No ES, cafeicultores recepam lavouras e ficam sem produção até 2018

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A seca no Espírito Santo segue gerando sérios prejuízos para os produtores de café conilon do estado. Alguns cafeicultores capixabas estão adotando a recepa – poda baixa da lavoura, que promove a renovação total da planta –, e esperam produção apenas para 2018. Já outros têm optado por novas opções de cultivo, principalmente, a pimenta-do-reino e aproveitado bons resultados financeiros – 60 quilos do tempero é vendido por cerca de R$ 1800, enquanto que o café está em cerca de R$ 400 a saca –.

Segundo o consultor e produtor de café, em Nova Venécia (ES), Rogério Chiabai, a poda das plantas foi a última alternativa encontrada com o agravamento da seca no estado, principalmente no Norte e Noroeste. “Acreditamos que com a recepa dos cafezais podemos salvar essas plantas mais antigas e ter produção em 2018, mas isso só deve acontecer se tivermos chuvas ainda neste ano. Algumas lavouras mais novas já foram perdidas”, afirma. “Em 30 anos trabalhando com cafeicultura no estado, nunca vi um cenário como esse”, ressalta Chiabai.

As principais estimativas da safra 2016/17 de café do Espírito Santo apontam para mais uma queda na produção. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), inclusive, revisou sua mais recente projeção de safra para baixo para o café conilon. Em todo o Brasil, são esperadas 9,4 milhões de sacas, o que representa uma diminuição de 16% sobre os números de 2015.

Ainda assim, o Espírito Santo deve seguir como o maior produtor de conilon do país, com expectativa de colheita de 5,95 milhões de sacas, o que representa decréscimo de 23,3% em relação à safra de 2015. Essa produção é oriunda de um parque cafeeiro em produção de 260,06 mil hectares. A pesquisa indica uma produtividade média de 22,89 sacas por hectare no estado.

O analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães, acredita em produção para o Espírito Santo nesta temporada entre 5 milhões e 5,5 milhões de sacas, após visitas em diversas propriedades. “A situação é bem complicada no estado. Não me lembro de chuvas representativas no cinturão produtivo até agora neste ano e mesmo que tenhamos precipitações abundantes nos próximos meses, 2017 será mais um ano de safra ruim. A expectativa é de melhora apenas em 2018”, afirma. Os principais institutos meteorológicos apontam maior probabilidade de chuvas no estado apenas no segundo semestre.

Em todo o ano de 2015, as plantações capixabas enfrentaram uma das maiores secas dos últimos 50 anos, que impactou a produção agrícola de diversos setores. Essas adversidades climáticas continuam sendo registradas, principalmente, nas regiões Norte e Noroeste do estado. Em uma medida preventiva, em meio ao risco de desabastecimento, e com suas reservas de água extremamente baixas, o Governo priorizou o consumo humano e proibiu a irrigação das lavouras em algumas cidades. Cerca de 80% das plantações de café conilon do estado utilizam sistemas de irrigação.

No início deste mês, a Justiça do estado proibiu o uso de água por irrigação nas lavouras da cidade de Rio Bananal. A polícia chegou a lacrar bombas em algumas fazendas. Além da decisão judicial, uma resolução da AGERH (Agência Estadual de Recursos Hídricos) do estado proíbe a irrigação, em qualquer horário, no município do Norte do estado.

Além da recepa nos cafezais, alguns produtores do estado também têm optado por atitudes mais drásticas, como adotar novas opções de cultivo, principalmente, a pimenta-do-reino, que tem remunerado bem nos últimos anos. Em 2015, a produção da pimenta no estado teve acréscimo de 82,5%, com expansão de 50% na área colhida. Enquanto que o café diminuiu 20,2%, com área colhida 0,8% menor.

“A pimenta o reino não precisa de tanta mão de obra e muita água para sua produção. Além disso, ela tem apresentado bons preços nos últimos anos e isso tem encantado o produtor. A saca do café conilon é vendida em cerca R$ 400, enquanto que o quilo da pimenta sai por até R$ 30,00. Ou seja, R$ 1800,00 a saca de 60 kg”, explica Marcus Magalhães.

O Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) tem orientado os produtores a diversificar as plantações e manter mais de uma cultura em sua lavoura.

Fonte: Notícias Agrícolas

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