Sistema Mandalla: um projeto auto-sustentável promissor para o Brasil

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A relação dos produtores rurais com o meio ambiente tem sido, dentro ou fora da agricultura familiar, quase sempre pouco inteligente quanto à utilização dos recursos naturais e da preservação do meio ambiente. Os grandes produtores têm devastado grandes áreas e destruído e poluído gravemente o campo, inclusive as áreas de matas virgens. O pequeno produtor também tem subutilizado os recursos naturais devido ao modelo de cultivo e manejo de culturas massificado proporcionado pelas multinacionais, que estimula a monocultura e o uso de fertilizantes e defensivos químicos.

O sistema de produção agrícola predominante no Brasil tem afetado gravemente as famílias que vivem no campo. Elas têm sido exploradas economicamente e privadas dos conhecimentos nativos de suas culturas locais quanto aos recursos e formas de produção tecnologicamente inteligentes e ecologicamente sábios. Além disso, a atual cultura globalizada de massas, vazia de valores humanos essenciais, junto com as ideologias políticas desgastadas, desumanizadas e rançosas, os tem afetado economicamente, como também minado e destruído suas próprias culturas tradicionais e suas reais possibilidades socio-econômicas, fazendo-os ainda hoje migrarem em massa para os grandes centros urbanos.

Uma alternativa produtiva, humanizante e ecologicamente inteligente

O Sistema Integrado de Produção Mandalla ou Projeto Mandalla é uma forma de agricultura familiar auto-sustentável peculiar que tem tido bons resultados em muitos estados do país.

Foi criado pelo administrador Willy Pessoa há cerca de trinta anos, e sua filosofia tem como base a recapacitação para a auto-sustentabilidade do homem do campo, dentro de suas próprias condições culturais tradicionais – o que inclui o meio ambiente e a cultura.

Segundo Willy, “a base filosófica da Mandalla é que a família rural produz sua própria alimentação com qualidade, produtividade, responsabilidade social e exercício da cidadania.”

A abordagem do projeto leva em conta os recursos ambientais e as características sociais, econômicas e culturais de cada região, e espera conseguir sempre um desenvolvimento sistêmico dos grupos e comunidades que adotam o Sistema Mandalla.

Em boa parte das regiões onde o Sistema de Produção Mandalla tem sido adotado, existe crescimento econômico, familiar e social, além do reflorescimento das culturas humanas tradicionais. Junto com isso, os recursos naturais têm sido utilizados inteligentemente.  A educação dos novos tem sido mais ampla, rica e bem orientada em valores humanos essenciais, porque recuperou os positivos modelos culturais tradicionais.

Boa parte desse processo inicia-se diretamente com a capacitação  oferecida pelo Projeto Mandalla, que leva à educação e à capacitação técnica dos chefes de família. Grande atenção é dada para o papel educativo da mulher na formação moral e humana das gerações futuras: “…porque se você educar um homem, você educa um indivíduo. E educando uma mulher, educa uma geração. Então, é na família que está o princípio de todas as mudanças que nós pretendemos fazer”, diz Willy.

O ensino, a capacitação e as formas de aplicação do Sistema Mandalla são simples, porém muito bem planejadas, alcançando e beneficiando, muitas vezes, municípios inteiros. O Projeto Mandalla não beneficia somente as economias familiares, mas integra socialmente a coletividade e fortalece as culturas tradicionais locais, gerando enriquecimento multi-direcional nos aspectos humano, econômico, social, educativo e cultural.

Porém, mesmo com todo esse alcance e benefícios, o Sistema Mandalla não tem nenhum vínculo com a esfera política, nem é partidário de nenhuma ideologia econômica, social ou política em particular. O projeto é voltado para os indivíduos e a coletividade dentro de uma perspectiva altruísta, benevolente e comunitária: “A nossa missão como uma organização da sociedade pública sem fins lucrativos é justamente ajudar aos governos – seja que governo for, seja que partido for -, e principalmente ao partido que nos interessa, esse partido chamado Brasil. A partir daí, começar a criar uma semente de que nós somos responsáveis por nós mesmos e pelos outros.”

Vantagens e benefícios sócio-econômicos do Sistema Mandalla

Diz o agricultor que cultiva a partir do Sistema Mandalla, Antonio Severo dos Santos: “Se todo agricultor tivesse uma horta assim, as famílias não precisariam se demandar para as grandes cidades.” Isso porque inúmeras famílias, vilas e cidades tiveram um incremento econômico considerável depois da implantação do Sistema Mandala, além de uma maior abundância de alimentos e uma mais eficiente integração dentro de suas comunidades locais.

Já existem milhares de Sistemas Mandallas em dezenas de cidades brasileiras e em diversos estados. Em algumas regiões, os cultivadores que vivem a partir do Sistema Mandalla chegam a receber mais de R$ 2.000,00, o que é muito mais do que receberiam trabalhando em lavouras ou criadouros de terceiros. A partir disso, a economia local é estimulada e uma prosperidade saudável e equilibrada aparece na região, dentro dos parâmetros e recursos socioambientais possíveis. Isso impede naturalmente a opulência, a desigualdade social e a má distribuição de riquezas e de recursos materiais.

Os jovens, especialmente os estudantes e universitários, são convidados a conhecer o Projeto, quando então recebem informações relevantes sobre a sua interação e responsabilidade com o meio ambiente, sobre as possibilidades de valorização de suas próprias culturas locais e sobre a importância dos seus modelos sócio-culturais tradicionais. Os estudantes aprendem os aspectos técnicos essenciais do Sistema Mandalla e se tornam capacitadores para o ensino e a disseminação do Projeto.

