Plataforma otimiza uso de recursos hídricos em bacias hidrográficas

Resultado de imagem para recursos hídricos

O sistema computacional utiliza equipamentos instalados no campo e imagens de satélite  para sugerir a melhor opção de irrigação para os produtores. “A ferramenta vai dar uma opção, uma sugestão de como podem utilizar a água. Mas a decisão é dos usuários”, disse. A plataforma busca contribuir para otimizar o uso dos recursos hídricos e a irrigação em uma determinada bacia, segundo o engenheiro.

Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)Lineu Rodrigues, apenas 3% da agricultura brasileira usa água de rio para a irrigação, por ser um sistema caro Marcelo Camargo/Agência Brasil

Veja a seguir os principais trechos da entrevista de Lineu Rodrigues à Agência Brasil.

Agência Brasil: Como surgiu o projeto?

Lineu Rodrigues: Esse estudo surgiu da demanda da sociedade. Em algumas bacias hidrográficas há problemas, como a bacia do Rio São Marcos, que tem conflitos sérios de água entre irrigantes, conflito entre irrigantes e uma usina hidrelétrica [de Batalha, em Paracatu (MG)], conflito entre estados porque essa bacia abrange Distrito Federal, Minas Gerais e Goiás, cada um com seus critérios de outorga, e também com a Agência Nacional de Águas e as agências estaduais.

Agência Brasil: Em que consiste a ferramenta?

Rodrigues: No nosso projeto, uma abordagem que tem ganhado corpo é a gestão compartilhada da água. Nesse contexto, os usuários precisam ter uma ferramenta que os possibilite usar a água de forma organizada. Esse projeto cria uma ferramenta para que os usuários, dentro da gestão compartilhada da água, possam indicar como essa água poderia ser utilizada. Estamos usando diversas ferramentas, inclusive imagens de satélites, para monitorar a quantidade de água que está sendo utilizada, e por meio desse monitoramento, poder informar ao agricultor quanta água ele está utilizando, quanto o vizinho dele está utilizando e o quanto de água tem no rio. É uma ferramenta computacional que depende de equipamentos instalados no campo. Com isso, a gente faz um balanço de água na bacia e vai informar o quanto de água está sendo demandado em determinado momento e se tem água suficiente para atender a demanda.

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Agência Brasil: Quando o projeto poderá ser implantado?

Rodrigues: Esse projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, está em andamento e tem mais um ano para ser finalizado. Temos resultado do monitoramento por satélite para as culturas do trigo e da soja nas bacias do Rio Buriti Vermelho [no DF] e do Rio São Marcos. A gente conseguiu estimar a demanda [por água] via imagens de satélite.

Agência Brasil – A quem se destina essa ferramenta?

Rodrigues – Não queremos ficar com esse instrumento para nós [pesquisadores] nem para o governo. A ideia é fortalecer os usuários, os comitês de bacias hidrográficas, que essa ferramenta seja passada para as associações de irrigantes, de produtores, de tal forma que eles se organizem e tomem a decisão da melhor forma de usar a água dentro do critério de gestão compartilhada.

Agência Brasil – Qual o panorama da irrigação no país?

Rodrigues – Há dois tipos de agricultura: agricultura de sequeiro, que depende da água da chuva – 97% da nossa agricultura é de sequeiro e 3% é de irrigados, em que, quando falta água da chuva, tira-se água do rio para complementar. No geral, no sistema de irrigação, até porque o preço da energia é muito caro, os produtores usam água de forma racional. Lógico que tem casos e casos. Nos casos em que se observa maior ineficiência, o produtor acaba pagando, por causa do preço da energia. Na agricultura irrigada, a grande maioria procura usar a água de forma adequada. Aí entra nossa função de dar subsídios para as pessoas de como usar a água de forma organizada porque muitos não podem pagar um consultor. No Brasil, em geral, usamos menos de 1% da nossa disponibilidade hídrica. O problema é que temos bacias críticas, que têm mais aptidão agrícola com uso intensivo da agricultura irrigada.

 

Fonte: CenárioMT

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Cultivo de limão irrigado garante produção de quatro toneladas por mês

Há 25 anos, o produtor rural Francisco Omori (69 anos) e sua esposa, Tereza da Silva Omori (62), cultivam limão tahiti na chácara Santa Terezinha, na Comunidade Morrinho, localizada no município de Santo Antônio do Leverger (34 km ao Sul de Cuiabá). Com o plantio irrigado numa área de quatro hectares e 750 pés de limão, a produção chega a quatro toneladas do fruto por mês e pode produzir o ano todo.

