Irrigação por gotejamento e o papel crucial na gestão da água

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O risco de falta de água é global. No Brasil recentes casos de crise hídrica em diversas regiões do país acenderam o sinal de alerta para o consumo consciente do recurso hídrico. Nesse cenário de falta de água a agricultura fica na linha de frente, colocada como a principal vilã e competidora quando o assunto é abastecimento.

O que muitos não sabem é que além da importância indiscutível da agropecuária no que tange a oferta de alimentos, o setor também já se mobiliza em torno da utilização sustentável do recurso. Produzir mais, em menos espaço e com pouca água é, atualmente, o grande desafio da agricultura, principalmente em regiões nas quais água e terra arável são escassas.

Seth M. Siegel, advogado e ativista ambiental norte americano, autor do livro “Faça-se a Água”, lançado há pouco no Brasil, em entrevista recente a IstoÉ Dinheiro, afirmou que a sociedade precisa se preparar para escassez de água, e a agricultura tem um papel fundamental nesse futuro. Sem gestão adequada do recurso comunidades já sofrem com a falta da água, mas para que a água chegue a população e também abasteça o campo, é preciso a adoção de tecnologias que permitam produzir mais, com menos.

Foi justamente a necessidade de produzir alimentos com poucos recursos naturais que fez de Israel uma referência em gestão. A irrigação por gotejamento nasceu exatamente neste ambiente desértico, mostrando que é possível colher em terras originalmente secas. Para se ter ideia, o índice médio de chuva em Israel é de 600 milímetros por ano – no semiárido brasileiro, o índice é de 800 milímetros anuais. Na região sul, onde está o deserto de Negev, esse índice não chega a 30 milímetros/ano.

Assim, nasceu a israelense Netafim, pioneira na tecnologia de irrigação por gotejamento, com a missão de conduzir a adoção em massa das soluções de irrigação inteligente para combater a escassez de alimentos, água e terra. O objetivo inicial de ‘florescer no deserto’, se transformou em um grande legado de sustentabilidade e compromisso com o meio ambiente.

No Brasil, Embora o volume total de chuva seja favorável a produção agrícola, a sua distribuição ao longo dos meses não acompanha o ciclo das culturas e acaba faltando água justo nas horas mais importantes. Desse modo, a irrigação inteligente vem sendo cada vez mais adotada, tanto pela preocupação dos produtores em garantir abastecimento o ano todo, quanto pelo melhor aproveitamento das culturas quando se fala de produtividade.

Em 2015, a região sudeste vivenciou um dos piores racionamentos de água dos últimos anos. No Espirito Santo, principal região produtora de café conilon, produtores viram os cafezais desfolharem na seca, e a baixa produção levou o governo brasileiro a autorizar a importação de café para atender a demanda das indústrias de solúvel.

Dessa vez quem sofre é a região Centro-Oeste. Brasília e Goiás enfrentam a pior seca dos últimos 30 anos, e os governos locais já decretaram racionamento severo. Os produtores que não tem reserva, estão impossibilitados de cultivar no inverno e, na safra de verão, ficam reféns de chuvas escassas.

Diante dos riscos eminentes de falta de abastecimento, Seth M. Siegel, defende que a irrigação por gotejamento é a única opção para manter a produção de alimentos e garantir o fornecimento de água à população. “Na agricultura é preciso mudar para o sistema de irrigação por gotejamento. Muitas pessoas que leem meu livro esperam deparar apenas com coisas ruins, mas a realidade é que já existem tecnologias capazes de mudar a forma como lidamos com a água”, disse o ambientalista em entrevista.

Verdade que, diferente de Israel, o Brasil possui a maior reserva de água do mundo, na Amazônia. Mas, é preciso considerar que nem sempre a maior concentração de água está localizada nas regiões populosas. “Usar as condições climáticas como desculpa, por outro lado, é inaceitável. O motivo pelo qual escrevi o livro é por estarmos diante de um risco global. Precisamos nos preparar para a falta d’água e não adianta rezar. É preciso mudar a agricultura, construir a infraestrutura para o reuso da água. Se fizermos tudo isso, é impossível ficar sem água, a menos que aconteça uma catástrofe”, destacou Siegel.

O Brasil possui uma vasta extensão de terra que podem ser aproveitas para o cultivo de alimentos. Mesmo nas regiões mais secas, o planejamento e a adoção das tecnologias certas, permitirão que o país avance como grande potência mundial na produção alimentos, e a irrigação inteligente é uma ferramenta fundamental para construção desse futuro.

