Startups lançam nova era no campo com agritechs

O agronegócio experimenta nova era. A inovação tecnológica invade o campo e provoca outros paradigmas, proporcionando ganhos de produtividade e resultados melhores. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups (empresas nascentes de base tecnológica e alto potencial de crescimento), ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs. Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no país, muitas delas incubadas em universidades, com dedicação ao desenvolvimento de soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavouras e automação de equipamentos.

Há exemplos clássicos de avanços tecnológicos, principalmente entre grandes produtores: os tratores agrícolas vêm equipados com diversas tecnologias, como GPS, e agricultura de precisão que diminui as deficiências de processos. As máquinas agrícolas têm equipamentos que mensuram todo o trabalho a ser feito e geram relatórios para melhorá-los. Uma adubadeira sabe metro a metro a dosagem certa, mapeia as variações de qualidade do solo e passa informações que permitem regular a máquina para cada situação.

Minas Gerais, com sua diversidade de clima e bioma e agricultura diversificada, é um laboratório para que as empresas possam investir e pesquisar. “Muitos produtores compram máquinas e não usam nem 10% de toda a tecnologia disponível”, diz Pierre Santos Vilela, superintendente do Instituto de Pesquisa e inovação do sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) .
Em novembro do ano passado, o sistema Faemg, por meio do Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), lançou o projeto Novo Agro 4.0, que conecta startups e universidades com o agronegócio, com o propósito de identificar e fomentar iniciativas que gerem tecnologias de ponta para o desenvolvimento do agronegócio. Segundo o presidente do sistema Faemg, Roberto Simões, é o marco de uma nova era do agronegócio: “não conseguiremos sozinhos a solução para esses problemas. Precisamos contar com a tecnologia e com os jovens para criar um sistema novo, real, sustentável e igualitário”.

O projeto identifica demandas do produtor rural e busca soluções para aumentar ganho de produtividade e competitividade. Pierre Santos Vilela disse que o conceito genérico de startup é uma empresa que tem uma tecnologia baseada em informação, comunicação e inovação, “normalmente ela rompe com bastante força os meios tradicionais de fazer e conduzir processos e tem alto potencial de rápido crescimento em termo de adoção e disseminação de tecnologias”.

Não se trata de inovação tecnológica tradicional, como a biotecnologia, genética, mas de comunicação, de forma a otimizar processos e produtos. A iniciativa tem por meta aproximar dois grupos inovadores (criadores dessas tecnologias) do usuário final que é o produtor, abrindo caminhos para que eles conversem e facilitem o processo de adoção e disseminação dessas tecnologias.

O grande desafio no campo é eliminar a lacuna existente entre o desenvolvimento da tecnologia e sua chegada ao usuário final. A instituição quer mostrar ao produtor que existem meios inovadores e a seu alcance de interferir no processo de gestão, manejo, com impactos no custo da produção.

Do celular

A própria Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estimula novidades no mercado de aplicativos. Nova versão do aplicativo Doutor Milho, lançado há um ano, será apresentada ao público durante a 30ª edição do evento Show Rural Coopavel, de hoje a sexta-feira na cidade paranaense de Cascavel. A Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, na Região central de Minas, estará presente na feira que conta com mais de 500 expositores dispostos em uma área de 720 mil m².

A instituição considera a escolha da semente certa meio caminho andado para o sucesso de qualquer lavoura de milho. O novo aplicativo auxiliar os produtores no momento da opção pela semente mais adaptada à determinada região. Eles podem fazer consultas off-line sobre as cultivares de milho disponíveis atualmente no mercado a partir de um banco de dados que reúne informações técnicas cedidas por todas as empresas sementeiras.

Para o pesquisador Israel Alexandre Pereira Filho, da Embrapa Milho e Sorgo, o objetivo da equipe desenvolvedora é oferecer melhorias constantes ao aplicativo, e ele destaca que, nessa nova versão, atende a todas as 239 cultivares recomendadas para as safras 2017/2018 (verão e safrinha) já estão disponibilizadas no app. Com isso, o produtor, por meio do seu dispositivo móvel, poderá entrar em contato com as mais modernas tecnologias de sementes de milho, facilitando a escolha da cultivar mais adequada para o clima, solo e objetivo de uso.

