Uso racional da água no Sertão garante maior produtividade

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Foto: Divulgação

No último mês de julho, agricultores familiares colheram e venderam três mil caixas de frutas e leguminosas como maracujá, mamão, milho, batata, macaxeira e feijão de uma área de 1,1 hectares. Essa realidade não é de nenhum estado do Sul do País, mas do Sertão do Cariri cearense, uma das áreas mais afetadas pela histórica estagiem que atinge todos os estados da Região Nordeste.

Esse resultado, mesmo com uma das maiores estiagens da história do Ceará, é permitido com o uso da técnica da irrigação por gotejamento. A tecnologia garante uma economia de até 90% da água utilizada comparando com a irrigação tradicional e ainda permite obter produtos com mais qualidade e melhor sabor.

Quem passa pela beira da estrada e vê a vegetação amarela corroída pelo sol não imagina o que se produz nas terras do agricultor Francisco Manoel da Silva, 61 anos de idade. Ele também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jati e conhece de perto a sina do sertanejo, que há cerca de 30 anos era obrigado a ir para São Paulo e Rio de Janeiro para tentar um subemprego e garantir o sustento da família. “Quem mais se aventura numa coisa dessa? O que tá salvando nós é isso aqui…”, diz Francisco, explicando que somente com ele trabalham de quatro a cinco produtores ganhando uma diária de R$40,00, em média.

Francisco da Silva pertence ao Sítio Retiro, município de Jati, Sertão do Cariri, distante 525 quilômetros de Fortaleza, e junto com agricultores vem aplicando a técnica de irrigação por gotejamento e diversificando a produção para garantir um melhor rendimento da terra plantada.

Essa realidade vem se transformando há cerca de três anos quando técnicos da Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará) começaram a desenvolver a técnica do uso da irrigação por gotejamento e a diversificação das culturas plantadas, visando um melhor aproveitamento do solo. O trabalho foi se estendendo a produtores, filiados de sindicatos e associações rurais e hoje cerca de 100 irrigantes produzem a partir desta técnica numa área de aproximadamente 220 hectares.

Políticas Públicas garantem crescimento da Agricultura Familiar

Apesar de enfrentar uma das maiores crises hídricas da história do Ceará, o agricultor familiar vem superando o desafio de produzir com qualidade e garantir o desenvolvimento de novos projetos. Nesta etapa de crescimento econômico acompanhado de condições climáticas adversas, o agricultor, definitivamente, já se apoiou no conhecimento para tirar resultados inimagináveis há poucas décadas.

O jovem produtor Décio Martins, 39, é um exemplo desse novo perfil do agricultor familiar. Também produtor de mamão, maracujá, melancia e milho, ele ainda possui uma pequena produção de pecuária de leite e consegue 260 litros diários com 13 animais.

Da ordenha mecanizada até a obtenção do financiamento para a instalação de um poço profundo, tudo foi resultado de financiamento de projetos pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que também incrementou a compra de uma casa para armazenamento de adubo e ração.
Desenvolvimento

O colega Francisco da Silva já teve aprovado pelo projeto São José o financiamento a fundo perdido de um trator, reboque para arado e guincho no valor de R$92 mil. O investimento vai garantir ampliação da área produtiva e o incremento de novas culturas.

Também por meio do Governo do Ceará, há mais de 10 anos, os agricultores recebem incentivos do programa Hora de Plantar, que distribui sementes. Somente na safra 2015/2016, o Programa Hora de Plantar entregou 3.150 toneladas de sementes (milho, sorgo forrageiro, mamona, feijão). Através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) os produtores vêm adquirindo equipamentos para ampliação produtiva como tratores e máquinas. “Praticamente 100% dos irrigantes são pronafianos e participam de atividades, cursos, capacitações como o Dia de Campo, onde treinamos e apresentamos as técnicas de silagem, armazenamento e outros”, explica o gerente regional da Ematerce do Cariri Leste José Dias Ferreira.

Com a implementação do Pasteio Rotativo, por exemplo, os produtores garantem aos animais um melhor aproveitamento dos resíduos sólidos como a palha e sobras de outras culturas, além da silagem, que é o produto oriundo da conservação de forragens úmidas (planta inteira) ou de grãos de cereais com alta umidade (grão úmido) através da fermentação. No município de Penaforte, a assistência técnica da Ematerce tem o suporte do técnico Islam Carvalho de Sá. “O trabalho da Ematerce foi essencial para a construção desse processo de desenvolvimento de novas culturas, do melhor aproveitamento do solo, até dos preços”, explica o produtor Décio Martins.

Plano do governo vai reduzir burocracia no agronegócio

Plano do governo vai reduzir burocracia no agronegócio
Mais eficiência e menos burocracia. Com estes objetivos, o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) lançou o Plano Agro +, na última quarta-feira (24), durante solenidade com o presidente em exercício, Michel Temer, no Palácio do Planalto. “Queremos um Brasil mais simples para quem produz e mais forte para competir”, destacou Blairo Maggi, usando o slogan do plano para reforçar o propósito do governo federal com 69 medidas destinadas a modernizar e desburocratizar normas e processos do Ministério da Agricultura.

