“Recuperar 8 milhões de hectares de pastagens degradadas é grande oportunidade para MS”

Fernando Mendes Lamas é secretário estadual de Produção e Agricultura Familiar. 

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Com perfil que o habilita a conduzir a Secretaria de Produção e Agricultura Familiar, o  engenheiro agrônomo e secretário da pasta Fernando Mendes Lamas traça, nesta entrevista, os caminhos pelos quais o governo vem andando para alavancar a agropecuária. Ele explica que há ações voltadas para a agricultura familiar, mas que o médio e o grande produtor não foram esquecidos. Fala, ainda, da necessidade de melhorar na produção de leite no período “das secas” e do bom momento do setor de papel e celulose, entre outros.

CORREIO PERGUNTA: Quais são as linhas mestras do governo Reinaldo para o setor da agropecuária?
FERNANDO MENDES LAMAS – Foram eleitas como prioridades as seguintes linhas: agricultura irrigada, recuperação de pastagens degradadas, apoio à produção de leite, piscicultura, ovinocultura, apicultura, olericultura e fruticultura. Tendo como foco o atendimento ao mercado local, a geração de excedentes possíveis de serem exportados, a geração de emprego e renda. As ações do governo são voltadas prioritariamente para o agricultor familiar, mas de forma alguma exclui o médio e o grande produtor.

O senhor assumiu a pasta de secretário de Produção e Agricultura Familiar para ajudar o governo a concretizar esses planos para alavancar ainda mais o setor produtivo. Nesse quase um ano e meio de gestão, o que foi feito?
Foi elaborado o programa estadual de recuperação de pastagens degradas; estamos na reta final para assinatura do termo de referência para a elaboração do plano estadual de agricultura irrigada – parceria com o Ministério da Integração Nacional por meio da Secretaria Nacional de Irrigação e aporte financeiro do Branco Mundial; estamos discutindo com o setor produtivo as estratégias para o desenvolvimento de uma piscicultura sustentável – em 2015, foi realizado um seminário sobre o assunto, foi disponibilizado na Ceasa-MS, em Campo Grande, um espaço para comercialização de hortigranjeiros por agricultores familiares orientados por técnicos da Agraer; a ampliação de uma forma coletiva de comercialização de ovinos está estimulando especialmente os pequenos agricultores – existe uma organização em Campo Grande e outra em fase de implantação em São Gabriel do Oeste – os animais de vários produtores são reunidos e depois inspecionados por técnicos da Iagro para posterior comercialização; a Secretaria de Produção e Agricultura Familiar (Sepaf) está apoiando intensamente a produção e comercialização de produtos orgânicos em parceria com a ApoMS; em parceria com a Prefeitura Municipal de Dourados, será implantada em Dourados uma Central de Abastecimento, visando estimular a produção de hortigranjeiros em toda a região Sul e colocar à disposição dos consumidores frutos de excelente qualidade; técnicos da rede de Assistência Técnica Pública e privada estão sendo capacitados para apoiarem os produtores de leite do estado com assistência técnica de alta qualidade; todos os programas de apoio à agricultura e pecuária estão em fase final de aperfeiçoamento, depois de um longo trabalho que contou com o apoio de diversos segmentos diretamente ligados ao setor produtivo. Novos programas de apoio e incentivo estão em fase final de elaboração, devendo ser implementados ainda no primeiro semestre de 2016. Foi um ano produtivo, graças ao esforço das esquipes da Agraer, da Iagro e da Sepaf, com o apoio do  governador.

Qual é o balanço em números e em desenvolvimento que o senhor faz da agricultura familiar no Estado? As tão desejadas uniformidade e regularidade de produção foram alcançadas?
A agricultura familiar, com o apoio do governo do Estado, vem superando muitos obstáculos. Hoje, temos alguns casos que consideramos como sendo de sucesso: a organização da produção de leite em Itaquiraí e Iguatemi, por exemplo. Esses dois municípios são os maiores produtores de leite, tendo o agricultor familiar como o maior fornecedor de leite. Ainda temos muito a melhorar, especialmente no que se refere à produção de leite no período “das secas”, no qual, em razão da baixa oferta de alimentos, a produção cai significativamente – o que dificulta na fidelização de mercado. Temos bons resultados com a fruticultura e com a olericultura – nesse campo ainda precisamos avançar bastante. Como citado anteriormente, esta é uma prioridade do governo.

