CNA solicita retorno da política de irrigação para o Ministério da Agricultura

Muni Lourenço com o ministro Eliseu Padilha

Brasília (27/03/2018) – Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitaram a transferência da gestão da Política de Irrigação Nacional durante uma reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, nesta terça-feira (27). O pedido é para que o assunto volte a ser tratado dentro do Ministério da Agricultura e não mais no Ministério da Integração Nacional, como acontece atualmente.

O pleito já havia sido defendido no documento “Carta Aberta aos Irrigantes”, elaborado no final do Seminário Irrigação no Brasil: Uma nova Gestão, promovido pela CNA, em 2017. Tanto a CNA quanto outras entidades representativas do setor apontaram a mudança como fundamental para que as políticas públicas de irrigação – que fomentam a irrigação produtiva, responsável por 97% dos empreendimentos que utilizam a tecnologia no País – possam ter uma vinculação mais direta com a política agrícola gerida pelo Ministério da Agricultura.

“O ministro Eliseu Padilha se mostrou simpático ao pleito. Ele se comprometeu em analisar o assunto e dar um retorno, em breve, com o posicionamento da Casa Civil e do Governo Federal sobre o pedido da CNA”, afirmou o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Muni Lourenço.

Durante o encontro também foi entregue à Eliseu Padilha um exemplar do livro “Agricultura Irrigada sustentável no Brasil: identificação de áreas prioritárias”, lançado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) com apoio da CNA no 8º Fórum Mundial da Água, na semana passada.

Segundo Lourenço, o levantamento mostra o horizonte promissor para o aumento da produção de alimentos no Brasil com a expansão da irrigação. A FAO aponta que o Brasil tem 4,5 milhões de hectares disponíveis para serem irrigados e inseridos no processo produtivo.

“Precisamos utilizar as áreas já abertas com mais produtividade e, para que isso aconteça, a irrigação é fundamental”, declarou o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA.

O assessor técnico da CNA, Gustavo Goretti, e a presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Tereza Cristina, também participaram da reunião.

Fonte: CNA

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CNA lança Comissão Nacional de Irrigação no Fórum da Água

irrigação-fockink (Foto: Divulgação)

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lançou nesta terça-feira (20/3), a Comissão Nacional de Irrigação, durante o 8º Fórum Mundial da Água. O presidente da CNA, João Martins, e o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Odilson Silva, assinaram a portaria no espaço do Sistema CNA/Senar/ICNA no evento, informou a CNA em nota.

A ideia, conforme Martins, é dobrar a área irrigada do País a médio prazo. Atualmente, são 7 milhões de hectares cobertos com essa tecnologia.

A Comissão Nacional será composta por CNA, federações de agricultura e pecuária e associações de irrigantes. Vai atuar como ponto focal de discussões das ações, políticas e posicionamentos do setor sobre o uso da água para a agropecuária. O trabalho será feito diretamente nas discussões no Conselho Nacional de Recursos Hídricos, no Executivo e no Legislativo.

A Comissão Nacional de Irrigação será presidida por Eduardo Veras, que também é vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). Conforme a nota, a comissão pretende trabalhar para que os temas ligados à irrigação, atualmente sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, sejam transferidos para o Ministério da Agricultura.

Parceria Netafim e Senar oferecer curso de capacitação em irrigação inteligente

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A multinacional israelense Netafim, em parceria com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), vão promover cursos de capacitação profissional em irrigação localizada. Ao todo 40 instrutores, de todo o Brasil, receberão conteúdos técnicos e práticos sobre agronomia, engenharia, instalação de produto e suporte técnico.

“O objetivo é que cada instrutor se torne multiplicador da tecnologia, podendo difundir os conceitos, posteriormente, para milhares de pessoas em todo país. A Netafim é pioneira neste tipo de sistema e, por isso, levar o conhecimento de anos da empresa é uma oportunidade extraordinária”, reforça Cristiano Jannuzzi, gerente agronômico da Netafim.

Os participantes serão divididos em turmas de 20 pessoas. A primeira etapa do curso será teórica e acontecerá em Ribeirão Preto (SP), na sede da Netafim, com início no dia 23 de abril.