O Sistema Mandalla utiliza os próprios recursos naturais, aproveitando ao máximo todos os elementos ambientais locais (água, terra, sol, vento, e vegetação nativa) e as criações animais das próprias pessoas interessadas, economizando meios e recursos, reutilizando a água e reciclando nutrientes a partir dos excrementos dos animais e da compostagem, entre outros.

Além disso, a irrigação feita através da micro-aspersão (veja abaixo) promove uma economia média de 30% no consumo de água, quando comparada com as formas de irrigação convencionais. Outro benefício da micro-aspersão é que ela evita a erosão do solo, tão comum em muitas formas de irrigação convencional, porque a primeira asperge a água de forma ampla e difusa para um grande número de plantas, sem concentrar-se com intensidade em locais definidos, enquanto a segunda tende a saturar locais específicos da terra, provocando sulcos erosivos.  A água da irrigação do Sistema Mandalla provê ao solo uma grande fertilidade, porque a criação dos animais feita no primeiro círculo enriquece-a naturalmente com diversos compostos orgânicos.

Apesar de todos os aspectos positivos, existem algumas falhas na implantação e difusão do Sistema Mandalla que ainda impedem que o Projeto se torne um sucesso consistente em escala nacional. Por exemplo, em algumas regiões, mesmo que essas tenham obtido melhoras com o uso do Sistema Mandalla, os indivíduos que vivem exclusivamente a partir desse sistema não têm alcançado tão bons resultados econômicos, devido à falta de suporte técnico-informativo adequado e certas dificuldades instrumentais. Eles encontram dificuldades técnicas no cultivo e na viabilização de sua produção, entre elas a instabilidade ou a queda sazonal da produção, além da dificuldade de venderem seus produtos nos mercados, pois não têm meios adequados para conservá-los e/ou transportá-los. Ainda não foram desenvolvidas as condições necessárias para serem certificados como produtores orgânicos pelas associações dos produtores orgânicos.

Então, mesmo sendo um excelente projeto, em alguns aspectos o Sistema Mandalla precisa de reflexões e aprimoramentos. Por exemplo, na promoção de um melhor suporte técnico-informativo durante o período em que os produtores estiverem se estabelecendo dentro de suas condições técnicas e funcionais próprias, e daquelas necessárias para a sua integração nos mercados locais.

Ainda assim, o Projeto Mandalla tem sido um recurso valioso para milhares de famílias no Brasil, inclusive em zonas castigadas pela seca, que recobraram suas capacidades produtivas, afastaram o fantasma da fome, incrementaram suas economias, revitalizaram suas culturas e sociedades e recuperaram e orientaram muitos jovens a partir de consistentes valores humanos e saudáveis modelos culturais tradicionais.

A estrutura física e funcional do Sistema Mandalla

A estrutura física do Sistema Mandalla ocupa uma área média de 50 x 50 metros. Constuitui-se de nove círculos concêntricos. Diferentes culturas agrícolas e animais são cultivados ao redor de um reservatório de água, que é a base essencial do sistema.

Os primeiros três círculos são compostos de um tanque de água onde existe uma criação de peixes e animais de pequeno porte – galinhas, marrecos, coelhos e similares. Há culturas de frutas e hortaliças, além de café, batata-doce, mandioca e similares. Nas bordas do terceiro círculo são cultivadas plantas medicinais e ornamentais.

Do primeiro ao terceiro círculo, tudo é destinado à melhoria da qualidade de vida dos que vivem a partir de seu próprio Sistema Mandalla. Os três círculos provêm praticamente todo alimento necessário para o núcleo familiar. Na verdade, uma única Mandalla alimenta até cerca de vinte pessoas. No entanto, esses três primeiros círculos, além de proverem todos os alimentos necessários para as famílias, promovem um incremento econômico inicial mínimo, que é conseguido com a venda do excedente da produção obtida.

Do quarto ao oitavo círculo, a função dos cultivos é a melhoria da condição econômica das famílias. Os agricultores escolhem e cultivam uma rica variedade de plantas alimentícias de acordo com os espécimes locais e a demanda de mercado. Aqui, o cultivo se destina essencialmente à venda dos produtos agrícolas para indústrias, mercados e similares.

O nono é o círculo de equilíbrio ambiental. Ele envolve os demais círculos e cumpre as funções de proteger o Sistema Mandalla através de cercas-vivas e quebra-ventos, prover uma parte da alimentação dos animais e fazer a inserção da Mandalla, de forma ecologicamente equilibrada, no meio ambiente circundante.

O Sistema Mandalla não necessita de nenhum tipo de defensivo agrícola devido à forma peculiar em que as diferentes culturas agrícolas são distribuídas dentro de sua estrutura em forma de círculos concêntricos, que as protege naturalmente das pragas. Por isso, os alimentos obtidos são naturalmente orgânicos.

A irrigação das plantas ocorre a partir da água do tanque central, que é bombeada e distribuída por um sistema simples de irrigação piramidal feito por seis tubos de mangueira plástica, que irrigam os nove círculos. O sistema de irrigação é feito por micro-aspersão, através de pequenas hastes plásticas flexíveis furadas, do tipo cotonetes, que aspergem a água de forma difusa, ampla e não concentrada, beneficiando assim várias plantas ao mesmo tempo e evitando a erosão do solo.

A construção do tanque de água, a feitura dos círculos concêntricos e a instalação do sistema de irrigação levam poucos dias para serem concluídos. Assim, a base de instalação do Sistema Mandalla é rápida.  O custo médio de sua instalação completa é cerca de R$ 1.300,00 a R$ 1.500,00, mas isso pode variar um pouco de região para região.

Por todos os múltiplos benefícios que promove, vale a pena conhecer o Sistema Integrado de Produção Mandalla.

Fonte: Epochtimes

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