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Através de produção integrada, sustentável e de baixo custo, Projeto Mandala garante renda para agricultores.

Enquanto os agricultores no Ceará sofrem com mais uma seca verde e as autoridades elaboram relatórios técnicos sobre a perda da lavoura de sequeiro, centenas de famílias estão livres da irregularidade das chuvas. São pequenos produtores rurais que produzem frutas, milho, feijão e legumes em projetos integrados mandala. Três exemplos mais recentes da viabilidade desse modo de produção estão localizados neste município, na região Centro-Sul.

O Projeto Mandala é um sistema de irrigação circular que facilita, de forma sustentável, a produção de diversas culturas de modo integrado, sem o uso de agrotóxicos. A mandala tem baixo custo de instalação e necessita de pequena área para implantação. O manejo explora, de maneira eficiente, os recursos hídricos, proporcionando a preservação do meio ambiente.

Geração de renda

No Ceará, o projeto vem sendo implantado pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e recebe assistência da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce). O programa tem caráter comunitário, mas o número de famílias ligadas às unidades produtivas é variável. Nos distritos de Amaniutuba, Iborepi e Mangabeiras estão localizadas três mandalas que já apresentam os primeiros resultados favoráveis de incremento da renda familiar. Essas unidades somam-se a mais seis que já estão em funcionamento. Em média, cada mandala custa R$ 6 mil.

Em cada unidade, foram construídos reservatórios com capacidade, cada um, para 16 mil litros de água, canteiros para plantio de hortaliças e instalado sistema de irrigação localizado por microaspersão, que tem como fonte poços amazonas. Após seleção dos produtores, capacitação e visita a outros projetos, as mandalas foram instaladas, sob acompanhamento e supervisão de técnicos da Ematerce. As famílias continuam recebendo assessoria técnica semanal. No sertão, as mandalas representam verdadeiros oásis, têm produção garantida e ampliam a renda familiar.

O casal agricultores, José Aparecido Rolim e Lenita Ricarte Viana, moradores da comunidade de Pendência, zona rural deste município, foi beneficiado com uma mandala que dispõe de nove canteiros. Foram cultivados coentro, alface, cebolinha, pimentão, batata doce, macaxeira e mamão.

Inicialmente, a venda de coentro e alface garante uma renda mensal de R$ 350,00. “Estamos satisfeitos”, disse Aparecido Rolim. “Esperamos ampliar a renda da família quando a produção aumentar”. Lenita Viana disse que ficou surpresa com o sistema de irrigação e mostrou-se satisfeita com o trabalho. “Não sabia que daria para produzir tanto em uma pequena área”. O casal também está criando aves caipiras.

Outro exemplo de sucesso vem da localidade de Iborepi, distante 13 km da área urbana. O agricultor Francisco Beserra da Silva, acostumado ao trabalho pesado no preparo da terra e plantio de culturas de subsistência de milho, feijão e arroz, também ficou admirado com os resultados do Projeto Mandala. “É uma nova maneira de produzir, que não depende só da chuva”, disse. “Já perdi muitas lavouras por falta de água”.

A família do produtor Silva está contente com os resultados iniciais do projeto, que começou no ano passado e agora dá os primeiros frutos. A renda mensal obtida com a venda de hortaliças e de aves está em torno de R$ 200,00. A perspectiva da família é ampliar a produção. “Estamos começando agora, mas com esse projeto não sinto mais as dificuldades da falta de chuva”.

Na comunidade de Oitis, duas famílias foram beneficiadas: os casais, Francisco Bandeira de Moura e Maria Soares Moura, e Cícero Antonio Severo da Costa e Jozenira Maria de Oliveira. O trabalho vem dando bons frutos. As tarefas são divididas e a renda familiar em abril passado foi de R$ 200,00.

A unidade de Oitis começou a produzir, semanalmente, tomate, quiabo, pimentão, coentro, cebolinha e até milho verde. “Em abril passado, ninguém produziu por causa da seca, mas nós conseguimos tirar 56 espigas de milho verde”, disse Moura. “Estamos conseguindo vender a produção com facilidade”.

Acompanhamento

Os agentes rurais Damião Pereira da Costa e Cícero Machado, que dão assistência técnica aos projetos Mandala, disseram que o clima entre os produtores é de otimismo e disposição para o trabalho. “Eles estão seguindo as orientações técnicas. Os produtos apresentam boa qualidade e suprem a necessidade local de consumo”, frisou Costa.

