a manutenção do fornecimento de alimentos.

“A tecnologia foi feita para garantir e baratear a produção de alimentos, mas cerca de 51% dos gastos com irrigação são com a energia elétrica. Se continuar assim, a perda do desconto pode inviabilizar a produção de algumas culturas irrigadas”, aponta Hermes Bonfim Neto, engenheiro agrônomo, especialista em irrigação e drenagem.

Segundo ele, a conta é simples. “Até 2006, o agricultor precisava vender 15 sacos de milho para pagar a conta de energia elétrica, em um hectare irrigado. Ano passado, para pagar a fatura ele precisou vender 29 sacos. E caso o desconto não volte até 2023, serão necessários 34 sacos de milho para pagar a conta”, explica Hermes.

Os estudos apontam ainda que o custo da energia elétrica para os produtores rurais aumentou 108% entre 2006 e 2018. Só nos últimos quatro anos as tarifas foram reajustadas em 81%.

Especialistas no setor dizem que o decreto pode provocar um aumento também nos valores dos serviços básicos, como o fornecimento de água, já que o decreto tambem retirou o subsídio oferecido às empresas de água e esgoto.

“A Embasa vai ter que pagar a mais para bombear a água para os consumidores”, destaca Marcelo Nunes Abreu, Superintendente da Secretaria Estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento.

O impasse já preocupa até as empresas que fornecem energia elétrica.

“É um decreto federal e teremos que cumprir. Mas nos preocupa uma possível consequência no faturamento da energia elétrica, podem surgir dificuldades de pagamento e a elevação dos índices de inadimplência”, afirma Moacir Pina dos Santos, gerente de Regulação da Coelba.

Repasse para o consumidor

Até o fim do ano passado, o subsídio concedido para os agricultores somava um total R$ 3,4 bilhões por ano. O problema, segundo o governo federal, é que este valor era repassado para as contas de luz de todos os consumidores do país, que acabavam pagando a mais para compensar o benefício. A taxa está incluída na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que vem embutida na conta de luz.

A retirada do benefício para os agricultores significaria, segundo o governo, uma economia de 1% a 2% na conta do consumidor residencial. Segundo cálculos da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), o decreto em vigor eliminaria, pelo menos, R$ 859 milhões nas contas de luz já este ano.

Apesar de reconhecer que os subsídios ficaram muito elevados, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defende os descontos. A CNA considera o subsídio uma espécie de compensação pelos pela má qualidade do serviço prestado ao setor na zona rural. Entre outros motivos, a confederação alega que a energia fornecida no campo tem baixa qualidade, e que muitas vezes os próprios produtores rurais investem em estrutura para ter acesso ao serviço.

Segundo a CNA, a conta de luz representa até 30% dos custos de produção de alguns segmentos, como os de produção de leite e ovos, que precisam manter equipamentos ligados para garantir a produção.

“É comum ficar 24 horas sem energia, quedas frequentes e até mesmo falta disponibilidade de energia. Em alguns lugares o produtor custeia toda a rede e entrega para o concessionário e paga como se o ativo fosse da empresa. Não é justo recebermos um serviço com qualidade menor e pagar o mesmo preço”, diz Gustavo Goretti, assessor técnico da Comissão Nacional de Irrigação da CNA.

Os representantes dos agricultores na Bahia também defendem que as consequências podem se tornar ainda mais onerosas para o consumidor final.

“Quando os custos de produção aumentam no campo, isso se reflete no bolso do consumidor, porque os preços dos alimentos acabam ficando mais elevados nos supermercados. Isso pesa no orçamento daqueles mais carentes e que mais precisam. Mas não tem como o agricultor segurar sozinho este custo. A cesta básica vai ficar mais cara”, avalia Humberto Miranda, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia.

Frente parlamentar

Durante a audiência, os deputados estaduais baianos ligados a Comissão de Agricultura e Pecuária da Assembleia Legislativa, decidiram que irão a Brasília reivindicar a suspensão do decreto. Segundo eles, a medida afeta também unidades públicas de saneamento e irrigação, como os projetos mantidos pela Codevasf, Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco.

“A retirada do subsídio foi um grande erro, que provoca um dano irreversível, principalmente no semiárido baiano. Independentemente de bandeira partidária, este é um problema que atinge todos. Inclusive porque até os órgãos públicos que usam energia elétrica para fornecer água também vão pagar a mais para manter o sistema de bombeamento funcionando. Vamos levar as reivindicações para a Frente Parlamentar da Câmara dos Deputados”, destaca o deputado estadual Eduardo Salles, que convocou a audiência pública.