Por Cristiano Jannuzzi, gerente agronômico da Netafim Brasil

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Agricultor muda sistema de irrigação e economiza água em plantação de bananas

Plantação passou por mudanças na irrigação

O agricultor Eugênio Oliveira, que mora na Zona Rural do município de Aparecida, Sertão paraibano, a 420 quilômetros de João Pessoa, mudou a foram de irrigação em sua plantação de bananas e vem colhendo diversos benefícios, além da diminuição drástica do consumo de água.

A mudança no sistema de inundação para irrigação localizada foi uma orientação de técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater).

Segundo o coordenador regional da Emater em Sousa, Francisco de Assis Bernardino, as principais vantagens e benefícios da mudança do sistema de irrigação é o aumento da produtividade da cultura, maior eficiência no uso da água e energia, com maior eficácia no controle de pragas e doenças.

O agricultor cultiva bananeiras em menos de um hectare de terra, tendo uma produtividade de 13 toneladas. Toda a produção é comercializada para o estado de Pernambuco, por meio de atravessador que vai buscar a banana na propriedade de Eugênio Oliveira.

Fonte: Portal Correio

Estiagem de setembro tem pouco impacto na safra de soja da região Sul do Mato Grosso do Sul

Uma ferramenta muito útil é o sistema de irrigação, que em anos de estiagem como esse, trazem muito conforto e segurança para os produtores – Foto: Rodrigo Arroyo Garcia
Em setembro de 2017, choveu apenas 12 mm, ou seja, apenas 12% da média histórica do mês na região. Além da pouca chuva, o mês também foi o mais quente dos últimos 39 anos, com temperatura média de 25,7ºC. Nesse sentido, essas condições climáticas influenciaram no início do plantio da soja no sul do estado.

O vazio sanitário da soja encerrou oficialmente no dia 15 de setembro, plena época em que a estiagem estava forte e sem previsão de chuvas para aqueles dias. Hoje, porém, quase 30 dias após data de largada da semeadura das lavouras de soja no Sul de Mato Grosso do Sul, muitos produtores ainda estão iniciando a implantação das lavouras.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia, explica que apesar da chuva ter atrasado o início do plantio, por enquanto não há nenhum impacto negativo nessa safra de soja. Muitos produtores, principalmente os que cultivam áreas maiores, começam o plantio na segunda quinzena de setembro, o que não ocorreu de forma tão acentuada nesse início de safra. “Se tudo transcorrer normalmente, e não tivermos nenhuma outra janela prolongada de estiagem em outubro, ou mesmo excesso de chuvas, boa parte das áreas de soja serão implantadas no mês de outubro, o que está dentro do esperado”, explica ele.

“Quanto mais o produtor atrasar o plantio, maior pode ser a pressão dos problemas fitossanitários, como a ferrugem asiática e o percevejo. Mas, o potencial produtivo é excelente mesmo que o plantio seja efetuado em novembro. Nesses casos, o uso de materiais precoces associado ao monitoramento fitossanitário adequado são fundamentais para o bom êxito da lavoura e viabilidade do milho em sucessão”, disse ele.

Irrigação – Outra alternativa que o produtor dispõe é a irrigação das lavouras. “Essa é uma ferramenta muito útil, que em anos de estiagem, como esse, trazem muito conforto e segurança para os produtores”, explica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Danilton Luiz Flumignan. Segundo ele, neste ano, por exemplo, o produtor que dispõe de sistemas de irrigação na sua propriedade iniciou a semeadura juntamente com a liberação do vazio sanitário, em 16 de setembro. Isso porque com a irrigação ele mesmo poderia fornecer a água que faltou devido à falta de chuvas.

Mas não é só isso. Danilton afirma que mesmo em épocas mais úmidas a irrigação nessa região do Estado pode ser um bom negócio. “Mesmo nas safras de maior oferta de chuvas para o cultivo da soja, sempre temos pequenos eventos de seca, fazendo com que a irrigação seja necessária para atingir o potencial produtivo que considero ser de, pelo menos, 80 sc ha-1 hoje”, afirma o pesquisador da Embrapa.

Ele explica que a irrigação tem como características atrativas a obtenção de altos índices de produtividade e da estabilidade interanual da produção, pois evita prejuízos nas lavouras por déficits hídricos e contribui para melhor planejamento da atividade agrícola. 