Na segunda fase, os instrutores serão organizados de acordo suas áreas de atuação, onde irão conhecer os projetos a campo. “O módulo dois será prático, então vamos distribuir a turma por regiões e direcionar aos coordenadores agronômicos da Netafim de cada estado, que darão continuidade ao treinamento direto da lavoura”, explica Jannuzzi. A etapa final acontecerá no segundo semestre de 2018.

A oportunidade possibilitará os instrutores conhecerem os conceitos de irrigação por gotejamento, que englobará técnicas de agronomia, engenharia, instalação de produto e suporte técnico. No Brasil a tecnologia vem crescendo especialmente pelos resultados positivos em produtividade e economia expressiva de água. Estima-se que a irrigação localizada possa reduzir até 30% o consumo de água e potencializar o rendimento das lavouras em diversas culturas.

Para especialistas, irrigação eficiente é a solução para o Brasil

Pixabay

De 2012 a 2016, o Brasil enfrentou sua pior crise hídrica, sobretudo no nordeste do país. De acordo com dados da Confederação Nacional de Municípios, nesse período, a região registrou prejuízos de R$ 104 bilhões por causa da seca. O valor equivale a cerca de 70% das perdas em razão da falta de chuvas.

Outro exemplo de prejuízo causado pela escassez de água foi a queda na produção de grãos no país, em 2016. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o feijão apresentou redução de 15,4%, na comparação com 2015. A produção de soja recuou 1,2%. Já o milho teve diminuição de 24,8% na produção.

Por isso, em anos de seca, os produtores agrícolas precisam suprir a falta de chuva com o processo de irrigação, que fornece água de maneira artificial para as plantas. Um levantamento apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que quase 70% de toda a água disponível no mundo é usada em atividades voltadas para a agricultura.

No entanto, a própria ONU lembra que a população mundial deve chegar a nove bilhões até 2050 e, com isso, a demanda por alimentos deve aumentar em até 70%.

Para Lineu Rodrigues, pesquisador de recursos hídricos e irrigação da Embrapa Cerrado, os projetos de irrigação de culturas devem ser sustentáveis, mas não limitados a ponto de deixar a população da cidade sem comida. “Não tem como produzir alimento sem água. A água é fundamental. O que nós temos que fazer é uma boa gestão dos nossos recursos. Quando você tira Amazonas do processo, que é onde tem mais água, a gente usa 5% de todos os recursos e 2,6% da agricultura irrigada. Mas, você tendo uma boa gestão, um bom planejamento, temos água suficiente para atender a todos os usos”, comenta o especialista.

O pesquisador da Embrapa ressalta ainda que, se os projetos de irrigações fossem mais abrangentes, a produção dos alimentos se elevaria e, futuramente, não haveria a necessidade de abrir mais áreas para plantio em regiões de florestas. “No Brasil, por exemplo, nós irrigamos em torno de sete milhões de hectares e temos um potencial de 70 milhões. Se a gente irrigar mais, a gente pode, no mínimo, dobrar a produção. Você evita a necessidade de abrir novas áreas, por que tem o efeito ambiental também”, comenta Lineu Rodrigues.

Por sua vez, Maurício Lopes, presidente da Embrapa, reclama que há muita desinformação, o que “desqualifica os avanços que o país alcançou na agricultura e na gestão dos seus recursos naturais”. Segundo Lopes, as lavouras e florestas plantadas ocupam 10% do território nacional e, “apesar de sermos detentores de 12% das reservas de água doce do planeta, a produção de alimentos no país depende prioritariamente das chuvas”.

No Distrito Federal, por exemplo, que é uma região de cerrado, ou seja, com longos períodos de estiagem, existem programas bem sucedidos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) voltados para o cultivo de grãos e frutas. É o que afirma Rodrigo Marques, diretor executivo da Emater-DF. “Morango, por exemplo, mesmo com a questão da crise hídrica, a gente conseguiu aumentar a produtividade, sem aumento de áreas, sem aumento de irrigação, só com algumas características que influenciaram”, diz o diretor.