O decreto prevê a retirada gradual dos descontos levando em consideração classes e faixas de consumidores, de baixa e alta tensão. Mas ambos perderão os descontos sobre a tarifa básica.

“Nós estamos falando de um universo de produção agropecuária que impacta em todos os cenários. Este impacto vai além das áreas irrigadas, atinge mais de 500 estabelecimentos rurais eletrificados que temos no estado, assim como mais de 1.400 agroindústrias familiares da Bahia. Isso não pode acontecer exatamente agora que vínhamos num cenário de ascensão da produção agrícola”, afirma Jeandro Laytynher Ribeiro, chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia.

Na Bahia existem cerca de 40 mil produtores rurais que mantem plantações irrigadas no estado. Estima-se que eles geram cerca de 630 mil empregos.

Divisão em Brasília

Em Brasília, o decreto agrada alguns ministérios, como o da Economia, mas desagrada outros, como o da Agricultura. Um novo projeto de revogação do decreto e manutenção dos descontos já está tramitando na Câmara dos Deputados.

Fonte: Correio 24 horas

Projeto estuda irrigação de café clonal no Acre e Rondônia

Com objetivo de estudar os efeitos no manejo racional da água no cultivo de clones de café na Amazônia Sul Ocidental, foi aprovado, em março, o projeto “Manejo de irrigação por gotejamento para cultivo de clones café canéfora nos estados do Acre e Rondônia”. A proposta concorreu no último edital do Sistema de Gestão do Consórcio Pesquisa com Café (ConCafé). Com duração de quatro anos, as ações serão executadas pela equipe de pesquisadores e analistas da Embrapa Acre e da Embrapa Rondônia e com a parceria da Universidade Federal do Acre (Ufac).

A falta de chuvas entre os meses de maio a setembro, no Acre e em Rondônia, prejudica a produtividade e a qualidade do café canéfora. “A seca é um problema sério. Produz sem irrigar? Produz, mas pouco. Então temos como objetivo com esse projeto definir quando devemos fazer a irrigação e o quanto de água devemos usar para garantir uma boa safra com um café de qualidade e também economizar energia, água e outros recursos”, diz o pesquisador Celso Bergo.

Nos meses de novembro e dezembro de 2019 serão plantados clones do café canéfora nos campos experimentais da Embrapa Acre para serem irrigados e analisados. As irrigações ocorrerão de maneira alternada durante os meses dos anos de 2020 e 2021. O projeto pretende definir qual a melhor época de irrigação no cultivo de clones do café Canéfora e a quantidade de água necessária para evitar o estresse hídrico e aumentar a produtividade.

Café Canéfora no Acre

O Acre é o segundo maior produtor de café da região Norte com uma produção de 2.229 toneladas, Rondônia conta com produção de 84.734 toneladas, de acordo com os dados de 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Acre apresenta a maior produtividade do café Canéfora da região Norte com média de 26 sacas de café limpo por hectare.

A preferência pelo café Canéfora no Acre ocorre devido às características climáticas do estado favoráveis para seu desenvolvimento. “A cafeicultura tem potencial produtivo, é viável economicamente e possui expressiva capacidade de gerar empregos no campo” afirma Bergo.

Fonte: Grupo Cultivar

Água para produção de alimento

Lineu Neiva Rodrigues pesquidaor embrapa agencia brasil ebc

Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que, para atender ao crescimento populacional e às novas demandas por alimentos, a produção mundial de cereais terá que aumentar cerca de um bilhão de toneladas até o ano 2030. Esse aumento previsto dependerá prioritariamente da disponibilidade hídrica para suprir as demandas de irrigação, que será responsável por atender cerca de 80% dessa produção adicional que ocorrerá entre 2001 e 2025.

Segundo Postel (2000), no mundo, a agricultura irrigada é responsável por cerca de 40% de toda produção, viabilizando produzir fisicamente, em uma mesma área, até quatro vezes mais que a agricultura de sequeiro. Para evidenciar a importância da agricultura irrigada na produção global de alimentos, Sojka et al. (2006) comentam que seria necessário expandir a área de sequeiro em cerca de 250 milhões de hectares para se obter uma produção equivalente à produção média adicional que é proveniente de áreas irrigadas.

Embora o Brasil detenha cerca de 12% da água doce superficial disponível no Planeta, 28% da disponibilidade nas Américas e possua, ainda, em seu território, a maior parte do Aquífero Guarani, a principal reserva de água doce subterrânea da América do Sul, o país tem enfrentado problemas hídricos em várias regiões. Segundo relatório da OCDE (2015), a água se tornou um fator limitante para o desenvolvimento econômico do Brasil e fonte de conflitos em várias regiões.