Além da assistência técnica, as famílias são acompanhadas por uma extensionista social, que dá orientação sobre aproveitamento, consumo e valor nutricional dos produtos. A realidade mostra que a maioria dos agricultores desconhece a importância de frutas e verduras na alimentação, preferindo o consumo de cereais e carnes.

O chefe do escritório da Ematerce nesta cidade, Kleber Correia, avalia que os resultados são satisfatórios. “São ações simples que estão mudando a vida dos agricultores familiares. O nosso esforço é para ampliar esses projetos, atendendo maior número de famílias”.

CENTRO-SUL
Encontros buscam discutir certificação orgânica

Será realizado, no dia 16, um encontro estadual para a formação de um Sistema Participativo de Garantia Orgânica

Iguatu Uma série de encontros regionais vem discutindo, no Ceará, a certificação da produção orgânica da agricultura familiar. O objetivo é articular a construção de um organismo participativo de âmbito estadual. Já foram realizadas quatro oficinas, em Itapipoca, Barreiras, Quixeramobim e nesta cidade, reunindo produtores de vários municípios. A ideia é inserir a cadeia produtiva no processo de certificação dos produtos orgânicos.

O próximo passo será o encontro estadual, que está previsto para o dia 16, em Fortaleza. Os debates regionais vão permitir a formação do Sistema Participativo de Garantia do Estado do Ceará (SPG/CE), que é um dos mecanismos previstos na legislação brasileira da produção orgânica.

“O mercado de produtos orgânicos tem crescido no mundo e o Brasil tem seguido esta tendência”, observa o agrônomo Paulo Maciel, membro do Instituto Rio Jaguaribe e articulador estadual do SPG. “Crescem a demanda e a exigência pela garantia da produção orgânica”.

O Brasil tanto exporta como importa produtos orgânicos. “Daí a importância da temática da certificação da produção orgânica. É um meio de garantir ao consumidor segurança referente à sanidade do produto”, frisou. Além desse item, Maciel relaciona a qualidade alimentar, ausência de contaminantes, origem dos produtos, método de produção, cuidados e medidas ambientais, pois a ecologia também integra o rol dos critérios da produção orgânica.

Maciel mostra que a agricultura orgânica não se restringe ao não uso de agrotóxicos. “É um conceito mais amplo, que envolve a autossustentabilidade e a adoção de práticas ecológicas. Muitos confundem pensando que é apenas a proibição de uso de veneno”. A proteção de matas nativas, a irrigação por microaspersão, a proibição de queimadas são algumas das práticas que protegem o meio ambiente e que fazem parte da produção orgânica.

Em face das exigências internacionais, o Brasil passou a adotar uma legislação específica para a produção orgânica. No Ceará, várias organizações comunitárias de produtores, cooperativas e ONGs vêm incentivando a adoção de um sistema de garantia de produtos orgânicos oriundos da pequena propriedade rural, a exemplo da agricultura familiar. Maciel explica que a instituição estadual dará os primeiros passos para regulamentar a produção orgânica dos produtores a se cadastrarem na futura entidade. (HB)

MAIS INFORMAÇÕES

Escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão (Ematerce) em Lavras da Mangabeira
(88) 3536.1636

Com informações do Diário do Nordeste

Embora a maior parte da produção inerente ao complexo agrícola familiar no Ceará esteja concentrada nas culturas de sequeiro, onde se sobressaem o milho, o feijão, o arroz e a mandioca, outras possibilidades vêm sendo acrescentadas pelo governo local para driblar as condições naturais do Estado, que impedem maior consolidação desse setor. Nessa direção, o aumento das áreas irrigadas destinadas à agricultura, com destaque para as frutas e as flores; a produção de mel; de carnaúba e ainda a piscicultura, onde se sobressai a criação de tilápia; e a carcinicultura estão sendo estimuladas na tentativa de geração de emprego e renda para o homem do campo.

“A consolidação da agricultura familiar no Ceará é bastante limitada pelas próprias condições naturais do Estado. As irregularidades climáticas, típicas do semiárido, ainda impedem que esta se desenvolva. Não se trata de falta de vontade política ou de políticas públicas”, argumenta o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), Francisco Zuza de Souza.

Além do pagamento do seguro safra e das distribuição de sementes, para diminuir os riscos inerentes à produção e ao clima, ele chama a atenção para os polos de agricultura irrigada já existentes no Ceará e para as áreas potenciais para o cultivo protegido. “Hoje temos em torno de 82 mil hectares irrigados no Ceará, distribuídos em seis polos, produzindo uma diversidade de frutas e flores, mas temos condições de chegar a 200 mil hectares. A agricultura irrigada tem condições de estabilizar a produção, pois possibilita um cultivo planejado e controlado, garantido mais renda. São atividades que, acrescentadas às existentes, vão dar mais sustentabilidade aos negócios”.