(com Agência Rádio Mais)

Artigo – Agricultura irrigada e os desafios para a produção sustentável de alimentos

Zineb Benchekchou - Irrigação de trigo na Embrapa Cerrados
Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que, para atender ao crescimento populacional e às novas demandas por alimentos, a produção mundial de cereais terá que aumentar cerca de 1 bilhão de toneladas até o ano 2030. Esse aumento previsto dependerá prioritariamente da disponibilidade hídrica para suprir as demandas de irrigação, que será responsável por atender cerca de 80% dessa produção adicional de alimentos que ocorrerão entre 2001 e 2025.
Com estimativa atualizada de cerca de 7 milhões de hectares irrigados, o Brasil é um dos poucos países do mundo, se não o único, com capacidade de triplicar essa área com sustentabilidade, trazendo contribuições efetivas para o meio ambiente, para o desenvolvimento social e econômico do País, com geração de empregos estáveis e duradouros.
Alguns fatores inerentes à agricultura moderna, no entanto, contribuem para intensificar e ampliar as dificuldades associadas aos desafios de aumentar a produção de alimentos para o patamar necessário. Dentre esses fatores, destacam-se os seguintes: a redução da disponibilidade de terras aráveis; as assimetrias no crescimento populacional, na produção de alimentos e na oferta hídrica; a multifuncionalidade da agricultura; e as mudanças climáticas.
Não se pode pensar em segurança alimentar dissociada da segurança hídrica, pois para produzir alimento uma quantidade significativa de água deve ser mobilizada. É importante destacar, entretanto, que apenas uma parte da água utilizada na produção de alimentos é constituída de água azul – água retirada dos rios. Um complicador para a agricultura irrigada é que a demanda por água azul varia muito de ano para ano. Isso se dá em razão da grande variabilidade da chuva e também do momento em que ela ocorre.
Essa variação da demanda de ano para ano dificulta a gestão, fazendo-se necessário desenvolver estratégias de gestão específicas para a agricultura irrigada. Essa constatação é ainda mais importante nas bacias hidrográficas consideradas críticas em relação à baixa disponibilidade hídrica.
O ambiente agrícola está cada vez mais dinâmico e restritivo, demandando do agricultor uma visão mais abrangente em relação ao agronegócio. O objetivo de produzir mais alimentos deve ser visto dentro de uma abordagem mais ampla, considerando os aspectos de sustentabilidade ambiental, ou seja, produzir mais alimentos com melhor qualidade e com menores danos aos recursos naturais.
Nesse sentido, os instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos devem ser adequadamente utilizados, sendo necessário para isso estimativas corretas da quantidade de água utilizada em cada um dos setores usuários. No caso da agricultura irrigada, devido às suas características, como, por exemplo, sua forte relação com as condições climáticas, as incertezas associadas às estimativas da quantidade de água utilizada são maiores e mais evidentes.
É importante observar que os números apresentados oficialmente sobre uso da água na agricultura são valores médios e apresentam grandes variações regionais e temporais. No sentido de melhorar a comunicação com a sociedade e o planejamento e a gestão de recursos hídricos, é importante trabalhar continuamente no aprimoramento das estimavas das quantidades de água utilizadas pelos diversos setores. Estimativas com base em números médios devem ser feitas e utilizadas com muita cautela, pois são difíceis de ser adequadamente interpretadas e entendidas pela sociedade. A demanda de água real é muito variável, e o importante para o usuário final e para a gestão é o que está ocorrendo em uma região em determinado momento. Isto é, dado um conjunto de demandas hídricas em um local, existe água em quantidades suficientes para atender a essa demanda?