A água é um recurso de grande importância para todos os setores da sociedade e atender a todos os usos e usuários requer um trabalho coordenado de planejamento e gestão de recursos hídricos. Não se pode pensar em segurança alimentar dissociada da segurança hídrica, pois para produzir alimento uma quantidade significativa de água deve ser mobilizada.

Neste contexto, é importante aprender com os erros do passado e aproveitar o momento para planejar um futuro melhor, que consiste necessariamente em tratar a água como um bem estratégico para País. Para isto, é preciso integrar a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) com as demais políticas públicas. É fundamental definir as prioridades de uso da água, levando-se em consideração as necessidades básicas do País e as especificidades de cada região.

Não se pode pensar em agricultura e desenvolvimento sustentável sem que haja um equilíbrio entre oferta e demanda de água. O Brasil é um país de dimensões continentais com grandes diferenças sociais, ambientais e econômicas, o que faz da gestão uma atividade muito mais desafiadora. Fazer a gestão de forma igualitária em todo país, pode levar a conflitos em bacias hidrográficas que já se encontram em estado crítico em termos de disponibilidade hídrica. A gestão deve considerar as desigualdades hídricas regionais e ter um olhar diferenciado para as bacias hidrográficas críticas, onde a disponibilidade hídrica já está comprometida, assim como onde já é realidade a ocorrência de conflitos pelo uso da água.

A vazão média anual de todos os rios do mundo é da ordem de 40.000 a 50.000 km³/ano. No Brasil, os recursos hídricos de superfície correspondem a uma vazão média da ordem de 5.676 m³/ano, ou cerca de 12% do total mundial, podendo chegar a mais de 16% se as vazões dos rios provenientes de países vizinhos forem contabilizadas. O desafio é gerenciar adequadamente essa água, que implica em alocar os recursos entre os diversos usuários, reduzindo os conflitos e trazendo segurança hídrica.

Atender as demandas atuais e futuras por alimento requererá um rápido aumento de produtividade, que precisa ser feito sem danos adicionais ao ambiente. Para que isso ocorra, é fundamental que os princípios de sustentabilidade sejam parte central das políticas agrícolas. Produzir de forma sustentável não é uma tarefa simples. É necessário reduzir o crescimento horizontal (aumento do uso dos recursos naturais), aumentar o crescimento vertical (aumentar a eficiência) e considerar o fato que as tomadas de decisão estão cada vez mais complexas e que a agricultura está cada vez mais pressionada na direção da multifuncionalidade, principalmente, na produção de alimentos, fibras e energia.

Com estimativa atualizada de cerca de sete milhões de hectares irrigados, o Brasil é um dos poucos países do mundo, se não o único, com capacidade de triplicar a sua área irrigada com sustentabilidade, trazendo contribuições efetivas para o meio ambiente, para o desenvolvimento social e econômico do País, com geração de empregos estáveis e duradouros.

A irrigação, principal usuária de recursos hídricos, apresenta características de uso bastante diferente dos demais usos. A demanda de irrigação é muito variável de ano para ano. Isso dificulta a gestão e deixa o irrigante com a impressão de que a alocação de água não está sendo feita de forma correta. Essa falsa impressão ocorre pelo fato de as outorgas serem fixas e as demandas serem variáveis, fazendo com que, nos anos de baixa demanda, haja água em excesso nos rios, trazendo ao irrigante a percepção de que ele poderia ter mais água para sua irrigação.

O desenvolvimento de uma agricultura sustentável passa, necessariamente, pelo uso sustentável dos recursos hídricos, que por sua vez, depende de uma gestão que incorpore os usos múltiplos da água e considere os fundamentos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos. É importante fortalecer os mecanismos que contribuem para aumentar a oferta hídrica na bacia hidrográfica.

O desafio atual da agricultura irrigada é garantir um suprimento adequado e regular de alimentos para a sociedade com o menor consumo de água possível. A alocação de água para fins agrícolas gera benefícios sociais, econômicos e ambientais que não são apropriados somente por um usuário, mas por toda a sociedade. É importante que os agricultores estejam atentos aos avanços tecnológicos, uma vez que as novas tecnologias podem contribuir para melhorar a eficiência do sistema, facilitar o manejo e beneficiar o ambiente.

