Seca em abril ameaça 2ª safra de milho do Brasil e deixa agronegócio em alerta

Abertura da Colheira do Milho

 Foto: Pedro Revillion/Palácio Piratini

Uma segunda safra de milho recorde esperada pelo Brasil, essencial para garantir excedentes de exportação e aliviar altos preços para a cadeia produtiva de carnes, está em xeque, uma vez que a seca em abril deve se prolongar até a última semana do mês e previsões climáticas também não são muito favoráveis para maio.

Chuvas mais volumosas em abril seriam fundamentais para o milho plantado mais tarde no país, uma parcela que engloba cerca de metade da área brasileira, após o atraso na safra de soja em várias regiões. Mas o problema é que as precipitações não ocorrerão nos volumes necessários, o que leva especialistas a considerarem já um menor potencial produtivo.

“O produtor está preocupado, houve problemas na soja e ele não pode errar no milho. O clima é de apreensão”, afirmou o superintendente do Imea, Daniel Latorraca, que está à frente do órgão de análise da federação de agricultores de Mato Grosso, principal Estado produtor do grão.

A segunda safra de milho, conhecida no passado como “safrinha”, está estimada em 57,1 milhões de toneladas, ou cerca de dois terços do que o país espera produzir do cereal em 2015/16, segundo números oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar, estima que seriam necessários ao menos 70 milímetros de chuvas intercaladas neste mês, o que não deve ocorrer. “Esse milho plantado mais tarde precisa de muita chuva em abril, coisa que não vai ter”, disse.

Segundo ele, as estimativas mais atualizadas da Conab não levam em conta a projeção de tempo mais seco em abril, decorrente de um bloqueio atmosférico que está mantendo as frentes frias no extremo sul do Brasil.

O agrometeorologista da Somar lembrou ainda que os produtores de milho, que relegaram o plantio da cultura na primeira safra para investir na soja, ficaram mal acostumados nos últimos anos, quando o outono foi relativamente chuvoso em relação ao normal, permitindo boas produtividades da “safrinha”.

De acordo com o diretor da Agroconsult, André Pessôa, algumas áreas já estão sendo afetadas, diminuindo o potencial de produção, “que começa a ser revisto um pouquinho para baixo”.

Pessôa dá como certa a redução da produtividade em relação ao que era esperado, mas afirmou ainda não ser possível dizer se haverá uma quebra de safra significativa.

“Mas já preocupa em várias regiões, sobretudo em um mercado que está muito enxuto de oferta de milho”, disse.

Uma escassez recente de milho no mercado brasileiro resultou em preços recordes no país, em torno de 50 reais a saca, o que impulsionou produtores de aves e suínos a buscarem importações mais baratas.

O Brasil, maior exportador de carne de frango, conta com a segunda safra grande para amenizar custos de produção do setor.

ALTERNATIVAS

Para a analista Daniele Siqueira, da Agência Rural, apenas em maio haverá mais clareza a respeito dos estragos da seca esperada em abril sobre a segunda safra de milho.

No caso de uma quebra significativa ocorrer, o Brasil poderia contar com o produto da Argentina, que está de volta ao mercado, após o governo local revogar políticas restritivas às vendas externas.

A Agroconsult, por exemplo, estima compras de cerca de 700 mil toneladas do produto da Argentina, no que seriam os maiores volumes importados desde o ano 2000.

Em um cenário mais extremo, Daniele, da Agência Rural, avalia que o Brasil também poderia reduzir exportações, que são estimadas pela Conab em novo recorde, acima de 30 milhões de toneladas.

Isso, porém, não seria simples.

O Mato Grosso, com safra estimada em mais de 20 milhões de toneladas, vendeu antecipadamente mais de 70 por cento da produção esperada, negócios esses que, em grande medida, deverão ter como destino o mercado externo.

Assim, mesmo havendo uma quebra expressiva da safra no Mato Grosso, o Estado ainda teria como cumprir os contratos já firmados.

Segundo Daniele, em meio às preocupações climáticas que devem perdurar durante a safra, cuja colheita tem início em junho, os produtores estão mais cautelosos no fechamento de novas vendas.

Santos, da Somar Meteorologia, disse que as frentes frias vão conseguir romper o bloqueio atmosférico quente a partir de 25 de abril, mas ainda assim as chuvas em maio serão muito irregulares e de baixa intensidade, típicas da estação.

(Com reportagem adicional de Natália Scalzaretto)

 

Fonte: Reuters

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