O produtor Francisco aprendeu a trabalhar com a cultura na prática e hoje pode ser considerado um grande aprendiz no cultivo do limão Tahiti. Ele explica que antes de investir na citricultura, tentou cultivar hortaliças, o cultivo deu certo por um tempo e depois devido à escassez da mão-de-obra, a família optou para a monocultura e está até hoje. “O cultivo do limão não azedou a nossa vida, pelo contrário, adoçou, criamos nossos quatro filhos e tivemos lucro com a venda do produto. Acredito que sou um vitorioso nesta atividade”, esclarece.

A rotina da família mudou nos últimos dois anos, quando o produtor Francisco teve problemas de saúde e foi obrigado a deixar o trabalho no pomar.  O seu filho Márcio da Silva Omori, que morava há 20 anos no Japão, retornou para a casa de seus pais para dar continuidade no trabalho de quase três décadas. Márcio é o responsável pela coleta dos frutos que é realizada duas vezes por semana. De acordo com o produtor, um fator importante para o cultivo do limão é a adubação correta e a irrigação. Na propriedade o pomar é irrigado a cada 15 dias.

Toda produção é comercializada na Feira do Porto, supermercados e no Distrito Industrial para os atacadistas por um preço que varia de R$ 35,00 a R$ 50,00 o saco de 20 quilos. Mesmo distante do pomar, o produtor Francisco é quem fala sobre o preço que pode chegar no varejo a R$ 6,00 o quilo do limão. A época da safra começa em fevereiro e termina em junho, e leva até três meses para floração do fruto. “Colhemos o limão, separamos o fruto por tamanho e embalamos para entrega”, explica.

A produtora Tereza, também responsável pelo plantio do limão tahiti, conhece bem a atividade e tem uma teoria que ajuda muito a manter a produção dos pés de limão: conversar com as plantas e verificar o comportamento delas, examinando se possui alguma praga e doença. Ela destaca que as plantas precisam ser renovadas a cada oito anos. Em janeiro de 2017, foi realizado o plantio de 125 novas mudas em uma área de um hectare.

Para utilizar inovações e melhorias no pomar os produtores financiaram recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) totalizando R$ 58 mil. “A maioria das pessoas que adquirem uma terra, esperam a propriedade valorizar para vender. No nosso caso, a terra e o cultivo trouxeram a nossa independência, conseguimos sobreviver e nos manter na propriedade, isso é muito importante”, conclui Francisco.

Pró-Limão

O engenheiro agrônomo da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Henrique Teodoro de Melo, fala que  foram realizadas oficinas para produção de citros (laranja, pocan e limão), na comunidade Sangradouro, no município de Santo Antônio do Leverger .

Foram repassadas informações sobre sistemas de produção, ou seja, a escolha da semente, preparação do plantio com o substrato composto de esterco de gado, vermiculita, terra preta e adubo, retirada das mudas dos tubetes com período de 120 dias, transplante na terra e enxertia. Segundo Henrique, após a realização da enxertia da planta, é importante acompanhar o desenvolvimento da muda, realizando a poda de formação da copa e os cuidados fitossanitários (controle de pragas e doenças).

A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários de Mato Grosso (Seaf) por meio do programa Pró-Limão tem realizado a capacitação continuada de técnicos na Região Norte do Estado. O objetivo é dar sustentabilidade ao cultivo da citricultura, que visa fomentar e fortalecer a cadeia produtiva do limão como alternativa sustentável de geração de renda.

Fonte: MidiaNews

Faculdade CNA forma gestores para trabalhar no agronegócio

Engana-se quem pensa que,  para trabalhar no campo, não é necessário uma boa formação. Quando se trata de mercado de trabalho no agronegócio, aproveitar uma boa oportunidade de emprego passa pela formação acadêmica qualificada e capacidade técnica para gerenciamento. Para formar mão de obra adequada às necessidades do setor, responsável por uma participação de 23,5% no PIB brasileiro, a Faculdade CNA oferece 40 vagas com bolsa integral para o curso superior em tecnologia de gestão do agronegócio. As bolsas são destinadas aos estudantes que tiveram notas a partir de 550 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos últimos três anos.

