Conheça mais sobre irrigação sustentável para hortas

Determinação-da-água-no-solo-com-sensores-tensiométricos-para-irrigar-de-alho-corretamente-Crédito-Waldir-A.-Marouelli

Foto: Divulgação

Economizar água e produzir mais – Sustentabilidade na irrigação de hortaliças

As hortaliças requerem boa disponibilidade de água no solo para que produções elevadas e de boa qualidade sejam alcançadas. Enquanto algumas toleram solos relativamente secos por alguns dias, como a batata-doce e o quiabo, ou por até semanas, a exemplo do grão-de-bico e da lentilha (sem que a produtividade seja prejudicada), a maioria precisa de suprimento de água constante durante todo o ciclo de cultivo.

Isso se deve ao fato de as plantas terem ciclo de vida curto (70-150 dias), raízes pouco profundas (20-40 cm) e alto teor de água (80-95%) nas partes comestíveis (folhas, frutos, tubérculos, raízes etc.).

Importância da irrigação

A irrigação é uma das práticas culturais mais importantes na produção de hortaliças, sobretudo em regiões ou estações com distribuição irregular de chuvas ou com períodos prolongados de estiagem. Mesmo em lugares úmidos, a ausência de chuva, ainda que por poucos dias, pode prejudicar a produção de espécies sensíveis à falta de água.

Hortaliças folhosas, como a alface, a cebolinha e a rúcula, requerem irrigações complementares mesmo durante a estação das chuvas.

Excesso também é prejudicial

As hortaliças não toleram excesso de água. Tal recurso em demasia prejudica a aeração do solo e a respiração das raízes, predispõe a maior ocorrência de doenças de solo e favorece a maior perda de nutrientes por lixiviação, principalmente nitrogênio e potássio.

Já o molhamento frequente da folhagem das plantas pela água de irrigação (aspersão) favorece o aumento de doenças de parte aérea. Portanto, há tendência de maior uso de agrotóxicos para o controle de doenças nas lavouras irrigadas em excesso ou em regime de alta frequência.

Ao contrário do que possa parecer (e do que é praticado), questões sobre quando e quanto irrigar não apresentam simples respostas, pois dependem de vários fatores como espécie cultivada, fase de desenvolvimentos das plantas, tipo de solo e condições climáticas.

Problemas associados à irrigação

Embora a agricultura irrigada seja comumente associada a um elevado nível tecnológico, a irrigação no Brasil é frequentemente realizada com grande desperdício de água, até em regiões com baixa disponibilidade hídrica.

Isso se deve ao uso de sistemas de irrigação ineficientes, a problemas de manutenção de equipamentos e ao desconhecimento, por parte do produtor, da capacidade de armazenamento de água dos solos, das necessidades de água das culturas e dos problemas decorrentes de uma irrigação mal feita.

Afirmar que as hortaliças são irrigadas sem qualquer critério técnico não provoca qualquer surpresa para muitos – inclusive, a maioria dos produtores assegura que não irriga corretamente. Por segurança e por serem as hortaliças exigentes em água, os produtores irrigam normalmente em excesso, certos de que altas produtividades estarão garantidas, o que não é verdadeiro.

Por mais contraditório que seja, a estratégia de se irrigar em excesso pode não garantir o pleno suprimento de água para as plantas até a próxima irrigação, pois o solo, muitas vezes, não armazena toda a água aplicada. Desse modo, a água fornecida em excesso escoa para além das raízes e não fica disponível às plantas.

Perdas

Estima-se que de toda a água captada para fins de irrigação, apenas 40-60% seja efetivamente usada pelas plantas. Nos sistemas de irrigação por superfície – em que o sistema por sulco é o mais usado –, as perdas podem ser ainda maiores.

As perdas ocorrem por vazamento, drenagem profunda, escoamento superficial, evaporação e, no caso da aspersão, também por deriva. Não é difícil encontrar sistemas de irrigação em que as perdas de água sejam inferiores a 25%. Para tal, basta-se irrigar na medida certa usando um sistema apropriado – existem muitas tecnologias disponíveis, inclusive de baixo custo, para que a irrigação seja realizada de forma mais sustentável.

Fonte: Revista Campos e Negócios

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