É de conhecimento que a agricultura, em especial a agricultura irrigada, tem passado por um profundo processo de transformação tecnológica. No contexto nacional, existe uma conjunção de fatores que são favoráveis ao seu desenvolvimento, tais como: recursos humanos formados e com bom conhecimento básico; indústria competitiva e de alta tecnologia; leis de recursos hídricos consolidadas; lei da Política Nacional de Irrigação (Lei 12.787/2013) aprovada; tecnologia disponível; e legislação ambiental clara. Por outro lado, existem ainda alguns fatores que são desfavoráveis ao seu crescimento, dentre os quais se destacam: recursos humanos com pouca visão estratégica de negócios; debilidade institucional; ingerência política; controle ambiental excessivo; prevalência da visão de obra sobre as demais etapas dos projetos públicos de irrigação; falta de regulamentação da Lei de Irrigação.
O crescimento da irrigação não pode mais ser fundamentado apenas no aumento do uso de recursos hídricos. O crescimento desejado e possível é cada vez mais dependente dos ganhos de eficiência nos sistemas já existentes. Um dos desafios da agricultura irrigada é a promoção do irrigar com qualidade. Isto quer dizer que deve ser buscado continuamente uma elevada eficiência e produtividade de uso das águas.
Sem dúvida alguma, um dos caminhos para reduzir os conflitos pelo uso da água em bacias hidrográficas com predominância da agricultura irrigada é por meio do uso racional da água e do aumento da eficiência de irrigação. Entretanto, a falta de consenso na definição e na aplicação de critério para avaliar a qualidade da irrigação nas diferentes situações, a não consideração da escala do problema e a falta de uma análise mais abrangente têm dificultado a comparação do desempenho dos sistemas de irrigação nas diferentes regiões e o estabelecimento de metas mais qualificadas e realistas para a melhoria da eficiência irrigação na escala da bacia hidrográfica.
No Brasil, de maneira geral, a eficiência de irrigação tem que ser melhorada, mas é importante que se ressalte que a irrigação não é a razão para os problemas hídricos observados recentemente no País. Já existem conhecimentos e tecnologia suficientes para promover o uso sustentável e racional da água na agricultura. Outro desafio é fazer com que os conhecimentos e as tecnologias disponíveis sejam efetivamente apropriados pela maioria dos irrigantes, que, por sua vez, devem ter uma visão integrada e sistêmica dos recursos hídricos.
Rodrigues et. al (2017)* destacam que agricultura irrigada terá que se adaptar a uma sociedade cada vez mais dinâmica, exigente quanto à alimentação e quanto às questões sociais e ambientais e que, para isso, terá que enfrentar desafios institucionais, políticos, ambientais, estruturais, científicos, de capacitação, de comunicação, técnicos, tecnológicos e climáticos.
São vários desafios a serem enfrentados, mas sem dúvida alguma os principais e de mais difíceis soluções são aqueles que não dependem somente do agricultor, tais como: (i) a gestão de recursos hídricos, que é peça chave no processo de ordenamento do uso de recursos hídricos e de segurança hídrica. Uma gestão adequada deve ser capaz de considerar as especificidades inerentes a cada setor usuário e as estratégias a serem adotadas para se alcançar o uso sustentável; (ii) integração efetiva e verdadeira das ações institucionais e das políticas públicas setoriais. Essa integração parece simples de ser feita, mas é muito difícil de ser operacionalizada. Como, por exemplo, pensar em segurança alimentar sem se pensar em segurança hídrica e energética? Como pensar em segurança alimentar sem considerar, por exemplo, um trabalho integrado dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente? Como pensar em segurança alimentar sem que o produtor tenha segurança na sua atividade?
Os irrigantes brasileiros têm demonstrado, ao longo de décadas, criatividade e resiliência para responder aos mais variados tipos de mudanças, mas precisam de políticas de Estado efetivas que deem à sua atividade segurança jurídica, ambiental, hídrica e energética para que possam continuar fazendo o que sabem fazer de melhor: produzir alimentos com sustentabilidade.
*Rodrigues, Lineu N; Domingues, F.D. ;CHRISTOFIDIS, D. . Agricultura irrigada e produção sustentável de alimento. In: Lineu Neiva Rodrigues; Antônio Félix Domingues. (Org.). Agricultura irrigada: desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável. 1ed.Fortaleza: INOVAGRI, 2017, v. 1, p. 21-108.

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