Custo de produção – Os estudos de viabilidade econômica foram realizados considerando os preços de fatores e produtos vigentes, levantados nos meses de junho e julho de 2017. Os dados pesquisados pelo analista da Embrapa Agropecuária Oeste Alceu Richetti, demonstram que na safra 2017/2018, serão cultivadas 60%, da área total destinada ao cultivo de soja, com a soja Bt + Roundup Ready, ou seja, soja IPRO. Os 40% de áreas restantes destinadas ao cultivo do grão serão cultivados com soja modificada geneticamente com tecnologia Roundup Ready, denominada, soja RR.

“Em termos de produtividade estimada, o estudo demonstra que a soja IPRO apresenta maior potencial produtivo, principalmente na região Centro-Sul do Estado de Mato Grosso do Sul, com dados estimados de 3.600 kg ha -1 (60 sc). Já, a produtividade estimada da soja RR é de 3.300 kg (55 sc)”, explica Alceu.

No documento estão identificadas ainda as quantidades de insumos, as operações agrícolas, a gestão da propriedade, assim como as produtividades, os ganhos obtidos com essa produção e a eficiência produtiva. A partir da confrontação dos custos de produção observados e do rendimento médio obtido com o cultivo da soja foi analisada a eficiência econômica da produção.

Os resultados da pesquisa revelam que na safra 2017/2018, o custo estimado de produção da soja IPRO por hectare (R$2.973,69) é maior do que o da soja RR (R$2.914,62). “A adoção da tecnologia IPRO ocasiona forte impacto no custo das sementes, atingindo R$ 325,50 por hectare. Já, para a RR, os valores são bem inferiores. Mas, a tecnologia da soja IPRO proporciona redução nos gastos com inseticidas, que aliada aos resultados de produtividade mais expressivos, conquista uma receita superior que a soja RR”, explica Richetti.

As informações referentes às práticas de manejo adotadas, assim como as tecnologias utilizadas, na formação dos custos, foram colhidas em painéis que contaram com a presença de técnicos e produtores, com o objetivo de atualizar o sistema de produção de soja predominante no Estado de Mato Grosso do Sul. A área média das lavouras de soja, para a safra 2017/2018, será de 840 hectares, dos quais, aproximadamente, 70% são de propriedade do produtor e 30% são arrendados.

Alceu explica ainda que as análises de viabilidade econômica possibilitam ao produtor conhecer os resultados econômico-financeiros obtidos em um determinado período e nortear o planejamento e as decisões a serem tomadas para os anos subsequentes, sendo uma ferramenta estratégica para a gestão da atividade agrícola. O documento intitulado “Viabilidade econômica da cultura da soja na safra 2017/2018, em Mato Grosso do Sul”, de autoria de Alceu Richetti e Rodrigo Arroyo Garcia, pode ser acessado também pela internet. Clique em http://bit.ly/2gprsce.

Chuvas de setembro – Para compreender melhor o que aconteceu em termos agrometeorológicos no mês de setembro, confira as explicações do pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Carlos Ricardo Fietz. Segundo ele, houve apenas três dias chuvosos, sendo que a maior precipitação foi 5 mm no final do mês em 25 de setembro. Com base nos registros das estações meteorológicas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pode-se observar que as chuvas foram inexpressivas em toda a região sul de Mato Grosso do Sul: Campo Grande (45 mm), Ivinhema (35 mm), Ponta Porã (23 mm), Maracaju (22 mm), Itaquirai (22 mm), Bela Vista (21 mm), Sete Quedas (17 mm), Amambai (15 mm), Rio Brilhante (12 mm) e Jardim (11 mm).

“A ausência de chuvas impactou os solos da região que permaneceram em grande parte de setembro com níveis insatisfatórios de umidade, ou seja, com uma disponibilidade hídrica inferior a 50%”, disse Fietz.

Ele explica ainda que a pouca chuva também trouxe consequência para a saúde, pois refletiu diretamente na umidade média relativa do ar que foi 50%, ou seja, um índice 10% menor que a média do mês (60%). Os dado revelam que desde 2001, quando o Guia Clima iniciou o monitoramento dos extremos de umidade do ar em Dourados, 2017 foi o ano que em houve o maior número de ocorrências de níveis de umidade inferiores a 30%, com 22 registros, atingindo 11%, no dia 23 de setembro. “Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), níveis de umidade do ar inferiores a 30% exigem cuidados, pois podem ser prejudiciais à saúde humana. Algumas manifestações típicas de baixos índices de umidade relativa do ar são pele, olhos, nariz e gargantas secos; cabelos “indisciplinados”; indisposições físicas e aumento dos incêndios”, completa o pesquisador.

