Dia de campo aborda o cultivo do feijão irrigado em Mato Grosso

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Foto: Gabriel Faria

O bom preço pago pela saca do feijão carioca despertou o interesse de dezenas de pessoas, entre produtores e consultores, que participaram do Dia de Campo sobre Feijão Irrigado realizado na última sexta-feira, na fazenda Macapé, em Sorriso (MT). O evento abordou o sistema de cultivo e chamou a atenção para os cuidados necessários para evitar frustrações de safra causada por pragas e doenças.

Em Mato Grosso, o feijão tem sido mais cultivado em terceira safra com irrigação por pivô central. Na maioria dos casos, a semeadura ocorre em um sistema após as culturas da soja e do milho, soja e arroz ou soja e algodão. Entretanto, o mercado favorável tem levado alguns agricultores a utilizarem o grão já na segunda safra, logo após a soja, ou ainda plantando safras sequenciais de feijão (segunda e terceira safra). Com isso, a manutenção de plantas vivas por longo período tem contribuído para a multiplicação de pragas e doenças.

A principal delas é a mosca branca, que se multiplica tanto na soja quanto no feijão. Além dos prejuízos que o inseto pode provocar nas plantas, ele ainda é o vetor transmissor do vírus que causa o mosaico dourado. A doença pode resultar na perda total da produção, uma vez que as vagens, e consequentemente os grãos, ficam atrofiados.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão Eliane Quintela, como a região Médio-Norte de Mato Grosso é grande produtora de soja, a mosca branca se multiplica em grande quantidade nessa lavoura. Quando se planta o feijão logo na sequência, ocorre grande migração do inseto para o feijoeiro.

“A gente tem recomendado não plantar o feijão logo após a colheita da soja, pois a soja é também hospedeira do vírus do mosaico dourado e também do carlavírus, que identificamos recentemente no feijão. A estratégia que recomendamos é só plantar a partir de abril/maio, com a irrigação”, diz a pesquisadora.

Mesmo com a recomendação agronômica, o preço pago pela saca de feijão tem estimulado alguns produtores a se arriscarem com a produção logo após a soja. Eliane Quintela explica que a prática é arriscada, pois a safra pode ser frustrada pelo mosaico dourado, além de se provocar danos em longo prazo.

“O que está acontecendo é que está aumentando na região a quantidade do inóculo dos vírus. A tendência com esse plantio continuado, com o manejo errado que é feito todos os anos, é de que eles tenham mais problemas na produção”, alerta a pesquisadora.

Durante o dia de campo o consultor agronômico Edson Pinela apresentou sistemas de produção mais adequados, entre eles o cultivo de uma planta de cobertura após a soja. Além de interromper o ciclo de multiplicação do vírus e reduzir a população de mosca branca, estas culturas ajudam na formação de palhada e no incremento de matéria orgânica no solo.

Cultivares

Além de abordar o sistema de produção, o dia de campo também apresentou cultivares da Embrapa que podem ser utilizadas em Mato Grosso. Entre elas estava o feijão preto BRS Esteio, os cariocas BRSFC402 e BRSMG Madre-pérola e o feijão especial BRS Ártico.

No campo, o público presente pode ver o porte o desempenho das três cultivares e de outros sete materiais lançados pela Embrapa.

De acordo com o agricultor e produtor de sementes, Leandro Lodéa, além de abordar o sistema produtivo com feijão, o dia de campo é uma forma de apresentar os materiais já disponíveis para a região. Entretanto, ele destaca a necessidade de obter novas cultivares mais adaptadas às características locais, como, por exemplo, às altas temperaturas que ocorrem no inverno.

“O intuito é buscarmos materiais para a região. A gente vem trabalhando junto com a Embrapa e outros institutos de pesquisa para identificarmos cultivares que venham a ser adaptados à região. Temos temperaturas altas, que causa o abortamento grade de flores. Estamos fazendo a base para ter as melhores opções para o produtor”, afirmou Leandro.

Dia de Campo sobre Feijão Irrigado foi uma realização conjunta da Agro-Sistemas Consultoria Agronômica, Basf, Satis, Biológica, LC Sementes e Embrapa.

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