Sem a desoneração do óleo diesel e com as estradas deixando a desejar no setor de transporte, como o governo pretende ajudar no armazenamento e escoamento da produção dos municípios?
Em função do longo período de chuvas, no qual tivemos as maiores precipitações pluviométricas dos últimos 50 anos, as estradas foram danificadas e pontes destruídas (90 pontes). O governo do Estado está com equipes em todas as regiões onde o problema existe. O trabalho está sendo desenvolvido com esforços conjuntos,   União, Estado e Municípios. Desta forma, o governo faz a sua parte viabilizando o escoamento da safra.

Em 2015, uma projeção dava conta de que, em 2018, cerca de 40% da produção de celulose do Brasil virá de Três Lagoas. Diante da crise nacional, como o senhor acredita que ficará esse cenário?
O setor de papel e celulose passa por um bom momento, se comparado com outros setores, em razão disso, a expectativa é de crescimento. As indústrias instaladas em Três Lagoas – Fibria e Eldorado – estão ampliando suas fábricas e aumentando a área cultivada com florestas. O Brasil é competitivo nesse setor, temos tecnologia de ponta em toda a cadeia, que vai da escolha da espécie de eucalipto à produção de sementes, produção das mudas, plantio, manejo, colheita e processamento industrial.

O senhor diria que a integração entre lavoura, pecuária e floresta em MS é uma realidade e que este é o caminho certo para o desenvolvimento?
Não tenho a menor dúvida, a sustentabilidade da atividade agropecuária passa necessariamente pela intensificação e integração. Uma das alternativas mais viáveis para as nossas condições é a integração lavoura-pecuária; pecuária-floresta e lavoura-pecuária-floresta. Com esses modelos, podemos aumentar a produção de grãos e fibras e a produção de carne. O aumento da produção de carne se dá fundamentalmente pelo aumento da produtividade. Recuperar 8 milhões de hectares de pastagens degradas é grande oportunidade para Mato Grosso do Sul, e o governo está sendo o indutor desse processo.

Como está esse programa de recuperação de pastagem? Quais incentivos o governo está dando? Qual o número de empregos diretos e indiretos se pretende criar com esse programa?
O programa foi lançado no início de março, estamos na fase de divulgação dele, sentimos receptividade muito positiva pelos vários setores ligados à produção agropecuária. Ele já está em condições de receber cadastro de produtores, técnicos e as propostas, via web. Além do incentivo fiscal que o governo está concedendo, o mais significativo é a melhoria da lucratividade, especialmente da pecuária e a diversificação da renda.

O agronegócio segurou a arrecadação do Estado nesse período de crise. Quais as perspectivas do setor e como a oscilação do dólar vem influenciando os resultados para cima e para baixo?
O produtor brasileiro está muito preparado para trabalhar com as oscilações cambiais, a maioria consegue “travar” os preços dos insumos e dos produtos em bases sólidas. É lógico que existe um valor do dólar em que a nossa competividade é melhor, mas isso varia entre os diversos produtos que exportamos.

Como estão os planos de pleitear o status de área livre de febre aftosa sem vacinação para MS?
Este é um assunto que temos de analisar com muita profundidade e, sobretudo, temos de perguntar ao setor produtivo se eles querem isso. Em caso positivo, temos de construir um plano com objetivos e metas muito claros, sempre com a participação do setor produtivo. É preciso analisar com cautela os pontos positivos e negativos. Se o setor produtivo entender que este é o caminho, o governo é parceiro.

Outrora, a Expogrande foi a grande vitrine do setor pecuário do Estado. Como o senhor vê hoje a representatividade do evento no setor?
Vejo a Expogrande como uma grande vitrine de tecnologias, na qual o produtor e o técnico têm a oportunidade de entrar em contato direto com aquilo que existe de mais moderno, seja por meio dos produtos expostos, seja por meio dos seminários, palestras e outros eventos que são realizados durante a exposição. O que precisamos ter sempre em mente é que a maior parte da população é, hoje, urbana e formadora de opinião. A exposição continua sendo um método muito eficiente e eficaz de transferência de tecnologia.

Fonte: Correio do Estado

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