A temperatura média em Dourados foi quase 4ºC superior à média histórica, 21,8°C, ou seja, foi de 25,7°C. Assim, setembro de 2017 foi o mais quente em 39 anos, desde 1979. “A média das máximas, 33,8°C, foi quase cinco graus superior à normal, 29,2°C. Em 25 dias, a temperatura superou 30°C e a máxima do mês foi 37,6°C, em 14 de setembro. A média das mínimas foi 18,5°C, quase três graus superior à média histórica, 15,8°C. Não houve registro de temperaturas inferiores a 10°C e a mínima do mês foi 14,5°C, registrada em 17 de setembro. A temperatura mínima registrada na região sul de Mato Grosso do Sul foi 11,4°C, em Amambai, em 18 de setembro, enquanto a máxima ocorreu em Rio Brilhante, 40,5°C, também em 18 de setembro”, explica Fietz.

Fonte: Agora MS

Comunidades de agricultores participam de curso sobre irrigação

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Comunidades de agricultores estão participando, até este sábado (21), de curso sobre irrigação, onde recebem aulas teóricas e práticas. A capacitação integra as atividades da 60ª edição da Expoema, realizada no Parque Independência. Participam produtores do Agropolo da Ilha e da cadeia produtiva do arroz. Eles estão adquirindo mais conhecimentos para melhorar a qualidade da produção e inserir técnicas mais atualizadas de cultura.

O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima), Márcio Honaiser, pontua que o curso é mais um estímulo aos produtores, para que possam qualificar suas culturas. “O conhecimento serve tanto a quem trabalha com hortifruticultura, quanto às cadeias do leite, bovinocultura, arroz e várias outras. A Expoema é uma oportunidade para divulgar e oportunizar essas capacitações, que têm sua continuidade no programa estadual do Agropolos”, enfatizou Honaiser.

“Todo esse aprendizado acumulado aqui no evento vamos aplicar com os produtores com objetivo de potencializar a cultura do arroz. Este tipo de ação é sempre importante por estimular a produção, ajudando a melhorar a qualidade do que é cultivado. A capacitação é sempre importante”, enfatizou o engenheiro agrônomo Sebastião Rodrigues Neto, que acompanha as ações da cadeia produtiva do arroz.

O curso de irrigação faz parte das ações do programa Agropolos, do Governo do Estado, que tem como objetivo apoiar e reforçar as cadeias de produção locais. O projeto atende a produção de pescados, hortaliças e grãos e é promovido em parceria com agricultores, instituições de classe, financeiras e de ensino. Estudantes também estão participando do curso de irrigação junto com 20 comunidades produtoras.

A produção do Agropolos é distribuída para merenda escolar da rede estadual, para pessoas em situação de vulnerabilidade e comercializada a preços mais acessíveis. Além das comunidades produtores da Ilha, que congregam 250 propriedades, as ações do Agropolos atendem ainda produtores do Rio Balsas e Rio Tocantins, das cadeias de aquicultura, leite, carne e couro e hortifruticultura, totalizando 725 propriedades. O programa oferece mais de 80 capacitações, além de distribuir maquinário e insumos.

“O Maranhão possui um imenso potencial para irrigação, graças à riqueza de águas. Estamos incentivando os nossos produtores a terem cada vez mais conhecimentos das novas tecnologias do setor, para que possam aproveitar de forma mais eficiente e sustentável a água disponível, aumentando sua produção e renda”, enfatizou o secretário Márcio Honaiser.

Fonte: Agência Notícias Maranhão

Poços perfurados no Sertão de PE não garantem consumo consciente das águas

Na Vila Jatiúca, em Santa Cruz da Baixa Verde, a maioria da água utilizada pelos moradores é de poço escavado em uma propriedade privada. - Créditos: Kátia Viana

Como alternativa para driblar as dificuldades causadas pelo período de grande estiagem no Semiárido de Pernambuco, moradores e moradoras dessa região optam por alternativas para se manterem durante os períodos com grande escassez de chuva. Muitas delas recorrem, por exemplo, para as águas subterrâneas, que são utilizadas através da perfuração dos poços artesianos e amazonas.