As bolsas 100% integral, para os três anos de duração do curso, são ofertadas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), entidade ligada à Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Primeira instituição de ensino do país voltada exclusivamente para o agronegócio, a faculdade CNA recebeu conceito 4, numa escala de 1 a 5, e está entre as melhores instituições de ensino do Brasil, de acordo com o ranking divulgado pelo Ministério da Educação. O curso é presencial, realizado em Brasília e, para este ano, as inscrições podem ser feitas até 10 de fevereiro, pelo site www.faculdadecna.com.br.

O candidato que não participou do Enem ou não alcançou a pontuação mínima no exame pode optar pelo processo seletivo pré-agendado. Essa é a situação de Ronie dos Reis Santos, que obteve 540 pontos na última prova do Enem, e participa do vestibular agendado nesta quarta-feira, 7. Morador de Samambaia, o rapaz, de 25 anos, cursou dois anos de administração, na faculdade Anhanguera. O incentivo da namorada, Patrícia, estudante de agronomia, foi decisivo para que Ronie enxergasse o diferencial, no mercado de trabalho, de um curso voltado para o agro. “Sempre gostei dos assuntos do campo, mas, hoje, dá para perceber que as pessoas estão mais interessadas em se profissionalizar no agronegócio”, explica.

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Ronie relembra que, há pouco mais de duas décadas, a família trabalhava com agricultura familiar, na zona rural de Correntina, município da Bahia. A falta de conhecimento e de cultura dos pais, aliada à ação de grileiros, acabou fazendo com que o pai, Martiniano, trocasse a propriedade e a atividade no campo pela perspectiva de trabalhar na construção civil, em Brasília. “Estou tendo uma oportunidade de seguir os passos dos meus pais, que vieram da roça, mas acabaram vendendo a nossa terra a preço de banana. Só que agora vou ter o conhecimento técnico para resgatar um pouco a nossa história, ajudar a família e também os outros”, comemora o rapaz.

Águeda Recio Y Alvarez Faúla, 26 anos, vive o sonho de 10 entre 10 recém-formados. A jovem se formou na primeira turma de Tecnologia de Gestão do Agronegócio, em 2016. Em janeiro de 2017, Águeda foi contratada pelo Instituto CNA, uma associação civil sem fins lucrativos, que realiza estudos e pesquisas sociais e do agronegócio, e desenvolve tecnologias alternativas para a produção e divulgação de informações técnicas e científicas, com foco no meio rural. Atualmente, Águeda atua em um projeto de pesquisa que prevê o plantio de cultivares no semiárido brasileiro.

A jovem, que tem dupla cidadania — brasileira e espanhola —, mora em uma chácara em Nova Betânia, nas imediações do PAD-DF (Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal). No local, a mãe, Maria Del Mar, cuida da horticultura e da criação de equídeos. Em 2009, Águeda entrou no curso de Ciências Ambientais, na Universidade de Brasília (UnB), mas, após dois anos, trancou a matrículam porque chegou à conclusão de que curso não atendia às suas expectativas. “Quando a gente é mais nova, não tem certeza direito das coisas, mas entendi que Ciências Ambientais não era bem o que eu queria. O curso da UnB tem uma pegada mais ambiental e eu queria focar na área rural”, explica.

Quando saiu da UnB, a jovem começou a participar de capacitações em temas relacionados ao campo, boa parte deles no Senar. Até que, no início de 2014, descobriu que poderia fazer o curso superior em Tecnologia de Gestão do Agronegócio, com uma bolsa de estudos que cobria 75% das mensalidades, por causa de sua nota no Enem. “Hoje o campo é tecnológico e se busca uma maior eficiência na produção. Estamos saindo dessa cultura de que trabalhar no campo é uma atividade informal, realizada de qualquer jeito e sem estudos preliminares”, analisa Águeda.

Danilo Silva Labes, 27 anos, está no quinto semestre do curso na Faculdade CNA. Quando se formar, o rapaz quer atuar na área de bolsa de valores, com foco no mercado futuro de soja. Essa é uma das opções de trabalho, mas o jovem vê inúmeras possibilidades para a atuação do gestor de agronegócios. “É um erro achar que, nessa região, o mercado de trabalho em agro é fraco. Existe um enorme cinturão verde em volta do DF, que está cheio de grandes empresas do agro e que demandam profissionais preparados para atuar em todos os segmentos”, enfatiza Danilo.