Prejuízo com os dias contados

As perdas na agricultura por deficiências na irrigação podem estar com os dias contados. Várias pesquisadores vêm estudando tecnologias capazes de eliminar problemas com os sistemas usados nas lavouras. A falha no fornecimento de energia e a má distribuição da água, por exemplo, muitas vezes só são percebidos pelo produtor quando a safra está perdida ou não corresponde às expectativas quando do plantio.

Lucas Teixeira Moura Soares, da Agrowet de Montes Claros, no Norte de Minas, conta que há 20 anos um dos sócios da empresajá percebia muitas deficiências no sistema tradicional de irrigação. “Eram muitas as deficiências de gestão, como o acompanhamento remoto. Algo que ocorria em todo o país”. Há dois anos, um grupo de cinco pessoas formado por engenheiros de produção, computação, mecânico, de controle e automação e um empresário do ramo agrícola decidiram construir solução com o objetivo de reduzir o consumo de água nas propriedades.

O primeiro passo foi a inscrição no programa Fiemg Lab, da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que tem como objetivo transformar ideias inovadoras em negócios e produtos. Em paralelo, eles se inscreveram em outro programa, o Hubine, do Banco do Nordeste, que os levou a um intercâmbio em Israel, país referência em irrigação e território que sofre problemas de escassez da água semelhantes aos do semiárido do Norte de Minas.

Foi, então, que o grupo criou a tecnologia de monitoramento que consiste em uma central abrigada na sede da propriedade e que se liga a um aplicativo que permite ao agricultor monitorar e receber alertas de qualquer irregularidade de funcionamento em qualquer parte do mundo. O sistema encontra-se em fase de validação, tendo sido instalado como iniciativa-piloto em algumas propriedades. “Em algumas delas, já registramos a redução do consumo de água de 40%”, revela Lucas Soares.

Sobre as dificuldades operacionais, Lucas Soares revela que não encontrou muitos problemas: “O homem do campo hoje está muito antenado e vi uma pesquisa que indica que 67% das propriedades rurais têm acesso à internet”.

O acesso à internet foi uma das preocupações dos fundadores da Next Agro. “Nem sempre a internet funciona plenamente no campo, por isso optamos por instalar no painel central do pivô o monitoramento a partir de mensagem do SMS do celular. Mesmo com falta de energia, ele funciona”, explica Lucas Simão Santiago, um dos sócios da startup. O produto lançado pela empresa, também destinado à irrigação, aporta uma mini-estação meteorológica, permitindo ao operador do sistema prever a quantidade de água e tempo de uso do equipamento.

Ano passado foi de validação tecnológica, com 10 controladores instalados em meia dúzia de cidades, no Centro-Oeste de Minas Gerais e a aceitação tem sido muito boa, de acordo com o empresário. “Estamos apresentando inovação e isso sofre restrição no meio rural como em qualquer outro meio”. Durante esse processo (de validação) são medidos efeitos e defeitos a ser incorporados ou corrigidos. “Nosso desafio é demonstrar que é acessível”. Segundo Lucas Santiago, o custo do controlador de um pivô gira em torno de R$ 6,7 mil. O cliente vai pagar mensalidade de R$ 80, que inclui parte de manutenção do sistema de SMS de alerta, de dados e previsão do tempo. (EG) 

Pivô central

Pivô central é um equipamento para irrigação de grandes culturas, em média 60 hectares (equivalente a 70 campos de futebol). Os pivôs têm braços de irrigação, sendo que alguns deles alcançam 1,2 quilômetro, com diversas torres de apoio. A água chega na torre central e é bombeada por meio da energia elétrica, às diversas torres de apoio que se movem escalonadamente.

Fonte: Em.com

 

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