As medidas serão implementadas imediatamente. Entre elas, o fim da reinspeção em portos e carregamentos vindos de unidades com Serviço de Inspeção Federal (SIF). Com a eliminação desses entraves, o setor privado e o governo devem ter um ganho de eficiência estimado em R$ 1 bilhão ao ano. Esse valor representa 0,2% do faturamento anual do agronegócio brasileiro, calculado em cerca de R$ 500 bilhões.

Para Blairo Maggi, o Agro + vai transferir dinheiro da ineficiência para a eficiência, trazendo benefícios para a sociedade. O plano, acrescentou o ministro, busca justamente otimizar os recursos para proporcionar ganhos ao setor produtivo, que poderá assim gerar mais emprego e renda ao longo da cadeia do agronegócio.
Os principais obstáculos burocráticos existentes no Mapa foram identificados por um grupo de trabalho criado pela Portaria nº 109, de 2006. Os técnicos do ministério analisaram 315 demandas do setor produtivo e estabeleceram 69 medidas para implantar nesta primeira fase do Agro +. Com isso, o governo atenderá reivindicações de 88 entidades representativas do agronegócio brasileiro.

“O plano será ampliado em 60 e em 120 dias, quando novas normas e processos deverão ser simplificados”, disse o secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki.

Com medidas de curto, médio e longo prazos, o Agro + tem dois eixos: Modernização e Desburocratização e o Marco Regulatório do Plano de Defesa Agropecuária. O foco é a redução da burocracia, que hoje interfere na execução dos serviços.

Para tanto, o Mapa acelerou a implementação do Manual do Boas Práticas Regulatórias de Defesa Agropecuária, priorizou as demandas de automação desta área e deu celeridade à revisão de normativas da Defesa Agropecuária.

Isso está sendo feito por meio de portarias e instruções normativas para reorganizar e fortalecer a tramitação de normas.

O Mapa também vai estabelecer cooperação com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para desenvolver ferramentas capazes de agilizar a troca de informações entre as autoridades sanitárias e os países importadores do agronegócio brasileiro.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luis Rangel, as medidas, elaboradas com apoio do corpo técnico, permitirão a racionalização dos recursos financeiros e humanos da SDA, oferecendo maior agilidade ao setor produtivo.

Algumas das medidas do Plano Agro +

• Fim da reinspeção nos portos e carregamentos vindos de unidades com SIF
• Lançamento do sistema de rótulos e produtos de origem animal
• Alteração da temperatura de congelamento da carne suína (-18ºC para -12ºC)
• Revisão de regras de certificação fitossanitárias
• Aceite de laudos digitais também em espanhol e inglês

Saiba mais sobre as medidas:

Transparência e Parcerias

– Lançamento do Sistema de rótulos e produtos de origem animal
– Acordo com a CNA (troca de informações sanitárias, de 2 anos para 3 meses)
– Cooperação com a ABRAFRIGO, ABIEC, ABPA, VIVA LÁCTEOS
– Parcerias com entidades da sociedade civil organizada

Melhoria do processo regulatório e normas técnicas
– Alteração da temperatura de congelamento da carne suína
(-18°C para -12°C)
– Isenção de registro para estabelecimentos comerciais de produtos veterinários
Facilitação do comércio exterior
– Fim da reinspeção nos portos e carregamentos vindos de unidades com SIF
– Revisão de regras de certificação fitossanitárias
– Aceite de laudos digitais também em espanhol e inglês

Segunda Etapa (60 dias)
– Permitir a utilização de containers para armazenamento de produtos lácteos
– Simplificação de procedimentos da vigilância internacional, em portos e aeroportos, sem abrir mão da qualidade e segurança do serviço.
Terceira etapa (120 dias)
– Atualização do RIISPOA – Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal, de 1952

 

Para garantir a produtividade do canavial, variedade de cana tem que ser prioridade

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Foto: Divulgação

Para o corpo técnico das usinas e para os produtores de cana, é cada vez mais nítida a importância que tem a variedade para a formação de um canavial de alta produtividade. Mais do que isso, percebem a cada safra que o manejo varietal bem feito faz muita diferença para a rentabilidade do negócio.

Um evento que ganhou muita importância ao longo dos últimos anos tanto na difusão de conhecimento, como na conscientização dos profissionais do setor quanto à importância dos temas ligados a variedade de cana, é o Grande Encontro sobre Variedades de Cana-de-açúcar, promovido anualmente pelo Grupo IDEA.

