Safra gaúcha de feijão será menor em 2016

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A 68ª Assembleia-Geral das Nações Unidas declarou 2016 como o Ano Internacional das Leguminosas. Entre as intenções da nomeação estão o aumento da produção em nível mundial, utilizar melhor a rotação de culturas e enfrentar os desafios do comércio de grãos secos, como lentilha, ervilha, grão de bico e feijão. No que se refere a esse último, pelo menos no Rio Grande do Sul, onde a colheita está sendo finalizada, os desafios são enormes.

A área plantada, por exemplo, segue em queda no Rio Grande do Sul, que chegou a ter 250 mil hectares na década de 1970. Na safra 2015/16, foram semeados 41,8 mil hectares, quase 4% menos do que os 48,6 mil hectares do ciclo passado, segundo o gerente técnico da Emater, Dulphe Machado Neto. Com 90% da colheita finalizada até o fim da última semana, a produtividade se consolidou em um patamar superior aos 1,5 mil quilos por hectare. Após a finalização da safra na região dos Campos de Cima da Serra, onde ainda há lavouras em fase de enchimento dos grãos, o Estado pode obter 65 mil toneladas.

Nas demais localidades, o plantio da safrinha está se encaminhando para o final. Cerca de 62% do processo foi concluído, mas a estimativa é de redução de 15% na área devido ao clima seco do mês de janeiro, conforme explica Machado Neto. O presidente da Associação dos Produtores de Feijão do Rio Grande do Sul (Aprofeijão-RS), Tarcísio Ceretta, diz que, nesse caso, a queda é ainda maior, de quase 30%, e agrega mais duas explicações para o fenômeno que tem tirado o ânimo do agricultor em plantar feijão: a concorrência da safrinha com a soja, mais rentável; e a diminuição do espaço do milho, resteva mais comum.

“Essa é uma das menores safras de feijão plantadas na história do Estado. Independentemente do preço, nunca havia sobrado semente. Neste ano, sobrou semente certificada, pois não houve procura”, relata Ceretta. Outro problema, segundo Ceretta, foi o excesso de precipitações quando alguns agricultores realizavam o início da colheita, no fim de dezembro do ano passado. “Muito grão foi avariado, com brotação, na região central e Alto Jacuí. Eu, por exemplo, plantei 20 hectares e consegui colher apenas seis por causa das chuvas entre Natal e Ano-Novo. No Oeste, onde foi colhido antes, teve mais qualidade”, explica.

Embora a tendência seja de qualidade e produtividade superiores na safrinha, a oferta do grão será menor, o que impactará em preços mais elevados. Na semana passada, o saco de 60 quilogramas estava cotado, em média, em R$ 152. De acordo com Ceretta, grãos cotados com qualidade tipo 9 podem chegar aos R$ 200 na região de Sobradinho. Enquanto isso, o dólar alto em relação ao real deve frear a importação de feijão da Argentina e da China, questão que costumava diminuir o valor pago ao produtor brasileiro devido ao excesso de oferta.

 

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