Cesan quer proibir agricultores de fazer irrigação com água do Jucu

Com a queda acentuada da vazão do Rio Jucu, a Cesan pediu que fosse reconsiderado o acordo que permite que produtores de Marechal Floriano e Domingos Martins mantenham a irrigação com água do rio.
“Fizemos um comunicado ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Jucu de que seria conveniente reavaliar o acordo”, afirmou Amadeu Wetler, diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Cesan.
Hoje não se pode utilizar água do rio para fazer a irrigação de plantações, nem durante o dia, nem à noite. Mas o acordo assinado no dia 29 de setembro criou exceções, com restrições, para plantadores de Marechal e Domingos Martins.
Desde que seja mantida a prioridade para abastecimento humano e animal, está liberada a irrigação de culturas olerícolas folhosas (como alface), durante o dia. Culturas anuais ou temporárias só podem ser irrigadas à noite, exceto quando estão no estágio inicial de plantio, quando também podem durante o dia.
Wetler confirma que, se dependesse da Cesan, o acordo com os produtores seria suspenso até que a vazão do rio volte ao normal.
O presidente da Bacia do Jucu, Élio de Castro, afirma que não recebeu comunicação da Cesan e que isso deve partir da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh). “Se a vazão baixar e comprometer o abastecimento, o acordo vai perder o efeito vamos voltar a discuti-lo”, ponderou Élio.
A Agerh, por meio de sua assessoria, diz que aguarda resultado de mais ações de fiscalização da Polícia Militar Ambiental na região.
Racionamento
Amadeu Wetler afirmou que é necessário observar as condições dos Rios Jucu e Rio Santa Maria, que abastecem a Grande Vitória, para confirmar se o desabastecimento ocorrerá por mais de um dia por bairro. A vazão do Rio Jucu, ontem, era de 3.937 litros por segundo (l/s). É considerada crítica abaixo de 5.292 l/s.
De qualquer forma, mesmo que o aumento do racionamento se confirme, a Cesan afirma que os bairros não ficarão dois dias consecutivos sem água.
Guarapari sem água por vandalismo
O abastecimento de água para Guarapari ficou comprometido ontem por causa de um ato de vandalismo. O ressalto hidráulico da Cesan no Rio Benevente, em Anchieta, foi destruído. Parte da água que abastece Guarapari é captada nesse rio.
Por nota, a Cesan comunicou que teve que reduzir a vazão de água tratada para a cidade e que a previsão era de que até as 10 horas de hoje o abastecimento seja normalizado. “As equipes técnicas já foram mobilizadas e os reparos devem concluídos”, informou o comunicado da Cesan.
“O ressalto hidráulico tem a função de garantir que o nível do rio no local seja suficiente para que as bombas possam captar água e enviar para a estação de tratamento”, explicou a nota. Os sacos de areia que compõem o ressalto foram destruídos com algum objeto cortante.
Polícia não encontra irregularidades em rio
Segue sem resposta a motivação para a queda brusca na vazão do Rio Jucu, que abastece Vila Velha, a Ilha de Vitória e parte de Cariacica. A Polícia Militar Ambiental, acionada pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), checou a área que compõe a bacia do Rio Jucu e não identificou irregularidades.
“Nesta quinta-feira (ontem), a PM fiscalizou 16 propriedades localizadas às margens do Rio Jucu, de Vila Velha a Viana. Não foi encontrado nenhum tipo de irregularidade”, diz trecho de nota enviado pela comunicação da polícia.
Informou ainda que continua monitorando a região do Baixo Jucu, que abrange parte de Cariacica, Viana e Vila Velha. A ação é para verificar se os produtores estão respeitando a resolução nº38, que proíbe irrigação tanto de dia quanto de noite.
Por meio de sua assessoria de comunicação, a Agerh informou que continuará a aguardar os resultados das ações de fiscalização da Polícia Militar Ambiental.
A vazão do Rio Jucu, ontem, era de 3.937 litros por segundo (l/s), menor do que no dia anterior, de 4.389 l/s. A quantidade já é considerada crítica quando não passa de 5.292 l/s.
Análise
“É necessário economizar” – Antônio Sérgio Ferreira, doutor em recursos hídricos
“Eu sou contra o racionamento pelo racionamento. Se tiver água que permita abastecer, ela iria para o mar se não tiver onde armazenar. Fazer um racionamento assim seria impor um sacrifício à população, sem benefício algum. O excesso de água iria para o mar. Mas se a vazão estiver pequena, o racionamento equilibra a distribuição entre os bairros. No caso do Rio Santa Maria da Vitória, tem um reservatório para segurar a água. No Jucu, não. Em todos os casos, é necessário economizar. Com um Plano Estadual de Recursos Hídricos, vai se fazer um diagnóstico e discutir sobre qualidade, gestão, governança e alternativas para o problema. As coisas vão ser feitas de maneira planejada. Além disso, tendo plano, fica mais fácil obter recursos para fazer as obras.”

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