“Nós aprendemos muito com os erros, mas, se eu tivesse feito o curso antes, mesmo a distância, teria contribuído mais na administração das propriedades rurais dos meus pais e de outros membros da família”. O desabafo é de Lucimar Pereira Lopes, 43 anos, casada, três filhos, que se formou em gestão do agronegócio no fim do ano passado. Lucimar e o marido, Juarez, engenheiro, administram, a distância, uma propriedade de 230 hectares na zona rural de Contagem, Minas Gerais.

O casal, que já se dedicou à criação de gados de leite e de corte, trabalha, atualmente, em um projeto para a implementação de agricultura irrigada, com pivô central, para o cultivo de soja, milho e feijão, na sua fazenda, em Minas Gerais.

Fonte: Correio Braziliense

 

Startups lançam nova era no campo com agritechs

O agronegócio experimenta nova era. A inovação tecnológica invade o campo e provoca outros paradigmas, proporcionando ganhos de produtividade e resultados melhores. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups (empresas nascentes de base tecnológica e alto potencial de crescimento), ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs. Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no país, muitas delas incubadas em universidades, com dedicação ao desenvolvimento de soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavouras e automação de equipamentos.

Há exemplos clássicos de avanços tecnológicos, principalmente entre grandes produtores: os tratores agrícolas vêm equipados com diversas tecnologias, como GPS, e agricultura de precisão que diminui as deficiências de processos. As máquinas agrícolas têm equipamentos que mensuram todo o trabalho a ser feito e geram relatórios para melhorá-los. Uma adubadeira sabe metro a metro a dosagem certa, mapeia as variações de qualidade do solo e passa informações que permitem regular a máquina para cada situação.

Minas Gerais, com sua diversidade de clima e bioma e agricultura diversificada, é um laboratório para que as empresas possam investir e pesquisar. “Muitos produtores compram máquinas e não usam nem 10% de toda a tecnologia disponível”, diz Pierre Santos Vilela, superintendente do Instituto de Pesquisa e inovação do sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) .
Em novembro do ano passado, o sistema Faemg, por meio do Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), lançou o projeto Novo Agro 4.0, que conecta startups e universidades com o agronegócio, com o propósito de identificar e fomentar iniciativas que gerem tecnologias de ponta para o desenvolvimento do agronegócio. Segundo o presidente do sistema Faemg, Roberto Simões, é o marco de uma nova era do agronegócio: “não conseguiremos sozinhos a solução para esses problemas. Precisamos contar com a tecnologia e com os jovens para criar um sistema novo, real, sustentável e igualitário”.

O projeto identifica demandas do produtor rural e busca soluções para aumentar ganho de produtividade e competitividade. Pierre Santos Vilela disse que o conceito genérico de startup é uma empresa que tem uma tecnologia baseada em informação, comunicação e inovação, “normalmente ela rompe com bastante força os meios tradicionais de fazer e conduzir processos e tem alto potencial de rápido crescimento em termo de adoção e disseminação de tecnologias”.

Não se trata de inovação tecnológica tradicional, como a biotecnologia, genética, mas de comunicação, de forma a otimizar processos e produtos. A iniciativa tem por meta aproximar dois grupos inovadores (criadores dessas tecnologias) do usuário final que é o produtor, abrindo caminhos para que eles conversem e facilitem o processo de adoção e disseminação dessas tecnologias.

O grande desafio no campo é eliminar a lacuna existente entre o desenvolvimento da tecnologia e sua chegada ao usuário final. A instituição quer mostrar ao produtor que existem meios inovadores e a seu alcance de interferir no processo de gestão, manejo, com impactos no custo da produção.

Do celular

A própria Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estimula novidades no mercado de aplicativos. Nova versão do aplicativo Doutor Milho, lançado há um ano, será apresentada ao público durante a 30ª edição do evento Show Rural Coopavel, de hoje a sexta-feira na cidade paranaense de Cascavel. A Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, na Região central de Minas, estará presente na feira que conta com mais de 500 expositores dispostos em uma área de 720 mil m².

A instituição considera a escolha da semente certa meio caminho andado para o sucesso de qualquer lavoura de milho. O novo aplicativo auxiliar os produtores no momento da opção pela semente mais adaptada à determinada região. Eles podem fazer consultas off-line sobre as cultivares de milho disponíveis atualmente no mercado a partir de um banco de dados que reúne informações técnicas cedidas por todas as empresas sementeiras.

