Pivôs centrais crescem e ganham espaço na irrigação brasileira

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A irrigação é o principal setor usuário dos recursos hídricos. De um lado, há uma tendência crescente de expansão da agricultura irrigada. De outro, um aumento de conflitos pelo uso desse bem.

Diante disso, há a necessidade de um planejamento e de um ordenamento da atividade em bases econômicas e ambientais sustentáveis.

Foi o que levou a Embrapa Soja e Milho e a ANA (Agência Nacional de Águas) a fazer um levantamento dos pivôs centrais para irrigação em operação nas diversas regiões hidrográficas do país.

Dados de 2014 da ANA indicam que a taxa média anual de crescimento da irrigação brasileira é de até 7,3%.

Mesmo assim, o país ocupa apenas o nono lugar quando se trata de áreas irrigadas.

Irrigação com pivôs centrais Conceição das Alagoas (MG).
No início dos anos 1960, o Brasil tinha 462 mil hectares irrigados, segundo o IBGE. As estimativas para 2014 são de uma área de 6,1 milhões de hectares -distante, no entanto, do potencial de até 47 milhões de hectares.

A grande discussão sobre a irrigação é o aumento do uso de água na lavoura. Atualmente, 55% da vazão de retirada de água é de responsabilidade da agricultura, ficando as cidades com 22%, e as indústrias, com 15%.

Os dados são previsões da ANA feitas neste ano. Segundo a agência, a vazão de retirada considera o consumo acrescido das parcelas que retornam aos corpos hídricos.

O consumo de água pela agricultura no Brasil é inferior ao da média mundial e abaixo do dos concorrentes diretos do país na agricultura, como os Estados Unidos.

O estudo da Embrapa e da ANA destaca, no entanto, que há realmente aumento do uso da água, mas também oferta maior de alimentos, maior valor agregado para o produtor, redução de custos na produção e utilização dos espaços agrícolas durante todo o ano.

Além disso, o crescimento da área irrigada inibe a expansão da agricultura para outras áreas, apontam os técnicos das duas entidades.

“As perspectivas de crescimento da irrigação passam pelos pivôs centrais. Esse sistema será o que mais vai se desenvolver nos próximos anos”, afirma Thiago Fontenelle, especialista em recursos hídricos da ANA.

O mapeamento nacional dos pivôs centrais de 2014 indicou 19,9 mil equipamentos, com ocupação de 1,3 milhão de hectares. Essa área é 43% superior à registrada pelo IBGE no Censo Agropecuário de 2006, quando os números indicavam 893 mil hectares.

Os biomas cerrado e mata atlântica concentram 79% e 11%, respectivamente, dessa área coberta por pivôs. Pelo menos 80% dessa área está em Minas, Goiás, Bahia e São Paulo. Só a região hidrográfica Paraná responde por 44%.

Há uma concentração nessa distribuição de área irrigada por pivôs centrais. Apenas 40 municípios têm 50% da área total, com destaques para Unaí (MG), Paracatu (MG) e Cristalina (GO). São 2.243 pivôs nesses municípios, irrigando 177 mil hectares.

Entre os diversos tipos de irrigação, os pivôs centrais vêm ganhando espaço, com crescimento médio de 104 mil hectares anualmente no último triênio.

Os dados do Censo Agropecuário de 2017 deverão indicar um forte crescimento desse segmento na irrigação, na avaliação de Fontenelle.

Entre as lavouras temporárias, a utilização maior de pivôs centrais são para as culturas de algodão, soja, milho, cana e feijão.

Já café e laranja se destacam entre as lavouras permanentes irrigadas por esse sistema. É o que aponta o estudo “Levantamento da agricultura irrigada por pivôs centrais no Brasil”, que deverá ser divulgado nesta semana.

Fonte: Folha de SP

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