Em 2016, o seminário completa uma década. “São dez anos trazendo conteúdo técnico, discutindo os assuntos mais atuais e difundindo tecnologias junto às usinas e fornecedores de cana”, sublinha o engenheiro agrônomo Dib Nunes, diretor do Grupo IDEA. Neste ano, o evento ocorre nos dias 28 e 29 de setembro, no Centro de Convenções de Ribeirão Preto.

Agenda de Primeira

O 10º Grande Encontro sobre Variedades terá a presença de centenas de produtores, técnicos de associações e de usinas, consultores e especialistas do setor, que estarão em busca de se atualizarem sobre o tema, com acesso a novas pesquisas, tecnologias inovadoras e estudos de caso.

Na agenda de palestras do seminário deste ano, destaque para a discussão sobre a interferência das variedades sobre o baixo índice de ATR que se tem registrado ao longo da safra. “Também teremos apresentação sobre a escolha de variedades para piores ambientes e a incidência de novas doenças em determinados materiais”, cita Dib.

Algumas palestrantes trarão informações sobre os principais fatores que influenciam nos resultados de produtividade das diferentes variedades. “Muito se atribui a elas, mas na verdade a produtividade sofre influência maior de outros fatores, como a própria mecanização da cultura”, dispara o engenheiro agrônomo.

O evento também trará dados positivos de uso de fungicidas em diferentes variedades de cana, a divulgação dos ganhos proporcionados pelo uso correto de maturadores na safra 2016/17 e informações de ensaios das instituições de melhoramento. “O IAC, o CTC e a RIDESA mostrarão os resultados surpreendentes obtidos com novas variedades, inclusive com ganhos superiores a 10% de produtividade.”

Em sua palestra, Dib Nunes apresentará no seminário uma nova forma para avaliação correta do desempenho de materiais. “Também falaremos sobre estratégias para se extrair o máximo de um manejo varietal em diversos ambientes de produção”, afirma.

As inscrições para o 10º Grande Encontro sobre Variedades de Cana-de-açúcar podem ser feitas pelo site: www.ideaonline.com.br, em que também é possível obter mais informações sobre o evento.

SERVIÇO

Evento: 10º Grande Encontro sobre Variedades de Cana-De-Açúcar

Data: 28 e 29 de setembro

Local: Centro de Convenções de Ribeirão Preto

Informações e inscriçõeswww.ideaonline.com.br

Custos de produção mantêm queda em julho

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Os custos de produção apresentaram nova queda no mês de julho. O Relatório de Inflação dos Custos de Produção e dos Preços Recebidos, divulgado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul, nesta quarta-feira (24/08), mostra uma redução de 1,04% no Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP). A taxa cambial foi a responsável pelo resultado, influenciando, principalmente, o preço dos fertilizantes.

No acumulado do ano, a deflação do IICP foi ampliada para –1,75% e, em 12 meses, a inflação é de apenas 2,22%. Somente os fertilizantes apresentaram uma queda média de 24%, no período entre agosto de 2015 e julho de 2016. Porém, nem todos os insumos vem apresentando redução. Os agroquímicos se mantém em alta e não acompanham a variação cambial.

O Índice de Inflação de Preços recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) também registrou queda (-2,08%) na comparação entre junho e julho de 2016. Esta é a primeira retração após três altas consecutivas. Soja (-6%) e suínos (-7%) foram as maiores influências no resultado. O milho também apresentou decréscimo (-5%), mas devido a ajustes no mercado. A tendência é que em agosto o preço do boi gordo deva pesar negativamente no indicador.

Na comparação entre IIPR e IPCA Alimentos e Bebidas, mais uma vez se mostra equivocada a tentativa de se relacionar o preço pago ao produtor rural daquele praticado ao consumidor. Nos últimos 12 meses, enquanto o IIPR registra 31,34%, o IPCA Alimentos atingiu 12,85%, demonstrando não haver correlação entre eles a curto prazo.

Veja o relatório:

http://www.farsul.org.br/slides/doc/indicesjul.pdf

 

Revitalização de canais de irrigação beneficia produtores do DF

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As obras de revitalização dos canais de irrigação estão concentradas nos núcleos rurais de Tabatinga e Santos Dumont, em Planaltina; de Olaria, em Brazlândia; nas zonas rurais de Vargem Bonita; e do Riacho Fundo. Ao todo mais de 15km de canais de irrigação foram revitalizados.

A revitalização consiste na limpeza, revestimento e/ou troca de tubulação, dependendo de cada caso. O objetivo da revitalização é a economia de água, evitando assim a infiltração e a evaporação da água.

Confira a entrevista com o técnico agropecuário da Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal, Edvan Sousa Ribeiro, durante o Revista Brasília, desta segunda-feira (22), com apresentação de Miguelzinho Martins.

Clique no player acima e ouça a entrevista na íntegra sobre o processo de revitalização dos canais de irrigação e das outras ações do Plano de Manejo e Conservação da Água e do Solo em Áreas de Produção Rural.

Fonte: Radio.ebc