Para o pesquisador Israel Alexandre Pereira Filho, da Embrapa Milho e Sorgo, o objetivo da equipe desenvolvedora é oferecer melhorias constantes ao aplicativo, e ele destaca que, nessa nova versão, atende a todas as 239 cultivares recomendadas para as safras 2017/2018 (verão e safrinha) já estão disponibilizadas no app. Com isso, o produtor, por meio do seu dispositivo móvel, poderá entrar em contato com as mais modernas tecnologias de sementes de milho, facilitando a escolha da cultivar mais adequada para o clima, solo e objetivo de uso.

Prejuízo com os dias contados

As perdas na agricultura por deficiências na irrigação podem estar com os dias contados. Várias pesquisadores vêm estudando tecnologias capazes de eliminar problemas com os sistemas usados nas lavouras. A falha no fornecimento de energia e a má distribuição da água, por exemplo, muitas vezes só são percebidos pelo produtor quando a safra está perdida ou não corresponde às expectativas quando do plantio.

Lucas Teixeira Moura Soares, da Agrowet de Montes Claros, no Norte de Minas, conta que há 20 anos um dos sócios da empresajá percebia muitas deficiências no sistema tradicional de irrigação. “Eram muitas as deficiências de gestão, como o acompanhamento remoto. Algo que ocorria em todo o país”. Há dois anos, um grupo de cinco pessoas formado por engenheiros de produção, computação, mecânico, de controle e automação e um empresário do ramo agrícola decidiram construir solução com o objetivo de reduzir o consumo de água nas propriedades.

O primeiro passo foi a inscrição no programa Fiemg Lab, da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que tem como objetivo transformar ideias inovadoras em negócios e produtos. Em paralelo, eles se inscreveram em outro programa, o Hubine, do Banco do Nordeste, que os levou a um intercâmbio em Israel, país referência em irrigação e território que sofre problemas de escassez da água semelhantes aos do semiárido do Norte de Minas.

Foi, então, que o grupo criou a tecnologia de monitoramento que consiste em uma central abrigada na sede da propriedade e que se liga a um aplicativo que permite ao agricultor monitorar e receber alertas de qualquer irregularidade de funcionamento em qualquer parte do mundo. O sistema encontra-se em fase de validação, tendo sido instalado como iniciativa-piloto em algumas propriedades. “Em algumas delas, já registramos a redução do consumo de água de 40%”, revela Lucas Soares.

Sobre as dificuldades operacionais, Lucas Soares revela que não encontrou muitos problemas: “O homem do campo hoje está muito antenado e vi uma pesquisa que indica que 67% das propriedades rurais têm acesso à internet”.

O acesso à internet foi uma das preocupações dos fundadores da Next Agro. “Nem sempre a internet funciona plenamente no campo, por isso optamos por instalar no painel central do pivô o monitoramento a partir de mensagem do SMS do celular. Mesmo com falta de energia, ele funciona”, explica Lucas Simão Santiago, um dos sócios da startup. O produto lançado pela empresa, também destinado à irrigação, aporta uma mini-estação meteorológica, permitindo ao operador do sistema prever a quantidade de água e tempo de uso do equipamento.

Ano passado foi de validação tecnológica, com 10 controladores instalados em meia dúzia de cidades, no Centro-Oeste de Minas Gerais e a aceitação tem sido muito boa, de acordo com o empresário. “Estamos apresentando inovação e isso sofre restrição no meio rural como em qualquer outro meio”. Durante esse processo (de validação) são medidos efeitos e defeitos a ser incorporados ou corrigidos. “Nosso desafio é demonstrar que é acessível”. Segundo Lucas Santiago, o custo do controlador de um pivô gira em torno de R$ 6,7 mil. O cliente vai pagar mensalidade de R$ 80, que inclui parte de manutenção do sistema de SMS de alerta, de dados e previsão do tempo. (EG) 

Pivô central

Pivô central é um equipamento para irrigação de grandes culturas, em média 60 hectares (equivalente a 70 campos de futebol). Os pivôs têm braços de irrigação, sendo que alguns deles alcançam 1,2 quilômetro, com diversas torres de apoio. A água chega na torre central e é bombeada por meio da energia elétrica, às diversas torres de apoio que se movem escalonadamente.