Segundo o presidente da Adece, de 1999, quando se iniciou o cultivo em áreas irrigadas no Ceará, até 2009, a renda bruta proveniente dessas propriedades saltou de R$ 150 milhões para R$ 1 bilhão. “Esse aumento na renda revela a maior produtividade resultante da agricultura irrigada. Não é que uma coisa substitua a outra, mas elas são complementares. Para se ter uma ideia, se cada agricultor tivesse condições de produzir em pelo menos um hectare irrigado, daria para ele garantir uma renda mensal líquida de R$ 500,00 a R$ 600,00, além de assegurar alimento para a família”, reforça. “A agricultura familiar não deve ser vista apenas como uma atividade de subsistência. Ela tem também a sua importância econômica, social e financeira para o semiárido, até porque é ela produz a maior parte dos alimentos da população”, emenda. (ADJ)

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
Baixa tecnologia gera pobreza

A produção agregada de alimentos no Estado, predominantemente realizada pelos agricultores familiares, oscilou de 406 mil toneladas a 1,44 milhão de toneladas, no intervalo de 1947 a 2008 – um incremento de 255%. Em igual período, a média da precipitação de chuvas foi de 869 milímetros, segundo o estudo “Algumas das Causas da Pobreza do Nordeste”, elaborado pelos pesquisadores José Lemos e Demartone Botelho.

A produção diária per capita de alimentos no período foi de 840 gramas, mas oscilou entre 250 gramas e 1.840 gramas. Além disso, dentro daquele lapso de tempo, a probabilidade de ocorrência de chuvas em anos em que o rendimento das lavouras superavam as suas médias históricas girava em torno de 50%. “Portanto, as atividades agrícolas, que não utilizam tecnologias que independem, ou dependem menos do regime pluviométrico, tem uma chance muito grande de gerarem riscos para os agricultores familiares que são reféns dos fatores naturais para cultivar”, avaliam.

Acrescente-se às condições naturais extremamente difíceis para boa parte dos nordestinos e cearenses as dificuldades de terem terras em tamanho e fertilidade adequados à capacidade de sustentação das famílias, tanto de um ponto de vista de produção da segurança alimentar, como de fomentar ocupação durante todo o ano e geração de renda monetária.

As dificuldades, segundo os pesquisadores, induzem os agricultores a práticas agrícolas que exaurem o solo e outros recursos naturais, por absoluta falta de alternativas. “Esta sinergia de eventos provoca degradação e empobrecimento dos recursos naturais e das famílias que se tornam potenciais emigrantes”, completa Botelho. Forma-se, assim, um ciclo de pobreza que é difícil, mas que precisa ser rompido. “Com tecnologias adaptadas e adequadas, com políticas públicas de acesso aos ativos produtivos, mas também aos ativos sociais: saneamento, água, coleta de lixo e educação”.

Informações do Diário do Nordeste

Os interessados em participar da III Winotec poderão enviar seus artigos técnicos até o dia 16 de abril. A edição deste ano do Workshop Internacional de Inovações Tecnológicas em Irrigação será realizado entre os dias 8 e 11 de junho em Fortaleza-CE, e terá também a II Conferência Sobre Recursos Hídricos do Semi-Árido Brasileiro.

Poderão ser enviados um ou mais artigos, de acordo com a organização. Mais detalhes sobre o envio e as normas podem ser acessadas no site do evento: http://www.inovagri.org.br/winotec.

A seca está prejudicando as lavouras de milho e feijão no sul do Ceará. Agricultores iniciaram as plantações logo depois das primeiras chuvas do ano. O problema é que, depois disso, a água não apareceu mais. Devido à falta de chuva, os pés de milho ficaram pequenos, bem abaixo do esperado.

No ano passado, em Mauriti (CE), um dos maiores produtores no estado, os agricultores plantaram milho e feijão e só conseguiram salvar 60% das lavouras porque a chuva carregou todo restante. Já neste ano, entre janeiro e março, não choveu praticamente nada. Por isso, muitas lavouras estão perdidas.

Em um sítio da região, o agricultor Expedito Alves plantou no começo de janeiro com o pai. Foram dias debaixo de muito sol forte plantando uma área de quatro hectares. Apesar do trabalho, pode faltar feijão no prato da família. (Fonte: G1)

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