Em Pernambuco, essas águas estão contidas em terrenos porosos ou em rochas cristalinas. Para o hidrogeólogo e professor doutor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Waldir Costa, há riscos do uso sem controle dessa água. “São vários os problemas que surgem com a utilização descontrolada, podendo se destacar como os mais graves a exaustão do reservatório subterrâneo, quando as retiradas ultrapassam as recargas naturais, afundamento de terrenos que resultam em desabamentos de instalações prediais e o aumento da salinização pela concentração de sais”, pontua. Ele ainda destaca a contaminação dessas águas por esgotos, por produtos defensivos usados na agricultura irrigada, por lixões, por derramamento e infiltração de produtos tóxicos.

Mesmo entendendo que a água é um recurso finito, muitas agricultoras assessoradas pela Casa da Mulher do Nordeste, organização que integra a Articulação no Semiárido Pernambucano (ASA-PE), são obrigadas a recorrer aos poços, mesmo sabendo que é uma solução paliativa. Para a agricultora Ariane Souza, 47 anos, moradora da comunidade rural de Corisco, em Afogados da Ingazeira, o poço foi por muitos anos sua única alternativa de acesso à água. “Tenho meu poço artesiano há mais de 12 anos. Antes dele, nós andávamos mais de 8 km para tirar água dos açudes de outros moradores. Era longe e muito cansativo. É com essa água que lavo as roupas, que mato a sede dos meus animais e uso em minha horta. Tenho a cisterna, mas só utilizo a água dela para consumo próprio. Não sei o que seria de mim sem esse poço”, afirma.

Com a missão de contribuir para o conhecimento, a conservação e a gestão das águas na região Nordeste do Brasil, a Associação de Águas do Nordeste (ANE), integrante da ASA-PE, tem trabalhado para que o uso desse recurso fornecido pelos poços seja utilizado de forma consciente pelos sertanejos  e sertanejas. Para Ricardo Braga, presidente do Conselho Deliberativo da ANE, a instituição tem trabalhado para a contribuição nas políticas públicas envolvendo perfuração de poços. “A ANE desenvolve ações no Semiárido para conservação e uso sustentável das águas de aluvião, em leito seco de rio intermitente”, ressalta.  A utilização dos poços tem sido adotada como medida paliativa por alguns municípios que são mais afetados pelos períodos de estiagem. Para Ricardo, essa é uma alternativa válida, porém limitada. Por lei, todos os poços escavados em PE devem ser cadastrados na Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC). No entanto, só os poços de águas profundas e de grande vazão precisam da chamada outorga de uso da água.

Não a privatização da água

O agricultor José de Melo, 56 anos, é morador da Vila Jatiúca desde 1975, no Município de Santa Cruz da Baixa Verde. Ao longo dos 42 anos, ele observou as mudanças nas fontes de água existentes e como essa água tem chegado para a população local. “Quando cheguei aqui à água vinha de uma nascente, era água limpa e a gente não pagava por ela. Da nascente vinha até uma caixa d’água e era distribuída”, relata.

Apesar da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) realizar abastecimento na vila, não é direcionado a todas as casas. A grande maioria utiliza água vinda de um poço artesiano escavado em uma propriedade privada. No ano de 2000, a população local fez um mutirão para a escavação de tubulações que ligavam a água do poço às residências. José de Melo conta que a água do poço não recebe tratamento algum, e por isso só pode ser destinada a serviços de limpeza.

Dados inéditos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que 71,8% dos municípios não possuíam, em 2011, uma política municipal de saneamento básico. A estatística corresponde a 3.995 cidades que não respeitam Lei Nacional de Saneamento Básico, aprovada em 2007.

A principal preocupação das pessoas que residem em Jatiúca é a degradação das fontes de água. O esgoto coletado é depositado no riacho que circunda a vila e esse mesmo riacho fica próximo do poço artesiano que fornece água as residências. “Durante muito tempo a gente usou a água desse poço, mas houve uma época em que o prefeito interditou, pois foi encontrado um alto teor de coliforme fecal. Começamos usar então a água do poço de um sítio próximo (Santana dos Guerras), mas o poço de lá secou, daí voltamos para o primeiro poço”.

A organização coletiva é uma das alternativas encontradas para a busca de garantia de direitos, como o acesso água. O exemplo de perseverança da população que cavou sua própria rede de tubulação para acessar água hoje está sendo seguido por um grupo de jovens, que está se organizando com o objetivo de revitalizar a associação e moradores da vila Jatiúca.

*Núcleo de Comunicadoras e Comunicadores da ASA-PE

Edição: Catarina de Angola