Fonte: Em.com

 

Plantas tropicais podem se adaptar a ambientes internos da casa

MCA Estúdio

Luz, água e nutrientes: os elementos básicos para a manutenção da vida das plantas tropicais estão ao alcance de qualquer aspirante a jardineiro. Mesmo em ambientes fechados, espécies que costumam florescer no verão podem se desenvolver bem, desde que a escolha seja certeira e os cuidados respeitados.

Adepta da criação em seu próprio apartamento, a arquiteta e paisagista Denise Barretto transformou sua varanda de 40m² em um verdadeiro refúgio. Nela, habitam atualmente palmeiras, clúsias (uma espécie de arbusto) e até mesmo uma figueira. “A colocação dos grupos de vasos, em cada ângulo da varanda, criou uma massa de vegetação maciça, que ajuda a abafar os ruídos da cidade”, conta Denise. “As plantas tropicais são indicadas para o cultivo em residências pois, além de valorizarem a decoração, se adaptam bem aos interiores”, completa sua análise a paisagista.

Para quem sonha em ter ao menos um pedacinho de Mata Atlântica em casa, o primeiro aspecto a ser considerado é a intensidade da iluminação natural necessária para cada espécie. Depois vem a questão da mobilidade uma vez que, eventualmente, trocar as plantas de posição de tempos em tempos é um fator que precisa ser considerado.

“Há plantas que gostam de locais com muita luminosidade, como a figueira, e outras que preferem ambientes a meia sombra, como a palmeira, muito utilizada em espaços internos, por exemplo”, pontua Denise. “Mas para todas vale a dica: folhas amarelas indicam excesso de luz, enquanto as escuras podem ser sinalizar falta de luminosidade.”

Em relação à quantidade de água, em muitos dos casos, as plantas morrem mais pelo excesso do que pela ausência de irrigação. Por isso, verificar a real necessidade é também fator determinante para um jardim de sucesso. Para não errar, verifique a umidade da terra do vaso sempre que possível colocando os dedos a dois ou três centímetros de profundidade para checar se ela está seca ou encharcada. “Utilizo vasos cerâmicos em tons de terracota envelhecido, que permitem que a folhagem fique espalhada e vistosa na decoração”, observa.

A área verde pode, porém, ficar limitada quando os proprietários e cuidadores do jardim têm pouco ou nenhum tempo disponível no dia a dia para a criação. Mesmo nesses casos, há espécies tropicais que também se adaptam a vasos e ambientes internos sem a necessidade de cuidados intensos. O caso mais notório é o da famosa samambaia, aplicada no projeto do arquiteta Marcella Monfrinatti, da TWODesign.

A escolha das variáveis paulistinha e crespa se deram justamente pela baixa incidência de iluminação natural do apartamento e pelo tempo restrito dos moradores para o cuidado. “Todas são plantas que se adaptam bem em apartamentos pela pouca incidência de sol. É bom mantê-las em ambiente arejado e regá-las de uma a duas vezes por semana”, explica o arquiteto, que optou por acomodá-las em nichos.

“A escolha dos vasos também precisa ser levada em consideração para que a planta não fique espremida. Nesse caso a escolha dos caixotes de madeira foi perfeita”, completa.

COMO CUIDAR SEM ERROS

Alta incidência de luz ou sombra? Muita ou pouca água? Saiba as necessidades das espécies comuns no ambiente doméstico

Orquídea

Orquídea Foto: Paulo Liebert/Estadão

Ela não suporta o excesso de água, por isso pode ser regada uma vez por semana. A folhagem mostra se ela está recebendo luminosidade suficiente; se estiver escura, mude o vaso de local. Quanto mais contato com a luz, mais ela irá florir.

 

Avenca

Avenca Foto: Kenji Honda/Estadão

A falta de luz pode provocar a proliferação de pragas ou doenças. Por isso, tenha o hábito de girar o vaso de tempos em tempos.

 

Samambaia

Samambaia Foto: Agliberto Lima/Estadão

Esse tipo de planta gosta de solo úmido e sol fraco. Quando regá-las, escorra a água que ficar no prato para evitar o excesso de umidade. Tome cuidado para escolher um canto longe de correntes de vento, que desidratam a planta e fazem as folhas caírem.

 

Bromélia

Bromélia Foto: José Patrício/Estadão