A irrigação precisa de uma gestão com olhar ampliado. O produtor precisa ter uma visão além de sua propriedade e de sua área de produção. É preciso, sempre, uma visão macro, da bacia hidrográfica. A irrigação tem que ser feita olhando a bacia hidrográfica. O rio é na verdade reflexo daquilo que acontece na bacia como um todo. Ou seja, é preciso olhar a bacia de forma mais integrada, considerar estratégias de conservação de água e solo, que vão refletir diretamente na quantidade e na qualidade das águas.

Rodrigues et. al (2017)* destacam que agricultura irrigada terá que se adaptar a uma sociedade cada vez mais dinâmica, exigente quanto à alimentação e quanto às questões sociais e ambientais e que, para isso, terá que enfrentar desafios institucionais, políticos, ambientais, estruturais, científicos, de capacitação, de comunicação, técnicos, tecnológicos e climáticos.

São vários os desafios a serem enfrentados para se produzir alimento com sustentabilidade, mas sem dúvida alguma os principais e de mais difíceis soluções são aqueles que não dependem somente do agricultor, tais como: (i) a gestão de recursos hídricos, que é peça chave no processo de ordenamento do uso de recursos hídricos e de segurança hídrica. Uma gestão adequada deve ser capaz de considerar as especificidades inerentes a cada setor usuário e as estratégias a serem adotadas para se alcançar o uso sustentável; (ii) integração efetiva e verdadeira das ações institucionais e das políticas públicas setoriais.

Essa integração parece simples de ser feita, mas é muito difícil de ser operacionalizada. Como, por exemplo, pensar em segurança alimentar sem se pensar em segurança hídrica e energética? Como pensar em segurança alimentar sem considerar, por exemplo, um trabalho integrado dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente? Como pensar em segurança alimentar sem que o produtor tenha segurança na sua atividade?

O fato é que utilizamos muito pouco dos nossos recursos hídricos. É preciso criar mais valor e bem-estar com os recursos disponíveis. Isso não significa, é claro, incentivar a cultura do desperdício de água. É importante definir as prioridades de uso nas bacias e lançar um olhar mais atento para aquelas bacias que já enfrentam problema de disponibilidade hídrica. Com uma gestão de recursos hídricos competente, é possível trazer segurança hídrica e atender a todos os usos e usuários sem comprometer a disponibilidade. Água é sinônimo de dialogar, de compartilhar e de integrar. Não é geradora de conflitos, mas sim de oportunidade para produzir alimento e desenvolvimento.

*Pesquisador da Embrapa Cerrados
Lineu Neiva Rodrigues, pesquisador da Embrapa – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/EBC

Especialistas descomplicam o uso de sistemas de irrigação avançados

Irrigação será descomplicada por Abel Fonseca, da Hydra Irrigações.jpg

Ambientes historicamente chuvosos nos quais ocorrem mudanças climáticas intensas, como um período de seca prolongado, chamam a atenção para a necessidade de irrigação.

Com a escassez de chuva, surge a oportunidade de investir em tecnologias do segmento para potencializar a produtividade de diversas culturas.

Evento

Devido às condições climáticas e à necessidade de aumentar a produtividade regional, Abel Fonseca, gerente comercial da Hydra Irrigações, empresa localizada em Linhares, foi convidado para ir até a Fazenda Luz do Vale, da Agrícola Condurú, que fica em Ilhéus, na Bahia, para falar sobre os conceitos básicos das tecnologias de irrigação. O evento será realizado nesta quarta-feira (27).

“A necessidade de irrigar surge a partir dessa alteração no clima e, com ela, ganha destaque a oportunidade de impulsionar a produtividade de diversas culturas, com destaque para o cacau. Aproveitando o sistema de irrigação, que distribui água para as plantas uniformemente, é possível também fazer a nutrirrigação, que é a distribuição de nutrientes para o cultivo”, afirma Abel Fonseca.

Irrigação localizada

Ao lado de Abel Fonseca, estará também Igor Lapa, representante da Netafim. Os especialistas irão esclarecer as dúvidas sobre o uso de sistemas de irrigação avançados e os conceitos básicos das tecnologias de irrigação.

“A irrigação localizada é a aplicação da água no solo diretamente no sistema radicular das plantas, o que torna o aproveitamento do recurso mais eficiente, reduzindo o seu desperdício. O processo promove a umidade ideal para o desenvolvimento da cultura, impulsionando a produtividade”, afirma Abel Fonseca.

Outro assunto abordado no evento será as novas tecnologias de campo, como o Netbeat, implantado comercialmente pela primeira vez na América Latina pela Hydra Irrigações. Este equipamento permite a automação e o controle das operações da fazenda, gerando dados precisos que ajudam na tomada de decisão sobre todas as operações realizadas desde o plantio até a colheita.